“É mentira!, é mentira!, Sra. Ministra”
Caros amigos,
Afirma, hoje, a Sra. Ministra da Educação, o seguinte:
“O que fizemos foi reestruturar, no fundo formalizámos essa diferença e os professores com mais experiência e mais competências devem assumir mais responsabilidades no interior da escola mais tempo de trabalho na escola e devem ter mais responsabilidades na avaliação e acompanhamento dos professores mais novos.” (Excerto da entrevista da Sra. Ministra da Educação ao Correio da Manhã, de 20/04/2008).
O país decente e com sentido de justiça precisa de saber que esta afirmação da Sra. Ministra da Educação prefigura, em inúmeras situações, uma mentira grosseira e um aviltamento à dignidade profissional de muitos docentes portugueses.
O Concurso que, supostamente, permitiu aferir a diferenciação qualitativa a que a Sra. Ministra se refere foi um autêntico embuste administrativo, que não avaliou nenhuma competência específica nos professores e nenhuma qualidade de desempenho, assim como não valorizou a experiência dos docentes, reduzindo-a, injustificadamente, à mera ocupação automática de cargos nos últimos sete anos lectivos, quando a média de tempo de serviço dos professores que se apresentaram ao Concurso de Acesso a Professores Titulares tinha mais de 20 anos de serviço docente efectivo.
Ao arrepio do que a Sra. Ministra afirma, a sua avaliação, consubstanciada nesse execrável Concurso, é que foi automática e discricionária, pois tomou toda a leccionação como se tivesse igual mérito (avaliação automática), não se preocupou em avaliar a qualidade e a adequação com que os cargos foram desempenhados (avaliação automática), tornando o concurso uma verdadeira lotaria que contemplou os que estavam em exercício de cargos (quantas vezes, sujeitos a rotatividade entre grupos de docência), ignorando aqueles que os desempenharam até durante mais anos, antes de 1999 (mais experiência Sra. Ministra?!…), aniquilou aqueles docentes que se procuraram qualificar e obter formações pós-graduadas, penalizou aqueles que leccionaram em níveis de ensino superiores, habituados a formar e a avaliar futuros professores (ao mesmo tempo que valorizou, vergonhosamente, docências fantasmagóricas, que não existiram, como, por exemplo, as dos Directores dos Centros de Formação), entre outras arbitrariedades indescritíveis.
E se a Sra. Ministra da Educação acredita assim tanto nesse corpo de elite que, artificialmente, criou para gerir, coordenar e avaliar, então como devemos entender a possibilidade de os futuros Directores de Escola ou Agrupamento poderem ser professores não titulares? Vai colocar os menos “experientes e competentes” (sic, Sra. Ministra) a exercer funções de Direcção de Escola ou Agrupamento, avaliando o desempenho dos Coordenadores (professores titulares)? Não há nenhum jornalista, neste país, que confronte a Sra. Ministra da Educação com esta questão tão fácil de formular, mas que é reveladora da inconsistência de todo o sistema?…
Defenda a Sra. Ministra da Educação o que lhe aprouver defender, mas não persista no erro e na cegueira de querer associar, necessariamente, “experiência e competência” ao que resultou do vergonhoso simulacro de Concurso que implementou, porque essa associação não a pode, com honestidade intelectual, continuar a fazer, aproveitando o desconhecimento da opinião pública e de muita comunicação social.
Cumprimentos.
Octávio V Gonçalves
Abril 21, 2008 at 7:51 pm
A este propósito um exemplo esclarecedor em
http://olhardomiguel.blogspot.com/2008/04/como-eu-percebo-este-colega.html
Abril 21, 2008 at 7:57 pm
No alvo.
Não saberia dizer melhor.
Entre os professores titulares (tal como entre aqueles q, pelas razões q o autor aponta, n foram providos a titulares),há os q somam à experiência a competência e há os q são repetentes há 20 anos!
É óbvio q os professores experientes e competentes n titulares correm o risco de ser avaliados por repetentes n competentes.
Abril 21, 2008 at 7:59 pm
Excelente Paulo!!!! É mentira sim senhor! Esta nem é uma “inverdade”.
Também me interrogo como é que ainda nenhum jornalista foi capaz de desmontar esta incoerência do Director da Escola poder ser Professor não-titular quando ela própria diz que “…os professores com mais experiência e mais competências devem assumir mais responsabilidades no interior da escola (…)e devem ter mais responsabilidades na avaliação e acompanhamento dos professores mais novos…”
TUDO ISTO É VERGONHOSO E INCOERENTE!!!!
Abril 21, 2008 at 8:09 pm
BINGO, Octávio!
É essa, realmente, a substância da questão. O Resto (avaliação – prazos, alíneas, etc.) é ganga.
Abril 21, 2008 at 8:27 pm
Exactamente, esse é o cerne da questão… Objectividade e justiça é o que falta a este processo. E além disso, as quotas… quem estiver agora no 6º e 7º escalão do estatuto antigo, jamais vai ter hipótese de sair do buraco onde está.
Abril 21, 2008 at 8:34 pm
A senhora Ministra , entretanto, dá esta entrevista e diz estas coisas … sem se rir… ela está a falar mesmo a sério… está mesmo convencida do que diz!!! ou do que lhe duizem para dizer… e o conselho científico tomou posse… com alguma pompa e alguma circunstãncia.
Abril 21, 2008 at 8:40 pm
Excelente denúncia da mais abjecta demagogia, do mais sublime acto de desgoverno por que se tem pautado esta administração incompetente.
Fica muito bem neste sítio, até porque acredito que eles tenham alguém encarregado de por aqui passar.
Mas espero que seja dirigida ao gabinete dela e a muitos órgãos de informação desinformados.
Chega de tanta mentira!
Abril 21, 2008 at 8:43 pm
Se vivêssemos num estado de direito, essa enorme patranha, repleta de ilegalidades, chamada concurso para professor titular, já tinha sido impugnada. Assim, os órgãos que detinham esse poder continuam a assobiar para o lado como se nada tivesse acontecido. O PS vai pagar bem caro a teimosia de manter uma equipa cujo prazo de validade já expirou há muito tempo.
Abril 21, 2008 at 8:48 pm
Recomendo mesmo uma passagem pelo link suger1do em 1.
Também é pena que não seja mais divulgado e que não chegue ao local certo.
Abril 21, 2008 at 9:09 pm
Esse concurso foi uma vergonhoso e também acho que devia ser impugnado. Andam às voltas com aquilo que só veio trazer injustiças e mal-estar.
Quanto aos jornalistas, acabam por ser uma frustração. Não investigam, não se informam, não querem saber ou, então, escrevem umas coizitas e pronto!
Abril 21, 2008 at 9:13 pm
Também acho que o conteúdo do link no post 1 devia ser canalizado para instituições superiores e a situação denunciada nos OCS.
Abril 21, 2008 at 9:27 pm
Pois é! Assiste bastante razão ao articulista.Mas a bastante razão que lhe assiste acaba por ruir quando insiste em não ver para além dela. Se o concurso fosse justo, isto é, se acedessem a professor titular os mais competentes, já poderíamos aceitar a divisão da carreira entre titulares e simples professores?
Depois não se entende bem como os professores nunca sentiram perda de indignidade quando todos progrediam quer dessem aulas ou estivessem a Directores de Centros de Formação, no sindicato, nos serviços do Ministério locais ou centrais; a exercer os cargos por critérios de competência ou de simples rotatividade … da ignorância.
Abril 21, 2008 at 10:18 pm
Ler
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/04/eu-bem-preveni-que-o-ponto-8-ia-dar-que_20.html
Abril 21, 2008 at 10:19 pm
O Concurso para titulares é o grande obstáculo à avaliação de desempenho. Uma grande treta, a maior falta de respeito a que os bons professores foram sujeitos.
Por isso mesmo acho que esta divisão na carreira vai durar pouco tempo.
Abril 21, 2008 at 10:31 pm
DA
Concordo com todos os comentários , mas não percebi porque é que o concurso de titulares é o grande obstáculo à avaliação de desempenho. Importa-se de explicar?
Abril 21, 2008 at 10:39 pm
Esclarecimento.
Todos os Sindicatos, todos os sindicalistas e Mário Nogueira especialmente, estão TOTALMENTE a par do que acontecer na unica materia regulada do vergonhoso estatuto de carreira – “o concursio de tritulares”.
(aliás, soube, que o próprio Mário Nogueira professor do 10º escalão não foi provido, faltam-lhe ao que consta 3 pontos).
Abril 21, 2008 at 10:43 pm
laranjalima,
em muitas escolas os professores não reconhecem os PTs e estão revoltados com os resultados deste concurso. E a avaliação de desempenho parte daí.
Se a AD fosse apenas feita pelo PCE não havia tanta contestação.
Abril 21, 2008 at 10:45 pm
Ana henriques,
o Mário Nogueira teve 92 pontos. Na página do agrupamento de escolas da pedrulha(onde ele é efectivo) estão as listas.
Abril 21, 2008 at 11:02 pm
DA,
OK.
Segundo as “novas” “oportunidades” para o proxima palhaçada e COMPLETA INDIGNIDADE, já anunciadas, para o proximo ano vai haver outro (des)concursio para “tritulares”, mas unicamente para os professores do 10 º escalão. Segundo também já noticiado será nos mesmos “moldes” do anterior “concursio de tritulares”. Sendo assim, Mario Nogueira obteria mais 2 pontos e logo não
ficava com “94 pontos” e, segundo o sorteio da 5 de Outubro, com só 95 pontos é que se é “tritulari”. A menos que pertença ao “grupo dos nomeados pelo M.E.”!!!!!!
Mas…se…
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2008/04/eu-bem-preveni-que-o-ponto-8-ia-dar-que_20.html
…fica tudo resolvido (…)
Abril 21, 2008 at 11:11 pm
DA,
Mas como é que tem 92 pontos!????????? Tens (mesmo) a certeza. Deveria contas feitas ter 50 pontos!!!
Ou não?????
Abril 21, 2008 at 11:16 pm
DA
O modelo, com titulares ou sem titulares, não tem ponta por onde se lhe pegue, é uma verdadeira máquina trituradora, independentemente de quem avalie. Não se pode confundir departamentos, ambas as coisas estão erradas.
Abril 21, 2008 at 11:24 pm
Ana Henriques, tens aqui as listas de classificação final:
http://www2.eb23-pedrulha.rcts.pt/
Laranjalima,
o modelo inpira-se no SIADAP.
https://www.siadap.gov.pt/secure/
Aparece:
“Existe um problema com o certificado de segurança deste Web site.”
Para entrar no site clicar em
“Prosseguir para o Web site (não recomendado).”
Abril 21, 2008 at 11:36 pm
laranjinha,
Entao o que é que a Plataforma Sindical anda a “negociar”?
“Entendimentos”. Devem ser coisas deste tipo, não considera?
Aí é que está o (grave) problema para o qual estou farta de avisar!!!!
Abril 21, 2008 at 11:52 pm
O que parecem dizer é que este acordo foi feito à medida do Mário Nogueira. Terei percebido mal?
Abril 21, 2008 at 11:55 pm
Anahenriques
Somos duas…a avisar.
Abril 21, 2008 at 11:57 pm
Se não há “acordo” há “entendimentos”.
Abril 22, 2008 at 12:00 am
DA
Eu também conheço o modelo do SIADAP mas este é muito pior. É muito mais pesado, tem muitos mais itens a avaliar e muitos deles não são quantificáveis. Parecido com o SIADAP é o simplex, o outro é muito pior. Para além disso está cheio de buracos legais.
Abril 22, 2008 at 12:03 am
CONCURSO EXTRAORDINÁRIO PARA ACESSO A TITULAR
Ver em Lusa / EDUCARE 2008-04-18 .
“O Governo aprovou a realização de um concurso extraordinário de acesso a professor titular, ao qual só poderão concorrer os mais de 6400 docentes do antigo 10.º escalão que ainda não integram a mais elevada categoria da carreira.”
Ainda não ouvi li nenhum comunicado da Plataforma Sindical a tomar posição clara acerca deste assunto.
Alguém já leu?
Ao que parece os “entendimentos” estão para durar.
Abril 22, 2008 at 12:07 am
anahenriques
Eu não sei o que eles andam anegociar (mas gostaria de saber). A mim parece-me que estão a tentar encontrar a forma “legal” de aplicar o simplex para este ano. Para o ano, pelo que me é dado perceber e pela informação disponivel, até ao momento, vai ser aplicado o “monstro” tal e qual foi concebido.
Abril 22, 2008 at 12:36 am
Parece-me que ao dirigirem-se os ataques aos professores titulares se estão a dar tiros nos próprios pés. Até parece que quem passou a titular foi a ralé, e os que não passaram são todos excelentes professores. Legitimidade para falar têm aqueles que, tendo as condições para o serem, não se candidataram e defenderam o boicote. Muito disto é discurso de mau perdedor, que acentua a divisão da classe.
Ataque-se o processo e não as pessoas!
Abril 22, 2008 at 12:41 am
Já começa a desordem. Foi isto que eles pretendiam, foi isto que conseguiram!