Indisciplina é oriunda de todos os meios sociais

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João Amado explica que, em ambientes sociais menos favorecidos, há muitos famílias com grandes instabilidades financeiras e culturais, o que acaba por se reflectir na escola. “Nesses casos, a escola tem de lhes oferecer currículos alternativos ao ensino regular, de preferência com uma formação profissional que os prepare para a vida após a escolaridade básica”, referiu.
Contudo, João Amado fez notar que os casos de indisciplina também existem em escolas inseridas em meios sociais favoráveis, em crianças e adolescentes oriundos de famílias das classes média e alta.
“Normalmente, são miúdos oriundos de contextos familiares onde há falta de autoridade, alguma desorientação e uma má gestão das relações entre mãe e pai. Tudo isto acaba por se reflectir na vida dos filhos”, explicou.
“Quer sejam oriundos de bairros sociais, quer de ambientes mais favorecidos, para estes miúdos a escola não é um sítio agradável. É sobretudo um lugar onde demonstram grandes dificuldades de relacionamento com os professores”, disse.

Toda a peça de Fernando Basto no JN de hoje, com declarações de João Amado, merece leitura atenta, em especial por parte daqueles que gostam de embarcar na fácil «sociologia do coitadinho» para explicar de forma socialmente preconceituosa o insucesso escolar e a indisciplina.

A tentativa de categorização da atitude dos professores em relação ao estabelecimento de regras e da autoridade na sala de aula é algo esquemática, pois parece indicar que no meio está a virtude, quando para mim, esse meio pode ser flutuante e deslocar-se conforme os contextos e circunstâncias.

Não há fórmulas mágicas: se as houvesse tudo seria mais fácil. E não é. É importante capacitar os docentes desde a formação inicial para estas questões, mas isso não resolve tudo. E, principalmente, é essencial municiar os futuros docentes de ferramentas para prevenirem e intervirem de acordo com as diferentes situações e não doutriná-los de acordo com um único modelo específico. Ora, o que muitas vezes acontece é que na formação inicial de docentes se apresentam diversos modelos, mas apenas para desvalorizar todos menos um. O que provoca quantas vezes situações de embaraço aos jovens docentes quando vêem ruir perante si o edifício que lhe garantiram ser sólido.

Mas quanto ao destaque da notícia, apenas sublinhar que só não sabe que as coisas são assim quem não anda no terreno ou então cedo estabilizou num único ambiente e deixou de olhar á sua volta.

Os professores-itinerantes, ou vagabundos por obrigação, têm naturalmente outra perspectiva.