Até ao entendimento, os presidentes das Assembleias de Escola tinham 30 dias após a publicação da legislação em causa (que aconteceu no passado dia 22 de Abril) para despoletarem e terem em curso o processo de transição para Conselho Geral Transitório e depois tinham cerca de um ano para completarem todo processo seguinte que culminaria, no máximo, dia 31 de Maio de 2009 com a eleição dos futuros Directores Executivos.
Neste momento, o procedimento que deveria decorrer até 21 de Maio está distendido até 30 de Setembro, mas tudo o resto mantém-se, pois no ponto 10 do entendimento explicita-se que é apenas o primeiro ponto do procedimento da aplicação do novo regime de gestão que tem o prazo alargado. Todo o mais continua com os mesmos prazos.
Perante isso, há dois tipos de atitudes: há quem queira desde já arrumar a coisa o mais depressa possível de maneira a não sobrecarregar dois períodos do próximo ano lectivo – recordemos que então também o modelo de avaliação do 2/2008 deve estar a rolar – e há quem esteja disposto a esperar para ver.
De qualquer modo, quer-me parecer que a maioria vai optar por querer despachar desde já todo o procedimento mais pesado e burocrático, da constituição do Conselho Geral Transitório, novo Regulamento Interno e tudo o mais.
Na prática isto irá constituir a aceitação, de facto, do novo modelo de gestão escolar.
O que, no meu caso que sou muito teimoso, terá consequências bem gravosas a não muito longo prazo.
Mas como me parece que anda quase tudo muito «confortável» acerca deste assunto, é porque parto do princípio que, afinal, estão de acordo com o modelo.
Desculpem lá se destoo, mas esta parcela da legislação – que volto a dizer será das que terá mais nefastas consequências no funcionamento de muitas escolas e respectivo ambiente de trabalho – é para deixar assim passar de forma ligeira e sem bruá?
Maio 5, 2008 at 9:06 pm
Pois… Até eu que não sou professor já tinha pensado (e dito) o mesmo… Sou de opinião que o “entendimento” adormeceu muito boa gente!
Maio 5, 2008 at 9:12 pm
Penso que não só esta parte da parcela passará, como passará o resto todo. Com o dia 8 de Março o problema parece que caiu para o nosso lado: ou radicalizávamos o conflito ou ele dissolvia-se nos aspecto burocráticos. O entendimento, que os sindicatos não tinham outra alternativa a não ser assinar, era o reconhecimento, por parte dos sindicatos, que não tinham apoio substancial para a radicalização do conflito.
Está tudo à espera que as eleições venham e que o ministério mude. As razões que assistem aos professores não são entendidas, talvez nem por uma parte deles. É toda uma concepção de ensino que vem aí e que, na minha óptica, destruirá o futuro das próximas gerações. O editorial do Público, JMF, merece leitura, pela crítica que faz da importação de modelos estrangeiros.
Por outro lado, está tudo cansado do conflito: a sociedade e até os próprios professores. No fundo, as pessoas adaptam-se a tudo e o que querem é ver como estão as modas para se adaptarem a estas. As coisas só são percebidas quando caem em cima. O que moveu os professores foi a experiência do concurso para titulares e a discussão dos aspectos burocráticos da avaliação. Isso era demasiado real e levou ao êxito da manifestação. A nova gestão ainda não está aí, ainda não se percebe o que está lá dentro e como as Câmara irão destruir as escolas por dentro. Portanto…
Maio 5, 2008 at 9:23 pm
Todo o “entendimento” é um compromisso, com o modelo de avaliação e gestão da escola.
A MLR ganhou esta batalha, ou por ventura a guerra.
Não sei o que os professores ganharam, pelo que vejo e assisto, as famosas manifestações estão reduzidas a uns quantos …
Nas escolas, os CEs, andam numa roda doida para formar o famoso conselho de transição. Ninguém, neste momento, ou poucos contestam o modelo de avaliação e gestão.
Caiu um nevoeiro … a visão clara desapareceu, e como sempre esperamos por uma manhã de nevoeiro, por um D. Sebastião?
Há quem diga que a luta continua no ano lectivo que vem. Será? Espero que sim, mas as hipóteses de mudar serão mais reduzidas…
Maio 5, 2008 at 9:32 pm
JCM,
Na minha (modesta) opinião é exactamente o que se pretende que as Câmaras destruam as escolas por dentro… mas a fase que (já) está em marcha (ainda) vai dar muito que falar…Creio.
Maio 5, 2008 at 9:39 pm
Eu não.
Tenho a minha opinião em:
http://correntes.blogs.sapo.pt/121104.html
Abraço.
Maio 5, 2008 at 10:37 pm
Só quando estivermos a perder por muitos iremos acordar. A pausa pedida pela PSindical só serve para nos dividir e adormecer. Só que quando nos cairem as novas leis em cima já será tarde, teremos novos senhores no ME em estado de graça e com forças redobradas para enfrentar os professores descontentes. A maré estava alta e poderiamos ter conseguido muito mais de uma luta justissima que iniciamos.
Maio 5, 2008 at 10:45 pm
Não há como fugir à realidade, a maior parte dos professores ainda não “perdeu” tempo nenhum a, pelo menos, ler o dec-lei 75/2008. Por um lado a explicação estará no desconhecimento quanto ao alcance do dito, por outro talvez a descrença em qualquer acção a desenvolver seja porque motivo for, após o exemplo do desfecho do malogrado “entendimento” de má memória.
MLR e o seu séquito, a esta hora, batem palmas e riem (de nós),a bandeiras despregadas. Azar…
Maio 5, 2008 at 10:58 pm
Da mesma maneira que o pessoal se acomodou ao congelamento da carreira e ao concurso dos titulares e só se mexeu quando se viu na eminência de apanhar em cima com a avaliação do desempenho cozinhada pelo ME, também em relação à gestão deve estar tudo à espera de ter o senhor director e o senhor presidente da câmara devidamente instalados na escola para então fazer uma nova manifestação dos cem mil. Por mim, a questão é simples: não conto mexer uma palha para que o novo modelo avance. Se todos fizerem o mesmo, boicotando um processo só pode funcionar com a participação dos professores, não há conselho transitório nem director nem que resistam.
Maio 5, 2008 at 11:00 pm
Estabelecendo uma associação com o passado recente, parece-me que só começaremos a estrebuchar quando as coisas passarem a ser “vivenciadas”… é que só quando algumas escolas “muito à frente” começaram a elaborar as famigeradas fichas se passou à expressão “viva” do desconforto …
Maio 5, 2008 at 11:21 pm
Agora vê-se ainda mais claro o resultado desastroso dos movimentos anarquistas dos que se disseram independentes e não deixaram os sindicatos representá-los, assumindo assim como que um papel de justiceiros populares, atraídos, certamente, por essa patranha a que chamam movimentos cívicos.
E a PSindical, para mal dos nossos pecados, “foi na onda”.
Havia (e há) boas razões para protestar, mas os anarcas uniram-se quando a Comunicação Social em peso e os opinon makers cá do burgo faziam prevalecer a tese que os professores não queriam era ser avaliados. Com o entendimento (que é ilegal, porque equivale ao não cumprimento do que está legislado) e uma espécie de paz podre subsequente, ou adormecimento, se preferirmos, ganha força a ideia de que, afinal, está tudo bem com os professores, incluindo (agora) a avaliação.
Os anarcas substimaram o governo. Relembro palavras de Jorge Coelho, notável do Partido Socialista: «Quem se mete com o PS leva». Faço minhas as felizes palavras de 6: “Só quando estivermos a perder por muitos iremos acordar”. E o jogo ainda agora começou…
Um abraço
Maio 5, 2008 at 11:23 pm
Conforme a Ana afirma no comentário 7, tenho constatado que grande parte dos colegas não só ainda não leram, como me é dito que não faz parte das suas procupações.
Eu li… e espero dar seguimento ao dito, como me compete, no dia 30 de Setembro.
Porque não me parece que posições do tipo “ninguém se candidatar” ou “ninguém votar” sejam atitudes com real resultado. Na minha escola, o resultado seria uma outra equipa, que não a da actual Assembleia, candidatar-se, levando-nos a herdar um(a) novo(a) director(a), que não a actual PCE.
Considerando conhecer os efeitos que daí adviriam, não serei eu a romper a equipa. Por mais que discorde em absoluto do modelo “proposto” e de toda a concepção de escola que comtém, etc, etc…
Maio 5, 2008 at 11:24 pm
Infelismente os maus ensinamentos do passado recente parece que não foram aprendidos pela maioria da classe docente. O acomodamento é uma dos factores que sempre nos caracterizaram. Não estariamos no ponto da situação actual se na ocasião da imposição do estatuto os 100. 000 se tivessem manifestado. Na altura foram poucos mais de 10.000 que num dia de temporal se deslocaram à 5 de Outubro. Na última vígília, 28/04, seriam cerca de 250 os que se deram ao incómodo de lá se deslocarem à noite. Sei que há razões válidas para um certo cansaço e dencanto, mas se estamos à espera que alguém venha por nós lutar para resolver os nossos problemas, bem podemos esperar sentados. Em Setembro poderá já ser tarde!
Maio 6, 2008 at 2:42 am
Nesta escola já há convocatórias para as eleições:
http://www.zarco.pt/infoinstdet.asp?ID=145
Maio 6, 2008 at 10:46 am
Não se poderá fechar as Escolas?
Maio 6, 2008 at 7:40 pm
Depois do entendimento, ficou tudo pasmado … quase ninguém leu a dita lei da gestão e não perceberam o alcance da “coisa”… depois, vão dizer-nos que quem cala consente…
Maio 6, 2008 at 8:09 pm
25sempre (10) Parece-me que no primeiro parágrafo do seu comentário está explicada uma das razões porque Portugal tem uma fraca classificação naquele estudo da democracia: esse preconceito em relação a movimentos cívicos não enquadrados pelas organizações tradicionais, partidos ou sindicatos (chama-lhes anarquistas?)
Não pode haver opiniões diferentes? Tem de estar tudo previamente formatado e enquadrado em partidos ou em sindicatos que muitas vezes são extensões daqueles?
Maio 7, 2008 at 12:39 am
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