Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa recordava o dito espirituoso que postula que «os números podem ser torturados até dizerem tudo aquilo que queremos que digam».
Hoje é José Manuel Fernandes que nos lembra que os números não passam de representações, quantas vezes manipuladas, de uma realidade que amiúde alguém gosta de mascarar.
Comparar Portugal e a Finlândia, sacar dos resultados dos testes PISA e das fórmulas mágicas da OCDE – alguém se lembrará que há 50 anos que andamos de forma intermitente e infrutífera atrás das suas recomendações, desde o velho Projecto Mediterrâneo de final dos anos 50? – é a forma fácil e demagógica de enfrentar o nosso défice educativo e de desenvolvimento económico.
Difícil mesmo é estudar as diferenças de trajecto cultural e histórico dos dois países, perceber o que os separa e não pretender aplicar modelos pré-formatados a realidades diferentes.
Felizmente José Manuel Fernandes vai percebendo isso. Tomara eu que os cinzentos, cinzentinhas e cinzentões da 5 de Outubro e de São Bento percebessem isso de igual modo.
E que mais do que os citados Huntington ou Fukuyama, lessem muito Max Weber, pelo menos em dose próximas do Marx, Althusser, Bourdieu e Foucault (bem, sei que esperar que tenham mesmo lido este já é pedir muito…) mal lidos nos anos 60 e 70. E que lessem David Landes para terem um lampejo de compreensão que não se fazem omoletas com rolhas de cortiça.

Maio 5, 2008 at 9:54 pm
Passei por aqui só para dizer …
- já o tenho =)
Segundo sexo – Simone de Beauvoir!!!
está a minha espera numa prateleira na Fnac …
Obrigada
Ate amanha
Ana
Maio 5, 2008 at 10:09 pm
Todas estas tretas dos números servem para demonstrar uma evidência: os números são aquilo que nós quisermos que seja.
Todavia na imensa e cativante FinLândia por vezes um aluno passa-se e mata 8 ou 1o alunos, a FinLãndia é dos paises do mundo com mais armas por pssoa, embebadam-se todos os fim de semana, o suicidio está ao nível de Odemira, é um país bastante fechado e um pouco inóspito para os estrangeiros.. já pensaram o porquê da razão dos africanos estarem tão alegres e terem danças e músicas tão ritmadas?
Talvez a razão seja porque apaesar de tudo o que não teem são felizes..porque vivem realmente a sua pouca esperança de de vida.. nós os tão ditos superiores tecnologicamente -os masters do universo-somos só carneiros de um imenso rebanhoque metodicamente trabalha para obter umas merdas materialistas e se esquece da verdadeira essencia da vida: o ser livre e exercer essa liberdade.
Por isso vamos ficando cada vez mais prensados e formatados, ás vezes com devios pertubadores -àustria, alemanha, frança, ….-mas continuamos na nossa saga incessante: produzir..produzir..produzir..
O curioso é que até nos esquecemos do essencial; a comida..
Enfim não augura nada de bom e brilante neste admirávelmundo novo que está cada vez mais presente a mmaré, cruzcredo, trabalhador da silva e outros que tais terão orgasmos de prazer e extase permanente mas onde eu prefiro não estar já..
No meio disto tudo senhor e as crianças…
Maio 5, 2008 at 10:12 pm
Finlândia (sistema público de ensino, garantido a todos os alunos até ao fim do secundário)
- transporte gratuito desde que residam a mais de 4 km da escola.
- refeição gratuita nos períodos de permanência na escola
- todos os materiais escolares, incluindo livros, cadernos, canetas, lápis, borrachas, réguas, etc; gratuitos.
- aulas especiais de recuperação, quando necessárias, incluindo língua nacional para alunos imigrantes: gratuito.
Depois disto, bem gostaria de colocar a José Sócrates ou mesmo a Jorge Sampaio: descubram as sete diferenças…
Maio 5, 2008 at 10:16 pm
verdadeiramente nós os ocidentais já só obtemos prazer no consumo o resto é secundário…o problema é que agora começa a faltar para consumir..depois de 1929 e da crise da bolsa agora vai ser a crise dos alimentos ..não vai haver bolsa que chegue..
Já agora os Finlandeses são muito bons,,é verdade..mas e o outro lado’
Embebedam-se todos os fins de semana, suicidam-se á barda, teem um dos maiores número de arams por habitante, são muito pouco abertos ao exterior(economicamente segundo estudos)..enfim é todo um admiravel mundo novo…e aqpesar de todos os incentivos materno infantis e bom nivel de vida o seu número de filhos nem chega a dois por casal..hedonistas?
Maio 5, 2008 at 10:18 pm
Falta-lhes os dias de Sol, a assimilação da vitamina D e nem com os solários se vêem livres das depressões.
Maio 5, 2008 at 10:18 pm
Já agora, como decorrem as operações às cataratas na Finlândia?
Maio 5, 2008 at 10:20 pm
Ana,
Isso é que foi rapidez.
Boa leitura.
Maio 5, 2008 at 10:33 pm
Claro que as estatísticas não são a realidade como bem diz o JMF, mas a realidade é que cada mês que passa o Público tem menos leitores. O JMF que venda essa ideia ao Belmiro…que as estatísticas não servem para nada
Maio 5, 2008 at 10:34 pm
Trabalhador, o DN também vende cada vez menos, menos que o Público.
Já agora, o Acção Socialista tem aumentado as vendas?
Maio 5, 2008 at 10:37 pm
lha que não…o DN já passou o Público e quanto ao jornal do PS é cartilha dos ensinados….não conta
e só deve dizer bem.
Maio 5, 2008 at 10:39 pm
Não quer dizer que o JMF não tenha alguma razão…mas as palavras tb se gastam pelo mau uso k lhe dão. É o caso dele…
Maio 5, 2008 at 10:41 pm
Para si T.S tudo se vende tudo se comopra..
esta é
http://www.youtube.com/watch?v=CUWXcIJC7Q0 para si..e para os eu amigo Sócrates
Maio 5, 2008 at 10:43 pm
# com 3:
Totalmente de acordo, mesmo que sejamos católicos e eles protestantes, sejamos um País mais velho ao contrario deles, e mesmo se tenham ou não conhecido as hierarquias sociais como nós…
Esses sete pontos são a diferença total no nosso ensino.
O problema é realmente cultural, mais propriamente de cultura política…é mais fácil cuspir custos de chumbos do que realmente investir em toda a sua plenitude no ensino, na escola, nos professores.
Maio 5, 2008 at 10:43 pm
Pelo que sei, o DN vende mais sempre que a TAP encomenda uns milhares para dar a sensação que…
Mas isto ouvi eu dizer…
Com certeza que não se fazem truques desses.
Maio 5, 2008 at 10:45 pm
não sei se sabe mas os números também contam size matter..
Maio 5, 2008 at 10:47 pm
paulo:
O Belmiro também tem a solução para esse problema: Clientes do Continente e Modelo pode oferecer o Público.
Maio 5, 2008 at 10:47 pm
Meu caro Guinote eles até os dão nas bombas da BP de graça durante duas semanas..amanhã se quiser passe pela Bp e recolha-a grátis..
Maio 5, 2008 at 10:48 pm
O que fez JMF mudar de opinião sobre os professores? Lembro-me do «yes, minister» quando a ministra dizia que educar é como fazer uma operação ao estómago, esquecendo a sua formação sociológica onde a relativização é possível e é exigível. apesar de se encontrar razões económicas para o que se fez, não encontro explicações para o que se disse e como se disse. Algum ressentimento? Apetece dizer: deixem-nos em paz, que sabemos o caminho que temos de percorrer.
PS: Em França parece que as coisas não estão muito famosas para os profs. Não me digam que Sarko,quando visitou Sócrates antes da sua eleição para Presidente, veio informar-se sobre como dar porrada aos professeurs!
Maio 5, 2008 at 10:50 pm
Parece que o Sr. Presidente da República andou a frequentar as aulas de Maria de Lurdes Rodrigues e também já fala numa mudança do “paradigma”…
Valha-nos a Santa Engrácia
Maio 5, 2008 at 10:52 pm
Para si TS -espero que perceba inglês
NOS STATES HOJE EM DIA
In the 1950s teachers confronted societal problems: the challenges of segregated and unequal schools; the poverty of urban and rural families. In 1966, we learned from James Coleman’s historic study that socio-economic factors were more influential in student achievement than what happened in classrooms. While we now know quality teaching makes a difference in student learning, recent research also supports Coleman’s finding. This year, BC’s Albert Beaton, statistical architect of the Coleman report, found the same effect when he analyzed the international comparisons of over 40 countries in the Third International Math and Science Study. Again, factors such as parents’ education, the number of books in the home and the amount of time parents have at home proved critical to children’s performance in school. Good teaching, it seems, is necessary but not sufficient for student achievement.
…Today’s teachers face tasks much more complex than when churches and temples, neighborhoods and families collectively supported children and youth. In the 1950s, for many new teachers the pervasive student misbehavior was gum chewing. Today’s new teachers must stand ready to confront an onslaught of the ‘new morbidities’ that threaten students’ lives and well being: alcohol and drug abuse, teen pregnancy, violence, unsafe sex and HIV infection.
The fact is, no matter how knowledgeable, competent and prepared the teacher, the child who comes to school hungry, exhausted from a job or from caring for younger siblings, in pain from a toothache or fearing for his safety – this child is not ready to learn. Today’s teachers must look beyond the classroom and, in many cases, must support the efforts of families. This is a daunting challenge, but it is also an opportunity to do important work.
Maio 5, 2008 at 10:59 pm
There’s been a lot of hand wringing about how the United States is falling behind in science education. Now, it looks as though America may be losing its edge in reading and literacy, too. Six years after No Child Left Behind was signed into law—and U.S. schools began throwing resources into teaching all kinds of kids to read and read well—fourth-graders in the United States are doing no better in reading than they were in 2001, according to the results of an international reading test released this week.
Fourth-grade students from 10 countries and jurisdictions—including Russia, Hong Kong, Singapore, Italy, Sweden and Canada—did better than American kids, according to the Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS) released by Boston College. In 2001 only three countries did better than U.S. kids in reading.
Here’s what’s puzzling: If you believe the numbers the U.S. Department of Education churns out, the reading scores of American fourth-graders should be rising. According to the most recent National Assessment of Educational Progress scores, known as the Nation’s Report Card, fourth-grade reading scores have improved—and not just a little. Between 2001 and 2007, according to the Department of Education, reading scores for fourth-graders jumped eight points, from 213 to 221. Eighth-grade reading scores have remained flat.
Those national scores have been hailed by supporters of No Child Left Behind as evidence that the controversial federal education reform law is working. To be sure, teachers are doing their level best to comply. To make sure kids meet the state guidelines, as the law mandates, classrooms—even in kindergarten and first grade—have adopted literacy-soaked curriculums and focused more of the school day on reading instruction, often at the expense of recess, gym and even science and social studies. The PIRLS data confirms that the hours teacher spend on explicit reading instruction is higher in the United States than the international average.
So why are American kids falling behind internationally? Maybe because school can’t do everything. According to a report released last week by the National Endowment for the Arts, 60 percent of 8-to-10-year-olds report reading less than 30 minutes a day for pleasure. Almost 40 percent read less than five minutes a day. At the same time, the governments in Hong Kong and Singapore, which leapfrogged over the United States’ test scores between 2001 and 2007, have launched massive public awareness campaigns touting the importance of reading in school and at home.
Anyone for a trip to the library?
Maio 5, 2008 at 11:02 pm
Desculpa Guinote encher isto mas é para o senhor Ts ver que no seu reino da utopia os alicerces são de estrume..
Maio 5, 2008 at 11:10 pm
Acho que o Espécime Ts voltou de férias!
Era tão bom que os professores pudessem tirar umas sempre que quisessem…
Mas enfim. Parabéns é ao José Manuel Fernandes que tem demonstrado um melhor entendimento sobre a política educativa deste ministério.
Sobre os cinzentos, cinzentinhas e cinzentões da 5 de Outubro e de São Bento, está tudo dito no teu post, Paulo:
- Foram sempre, desde o início, os números a falarem mais alto.
Os números do défice, das poupanças, das despesas, dos salários e das estatísticas.
- Pena é que não entendam que esta obsessão pelos NÚMEROS não melhore o resultado das LETRAS.
As letras da qualidade, do empenho, do sucesso, da verdade e do futuro do nosso país.
Maio 5, 2008 at 11:26 pm
Só podemos tirar férias em Agosto, no mês mais caro do ano, que tristeza. E os trabalhadores que abundam por cá são como diz o Maurício, uns sortudos.
Maio 5, 2008 at 11:34 pm
O trabalho não educa.
Maio 5, 2008 at 11:55 pm
O JMF começa o artigo com um mau exemplo.
O aluno que está no 10.º ano a frequentar inglês com um percurso escolar mal sucedido, nunca deveria ter sido aceite (pela escola) àquela disciplina. Devia ter iniciado outra língua. Uma questão de bom senso.
Maio 6, 2008 at 12:59 am
Paulo,
O porquê das coisas está na nossa programação mental, tal como definida por Hofstede.
Ele caracterizou comparativamente os traços culturais (programação cultural-mental) de diversos Paises de acordo com 4 dimensões culturais. Está aqui muito bem explicado:
http://www.clearlycultural.com/geert-hofstede-cultural-dimensions/
Olhando para os scores de Portugal fica-se com uma boa ideia do que somos, mas sobretudo do que não somos.
Maio 6, 2008 at 1:43 am
http://www.scribd.com/doc/2886591/JN-A-lei-da-selva-Honorio-Novo
Maio 6, 2008 at 1:44 am
http://www.scribd.com/doc/2886593/JN-A-Zona-Franca-Mario-Crespo
Apareçam de vez em quando – sempre apanham “alguma coisa interessante”:
http://www.scribd.com/people/view/347254-liberdade
Maio 6, 2008 at 9:18 am
ManyFaces
Interessantes estas escalas ensaiadas por Hofstede.
Pena que Angola não apareça. Neste país coexistem dois pólos opostos: o predomínio absoluto das relações familiares (como defesa para a sobrevivência) entre os governados – que daria um elevado nível de colectivismo fundamentado nas relações gentílicas, que não com o Estado – e um individualismo absoluto na parte da sociedade tocada pelo Estado moderno.
Talvez estas dimensões estejam ainda numa fase de amadurecimento experimental.
Maio 6, 2008 at 4:02 pm
Caro António,
Esse estudo foi nos anos 90… Angola ainda não estava no mapa das pragmáticas prioridades ocidentais
Portugal entrou na primeira fase do estudo mas não na segunda (por isso não aparece o score de long-term orientation).
Há estudos mais recentes e completos sobre este tema que incluem mais dimensões (projecto GLOBE):
http://www.thunderbird.edu/wwwfiles/ms/globe/
Maio 7, 2008 at 2:47 pm
Quando o ME compara os dados da OCDE, está a comparar os dados que o próprio ME fornece à OCDE com os dos seus congéneres.
A mim, isto parece-me algo faccioso.
Maio 7, 2008 at 2:57 pm
O que eu acho estranho é que:
O modelo de avaliação chileno não teve problemas em ser imposto, não houve nem ninguém,que tenha posto em causa por problemas culturais, religiosos, políticos, etc.
Já com o modelo de ensino Finlandês, já há problemas, culturais, políticos, religiosas, etc.
Isto é que está aqui uma grande açorda!