(…) existe de há muito uma abordagem à ética que tem sido pouco atingida pela complexidades que tornam as regras simples difíceis de aplicar. É a visão consequencialista [consequentialist]. Os consequencialistas começam não com regras morais mas como objectivos. Eles valiam as acções pelo modo como promovem esses objectivos. A mais conhecida, embora não a única, teoria consequencialista é o utilitarismo. O utilitarista clássico encara uma acção como certa se produz tanto ou mais acréscimo na felicidade de todos os afectados do que uma acção anternativa, e como errada se o não faz.

As consequências de uma acção variam de acordo com as circunstâncias em que é desempenhada. Por isso um utilitarista nunca pode ser acusado de falta de realismo ou de uma adesão rígida a ideais que desafiem a experiência prática. O utilitarista irá julgar a mentira como má em algumas circunstâncias e boa em outras, dependendo das suas consequências. (Peter Singer, Practical Ethics, 1997, p. 3)

Quem pode, pois, dizer que a nossa vida política não tem ética? Tem é uma variante particular como acima se percebe, do género os fins justificam os meios.