Primaries are ‘bedevilled by policy hysteria’
Focus on “mission strategies” and “leadership vision” has led to primary schools being run like US businesses, falling victim to one fad after another.
An interim report from the ongoing national review of primary education said schools had been bedevilled by policy hysteria.
As a result, they follow a pattern in which innovations are piloted, briefly become very popular, then decline rapidly before the next new innovation appears.
The report, by academics from Manchester Metropolitan University, said: “There have been too many initiatives, too many short-term responses to media scares, involving ever shortening cycles of reform, multiple innovations and frequent policy shifts.”
The management, marketing and financial responsibilities of the job have also increased. The report said: “Policy trends have emphasised the role of the headteacher in ‘turning round’ schools and ‘delivering excellence’ via highly proactive ‘visions’ and leadership ‘mission strategies’.”
As a result, primary heads were finding it much harder to follow their preferred approach of hands-on leadership, leading by example: “Innovation is too often a matter of ill-considered policy-borrowing.”
Garanto que não fui eu nem qualquer conspiração que inventou estes estudos e estas conclusões que se adaptam de forma tão evidente ao que estamos agora a experimentar. Muito do que se pretende implementar está errado, já se percebeu isso em outros lugares, sublinho-o, mas o nosso ME parece ter dificuldade em compreender os erros cometidos nos anos 90 em outras paragens e insiste neles. Se há 10 anos isso seria desculpável, hoje já não é.
Leiam as conclusões sobre os efeitos devastadores provocados pela mania das «lideranças fortes» e sobre as consequências perversas a catadupa de medidas legislativas e chorem, porque está aqui tudo escrito o que nos vai acontecer.
Não entende quem não quer, quem tem o bestunto curto ou quem não é capaz de admitir os erros de apreciação.
Abril 25, 2008 at 7:20 pm
notícia nos insólitos da Sábado desta semana:
“Flores pelo “professor desaparecido”
Á maneira das evocações da I Grande Guerra 1914-18, docentes, estudantes e funcionários do Liceu Condorcet, de Bordéus, em França, inventaram na semana passada um “túmulo do professor desconhecido”, onde depuseram flores. A ideia, segundo a docente de História, Sandrine Doucet, foi “homenagear os 8500 professores desconhecidos que este ano terão os seus postos suprimidos”. A redução de docentes aumentará, no caso, as turmas para 35 alunos”.
Estão a notar alguma semelhança?
A propor para o PAA do próximo ano lectivo?
Abril 25, 2008 at 7:32 pm
“Focus on “mission strategies” and “leadership vision” has led to primary schools being run like US businesses, falling victim to one fad after another”.
Traduzam para português e vejam a semelhança ao discurso da nossa (des)liderança do ME.
Este artigo é um bom “aperitivo” para o Trabalhador da Silva
Abril 25, 2008 at 7:35 pm
Que delícia ” …run like US business “! Mesmo na “mouche” para os nossos governantes.
Abril 25, 2008 at 7:51 pm
“Não entende quem não quer, quem tem o bestunto curto ou quem não é capaz de admitir os erros de apreciação.” 4ª hipótese: ou quem não domina muito bem o inglês; o que é o meu caso. Sei lá… devo ter tirado inglês técnico, com o “nosso” primeiro
Abril 25, 2008 at 9:11 pm
Finalmente o blog… a culpa é do Paulo…:
http://livresco.wordpress.com/
Abril 25, 2008 at 9:12 pm
Que tal um link Paulo?
Abril 25, 2008 at 9:26 pm
À ministra da educação e “suas” invenções mediocres copiadas do Chile (o professor Raúl Itúrra, que deu aulas à ministra no ISCTE, na turma da noite porque de dia ela dava aulas no ensino básico, é que pode falar disso, e também das queixas que a actual ministra da educação lhe fazia sobre o trabalho burocrático que o Ministério da Educação a obrigava, para além de dar as aulas – não sei se as preparava… – e ter de avaliar os alunos), só se lhe pode responder: Morte ao Fascismo! http://criticademusica.blogspot.com
Abril 25, 2008 at 9:27 pm
Neste texto há uma coisa bastante curiosa e talvez incompreensível para os nossos inovadores pedagógicos.
Quando se diz: «As a result, they follow a pattern in which innovations are piloted, briefly become very popular, then decline rapidly before the next new innovation appears.», aquilo que está em causa é a destruição contínua de uma tradição de ensino.
Uma escola é uma instituição que tem um tempo diferente do das empresas. Para ser eficaz, precisa de construir uma tradição de ensino (no ME já estão a vomitar com o uso da palavra ensino). Só nessa tradição pode ocorrer inovação. E esta não é para destruir a tradição, mas para a reforçar, pois uma escola é a sua própria história, que cresce com cada nova geração de alunos e de professores.
Não se pode pensar uma escola sem o conceito de tradição. Porquê? Porque a escola é a instituição que a sociedade criou para transmitir as suas tradições cognitivas, éticas, estéticas, morais e políticas. Por isso a escola não é analogável ao mercado. A troca de bens que se faz na escola não é do mesmo tipo daquele que se faz na economia. É por isso que muito do que quer o actual ME não faz sentido. Apenas destruirá a escola portuguesa, o seu «ethos» e a sua finalidade. Isto não quer dizer que escolas e professores não devam prestar contas. Devem, mas daquilo que é a sua verdadeira função: ensinar e transmitir os valores que a sociedade seleccionou e colocou no currículo.
Abril 25, 2008 at 9:55 pm
O que eu acho piada (ironizando) é que eles
só se apoiam em estudos de coisas, em que já
foi provado que não resultam. Mas não “estudam”
as consequências dessas mesmas medidas quando foram implementadas noutros países.
Há algo aqui que eu não percebo. Ou então são
eles que não percebem nada.
Abril 25, 2008 at 10:02 pm
Livresco, eu coloco o link, aliás até estou aqui a tentar organizar referências.
Em princípio amanhã.
Bessouro,
Pois, com Inglês Técnico não se vai lá, mas mesmo por correspondência consegue-se melhor que por fax.
Abril 25, 2008 at 10:05 pm
É pá o primeiro post foi uma aventura…
http://livresco.wordpress.com/
Vai aos poucos..qualquer dia tenho a polícia do regime atrás (riso)
Abril 25, 2008 at 10:11 pm
Paulo,
Os comentários nao entram no blog!
Abril 25, 2008 at 10:22 pm
Por cá continua a propaganda.
Em Beja:
http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?q=C/NEWSSHOW/19859
Abril 25, 2008 at 10:38 pm
A notícia é de facto importante mas, para quem entender Inglês técnico
aconselho o download completo do relatótio em http://www.primaryreview.org.uk/Downloads/Int_Reps/3.Children_lives_voices/Primary_Review_8-2_report_Primary_schools_other_agencies_071123.pdf´
A leitura integral é importante até para se ter bem a noção das diferenças de contexto. Por lá só existe um curriculo nacional desde 1988 e as queixas são sobretudo as de que, desde aí, e com a introdução de exames nacionais em várias fases ao longo da escolaridade, e a “prestação de contas”, os professores perderam autonomia profissional e tornaram-se técnicos que cumprem directivas e sobretudo preparam para exames, sem tempo nem espaço para as diferentes áreas e para a atenção aos alunos.
Abril 25, 2008 at 10:48 pm
Ainda não tinha lido o comentário de JCM no post abaixo com o qual concordo e que aborda a mesma questão.
Abril 25, 2008 at 10:59 pm
Sobre o post 14 de AP: havia em Inglaterra uma tradição grande de autonomia até curricular, muito diferente da tradição continental. O que os colegas britânicos aparecem a contestar é também essa espécie de “afrancesamento” da escola. Há uma coisa que me parece suicida em política. É a homogeneização internacional, nomeadamente na educação. Quero dizer: há tradições locais que devem evoluir, mas que não devem ser destruídas e substituídas por coisas copiadas de outros lados. Tem sido um dos problemas portugueses, reforçado aliás pela actual equipa. Não consigo perceber como é que as equipas políticas têm um tendência imparável para abstrair da realidade e desenhar mundos pedagógicos perfeitos importados de outros lados. Depois dá nestas confusões…
Abril 25, 2008 at 11:11 pm
JCM
Completamente de acordo. Aliás as medidas no sentido da municipalização sofrem do mesmo problema – a nossa tradição é a “napoleónica”, centralizada e se bem que ache que deviamos evoluir no sentido de alguma descentralização e autonomia curricular, não podemos pensar que de repente será possível funcionar como se a nossa tradição fosse outra. Só um reparo: a tendência que refere não se encontra só na equipa do ME. Muitos políticos da oposição e bastantes “opinion-makers” propõem soluções sem terem em conta estas fundamentações.
Abril 25, 2008 at 11:25 pm
AP
Quando falo do ME, falo dos vários governos. E mesmo os partidos que não têm governado não estão isentos de responsabilidades. O mesmo se passa com os sindicatos. Os fazedores de opinião pura e simplesmente não sabem do que falam. Pagam-lhes e eles falam ou escrevem, mas estudar os assuntos…
Sou favorável a que se caminhe para uma autonomia pedagógica das escolas, mas também sou favorável a um controlo dos resultados através de provas nacionais.
O que eu não gosto nada é de ver entregues as escolas às câmaras, nomeadamente na área da gestão. Não tenho nada contra as câmaras, já estive dois anos requisitado numa em trabalho na área da educação. Fartámo-nos de trabalhar (havia outro professor), mas não éramos tutela. Auxiliávamos naquilo que as escolas pretendiam. Fiz parte, como respresentante municipal, de duas assembleias de escolas secundárias, mas a posição era apenas de parceiro e não de alguém que vai influenciar a escolha da direcção ou a contratação de professores. Isto faz toda a diferença. Além disso, há câmaras que funcionam bem e com decência com as escolas e outras…
Abril 26, 2008 at 12:25 am
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/04/o-aaime-nos-professores.html
Abril 26, 2008 at 1:57 am
Talvez a destempo e sem ter muito a ver com esta fileira de posts, gostava de partilhar convosco parte de um mail que um amigo me enviou:
O fim último da vida não é a excelência!!!!
(O autor deste texto é João Pereira Coutinho, jornalista, por quem até não morro de amores.)
“Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.
Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida – mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.
O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!”
Não subscrevo tudo o que este senhor diz acima, mas, no essencial, a mensagem não deixa de, para mim, ser pertinente.
Durmam bem
Abril 26, 2008 at 11:08 pm
Os ciclos de reformas cada vez mais curtos também se sentem cá. Já assisti a muitas reformas curriculares, e uma coisa que me chateava sempre era o facto de ninguém sber explicar porque é que se faziam essas reformas. E os professores, normalmente, tinham uma tendência a aceitá-las de uma forma acrítica. Eu costumava referir-me a elas como as novas tendências primavera-verão.
(os verbos estão no passado porque se reportam a um tempo em que eu me preocupava)
Havia sempre buzzwords novas.
Lembram-se da área-escola? Lembro-me de ter lido o despacho, ou decreto, e às tantas era referido que se tratava de uma área disciplinar (qualquer coisa…) obrigatória para os alunos; mais à frente dizia que a organização da coisa era da responsabilidade de um professor voluntário. Lembro-me de chamar a atenção para o facto da lei paracer ter sido escrita com os pés.
Mas, colegas, há gente que lucra muito com as constantes reformas e alterações dos curricula: as editoras. Se tiverem guardados livros de vários anos, reparem na confusão das capas, com constantes referências a “Novo programa”, “Nova reforma”, “Novas orientações do programa”… muito dinheirinho ali ganho.