Estou por estas horas a fazer o plano de festas de trabalho para o mês de Maio, sendo que, apesar de pertencer a dois Departamentos e participar em dois lotes de actividades, estou longe de ser um professor profundamente empreendedor e dos que merecem louvores pelo empenhamento na dinamização de variadas actividades.

Mesmo assim o panorama é verdadeiramente digno de ser visto pelos habituais detractores dos docentes como acomodados que pouco fazem.

E pelo meu, adivinho como estará a agenda de todo(a)s o(a)s que muito mais do que eu assumem muitas e muitas horas de trabalho suplementar, em cima daquele que é lectivo e não-lectivo.

No fundo o que o ME sabe é que tem efectivamente ao seu serviço dezenas e dezenas de milhar de profissionais que, apesar de dia sim-dia não serem vilipendiados em praça pública, fazem mais, muito mais do que lhes é reconhecido e do que o bom senso lhes recomendaria. São visitas de estudo, são concursos de todo o tipo, com TIC, ou sem TIC à mistura, são projectos atrás uns dos outros. É trabalho que só é possível ser feito quando esquecemos quem habita a 5 de Outubro e tudo o que desentende do nosso trabalho.

E ainda por cima alguém escreveu que o reino dos Céus será dos dos pobres de espírito. Só não sei quem é que será exactamente qualificável como tal.

Eu confesso que não tenho vocação para mártir da docência ou modelo de virtudes. Semanas sistematicamente acima das 40 horas só com muito boa vontade. Que me vai escasseando.