- Nível de exigência elevado na disciplina.
- Uso condicionado da máquina calculadora.
- Muito trabalho.
Como bem diz o director desta escola privada de sucesso, fora dos grandes centros urbanos, nada disto é um grande segredo. É apenas a recuperação de velhos métodos de trabalho com resultados comprovados.
Embora seja óbvio que os bons resultados com base no trabalho não atraem todos os utentes do sistema de ensino, mas apenas aqueles que pretendem efectiva qualidade e não apenas estatísticas.
Aplicar esta fórmula a todo o sistema público exigiria alguns anos de espera para se verem resultados – no mínimo 6 a 9, o que é coisa para dois ou mais mandatos – e não há coragem política que resista.
É mais fácil fazer uma cortina de fumo com números e investir 6,5 euros por aluno à espera que chovam classificações positivas no final do ano, graças ao aperto dado aos professores que ousem insistir em não embarcar na pedagogia de sucesso imediato.
É nestes casos que sou obrigado a reconhecer que no sector privado existe uma margem de autonomia pedagógica e funcional efectiva que permite promover a qualidade em nichos de excelência.

Maio 4, 2008 at 8:09 pm
Os apregoados números correspondentes ao PAM deixam-me abespinhada. Na minha escola também “(de)corre” o PAM, à custa da componente NÂO LECTIVA dos professores. O dinheiro foi só para material pedagógico – pelo menos foi isso que foi transmitido.
Foi proposto que em turmas com muitas dificuldades estivessem dois professores pelo menos uma vez por semana. Não foi possível. Quem decidiu ? Não sei. “Não pode ser” foi a resposta.
Este ano há assessorias na componente não lectiva, e nalguns casos, é COINCIDENTE com horário de substituição do professor …se houver necessidade de substituir, os alunos perdem a necessidade de ser apoiados…azar o deles e o dos professores que prepararam a aula. Como é que isto gasta horas? Para que escolas foram as tais 10.000 horas?
Maio 4, 2008 at 9:48 pm
Totalmente de acordo com os três segredos. E não apenas na matemática.
Mas claro começam logo a misturar as substituições!
Maio 4, 2008 at 10:01 pm
Uma escola em que todos os alunos possam ter tempo para aprender ao seu ritmo tem que ter muito mais recursos humanos e materiais. Tem que ser uma escola mais pequena, onde os valores comunitários possam ser fortalecidos. Tem que permitir mobilidade aos alunos, respeitando a sua diversidade. Tem que lhes dar tempo e não impor ritmos desajustados e iguais para todos.
Em resumo, para que a escola volte a ser sobretudo o lugar em que se aprende, mais do que o lugar em que se reproduz a selecção e a diferença social, não pode continuar a ser uma escola aos quadradinhos: quadradinhos tempo (ano/período/tempo lectivo); quadradinhos espaço (sala/turma); quadradinhos disciplina. Tem que poder organizar-se de forma diferente e para isso não pode continuar a ser estrangulada financeiramente e muito menos pelos mecanismos de controle burocrático e centralizador do ME.
http://fjsantos.wordpress.com/2008/05/04/passar-ou-chumbar-eis-a-questao/
Maio 4, 2008 at 10:24 pm
Também estão aqui outros “segredos”:
«(…)Para que se saiba, os dois maiores problemas do sector que se arrastam há mais de uma década são a indisciplina e o facilitismo. Sobre eles paira no discurso dos responsáveis (ministeriais, sindicais, gurus ideológico-pedagógicos e classe política em geral) uma tendência esquizofrénica, uma quase negação do real que se vai tornando patológica. E quando a discussão desses problemas emerge, no geral manifesta-se de modo inconsequente ou surge arrastada por questões secundárias que o sistema erradamente transforma em essenciais. É muito difícil provar que as questões socioprofissionais dos professores estão no âmago das fragilidades do sistema de ensino em Portugal. Porém, a experiência de sala de aula prova à saciedade que esse era talvez o último aspecto que deveria preocupar quem não fosse pouco competente ou muito cínico na abordagem das questões educativas (…)
(…) proporcionar espaço às diversas sensibilidades sociais, significaria ultrapassar décadas em que as políticas educativas têm sido decididas por um trio minúsculo de iluminados assente nos governantes da educação, na elite sindical e nos «cientistas da educação»/«especialistas», com uma ou outra variante como os pretensos representantes dos pais. Gostava que este fosse o momento de romper com esse vício do sistema, dado que o que está em causa acaba por condicionar de forma directa ou indirecta o projecto de sociedade que tem implicações na vida de todos nós.
Gabriel Mithá Ribeiro
aqui: http://www.tintafresca.net/News/newsdetail.aspx?news=e3cca15c-85ea-4b5f-813f-26373bbfcb61&edition=91
Maio 4, 2008 at 10:27 pm
Pois, eu pergunto-me o mesmo, onde estão os tão apregoados recursos. É verdade que chegaram por lá uns materiais novos, para substituir os que por lá andavam: (não funcionavam, eram do tempo da Maria Cachucha, alguns desadequados dos programas actuais)
Mas as tais horas?
E já agora, em que horas se supõe que os professores preparem estas aulas? A verdade é que nenhum professor de Matemática foi aliviado da carga lectiva ou da carga de componente não lectiva a cumprir na escola.
Recursos…quais recursos?
Não notei muita diferença, apenas uma pressão maior sobre nós e a legitimidade de trabalhar Matemática no Estudo Acompanhado, muito mal vista pelo par Pedagógico que sendo da área das letras,sente uma aversão visceral para com a disciplina.
Maio 4, 2008 at 10:37 pm
A mim parece-me mais a (re)descoberta da pólvora cuja fórmula devia ser enviada ao ME.
Nos primeiros anos de escolaridade é muito importante o desenvolvimento do racíocínio e cálculo mental e escrito, não devendo nunca ser permitido o uso à calculadora pois contraria os objectivos propostos.
Já tenho cabelos brancos e nunca dei ouvidos às “novas pedagogias”, quando estas não me interessavam.
Trabalho contínuo e diário, praticar muito e exercitar bastante, diferenciar quando é necessário, não deixar que haja momentos mortos que possam originar indisciplina e não esquecer que a memorização também é importante, penso que é concensual a todos os profs. Não o será para os ministeriáveis da educação mas, como costumo dizer cá para mim, eles vão, e nós ficamos.
Maio 4, 2008 at 10:55 pm
fjsantos,
Completamente de acordo. Sem investimento não ha escola de qualidade. E neste três anos o desinvestimento no sector foi brutal, sobretudo desviado para áreas de folclore, com gravíssimas consequências culturais, económicas, sociais no curto/medio e longo prazo.E o primado é a segurança material e prestígio do professor e a motivação para criar, para o trabalho, para o prazer de estar em relação dos professores e dos seus alunos.
Maio 4, 2008 at 11:31 pm
“1.Nível de exigência elevado na disciplina.
2.Uso condicionado da máquina calculadora.
3.Muito trabalho.”
“Aplicar esta fórmula a todo o sistema público exigiria alguns anos de espera para se verem resultados – no mínimo 6 a 9, o que é coisa para dois ou mais mandatos – e não há coragem política que resista.”
Aplicar, quem? O ME ou as Escolas?
Os três pontos evocados são facilmente adoptados pelas escolas, desde que exista vontade e Boa Gestão.
Esta Escola, EJAF, não precisou do ME para se organizar. As públicas, se quiseram também não precisam. O problema é a dependência, desnecessária, mesmo com este Regime de Gestão, que em muitas existe da Administração Educativa.
O EJAF têm forte presença comunitária e baixíssimos niveis de reprovação.
http://www.ejaf.pt/
Como são seleccionados e avaliados os Professores desta escola?
Nota de Curso+Tempo de Servico…duvido
Relatório de reflexão crítica…duvido
São colocados centramente…tenha a certeza que não.
Trabalho na Escola dos professores: entre as 25 e as 30 horas.
N.º de Alunos por turma, entre 24 e 28.
N.º de Professores – 110
Rácio Professor/aluno – 14(praticamente o dobro das escolas públicas).
Investimento por alunos: 3700 (menos que nas públicas)
Dirigentes Eleitos(director, coordenadores)…deixem-me rir.
Não é uma questão de recursos, é apenas autonomia e boa organização.
Dizer que a minha escola tem melhores resultados que esta, também é uma escola urbana.
Maio 4, 2008 at 11:33 pm
Já agora as máquinas de calcular só são usadas se as escolas deixarem.
Maio 4, 2008 at 11:52 pm
Nem mais:
o projecto é criar rapidamente condições no ensino público (ou não criar) para que, cada vez mais, as pessoas sejam “obrigadas a reconhecer” que a solução de todos os problemas do ensino está no Privado.
Só os distraídos ou os crentes não deram ainda por isso…
Maio 5, 2008 at 12:14 am
Mas enquanto os profs não forem os primeiros a demonstrarem que a sua escola é uma escola de qualidade, de nada serve culpar os vários ME, pois estarão sempre fragilizados perante a opinião pública.
Maio 5, 2008 at 12:17 am
As nossas escolas seriam muito melhores se o ME não existisse.
Maio 5, 2008 at 12:22 am
E já agora, as escolas públicas por muito boas que sejam só são notícia por más razões, sempre foi assim.
Maio 5, 2008 at 12:29 am
Quando as escolas públicas são boas sabemos que os pais estão do lado dos profs e são a nossa grande força.
Maio 5, 2008 at 12:41 am
Concordo contigo Zé.
Maio 5, 2008 at 12:41 am
A ler:
terrear.blogspot.com/2008/05/currculos-e-prticas-de-formao-inicial.html
Maio 5, 2008 at 12:43 am
Hum!, que interessante! Ainda está para se descobrir se alguém sabe utilizar essas máquinas de calcular. Claro que não, só servem para a tabuada.
Uma das minha turmas, quando decidi abordar metrologia, entreteve-se a medir a área de uma folhita A4: dava uma desgraça de cm2, posto que lhes tinha fornecido réguas em polegadas. Não voltei a repetir a graça.
Maio 5, 2008 at 12:55 am
Fafe
Se fosse eu, tinha aproveitado e explicado.
Maio 5, 2008 at 1:14 am
A ideia de que o ensino e as escolas estão mal, é recorrente, não é de agora. Todas as gerações “instaladas”, olham para a escola e para a geração seguinte com um misto de preocupação e de desconfiança. Os desabafos do género “no meu tempo não era assim”, “esta juventude está perdida”, ou “hoje, os jovens não aprendem nada” atravessam gerações. A geração que agora debita este discurso já foi alvo de idêntica catalogação. A geração dos actuais alunos, quando chegar à idade acomodada irá, com toda a certeza, reproduzir o mesmo tipo de discurso.
Curioso é que, se numa roda de amigos, perguntarmos a sua opinião sobre o estado do ensino actual e das escolas, a resposta será provavelmente que está à beira da catástrofe. Se, de seguida, lhes perguntarmos qual é a sua opinião sobre a escola dos seus filhos, netos, sobrinhos, etc., iremos encontrar muitas respostas do género “é boa” ou “até nem é má”. Eu já fiz esta experiência algumas vezes.
Então em que ficamos?
O problema é que há uma intoxicação da opinião pública no sentido de a levar a acreditar que a escola (pública) é de má qualidade. A privada, por contraste, é boa.
Visão maniqueísta, está visto.
Nisto tudo há que dar os parabéns ao ME. Nos últimos anos, conseguiu manter o controlo do ensino, enquanto alijava, aos olhos da opinião pública, as suas responsabilidades sobre o que de negativo acontece nas escolas. Algo corre mal nas escolas? A culpa é delas e, claro, dos professores. Há coisas meritórias (milagre!) nas escolas públicas? São os resultados das “políticas educativas” a aparecer.
Sobre a dicotomia público (mau)/privado (bom), ainda um dia irei aqui recordar uma entrevista que o director do S. João de Brito deu ao Público em que analisava os resultados – muito diversos, diga-se – dos alunos dos colégios tutelados pelos Jesuítas.
Maio 5, 2008 at 1:29 am
Zé Diz:
“Fafe
Se fosse eu, tinha aproveitado e explicado.”
Ah, sim, e o que é que acha que pode contra máquinas calculadeiras? Chega e diz: “Oh, meus amigos, nem todos utilizam o Sistema Métrico, há quem vá nos meios e quartos, nos oito avos, dezasseis avos, trinta e dois avos…”
Hã? Brincamos?
Maio 5, 2008 at 12:28 pm
Mas alguém duvida que com estas políticas educativas o fosso existente entre público e privado será cada vez maior com prejuízo para o público. Por variadíssimas razões, desde o nº de alunos por turma, o respeito pelo professor e funcionários da escola, o gosto e o querer aprender, o facilitismo, as condições físicas dos estabelecimentos (é impossível ter uma escola impecável com algum tipo de alunos e algum tipo de directores), os materiais existentes,…
Infelizmente é a realidade
Maio 5, 2008 at 7:32 pm
Já que falamos em boas práticas, lanço um desafio:
Que tal se discutissemos sobre a plataforma Moodle? Para que serve, o que fazer com ela, actividades e materias possíveis.
Maio 5, 2008 at 8:13 pm
Na «minha» escola, o ano passado, procurou-se implementar o PAM nos 7º anos – a ideia era continuar até ao 9º – juntando nos 90 minutos de Estudo Acompanhado o professor de Matemática e o de Língua Portuguesa. O ME não deixou. Que era ilegal, disseram. Então, lá consegui, a duras penas, que 90 minutos do meu tempo não lectivo fossem marcados ao mesmo tempo que o Estudo Acompanhado de uma das turmas de 7º – que era assegurado pela colega de Matemática. Trabalhámos em conjunto durante todo o ano: em interpretação de enunciados, em esclarecimento de dúvidas (eu não sou barra a Matemática, mas fiz o antigo 5º ano e até dispensei de exame, não sou «analfanumérica» de todo!), em resolução de problemas… Correu muito bem e conseguimos que a maioria dos meninos melhorasse até passasse de ano. Este ano íamos preparadas para continuar – não nos deixaram. Que a IGE tinha descoberto a «marosca» e que era ilegal… E não estava a custar um cêntimo à escola…! Não entendo…
Maio 5, 2008 at 8:55 pm
´Catarina (23) Isso é a estupidez em estado puro. Marosca? ilegal? Palavras para quê, é Portugal em toda a sua glória…
Maio 6, 2008 at 5:40 pm
post 22
na minha escola usamos a Moodle com o RVCC. Colocamos todas as informações, instrumentos, convocatórias etc na plataforma e os candidatos poupam idas ao Centro. Para além disso eles enviam tb trabalhos através da plataforma que são corrigidos e reenviados. Ou seja, é mais uma ferramenta que aparentemente ajuda a estabelecer a comunicação. Pode viver-se sem ela?…huumm …certamente!
Junho 17, 2008 at 9:12 am
O problema é que a atitude de desinvestimento na educação dos filhos por parte das famílias, não tem apenas como reflexo as alterações comportamentais; esse desinvestimento estende-se à área do trabalho cognitivo, da falta de hábitos de esforçodo diálogo, da leitura etc. Isto resulta que, em muitos casos, também a exigência cognitiva da escola não chega, pelo que, os três pressupostos da notícia voltam a esbarrar na falta de preparação para a vida que os alunos apresentam. Não podemos desistir do esforço, mas temos de saber que ambas as vertentes estão ligadas e que a escola não faz milagres quando a educação familiar falha… mesmo com ou sem máquina de calcular.
Junho 17, 2008 at 9:15 am
Também é preciso ver que Arruda dos Vinhos é uma vila pequena e rural, que não apresenta muitos dos problemas “modernos” dos jovens em quantidade, para poder ser referida como exemplo.