É um problema que se coloca perante algumas demissões de colegas de órgãos de gestão, assim como de recusa de ocupação de cargos de Coordenadores ou de pertença aos Conselhos Gerais Transitórios.
- Até que ponto se deve entrar no jogo, para o desmontar a partir de dentro?
- Até que ponto se deve recusar entrar no jogo, não pactuando com nenhum tipo de colaboração no seu desenvolvimento?
Pessoalmente, sempre me inclinei para a segunda opção em situações anteriores. Não me vou envolver pessoalmente em algo de que discordo com a pretensão que serei capaz de lhe «dar a volta». Mas percebo quem ache que é a partir de dentro que se podem estabelecer aquelas «pontes» para soluções melhores do que as decretadas.
Só que eu duvido que, neste momento, esse tipo de margem de autonomia exista verdadeiramente. O controle sobre o funcionamento quotidiano as escolas é muito grande. Há ainda algumas «bolsas de ar» que permitem alguma respiração. Mas a verdade é que isso só existirá enquanto a tutela – ou quem a vier a substituir – quiser que exista. Os actos de resistência activa ou passiva a esse nível apenas serão tolerados enquanto não colocarem em causa o edifício. Enquanto forem úteis retoques de cosmética para dar a sensação de pluralismo. Então quando o controle for «de proximidade» a autonomia das escolas será uma completa ficção.
Sei que há quem argumente que deixar os Conselhos Gerais Transitórios apenas a «adesivos» ou «ingénuos» é perigoso. Que é necessário estar lá para ajudar a controlar os danos.
Mas vejamos a coisa por outro prisma: como é difícil que a experiência tenha verdadeiro sucesso – a nível global e numa boa maioria de casos específicos – não há nada como traçar fronteiras e clarificar quem tem a responsabilidade pelo quê. Se conseguirem fazer as coisas bem, todo o crédito deve ser para os bons executores da estratégia governamental. Se falharem, devem ser responsabilizados por isso.
Não é isso a verdadeira accountability?
É que nestas matérias é melhor ser objector de consciência do que colaborador com reserva mental.
Acho eu.
Maio 8, 2008 at 5:12 pm
Aí está uma boa questão sobre a qual tinha dúvidas.
No entanto, creio que se todos, ou uma grande parte, boicotarem e não aceitarem o “sistema de gestão” das escolas que a ME quer impôr, ele ” novo sistema” perde credibilidade e fica claro que não presta. E o futuro não acaba aqui, nem agora. Cumprimentos. http://criticademusica.blogspot.com/
Maio 8, 2008 at 5:17 pm
O Conselho Geral é por eleição por conseguinte por candidatura e, portanto, como sou livre de ma candidatar, para esse órgão não tenciono propor-me.
Quanto ao cargo de coordenador de deparamento, e consequente representatividade no CP, é que já é mais difícil… é por nomeação e portanto de aceitação obrigatória, o que impede qualquer veleidade de contrariar normas. E neste caso estão quaisquer outros cargos de coordenação que possam ser atribuídos.
Maio 8, 2008 at 6:47 pm
Não vou participar no Conselho Geral apesar de ser da actaul Assembleia. Não há hipótese de sabotar participando, mas apenas de colaborar em manter o edifício no ar. Sei que arranjaria uma forma de salvar esse orgão de gestão porque nunca sou destrutiva, mas não participarei porque sou contra os poderes desse orgão e de muito mais que o decreto de gestão preconiza.
Haverá quem seja empurrado para lá mas serão sempre os “espectadores” que não sabem ao que andam.
Desconfio que nem autarquia, nem EEs, estarão interessados em lideranças fortes mas em palhaços obedientes e manobraveis, assim que perceberem que têm maioria nas decisões a tomar. Serão eles os senhores das escolas, com a autarquia a querer marcar pontos e alguns EEs a aproveitar a oportunidade de ter protagonismo.
É melhor deixar cair e estar pronto para reerguer num futuro próximo.
Maio 8, 2008 at 7:16 pm
Infelizmente, concordo com o comentário 3.
Por outro lado, para mim, fazer parte de um órgão, não concordando com os princípios que o regem seria no mínimo desgastante e auto-destruidor.
Maio 8, 2008 at 8:43 pm
Eu já não sou professor, mas parece-me, pela minha experiência passada, que haverá sempre quem esteja disposto a ocupar lugares de chefia ou à procura de protagonismo. Se não os ocupar quem, honestamente, não concorda ou repudia o rumo seguido, os “yes men” ou seguidistas teram a sua oportunidade. Calculo que a margem de manobra seja reduzida, pelo que será, certamente, uma decisão difícil. Mas lembremo-nos de que, ao não exercermos os nossos direitos cívicos, como o de participação e crítica, estes atrofiam. Ainda vivemos numa democracia e a escola TEM que reflectir isso.
Maio 8, 2008 at 8:45 pm
“terão”, em vez de “teram”
Maio 8, 2008 at 8:58 pm
É bom que se continue a discutir a digna decisão da Maria Leonor Duarte que este excelente blogue publicou em “resistências individuais”. O comentário de Teresa Martinho Marques, nesse post, diz o seguinte: a Maria Leonor Duarte recusou-se a realizar a candidatura a titular – e tinha entrada directa
– isso diz tudo.
A minha declaração de interesses: sou titular.
Abraço.
Maio 8, 2008 at 10:16 pm
Comentário 3.
Aplaudo e não posso estar mais de acordo.
Quanto a Maria Lisboa, colega, tenho dúvidas que esse cargo seja de aceitação obrigatória… podemos sempre invocar muitas objecções
1.não me sentir preparado para a complexidade cientifico-pedagogica do cargo;
2. não tenho qualquer afinidade pedagógica com o Director- ele que escolha outro;
3. por motivos de saúde – cansaço acumulado, problemas familiares de assistência, outros – sou obrigada a declinar o lugar;
4. tenho incompatibilidades pessoais com o director – não posso trabalhar com ele;
Existem mais objecções que podem ser invocadas… se o Paulo colocar isto como tema de discussão a rigor ( e acho que é talvez o mais premente actualmente), voltarei ao assunto.
Maio 8, 2008 at 10:50 pm
“É que nestas matérias é melhor ser objector de consciência do que colaborador com reserva mental.
Acho eu.”
Eu também acho…
Maio 8, 2008 at 10:51 pm
Só uma pergunta:
os coordenadores não têm de ser professores-titulares?
Havendo só 3 ou 4 num Agrupamento, o “Todo Poderoso Director” não tem forçosamente de os “convidar” a eles?
Maio 8, 2008 at 11:31 pm
Não faltará espaço de intervenção a quem o queira fazer sem ter de vender a alma. Não terei de recear deixar a outros a implementação de uma lei que me repugna. Por muito que receie os maus resultados, não vou esquecer que é mínima a margem de manobra para influenciar “positivamente” por dentro.
Apesar de ser actualmente da Assembleia, não participarei na farsa.
Maio 8, 2008 at 11:44 pm
O que eu penso sobre…
Os cargos de coordenadores e afins são de aceitação obrigatória, pelo menos é que diz o RI da minha escola, não há demissão possível;
os lugares para o Conselho Geral são por candidatura, ninguém é obrigado a candidatar-se.
os colaboradores(?) do Director são convidados, só aceitam se quiserem.
É assim ou estou engada?
Maio 9, 2008 at 12:29 am
Concordo totalmente com a posição postada pelo Guinote. No âmbito do que se desenha como “assalto final ás escolas” e á autonomia pedagógica do professor (etc) não há qualquer espaço para veleidades do tipo “por dentro posso dar o meu contributo e ajudar a que as monstruosidades não sejam tão grandes”.
Finou. Comissários políticos dentro das escolas. Perseguições de professores, delação permanente, compadrio, tudo.
Cada escola vai passar a designar-se por “casa dos horrores”.
Maio 9, 2008 at 12:31 am
Desafio para “anular o monstro”!
mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/05/repto-em-tom-de-desafio.html
Maio 9, 2008 at 12:42 am
Se os professores tiverem dignidade não se candidatam.
Aliás, no actual modelo que poder têm? vão lá defender o quê e quem?
Se se candidatarem estão, simplesmente, a viabilizar o processo.
Competentes ou incompetentes não deixam de ser “adesivos”.
Maio 9, 2008 at 3:41 am
Sim à coerência, não aos adesivos!
Prefiro um colega que defenda o modelo PS do que aquele colega que diz mal do sistema e depois tira proveito dele!