É um problema que se coloca perante algumas demissões de colegas de órgãos de gestão, assim como de recusa de ocupação de cargos de Coordenadores ou de pertença aos Conselhos Gerais Transitórios.

  • Até que ponto se deve entrar no jogo, para o desmontar a partir de dentro?
  • Até que ponto se deve recusar entrar no jogo, não pactuando com nenhum tipo de colaboração no seu desenvolvimento?

Pessoalmente, sempre me inclinei para a segunda opção em situações anteriores. Não me vou envolver pessoalmente em algo de que discordo com a pretensão que serei capaz de lhe «dar a volta». Mas percebo quem ache que é a partir de dentro que se podem estabelecer aquelas «pontes» para soluções melhores do que as decretadas.

Só que eu duvido que, neste momento, esse tipo de margem de autonomia exista verdadeiramente. O controle sobre o funcionamento quotidiano as escolas é muito grande. Há ainda algumas «bolsas de ar» que permitem alguma respiração. Mas a verdade é que isso só existirá enquanto a tutela – ou quem a vier a substituir – quiser que exista. Os actos de resistência activa ou passiva a esse nível apenas serão tolerados enquanto não colocarem em causa o edifício. Enquanto forem úteis retoques de cosmética para dar a sensação de pluralismo. Então quando o controle for «de proximidade» a autonomia das escolas será uma completa ficção.

Sei que há quem argumente que deixar os Conselhos Gerais Transitórios apenas a «adesivos» ou «ingénuos» é perigoso. Que é necessário estar lá para ajudar a controlar os danos.

Mas vejamos a coisa por outro prisma: como é difícil que a experiência tenha verdadeiro sucesso – a nível global e numa boa maioria de casos específicos – não há nada como traçar fronteiras e clarificar quem tem a responsabilidade pelo quê. Se conseguirem fazer as coisas bem, todo o crédito deve ser para os bons executores da estratégia governamental. Se falharem, devem ser responsabilizados por isso.

Não é isso a verdadeira accountability?

É que nestas matérias é melhor ser objector de consciência do que colaborador com reserva mental.

Acho eu.