Não é nada que não se saiba e não atinge apenas Presidentes de Câmara, mas igualmente vereadores e Presidentes de Assembleias Municipais. E em alguns casos gente muito activa no aparelho dos respectivos partidos que até já passou de forma quase sempre cinzenta e anónima por outras cadeirinhas do poder existente, sendo que esse poder é de todas as cores. E na maior parte dos casos aproveitaram todos os bónus previstos ou previsíveis em todos os regimes excepcionais da lei. Mas é sempre tudo legal, eu sei.
De acordo com estes dados, entre os aposentados cerca de 40% até estão abaixo dos 55 anos e eu sei, de conhecimento directo, dos que assim ficaram livres da carga do trabalho, antes mesmo dos 50 anos.
Por isso, poderá ser que com a municipalização dos serviços educativos – que entre nós será um triste simulacro de uma efectiva territorialização das políticas educativas – os professores possam aprender algumas estratégias de sobrevivência. Ou então, graças à maneira hábil como muitos souberam aproveitar-se de todas as reentrâncias das leis, ficaremos na chamada camisa de onze varas porque eles já a sabem toda e não gostam de partilhar a boa vida.
Porque isto não é demagogia, mas pura e simples observação dos factos: não há notícia de Presidente de Câmara com um par de mandatos que não tenha ficado acomodado para o resto da vida, seja num cargo qualquer numa espécie de empresa (inter)municipal, num organismo intermédio do Estado ou (os que ainda não se safaram, previsivelmente numa estrutura decorrente da disfarçada regionalização administrativa do país.
Demagogia é, isso sim, alguns destes senhores aparecerem a reclamar competências sobre um sector acerca do qual pouco conhecem ou já se esqueceram (sim há Presidentes que já foram professores) e que apenas querem ter sob a sua alçada para melhor estenderem os tentáculos dos polvos partidários locais e exigirem obediências variadas.
Há excepções, claro que há excepções e conheço até algumas, mas são isso mesmo, excepções.

Maio 11, 2008 at 12:02 pm
A Infelicidade da Juventude
O que faz da juventude um período infeliz é a caça à felicidade, na firme pressuposição de que ela tem de ser encontrada na existência. Disso resulta a esperança sempre malograda e, desta, o descontentamento. Imagens enganosas de uma vaga felicidade onírica pairam perante nós revestidas de formas caprichosamente escolhidas, fazendo-nos procurar em vão o seu original. Por isso, nos anos da juventude, estamos quase sempre descontentes com a nossa situação e o nosso ambiente, não importando quais sejam; porque lhes atribuímos o que na verdade pertence, em toda a parte, à vacuidade e à indigência da vida humana, com as quais só então travamos o primeiro conhecimento, após termos esperado coisas bem diversas. Ganhar-se-ia bastante se, pela instrução em tempo apropriado, fosse erradicada nos jovens a ilusão de que há muito a encontrar no mundo. Porém, é o contrário que acontece: na maioria das vezes, conhecemos a vida primeiro pela poesia, e depois pela realidade.
ou ainda
A História é um Criar e Desfazer de Ilusões
A História é um criar e desfazer de ilusões. Em todos os domínios, sobretudo no do pensar. Admitamos que é antes um desfazer de ilusões até à verdade final. Cercados do nada, antes e depois, o indivíduo, a espécie, a própria terra, o sistema solar, o universo com a degradação da energia, que é que quer dizer uma «ilusão»? É o acordar de um sonho num sonho. Que significa o entusiasmo com o desfazer do que nos iludiu? Mas continuar a sonhar num sonho de segundo grau é não saber que se continua. Com essa ignorância se faz a grandeza do homem. Ou com o ignorar, mas como se não. A verdade perfeita é o nada que nos cerca. Mas no nada nem sequer se sabe que não há nada. Só portanto na ilusão pode haver tudo. E, nesse caso, continuemos.
Maio 11, 2008 at 12:04 pm
Diariamente criticamos o destino: “Porque foi este homem arrebatado a meio da carreira? E aquele, porque não morre, em vez de prolongar uma velhice tão penosa para ele como para os outros?” Diz-me cá, por favor: o que achas tu mais justo, seres tu a obedecer à natureza ou a natureza a ti? Que diferença faz sair mais ou menos depressa de um sítio de onde temos mesmo de sair? Não nos devemos preocupar em viver muito, mas sim em viver plenamente; viver muito depende do destino, viver plenamente, da nossa própria alma. Uma vida plena é longa quanto basta; e será plena se a alma se apropria do bem que lhe é próprio e se apenas a si reconhece poder sobre si mesma. Que interessa os oitenta anos daquele homem passados na inacção? Ele não viveu, demorou-se nesta vida; não morreu tarde, levou foi muito tempo a morrer! “Viveu oitenta anos!”. O que importa é ver a partir de que data ele começou a morrer. “Mas aquele outro morreu na força da vida”. É certo, mas cumpriu os deveres de um bom cidadão, de um bom amigo, de um bom filho, sem descurar o mínimo pormenor; embora o seu tempo de vida ficasse incompleto, a sua vida atingiu a plenitude
Maio 11, 2008 at 12:05 pm
Concluindo e para estes ditos autarcas
Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas. Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse. De facto, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica – o que não é aceitável – ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seriam melhores porque permaneciam incorruptíveis. Que maior monstruosidade do que afirmar que as coisas se tornariam melhores com perder todo o bem?
Por isso, se são privadas de todo o bem, deixarão totalmente de existir. Logo, enquanto existem são boas. Assim sendo, todas as coisas que existem são boas e aquele mal que eu procurava não é uma substância, pois se fosse substância seria um bem. Na verdade, ou seria substância incorruptível, e então era certamente um grande bem, ou seria substância corruptível, e nesse caso, se não fosse boa, não se poderia corromper
Maio 11, 2008 at 12:09 pm
Cá para mim os autarcas foram influenciados por santo agostinho..
Bem vou prepara o almoço ..
deixo aqui uma ultima reflexão.
O hábito é o balastro que prende o cão ao seu vómito. Respirar é um hábito. A vida é um hábito. Ou melhor, a vida é uma sucessão de hábitos, porque o indivíduo é uma sucessão de indivíduos [...] «Hábito» é pois o termo genérico para os inúmeros contratos celebrados entre os inúmeros sujeitos que constituem o indivíduo e os seus inúmeros objectos correlativos. Os períodos de transição que separam as consecutivas adaptações [...] representam as zonas perigosas na vida do indivíduo, perigosas, penosas, misteriosas e férteis, em que, por um momento, o tédio de viver é substituído pelo sofrimento de ser.
Samuel Beckett
Maio 11, 2008 at 12:44 pm
Quando se levantaram estas questões de todos terem o mesmo regime de contenção (risos) recordo que de imediato foi noticiado que no entretanto sairam despachos legislativos para os “tais” não serem abrangidos. No caso dos deputados,por exemplo, Vera Jardim não ficava contemplado e mudou-se a lei. claro.
Nada se alterou. Foi só areia para os olhos do “zé”. Os cargos políticos continua tudo na mesma. O ensino superior continua tudo na mesma. Os médicos não tiveram alteração de carreira. Os magistrados também não tiveram alteração de carreira.
Bem. Estamos a ser os bobos da “corte”!!!!
REPTO EM TOM DE DESAFIO (não é possível o link)
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/05/repto-em-tom-de-desafio.html
Maio 11, 2008 at 10:37 pm
Um “amigo” meu, por acaso “vítima” de algum insucesso escolar, mas muito esperto, optou por esta via aberta. Quarentão, ficou com uma reforma de luxo, muito, mas mesmo muito, acima da que teria do seu empreguito. Vai andando aí por uns cargozitos e, por alguma razão que desconheço, nem me fala. Vejam lá o que eu tenho perdido! De forma que eu, quando olho para este poder com senhores tão humildes, quase choro… de riso!