Caro(a) Professor(a),
Há cerca de um mês e meio, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda difundiu um inquérito dirigido a professores, através do qual pretendeu obter informações realistas sobre a carga horária e o número de turmas e alunos atribuídos aos docentes do Ensino Pré-escolar, Básico e Secundário. Os contributos recebidos, entre os quais se encontra a sua resposta – que muito agradecemos –, permitem refutar claramente os rácios de alunos por docente apresentados pelo Ministério da Educação, que apontam para médias entre 7 a 15 alunos por docente, consoante o nível de ensino.
De facto, segundo a estimativa decorrente da análise preliminar das respostas recebidas, constatamos que:
● A um terço dos professores estão atribuídos mais de 100 alunos no ano lectivo em curso;
● Cerca de 1 em cada 4 docentes lecciona a três ou mais anos de escolaridade distintos;
● Mais de um terço dos docentes tem a seu cargo um número de turmas superior a 5.
O questionário então elaborado partiu da necessidade de constituir um documento simples e abrangente, de modo a que o mesmo se tornasse adequado a todos os docentes e níveis de ensino. Contudo, fomos sendo oportunamente alertados, por muitos dos professores que nos responderam, para um conjunto muito relevante de questões que merecem, de facto, maior clarificação e detalhe.
A diversidade de situações, actividades desenvolvidas e da natureza dos tempos subjacentes ao exercício das funções de docência é realmente muito significativa e requer, por conseguinte, que se considere um conjunto de questões capaz de captar de modo adequado a especificidade das diferentes situações. Por outro lado, fomos igualmente alertados para a necessidade de diferenciar domínios como o do Ensino Especial ou das modalidades formativas associadas à Iniciativa Novas Oportunidades. Por último, constatámos que o suporte utilizado na versão inicial do inquérito (documento de texto) não é o mais adequado e facilitador das respostas.
Estas razões levaram-nos a enriquecer e melhorar, substancialmente, os conteúdos do inquérito então divulgado, propondo neste momento uma nova versão, que permite um preenchimento directo, através do seguinte endereço:
Bloco de Esquerda – Inquérito a Docentes 2008
http://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=GkXdLh6_2ffW2cUAdLwsTlUg_3d_3d
(clicar ou copiar este endereço para uma nova página de navegação)
A versão actual do inquérito actual contempla três dimensões: Dados de Caracterização; Actividades Lectivas e Tempos da Actividade Docente. No segundo caso (parte II e III), cada docente deve escolher o nível e ciclo de ensino que se aplica à sua situação. As partes I e IV (relativas aos dados de caracterização e tempos da actividade docente) devem ser preenchidas integralmente por todos os respondentes. Para resolver eventuais dúvidas que se coloquem no decurso do preenchimento (que estimamos requerer entre 5 a 15 minutos), enviamos em anexo um documento de apoio, sem prejuízo de que nos contacte – sempre que surgir alguma dificuldade – para o endereço seguinte: educacao_be@be.parlamento.pt
Apelando à sua compreensão, solicitamos assim novamente a sua colaboração, que consideramos fundamental para aprofundar e dar a conhecer à sociedade um retrato realista e justo do quotidiano dos professores portugueses. Num tempo em que o discurso governamental despreza todo o esforço, empenho, dedicação e profissionalismo dos professores, deles descrendo enquanto agentes fundamentais da mudança educativa, é essencial demonstrar que as respostas que realmente importam no combate ao insucesso educativo e na promoção de um ensino de qualidade se encontram, antes de mais, na criação e reforço das condições de exercício da actividade docente, que o Ministério da Educação – na sua fúria persecutória e objectivos economicistas – tem sistemática e irresponsavelmente ignorado.
Cremos que é pela adopção de medidas tendentes à limitação do número de turmas, níveis de escolaridade e alunos atribuídos a cada professor, bem como pela adequação do tempo dedicado ao exercício das funções dos docentes, que se torna possível favorecer as condições para um acompanhamento mais individualizado e efectivo de cada aluno.
No final do próximo mês apresentaremos publicamente os resultados desta versão melhorada e enriquecida do inquérito, solicitando assim o seu preenchimento, até ao dia 15 de Maio, e a divulgação do mesmo junto de colegas.
Muito obrigado!
Com os melhores cumprimentos,
Ana Drago
(Deputada Parlamentar do Bloco de Esquerda)
Nuno Serra
(Assessor Parlamentar do Bloco de Esquerda)
Abril 29, 2008 at 8:32 pm
Eu diria, inquérito desinteressante.
1.”permitem refutar claramente os rácios de alunos por docente apresentados pelo Ministério da Educação, que apontam para médias entre 7 a 15 alunos por docente, consoante o nível de ensino.”
Rácio aluno/professor é completamente diferente do n.º de alunos do professor x ou y.
E Portugal têm dos rácios professor/alunos mais favoráveis da OCDE.
http://www.oecd.org/dataoecd/36/0/39290870.xls
2.A minha escola tem 1300 alunos, 160 professores, o rácio professor aluno é de 8.125, resultado da divisão 1300/160.
Portugal têm os rácios
3.Se existem disciplinas com apenas 1 bloco de 90 minutos por semana, é natural que os professores destas disciplinas tenham muitas turmas, é o meu caso se apenas leccionar ao básico. Já nas disciplinas com maior carga lectiva, os professores que as leccionam têm menos turmas, é o que acontece com a generalidade dos professores do secundário dos cursos científico-humanísticos, que regra geral têm entre 2 a 4 turmas, alguns 5 turmas(Os de Línguas, Filosofia, Ed.Física).
4.Os Religião para terem horário completo têm de ter 22 turmas. Coitados!!!
5.Se no básico nenhuma disciplina tivesse menos de 2 blocos semanais, nenhum professor teria mais de 5 turmas.
6.”Cremos que é pela adopção de medidas tendentes à limitação do número de turmas, níveis de escolaridade e alunos atribuídos a cada professor, bem como pela adequação do tempo dedicado ao exercício das funções dos docentes, que se torna possível favorecer as condições para um acompanhamento mais individualizado e efectivo de cada aluno.”
O fundamental é reduzir o n.º de disciplinas por ano de escolaridade, distribuindo algumas, não por 3 anos mas por 2 anos com maior carga horária.
7.Que tal um inquérito aos horários dos alunos???
Abril 29, 2008 at 11:06 pm
É de louvar esta iniciativa do B.E. Vou responder ao inquérito e publicitá-la junto de outros professores.
Abril 29, 2008 at 11:25 pm
Nada de precipitações.
O número avançado na primeira constatação refutará, imediatamente, o rácio indicado pelo Ministério de Educação?
Desculpem fazer de advogado do diabo, mas a generalidade dos professores (do 2º ciclo em diante) partilha os mesmos alunos. Pelo que, se 10 professores tiverem os mesmos 100 alunos o rácio, aí, será de … 10 para 1.
Abril 30, 2008 at 2:44 am
(2)
Embora 100 alunos possam ter 10 professores, isso não exclui o facto de cada professor, na sua disciplina, ter uma carga de trabalho correspondente a 100 alunos.
Abril 30, 2008 at 9:04 am
Por supuesto, caro Fernando (3), sem que isso corrija a minha observação. Mas então, não se fale em “rácio” professor/aluno porque, aqui, se considera a relação entre o universo dos professores e o universo dos alunos. Há que evitar leituras correctivas apressadas, como a que o documento do BE parece querer fazer, e que podem, afinal, ser-nos desfavoráveis. só isso.