Vamos lá então à parte do «novo paradigma» da carreira docente. Antes de mais sugerir-se-ia que todos os utilizadores públicos do termo/conceito de «paradigma» fossem um pouco mais modestos e parcos na sua utilização, pois não é qualquer oficial de alvenaria ou escriba à jorna que o domina vagamente. Acredito mesmo que na área da sociologice há quem dele só tenha ouvido falar por ouvir falar ou por um dia ter folheado Kuhn. Sei que sou um pouco severo nesta apreciação, mas, por comodidade e porque são curtinhas ficam aqui algumas definições de fonte segura (do dicionário Merriam-Webster, do Encarta e até mesmo esta de um dicionário de teoria social pode ser facilmente compreensível para um leigo).
É fácil perceber, portanto, que há quem use «paradigma» e fale na sua mudança, como quem fala da mudança do modelo das janelas de um apartamento, mas não é bem a mesma coisa. Mudar um modelo de carreira de uma para duas categorias não é bem uma mudança de «paradigma», mas parece que acham que sim. Tudo bem. Vamos assumir, por comodidade, que podemos falar de «paradigma» por dá cá aquela palha e que podemos ignorar as suas origens e significado actual.
E passemos então a um largo excerto da entrevista de MLR ao adorável ARF, excerto que deverá corresponder, no mínimo, à ingestão de uma meia dúzia de bolachas, dependendo, é claro, da sua dimensão e textura, para não falar de um sempre aconselhável acompanhamento líquido, que eu recomendaria ser um chá purificante de jasmim:
- Foram precisos muitos anos para se arranjar um modelo de avaliação dos professores. Porquê? Por receio político?
- E de outros funcionários públicos, não foram só os professores. Esta situação não era um exclusivo dos professores. Foi difícil, está ainda a ser difícil, vai ser difícil durante alguns anos porque foram muitos anos em que aquilo que vigorou foi um paradigma que é contrário, em quase todas as dimensões, àquele que é o paradigma que estamos a tentar concretizar agora.
- É um novo paradigma?
- É um novo paradigma seguramente. Repare. A divisão da carreira em duas categorias é uma situação que é muita estranha para os professores. Porque durante trinta anos as associações sindicais construíram um grupo homogéneo, acabaram com todas as diferenças.
- Todos iguais?
- Todos iguais. Os professores do 1 º ciclo eram diferentes, os professores de ginástica eram diferentes, os professores de educação visual eram diferentes de todos os outros professores. Tudo acabou. A única variável que os professores continuaram a considerar legítima para os distinguir era o tempo de serviço. Era a carreira.
- Só isso?
- Só isso. Mas esse tempo de serviço era muitas vezes um tempo de calendário.
- Não significava serviço efectivo?
- Não, era um tempo de calendário. Agora estamos a propor uma alteração completa. Que é a reestruturação da carreira em sentido vertical, a sua verticalização. E isso é absolutamente necessário porque se fazem as comparações com outras profissões e com a profissão docente em outros países e este é o caminho natural de evolução de uma profissão. Nenhuma profissão pode ser de progressão cilíndrica, em que não nenhuma estruturação vertical. Porque isso é contrário ao princípio de carreira.
- Porquê?
- O princípio de carreira a estruturar as profissões significa que se admite que mais tempo de serviço significa mais experiência, mais competências. Há carreiras em que nós admitimos que o tempo de experiência conta, é uma mais-valia.
- Isso não se passava com os professores?
- Não. Havia carreira, havia os professores mais experientes, mais graduados e melhor remunerados mas isso não correspondia a nenhuma responsabilidade. O que fizemos foi reestruturar, no fundo formalizámos essa diferença e os professores com mais experiência e mais competências devem assumir mais responsabilidades no interior da escola, mais tempo de trabalho na escola e devem ter mais responsabilidades na avaliação e acompanhamento dos professores mais novos. E isto são mecanismos comuns a todas as profissões e eram uma excepção na função docente.
.
Reparemos em vários detalhes:
- Foram os sindicatos que criaram o modelo de carreira e não o Ministério da Educação. O ECD de 1998, assim como o anterior de 1991, foram feitos na sede da Fenprof e publicados no respectivo boletim. Marçal Grilo, por exemplo, foi um mero submarino dos sindicatos na 5 de Outubro.
- Os professores são todos iguais, até os professores de «ginástica» (é sempre bom reparar como a tutela está a par da terminologia adequada) e de «educação visual» (o que terão estes meus colegas de especialmente diferenciador?). Até mesmo os do 1º ciclo, acrescenta MLR, parecendo esquecer que essa equiparação na carreira foi algo promovido pelo próprio Estado, por se considerar que a qualificação dos antigos «professores primários» deveria passar a corresponder a uma licenciatura, pelo que – sendo a remuneração baseada no grau académico – era injusto que licenciados auferissem salários diversos sendo todos docentes. Percebe-se, contudo, que MLR deve ser então contra o modelo indiferenciado do «professor único» que o seu próprio Ministério está a promover para os primeiros seis anos de escolaridade. Nesse caso é que é mesmo tudo igual, pois não há professor específico de quase nada. Tirando, por exemplo, os de «ginástica».
- A distinção entre os docentes resultava apenas do tempo de serviço, pois aparentemente MLR desconhece que a carreira tinha pontos de partida diversos consoante o grau académico (1º escalão para os bacharéis e equiparados, 3º para os licenciados). Certo, na mesma entrevista MLR confessa não ter qualquer experiência anterior no ME, pelo que se compreende o lapso. E o tempo de serviço era um tempo «de calendário» e não de «serviço efectivo», seja lá que distinção é essa. Provavelmente MLR estará a pensar nos deputados do PS que, sendo professores e não colocando os pés nas escolas há anos, vão poder ocupar lugares de titulares a partir de agora. Deve ser isso.
- Somos informados que nenhuma profissão pode ter uma progressão cilíndrica, sem estruturação vertical. Ficamos sem saber porquê, mas isso não interessa nada. Considera MLR, pois, que a sua reforma é no sentido da verticalização da carreira. Ou seja, antes o cilindro estava deitado, agora temos uma pirâmide com dois degraus, em pé. É isso? O cilindro não era vertical?
- Terminamos, por agora, ainda a saber que, antes, os professores melhor remunerados e graduados não tinham maiores responsabilidades e que agora passaram a ter. Mas – atenção!! . estamos a falar dos indivíduos que progrediram de forma cilíndrica, aquela que está mal. Também percebemos que há profissões em que a experiência e o tempo de serviço é uma mais-valia e que isso se passa na docência, mas ao mesmo tempo na docência a progressão com base na experiência e no tempo de serviço estava errada. Ainda bem que agora ficámos esclarecidos quanto a este aspecto do «novo paradigma».
Abril 20, 2008 at 11:00 pm
O que provoca choro de raiva é o facto de uma desmontagem séria de toda esta miserável propaganda (assente em pressupostos que a tutela sabe falsos e, portanto, intelectualmente desonesta e eticamente abjecta) não chegue com a mesma facilidade e clareza à comunicação social.
Abril 20, 2008 at 11:02 pm
Paulo: esta entrevista não está “só” em 2 páginas do CM… ou eu vi mal?
Abril 20, 2008 at 11:03 pm
Meu Deus! Fiquei completamente baralhada!!!!
Mas gostei muito da progressão cilindrica (ó Paulo ela referia-se a um cilindro com um diâmetro muito superior à altura), a rapariga faz-se…….
Abril 20, 2008 at 11:03 pm
Eu tenho a versão online, não sei quantas páginas dá aquilo.
Abril 20, 2008 at 11:06 pm
Podes colocar aqui?
Obrigado
Abril 20, 2008 at 11:08 pm
A versão online está aqui – esta entrevista vai ficar para a história: ginástica!? – a mulher está em quê: 1900 e troca o passo!
http://www.scribd.com/doc/2579379/CM-Maria-de-Lurdes-Rodrigues-Somos-o-Pais-em-que-ha-mais-chumbos
Abril 20, 2008 at 11:08 pm
Pessoalmente, gosto mesmo é da cilindragem do paradigma.
Não sabia que do ISCTE, saíam estes paradigmas.
Abril 20, 2008 at 11:09 pm
A entrevista é tão fraca, tão mal feita, tão intelectualmente medíocre, que, como disse o Paulo, não passa de propaganda. E depois, ele repete-se até ao infinito, usa as mesmas expressões, as mesmas ideias, as mesmas fraquezas. Que pobreza!
Li algures que ela era inteligente na adolescência. Porque é que não o é agora?
Abril 20, 2008 at 11:09 pm
E depois, ela…
Abril 20, 2008 at 11:10 pm
A Confap do Albino “rouba o mais que podes” já era:
http://www.scribd.com/doc/2579380/JN-Nova-confederacao-reclama-representatividade
Abril 20, 2008 at 11:12 pm
Sabem o que me faz lembrar a entrevista da Ministra da Educação:
Propaganda Nazi
em que os judeus são os professores
desculpem mas tinha de disser isto!
Abril 20, 2008 at 11:13 pm
ADORO A IRONIA DO PAULO
Tanta barbaridade naquela entrevista! Só com humor é que se consegue afastar as vísceras aos saltos!
Abril 20, 2008 at 11:14 pm
A entrevista é pura e simplesmente vergonhosa! – só palha – lugares comuns – propaganda nazi
Abril 20, 2008 at 11:19 pm
Colegas e Paulo: afinal bem me parecia… a entrevista publicada só aborda praticamente a questão ALUNOS, ´remete para a versão on-line depois.
Tudo o que tens estado a analisar , não vem no jornal.
Abril 20, 2008 at 11:20 pm
Equivalente a esta só o nosso “querido” Primeiro-Ministro “eu tenho namorada – nada de confusões!”:
Em “chamou” os professores de criminosos ou como o Miguel “copista” “sou muito bom” Sousa Tavares os inúteis mais bem pagos (outro cromo):
http://www.scribd.com/doc/2247135/Publico-Ouagadougou
Abril 20, 2008 at 11:20 pm
Em que
Abril 20, 2008 at 11:20 pm
Continuo no limbo, mas afinal onde tenho andado estes anos todos? Devo ter saido de coma e caí na escola só este ano. ESta entrevista está cheia de novidades, eu nunca dei conta que fosse assim. E agora? Tenho andado a enganar os meus amigos e a minha família, que não são professores, mas alguns leêm o CM (eu sei que é mau gosto, mas é popular)
Abril 20, 2008 at 11:21 pm
Afinal, o que é um paradigma?
Abril 20, 2008 at 11:23 pm
Este governo deve ter algum problema é de matriz sexual – sei lá – cabeças mal resolvidas – duvidam?
Abril 20, 2008 at 11:24 pm
olá joao
o paradigma, conforme o paulo percebeu nas entrelinhas é um:
Pára…dig(a)…ma(l)……
dos docentes né????
Abril 20, 2008 at 11:26 pm
João Serra: Acho que paradigma é a MLR acordar todos os dias! SE ela acorda é porque dorme, mas não devia dormir, isto é devia ter um carradão de insónias todas as noites, mas dorme, porque acorda. Percebeu? Eu também não
Abril 20, 2008 at 11:26 pm
É só chavões – paradigmas / medidas / contra medidas / perdi os professores ganhei os marcianos… esta gente não é normal!:
http://www.scribd.com/doc/2283405/Publico-Tomar-medidas-Vasco-Pulido-Valente
Abril 20, 2008 at 11:27 pm
Não passarão: problema de carácter trissexual
Abril 20, 2008 at 11:28 pm
Boa angelica; eu diria Pára…2/3 das progressões–DIGA , srª Ministra… e todos bajulam –(MÁ), sinistra, maquiavélica;
Abril 20, 2008 at 11:30 pm
Este é outro mais o motorista brasileiro e a manifestação de polícias e sai-me com esta:
http://www.scribd.com/doc/2419679/Destak-Manifs-Jose-Luis-Pio-de-Abreu
Abril 20, 2008 at 11:31 pm
Paulo: post lá mas é o som se não implodimos e amanhã é 2º F …remember???
Abril 20, 2008 at 11:32 pm
ISCTE connection
Acontece que eu acompanhei este filme…sim é tudo verdade..
Abril 20, 2008 at 11:34 pm
Se esta fulana ousasse proferir a total barbaridade em termos de Organização do Trabalho de querer transformar a carreira docente numa estrutura ” de burocracia mecanicista”, “verticalização” da carreira”, num primeiro trabalho da primeira disciplina da área de Psicossociologia das Organizações da Escola Superior que frequentei, era de imediato “convidada” (aos berros) para ir tirar outro curso. Imagine-se o nível, na área que é suposto ser expert – Trabalho.
Abril 20, 2008 at 11:36 pm
http://www.youtube.com/watch?v=isGA05pTQ0s
Os ânimos estão a ficar um pouco exaltados.
Vamos começar a desacelerar que amanhã é dia de “pica boi”, colegas.
Abril 20, 2008 at 11:36 pm
OK, cá vai um bom exemplo de paradigma….
Abril 20, 2008 at 11:38 pm
1994
ISCTE
Universidade Independente
Abril 20, 2008 at 11:39 pm
E houve um que chegou a Primeiro-Ministro…
Abril 20, 2008 at 11:39 pm
Nuno Crato na sic radical, para quem aprecia
Abril 20, 2008 at 11:40 pm
Bom som, fada…bons sonhos
Abril 20, 2008 at 11:41 pm
As bolachas que a senhora come provavelmente estão fora de prazo e coitada fica assim “inchadita”.
Pobre senhora!!!
Abril 20, 2008 at 11:43 pm
Até amanhã – um dia destes falo do Centro de Formação associado ao ISCTE que tinha como cooperantes o Paulo Pedro e o Ferro Rodrigues e um tipo coxo chamado Osvaldo – ex-aluno da Casa Pia que trabalhava nas Reprografia – que era amante de um membro do PS que foi administrador da Lisnave e outros cargos tais
Abril 20, 2008 at 11:43 pm
Paulo Pedroso
Abril 20, 2008 at 11:45 pm
E que ao fim da tarde depois do Centro fechar “levava para lá meninos”
o que é que isto tem a haver com educação:
tudo!
os compadrios, as relações de cumplicidades, as vidas triplas,
Abril 20, 2008 at 11:47 pm
O prémio do Paulo Pedroso depois da confusão foi ter ido para a Roménia (lá são mais liberais…) ganhar uns 2.000 contos por mês!
Abril 20, 2008 at 11:48 pm
Sobre o que está a acontecer no “As Vicentinas de Braganza”, agradecia que nos visitassem, e se pronunciassem, caso vos interesse o nosso novo dilema/problema
http://asvicentinasdebraganza.blogspot.com/2008/04/nota-constitucional.html#links
Abril 20, 2008 at 11:53 pm
Com. 40: mas o que é isto? Que perseguição é esta? Escandaloso…
Abril 20, 2008 at 11:54 pm
A versão em papel é curta, ocupa apenas duas páginas, fala da avaliação, dos chumbos e da indisciplina. Toda esta questão das carreiras não aparece.
Folheei o CM na Bomba de Gasolina.
Abril 20, 2008 at 11:54 pm
Eu até compreendo a senhora. Nunca é fácil arranjar justificações racionais e baseadas num pensamento sobre a educação quando tudo o que se fez estava de facto baseado no ódio aos professorzecos, na “necessidade” de baixar rápida e drásticamente o défice e de ir fazendo a propaganda em direcção a nova maioria do generoso engenheiro. Nestas circunstâncias ninguém consegue escapar às contradições.
Abril 20, 2008 at 11:59 pm
Para perceber muito do que se está a passar na educação é preciso olhar para as «novas» profissões que estão a emergir, já há muito tempo, em torno da escola. A coisa não é muito óbvia, mas entre «investigação», «avaliação», «produção» de pós-graduados, etc., produção de bibliografia, publicação disto e daquilo, há um conjunto de interesses tão fortes que não têm qualquer pejo em massacrar escolas e professores. Muitos cursos encontram nesta acção uma forma de dar emprego aos seus licenciados e mestrados e doutores.
Abril 21, 2008 at 12:05 am
Eu não compreendo a senhora. Se eu pretende-se fazer as “maldades” que ela está a fazer não me expunha desta maneira. Atendendo às actuais circunstâncias eu fingiria de morta o máximo de tempo que me fosse possível. Quando o objectivo deveria ser acalmar os animos vem lançar mais lenha para a fogueira…sinceramente esta estratégia é um bocadinho estranha.
Abril 21, 2008 at 12:06 am
Muito sinceramente não vejo o que é que entrevista tem de especial, para lá de muita ignorância.
Abril 21, 2008 at 12:07 am
Obg Antonio do com # 30, é isso o paradigma, em termos sonoros.
Mas o verdadeiro significado de paradigma, onde está?
Abril 21, 2008 at 12:13 am
1- Os únicos momentos menos bons desta srª foram aquando da manifestação e da sucessão de informações óbvias e visíveis para todos de fenómenos de indisciplina e/ou de violência – antes e depois esteve sempre de pedra e cal, agora, ainda mais, reforçada (visível na entrevista pela argumentação, falsa e falaciosa por um lado e ofensiva para a dignidade dos professores por outro) pelo “acordo” e posições de entidades que têm bem definidos objectivos de longo prazo. – contra isto batatinhas – ninguém está, verdadeiramente, preocupado com as escolas ou com os alunos!
2- A srª deve ter razão quando afirma que o chumbo é um facilitismo – Difícil, mesmo, é passar quem não sabe ou não teve qualquer preocupação em saber! – Só não percebe isto, quem não tem problemas de consciência, quem não valoriza o que faz ou quem não fez o que deveria e poderia ter feito.
3- Os bons dos nossos 7º anos são melhores que muitos dos bons lá fora ? – Não entendo! Para quê e com base em que estudos avaliativos querem, então, alterar o 2º ciclo? (A quem servirá?) . Mas entendo que seja fácil fazer esta afirmação já que os testes Pisa não testam alunos no 7º ano. (Claro que se podem arranjar uns estudos internos para corroborar afirmações desta e doutras naturezas: uns especialistas em ciências da educação, uns sociólogos e psicólogos e uns institutos em particular … nós estamos cá para pagar… pois está claro! – Quem não está farto dos n+1 estudos para concluir mais do mesmo e, objectivamente, nada?…)
4- “fica lá para o canto… A srª pretende o quê com esta afirmação?- Seria essa a sua experiência? Se teve conhecimento de outras, como cidadã responsável e ou profissional, porque não denunciou e se, já como ministra da educação, porque não actuou? A não ser que, intimamente, reconheça as sérias dificuldades (meios humanos, materiais, de espaços e tempos) com que as escolas se debatem para responder a muitos destes problemas! Curiosamente e a partir de agora, ao se definirem objectivos “de produto”, por exemplo: x% de aumento de sucesso na turma P, espera-se que se invista em quem? – Nos que não estão aptos para que se atinjam os objectivos propostos e subjacente aos quais será feita a minha avaliação ? (para que serve um estudo de mercado?) … – creio que, hoje, me estão exactamente a solicitar que trate os alunos como mercadorias…
5- Se a preocupação da srª ministra é, de facto, com as crianças com rosto (com quem, segundo ela, os professores não se preocupariam – daqui a pouco está a dizer que gosta mais do meu filho do que eu…) e com a sua efectiva aprendizagem, deixo-lhe algumas simples (mas que custam dinheiro) sugestões:
a) Redução do nº de alunos por turma;
b) Limitação do nº de alunos por professor ( o tal rácio do ministério – a OCDE utiliza a informação dada pelo ME- é, no mínimo, “piadético” – eu, e muitos como eu, tenho quase 150!)
c) Maior redução do nº de alunos nas turmas com alunos com dificuldades de aprendizagem;
d) revisão urgente do diploma do Ens. Especial – altamente gravoso para a aprendizagem dos alunos – ainda, nem os pais, têm “consciência” dos sérios problemas que colocará à aprendizagem de Todas as crianças/ jovens – as que apresentam dificuldades e as outras!
e) contratação de, nomeadamente, mais pessoal auxiliar para as escolas, fundamentais quer no controle, vigilância e segurança dos alunos quer no funcionamento adequado e eficaz dos serviços imprescindíveis ao regular (já nem digo bom) funcionamento das escolas.
f) Acabar com a falácia da Escola a “tempo inteiro” ( a escola deveria ser um local de aprendizagem e trabalho. Se quer, efectivamente, garantir na escola o desenvolvimento de outras componentes dos indíviduos então invista a sério: construa piscinas, bons gimnodesportivos e bem equipados, salas com boa acústica e instrumentos para a aprendizagem da música, salas de equipamento video e áudio, salas de informática apetrechadas com computadores eficazes e programas actualizados … e contratem-se mais pessoas com as habilitações adequadas !– mas é mais importante a construção de aeroportos, TGV´s, …, mais pontes, muitos e muitos estudos, (n+1)2 consultadorias a entidades externas, a manutenção de grandes ordenados com a exclusividade da argumentação de que o que é bom paga-se… bons gestores – pagam-se; bons directores – pagam-se, bons administradores – pagam-se, bons chefes de serviço – pagam-se, bons políticos – pagam-se, bons deputados – pagam-se… o resto da população paga para os serviços que os anteriormente referidos prestam à nação ( a sua avaliação é simples e convenientemente feita nas eleições …pois, pois…).
g) Escolas a funcionar a um só turno ( e não a 2 ou 3). Começar a manhã com as disciplinas teóricas, que necessitam de maior concentração, atenção e uma postura de trabalho mais exigente… Após o almoço: tempos para apoios, estudos acompanhados, tutorias … a quem deles necessitasse.
h) O ponto anterior remete para outra medida – como sem ovos não se fazem omeletas: Para ter, e desejavelmente tal como “lá fora”, menos chumbos é necessário, PARA ALÉM do figurar na legislação, ter EFECTIVAMENTE mais PROFESSORES e técnicos especializados ( ou parcerias / convénios com eles – e não, colocar os professores a fazer o seu trabalho – o habitual…), espaços e tempos para que, desde o momento em que se detectam dificuldades na aprendizagem, se possa intervir e acompanhar com eficácia os alunos ( seja ao nível do 1º, 2º, 3º ciclo ou secundário…)
i) Condição “sine qua non”: O 1º ciclo tem que ser fulcral e absolutamente exigente (e dotado dos mecanismos anteriormente mencionados) na aprendizagem da leitura, da escrita e da interpretação, no imprescindível domínio das operações matemáticas mais elementares e no desenvolvimento do cálculo (sendo que a memorização – nomeadamente da tabuada- é um processo fundamental da aprendizagem e a ser ganha, deverá sê-lo neste ciclo de ensino… depois, há muitas “rotinas” de base que já deveriam estar estabelecidas… depois, é cada vez mais tarde!
j) Para além de muitas outras considerações, acrescentaria uma relacionada com as questões da disciplina e da autoridade na sala de aula: Enquanto o ME considerar que se tem o direito a tudo, e a prejudicar a aprendizagem e o bem-estar dos outros, sem que daí advenham punições e consequências mais ou menos graves de acordo com a gravidade dos actos – nada feito! Uma escola de “desresponsabilização e de desculpabilização” não só não ensina nem educa para a vida como também veda a outros direitos consignados na Constituição.
Dir-me-ão: “não há dinheiro, somos um país de fracos recursos”. Responderei : “ é tudo uma questão de prioridades”. Já agora, eu docente, pago impostos: o meu ordenado e os meus impostos (como os restantes da função pública) estimulam a actividade económica e contribuem igualmente através de diversos mecanismos (mais ou menos directos) para muitos ordenados pagos no privado…
Abril 21, 2008 at 12:17 am
JCM – tem toda a razão. Existe uma ESE que só tem 30 alunos e cerca de 150 professores, alguns sem pós-graduação, que foram para essa ESE por convite. Um dos docentes foi meu colega e ele meio a brincar confidenciou-me que inventaram uns cursos de especialização (administração e gestão escolar, articulação curricular, coordenação de ensino, supervisão pedagógica…) porque tinham falta de alunos para os cursos normais de formação de professores. Excepto Ed. Especial, esse meu colega, chama a esses cursos, os cursos da “treta”, mas que foram necessários para manter a ESE a funcionar.
Garantiu-me que os Presidentes de alguns Institutos Politécnicos exerceram “lobbying” no ME para que certos cargos, como, delegados de grupo, coordenadores de departamento, coordenadores de director de turma, coordenadores de ciclo, etc, fossem somente exercidos por professores que fossem detentores de um diploma desses cursos de especialização.
Disse-me ele (meu colega/nosso colega), pessoa que obviamente guardo sigilo, que as ESES “controlam” certos departamentos do ME, e que dessa forma garantem a sua sobrevivência.
Confidenciou-me, também, que muitas ESE’s estiveram em vias de extinção no tempo do ministro David Justino, mas que agora com este novo governo “têm tudo sob controlo”.
Abril 21, 2008 at 12:19 am
Um comentário meu ao post do Paulo, sem qualquer tipo de “pretensão tecnica”. Claro.
As Organizações estruturam-se de forma a potencializar e melhor cumprir os seus propósitos ou finalidades. Na área da prestação de serviços altamente exigentes e complexos (como são os serviços de prestação de cuidados médicos e de prestação de serviços educativos), exige-se aos seus operacionais (no caso: medicos e professores) altíssimas especializações académicas e profissionais. As bases, os operacionais (trabalhadores), não podem ter grandes estrangulamentos na prática pois que o investimento terá que ser direcionado para o próprio trabalho (no caso tratar os doentes e ensinar/educar crianças e jovens). De outra forma, a tentaviva de controlo destes profissionais com implicações nas respectivas carreiras conduz, inevitavelmente, a que o esforço a ser direccionado para o trabalho em si mesmo, é desvirtuado e canalizado para a defesa do posto de trabaho com os inevitáveis e intermináveis “jogos de poder”. Em vez do investimento no trabalho em si mesmo-altamente desgantante (milhentos estudos se referem a que a profissão docente é com a da psiquiatria/psicologia de mais “alto risco”.
Nas grandes unidades hospitalares, há serviços. E os directores de serviço correspondem nas escolas ao presidentes dos executivos. A tipologia da organização mantem-se (por serviço).
O que existe são grupos de trabalho. E substituição de trabalho x em troca por trabalho y. Também foi o que se passou nas escolas até “o circo” surgir!
As carreiras têm por isso sistemas de progressão, de remunerações, de duração, de motivação/incentivos~que de todo podem ser comparáveis a outras, que a nada se lhe assemelham (por tudo o que já anteriormente abordei).
A estrutura organizacional deverá ser muito simples como era até agora, com uma base operacional grande, com staff (assessorias tecnicas)e com uma chefia (direcção, colegial ou não, mas com presidente), articulando-se com os restantes sectores que sao subsidiarios (administrativos a funcionarios auxiliares de educação). O fomento dos grupos de trabalho e da cooperação são essenciais. Na base da aceitação e do acordo. E não na disputa e desacordo.
Abril 21, 2008 at 12:22 am
O termo de paradigma remete para a ideia de modelo. É o que significa no grego clássico. As Ideias platónicas, eternas e imutáveis, eram paradigmas das coisas sensíveis. O termo paradigma tem a sua fortuna no século XX na filosofia da ciência de T. S. Kuhn, onde designa uma determinada forma “normal” de fazer ciência, com os seus métodos, conceitos, etc. Quando há revoluções científicas dá-se uma alteração de paradigma. Mas, para Kuhn, os paradigmas são incomensuráveis e as razões que os levam a escolher são subjectivas.
A utilização pelo jornalista e pela ministra do conceito de paradigma é muito interessante. Utilizam o conceito de forma popular, como ele está a ser apropriado pelo senso comum comunicacional. Mas como não o compreendem na sua amplitude, não percebem o que estão a dizer. E o que a ministra está a dizer, entre outras coisas, é que a sua visão da educação (a escolha do paradigma) é subjectiva. É o que faz armar ao pingarelho com conceitos que são mal dominados.
Abril 21, 2008 at 12:24 am
anahenriques
50
Concordo inteiramente.
Abril 21, 2008 at 12:28 am
[50] anahenriques, estamos de acordo!
Abril 21, 2008 at 12:30 am
comentário 45 – errata
pretendesse
Abril 21, 2008 at 12:37 am
…o comentário 44 faz-me lembrar uma coisa que venho questionando há muito,entre amigos e colegas: será que o negócio da “formação” e da “certificação” não é apenas mais um negócio no sentido puro e duro, muito mais que um imperativo em matéria de conhecimento ou de validação de produtos intelectuais ou materiais… sim que fariam essa multidão de certificadores e formadores se não se legislasse em favor da criação da sua necessidade… ( lobie puro ?..acho que sim).. faz-me lembrar a questão dos incêndios florestais e o acréscimo exponencial dos meios de combate e sua sofisticação, e cada vez mais, fogo à peça… há uma dúzia de anos começou a correr entre os professores a ânsia dos mestrados, nessa altura eu profetizei que as seguir à moda dos mestres, viria naturalmente a dos “barda mestres”… já chegou …
Abril 21, 2008 at 12:42 am
[45] Esta ministra parece-me ressabiada e é extremamente vingativa. Ela, perante as circunstências, foi obrigada a recuar, mas o desejo de retaliação, servida se possível quando estivermos desprevenidos, é de tal forma, que faz-lhe soltar a boca para a verdade!
Mas nisto não está só, infelizmente está acompanhada pelos seus secretários de Estado e pelo 1º Ministro. Quanto a este, se tiver a maioria absoluta em 2009, poderemos contar com a “vendetta” final.
Abril 21, 2008 at 12:46 am
JF, comentário 48, acrescento:
-Revisão dos currículos: ACND, redução do nº de disciplinas no 3.ºciclo.
-Diversificação curricular desde o 7.º ano, ou até antes, com a criação de turmas vocacionais.
-Especilização de algumas Escolas, Ensino Artístico, Profissionalizante,…
O problema é que o ME é o centro do problema, tal como mostra o comentário do Pedro Castro, com. 49.
“que muitas ESE’s estiveram em vias de extinção no tempo do ministro David Justino”
Lembro-me de se falar nessa época do fim da formação de professores no politécnico.
Mas agora têm lá o Valter, e o pessoal de Boston está protegido.
Vão ter azar porque aquela coisa do generalista nunca chegará ao terreno.
Abril 21, 2008 at 12:48 am
Pedro Castro (49),
Ora aí está o problema real. Foi por acaso, que foi Mariano Gago, ministro do Ensino Superior, que indicou MLR ao Sócrates? Não.
A missão, a única missão de MLR, é manter os “imenso interesses que se instalaram no Ensino Universitário publico e privado e no Ensino Politecnico publico e privado. Repito: único. Defender “os seus”.
A maior parte destas instituições não teriam qualquer forma de sobreviver mais uns anos, não fora o trio maravilha do M.E.
Todas as escolas de formação de professores estão ás moscas (Ensino Politecnico quer publico quer privado). Considero que os professores dos quadros deveriam continuar a investigar,etc. O resto tudo para a rua (sabiam que não tinham entrada nos quadros das Escolas!).
O 2º ciclo do VL é (simplesmente) para continuar a alimentar o pessoal das ESE/s e afins.
Quanto ás Universidades tb estão sem alunos. Aqui entra a sinistra e os seus amigos com muitos “estudios”. Sobretudo os xoxiólogos dos “abusados centrios de investigacion”. São listas monstruosas de individuos colados ao amiguismo, que sugam tudo o que são fundos estruturais que deviam ser investidos directamente no Ensino e no pagamento dos ordenados aos professores. Em vez disso, vão direitinhos para o papo da malta amiga.
É um total escandalo.
Abril 21, 2008 at 12:53 am
Paradigma… agradeço a JCM a definição das coisas.
Abril 21, 2008 at 12:54 am
JCM (51),
É muito grave que uma M.E. ainda por cima uma suposta “académica” e da área das Ciencias Sociais e Humanas (mais cuidado deveria ter!) utilize tal termo em forma de senso comum.
A senhora ainda não aprender que o Paradigma de Causalidade Linear aplicado aos fenómenos humanos (já) foi “chão-que-deu-uvas”!?
Abril 21, 2008 at 2:39 am
Não será uma entrevista jocosa?
Abril 21, 2008 at 4:24 pm
“Chumbar alunos é facilitismo”
Para além de nunca me terem acusado de facilitismo por chumbar alunos, registo aqui, embora sem surpresa, que o sr. Nogueira, parasita da classe docente, o «jovem turco» que há 17 anos não entra numa sala de aula, nada tem a dizer sobre mais este verdadeiro tratado da senhora ministra.
Ou será que concorda?
Abril 21, 2008 at 10:58 pm
Para memória futura e para que a senhora ministra da Educação esteja a par daquilo que impropriamente define como “professor de ginástica”, trago à sua presença alguns esclarecimentos:
1. Os professores de Educação Física , desde de 1940 (data da criação do Instituto Nacional de Educação, e não Instituto Nacional de “Ginástica”) que são possuidores de um curso superior com a exigência de acesso do antigo 7.º ano dos liceus, como qualquer outro curso superior, ao tempo.
2. Através do Decreto n.º 36 507/47, de 17 Setembro, o acesso ao ensino superior passou a ser feito com o cumprimento das diversas alíneas liceais. A alínea f), do referido Decreto, dava acesso aos seguintes cursos superiores: “Medicina,Ciências Matemáticas, Fisico-Quimicas, Geo-físicas, Geológicas e Biologia, Engenheiro Geógrafo da Faculdade de Ciências, Faculdade de Engenharia, Escolas Militares, Instituto Superior de Agronomia, Veterinária, Farmácia e INEF” (sic.).
3. Outros cursos superiores como Direito, Letras, Arquitectura (o único curso de Belas-Artes com essa exigência), etc., exigiam outras alíneas que iam da alínea a) à alínea g).
4. Simultaneamente ao INEF existiu, desde a década de 60 a meados de 70, um curso médio: o Curso de Instrutores de Educação Física (não de Ginástica) que diplomava instrutores de Educação Física.
5. Os detentores desde curso, até a esta data, eram de provimento eventual; só a partir de 75 tiveram acesso ao quadro de nomeação definitiva como bacharéis.
6. Antes da publicação do Decreto-Lei n.º 409/89, de 18 de Novembro, o topo da carreira docente era definido por letras: letra A, para licenciados, Letra B para bacharéis e letra C para diplomados por cursos médios.
7. Com a publicação deste Decreto, o topo da carreira docente passou a ser feito por escalões, 10.º escalão para licenciados e 9.º para bacharéis. Acontece que os sindicatos que negociaram esta legislação com o então ministro da Educação, Eng. Roberto Carneiro, não defenderam os licenciados que desceram do topo da carreira para o 7.º escalão e 8.ª escalão no caso de estarem habilitados com o antigo exame de estado, tendo que cumprir mais uns anos de serviço para ascenderem ao 10.º escalão. Esta despromoção apanhou tanto os “professores de ginástica” como os outros professores licenciados de outras disciplinas. Professores de Educação Física e não “professores de ginástica”, “quod erat demonstrandum”. Com toda a dignidade de um passado que remonta aos idos de 40. Devem os professores de Educação Física estarem gratos à senhora ministra da Educação pela oportunidade deste esclarecimento. Como diz o povo, há males que vêm por bem!
Abril 22, 2008 at 12:09 am
Rui Baptista,
Isto de facto é “de outro mundo”…revolta até o mais pacífico ser humano.