Um dos motes mais usados nos últimos tempos quando se discute a situação da Educação passa pela evocação da manifestação dos «100.000» em Lisboa no dia 8 de Março.
Muitos não esperavam tamanha união. Muitos emocionaram-se ao sentirem os outros 99.999 ali ao redor. Muitos acharam que era possível mudar o mundo a partir dali. Muitos foram ingénuos.
Acho que não estarei a ser demasiado cínico se disser que, por histórica e emocionante que tenha sido, alguns de nós estavam plenamente conscientes que os resultados visíveis não poderiam ser imediatos, atendendo ás circunstâncias particulares em que vivemos.
Antes de mais porque, para o bem e para o mal, num regime democrático consolidado – o nosso sê-lo-á? – uma manifestação é uma manifestação, por enorme que seja, por muito que tenhamos querido que ela acontecesse e fosse assim e que tivessemos passado uma das mais inesquecíveis tardes das nossas vidas.
Só que perante uma manifestação grandiosa, mesmo em democracia, as políticas não mudam de um dia para o outro. Podiam ter sido 50.000, 70.000 ou 120.000. O sucesso e o impacto teriam sido sempre grandes mas perante um governo democraticamente eleito – sim, eu sei que estou hoje muito lírico – não há qualquer obrigação formal de mudar uma política, despedir uma ministra ou ir embora e bater com a porta.
As coisas não funcionam assim de forma tão automática, o poder não cai na rua com uma manifestação daquelas. Apenas abana. Estremece. Aguenta-se melhor ou pior. Mas não cai.
Há que perceber isso.
Perceber que tão importante como o abalo propriamente dito é o receio das réplicas e outras sequelas. O receio que a agitação continue, que a instabilidade se enraíze.
E foi isso que, em parte, aconteceu.
Terminada a manifestação, apressaram-se os defensores da «boa ordem democrática» a declarar que, pronto!, para além daquilo mais nada haveria a esperar dos professores e que aquele tinha sido o apogeu da sua contestação e que não existia plano B.
E durante algum tempo assim pareceu.
O problema é que, existindo ou não um plano B geral, percebeu-se também com uma certa rapidez que a larga maioria das escolas e dos docentes estava a funcionar numa situação de extrema saturação e que se corria o risco de uma implosão disseminada de todo o sistema.
A força dos 100.000 todos juntos tinha-se transformado num potencial rastilho ateado por 100.000 insatisfações individuais.
E foi isso que o entendimento tentou travar.
De certa forma não é incorrecto dizer que, bem ou mal, um dos efeitos práticos foi mesmo salvar o 3º período de uma situação potencialmente catastrófica para o funcionamento das escolas.
Mas, pelo que me parece, o problema apenas terá sido adiado para o próximo ano lectivo.
Porque os 100.000, com ou sem um plano B comum, andam por aí e não estão minimamente satisfeitos com a solução alcançada, mesmo que provisória.
E o ano de 2008/09 promete ser tão ou mais agitado do que tem sido este. O ME e os sindicatos precisam de perceber isso. E há rastilhos um pouco por todo o lado.
Abril 19, 2008 at 11:42 pm
Completamente de acordo…rastilhos por todo o lado e o pessoal continua muito saturado, farto de burocracias e de não poder concentrar-se nas aulas.
Abril 19, 2008 at 11:45 pm
É verdade. Então os colegas que andam a tratar dos “grelhados” fartam-de de criticar o modelo.
Todos com quem tenho falado estão profundamente descontentes, frustrados, saturados e muitos já a pedir a simulação à CGD!
Abril 19, 2008 at 11:48 pm
Subscrevo inteiramente.
Abril 19, 2008 at 11:49 pm
” e os sindicatos precisam de perceber isso”
Concordo.
Voltando à minha ladaínha dos últimos dias:
Não é abandonando os sindicatos que eles entendem, é embrenhado-se mais neles.
Abril 19, 2008 at 11:52 pm
Como me faltam 32 anos para pedir a simulação, e se não aumentar até aos 70 a idade de reforma (a conversa da 3ª idade do Cavaco vai nesse sentido
), vejo o problema adiado no 3º período. Remendámos o bote que mete água…mas vão aparecer mais furos e não haverá mais remendos. Preocupa-me bastante o próximo ano lectivo, o problema foi empurrado no tempo mas não foi resolvido. Continuo a luta e vou passar as férias em casa, pra guardar uns trocos pró que há-de vir. Se a luta endurecer convém ter umas poupanças para umas greves, mas das que se fazem a sério. É apenas uma conjectura…esperemos para o bem de todos que as coisas melhores.
Abril 19, 2008 at 11:53 pm
e o paulo agora é bombeiro, é? um defensor da
«boa ordem democrática» ? ” we want the world and we want it now”, lembra-se?
ainda alguém me há-de explicar que porra de argumento é esse de “salvar o 3º período”. mas algum professor deixou de fazer o que tinha a fazer por causa das concentrações/manifestações e da oposição ao desvario governamental? só se tivessem sido os professores dos sindicatos mas esses não dão aulas e são poucos…
não entremos em processos de adesivação…
já entreguei o cartão à fenprof e conheço muitos que o fizeram e quanto aos 80 e tal por cento que ratificaram o memorando de entendimento ( o nome é todo um programa….) tenho muitas dúvidas pois dos que conheço a razão é ao contrário. custava muito À fenprof por online a lista por escolas? é que por regiões ficamos na mesma….
as razões da luta mantêm-se e agora reforçadas pois como bem disse “há rastilhos um pouco por todo o lado”.
sarajevo, junho de 1914
Abril 19, 2008 at 11:53 pm
melhores_melhorem
Abril 19, 2008 at 11:59 pm
like a rolling stone,
Bute para um riot?
Abril 20, 2008 at 12:00 am
Quando o ECD dividiu a carreira em duas deveria ter havido uma reacção mais forte. Sem titulares não existia avaliação com este modelo. O ME esperava assim desunir os professores dividindo-os.Não esperava uma reacção tão forte à avaliação por parte dos próprios titulares.
Receio o desanimo dos mais jovens que costumam ser pouco pacientes e tem tendência para desanimar e desmobilizar facilmente!
Abril 20, 2008 at 12:07 am
Se os Sindicatos já concordaram que o modelo de avaliação fosse aquele no próximo ano, não sei por que estarão as escolas a ferro e fogo.
O processo só será avaliado em Junho, depois de acabarem as aulas. Para que não haja muita contestação, porque as eleições são logo em Outubro.
Ou como o sr. Nogueira, o parasita da classe docente, que já não entra numa sala de aulas há 17 anos, conseguiu dividir o que o Ministério tinha unido!
Abril 20, 2008 at 12:12 am
Paulo Guinote, o homem bomba!
Abril 20, 2008 at 12:12 am
2009, mesmo que as eleições sejam em Outubro (não é certo ainda), a avaliação faz-se por ano civil e ficará concluída em Dezembro. Portanto ainda não haverá resultados.
Abril 20, 2008 at 12:15 am
fernanda
riots não…
sou contra vandalismos e violência, organizada ou não. mas que um dia destes (se estas políticas neo/ultra-liberais continuarem) vai acontecer, isso vai.
a propósito do termo “riot” lembrei-me desta grande banda que o paulo ainda aqui não colocou
Abril 20, 2008 at 12:23 am
A vida na escola está insuportável e, no próximo ano, vai tornar-se num verdadeiro inferno. Até ao momento, nada de substancial mudou. Pelo contrário, tudo vai piorar.
Infelizmente, continuarão a existir motivos de revolta. Acredito, assim, que a união se manterá, pois estamos/estaremos todos no mesmo barco (bom, quase todos…).
A actual “divisão” dos professores a que alguns colegas se referem é, quanto a mim, uma divergência que se circunscreve à discussão sobre a oportunidade ou não do entendimento entre ME e Plataforma e à estratégia dos sindicatos, mas, espero eu, essas diferenças de opinião não irão quebrar a união nem apagar em nós a disponibilidade para lutar.
Abril 20, 2008 at 12:30 am
Repito um comentário que deixei no meu cantinho acerca da ilusão dos números.
Eu vi 100 000 professores que protestaram contras as políticas deste ME. Este é o único dado objectivo que tenho. Agora passo à interpretação: a marcha da indignação não podia ter outro lema. Presumo que se o lema fosse a avaliação, o estatuto, a gestão ou a defesa da escola púbica, a adesão seria muito menor. Digo isto pelo conformismo, mais ou menos velado, que mantém as escolas em banho-maria. 20 000 colegas assumiram a discordância com este modelo de avaliação. Muitos mais estarão em desacordo com o modelo de avaliação e não terão subscrito o abaixo-assinado por entenderem que esta forma de luta é inócua. Outros (quantos?… não serão 80 000), por se sentirem promovidos pelo modelo, calam e consentem.
Se o abaixo-assinado fosse subscrito pelos 100 000, a plataforma sindical arriscar-se-ia a um entendimento nestas condições?
Abril 20, 2008 at 12:30 am
Alice N. : concordo plenamente! divergência de opiniões não pode significar corte/ separação radical. Gostava até que a plataforma e os movimentos independentes tentassem um diálogo apesar das feridas. Eu próprio me incluo naqueles que não têm por agora pachorra pra sindicalistas, mas não baixo os braços, e devemos ser positivos. Se há pactos e entendimentos com o Diabo, pk diacho não há-de haver entre professores. Contudo volto repetir o que já disse…nada de agendas de partidos!
Abril 20, 2008 at 12:32 am
O dirigente socialista, obviamente, passou ao lado dessa questão. Mas do acordo propriamente dito não. “O Governo e os sindicatos precisavam deste acordo”, disse.
Mas logo acrescentou uma nota algo pessimista: a “chave” que “envenena tudo” está por resolve. Essa “chave” é, no entender de Costa, a questão dos professores titulares, que a quem os outros professores, não titulares, “não reconhecem legitimidade” como seus avaliadores. Ou seja: para Costa o que se encontrou agora entre os sindicatos e o Governo foi apenas uma trégua temporária.
http://dn.sapo.pt/2008/04/18/nacional/antonio_costa_estreouse_quadratura.html
Abril 20, 2008 at 12:42 am
A nossa classe é pouco unida. Quando a MLR estava a negociar sozinha o ECD fizemos muitas reuniões sindicais para mobilizar para a luta, apareciam 5, 6 colegas. Se nessa altura fôssemos 100 mil para a rua não tínhamos este ECD. Porque os dirigentes sindicais sozinhos não fazem nada sem a força dos professores. Atrasamo-nos 2 anos. Só acordamos com a avaliação. Foi pena!
Queríamos ouvir os colegas, discutir formas de luta, etc., mas ficamos a falar sozinhos.
Só quando sentiram na pele vieram para a rua, foi tarde, muito tarde!
Vamos a ver como remendamos isto.
Abril 20, 2008 at 1:30 am
Bastava que um de nós não estivesse nos cem mil e da próxima já seriamos cem mil e um. Será que o ISCTE conhece o fenómeno “avalanche”?
Abril 20, 2008 at 1:47 am
Boa noite. Quando surgiram as primeiras versões do ECD os professores não se mobilizaram para o combater. Fui a uma reunião com o sindicato com o ingénuo objectivo de discutir formas de luta. Mas como a maior parte dos presentes não tinha lido o documento proposto pelo ME o dirigente sindical esteve grande parte do tempo a explicar a proposta. Assim pouco se discutiu acerca das formas de luta até porque também eramos muito poucos professores na sala. Lembro-me que as greves foram formas de luta propostas pelos sindicatos e tiveram pouca adesão. Neste momento não sei se o acordo ME-PS é bom ou não mas julgo que a revogação do ECD só seria possível com greves de vários dias e adesão em massa a essas mesmas greves.
Na minha opinião a pouca adesão às greves para lutar contra o ECD fragilizou os sindicatos e estes perderam poder de negociação junto do ME. Quando surgiu o novo sistema de avaliação e só quando nos vimos confrontados com o modelo, que é na minha opinião impossível de colocar em prática de forma séria, é que começamos a agir. Os blogs sobre educação de professores do ensino não superior são muito bons, os professores conhecem a legislação, pensam, percebem as ilegalidades ou pelos menos as “ilegalidades morais” que surgem da leitura de diversos documentos e apresentam as suas conclusões. O documento tem muitos aspectos questionáveis sob o ponto de vista legal. Com os blogs, as sms, as associações de professores que entretanto surgiram e as tomadas de posição de muitos professores nas suas escolas foi como se o movimento de professores tomasse vida própria. Eu que já me tinha conformado com o novo ECD, depois das greves que fiz na altura da sua “negociação”, pela tristeza que senti com a fraca adesão e por me parecer que muitos professores não tinham entendido o que significava o novo ECD, ganhei nova esperança e nova vontade. Vi os sindicatos a promoverem uma manifestação a Lisboa para tentar apanhar a onda da revolta dos professores e uma adesão impensável a esta. Os professores de certa forma é que deram indicações aos sindicatos sobre o que fazer. Com isto tudo quero dizer que, temos de continuar este movimento em defesa da nossa dignidade, em defesa dos nossos alunos, em defesa da escola pública. Ninguém acordou com o ME que íamos suspender a nossa luta até 2009, pois não? Fomos ofendidos e despromovidos durantes anos mas neste três últimos fomos ofendidos demais, temos de continuar nos tribunais, na rua, em tomadas de posição nos departamentos, nos CP e em RGP, enviar as tomadas de posição para ME e SE, PM e PR, deputados, CS. Também podemos enviar cartas para os deputados do nosso círculo eleitoral, informando-os do que se passa e questionando-os. Se continuarmos a lutar os sindicatos vão seguir-nos e irão de encontro aos nossos objectivos.
Seria fantastico que o movimento continuasse.
Abril 20, 2008 at 1:48 am
Pois a mim o entendimento pareceu-me um comprar de tempo por parte da D. Lurdes. O ponto a que a contestação chegara fazia prever um verdadeiro caos no 3º período quando a maioria dos docentes se visse a braços com a avaliação, o exame de acesso à carreira, o novo modelo de gestão e as provas para um futuro concurso de acesso a titular (situação que no momento presente afecta mais de 40.000 docentes, plus milhares de titulares para os júris). É que a maioria não tem por hábito ler os projectos de lei que se têm vindo a suceder. Só se dão conta das suas consequências quando os mesmo são publicados e obrigam a decisões e calendários. Foi assim com a avaliação e se-lo-á com tudo o que aí vem.
Ora o comprar tempo só faz sentido em termos de gestão de uma dada agenda político-mediática, caso contrário chama-se protelar. Até arranjaram uma cenoura(+ 1 escalão) para acenarem com ela sempre que o cajado faça estragos. Mas em pleno ano eleitoral, a vida não lhes vai ser fácil. E para nós também não. We ain’t see nothing!
Abril 20, 2008 at 1:56 am
Precisamos de coordenar formas de luta e é já! Dentro em pouco vamos ter os novos concursos para titulares… devemos alinhar nisso se o que queremos é a revisão do ECD e o fim dos titulares e não titulares? E quando nos pedirem os objectivos no início do prox. ano lectivo? Alinhamos? Se o fizermos estamos a contribuir para por em marcha um processo que vai ser dificil parar!
Abril 20, 2008 at 2:11 am
Fui dos que assinaram a Moção com muitas reservas.
Os professres não podem esperar por Setembro. O ME sabe como como dividir e desmobilizar. As últimas notícias são “benesses” para dividir os professores.
Uma das questões fundamentais – a divisão da carreira vai acabar por se esquecida e é o ponto fulcral.
Creio que todas as escolas deveriam elaborar um documento assinado por todos os colegas enviar para todos os órgãos institucionais, para a Comunicação Social pressionando o mais possível para mostrar que a Educação caminha para o abismo – escolas obsoletas e professores magoados, revoltados e desmotivados. O problema não está na avaliação do desempenho.
Em junho de 2007 a minha escola elaborou um documento contestando o ECD. Foi pena que esta onda de contestação não tivesse rebentado nesse momento. Foi um erro político.Esper que esse erro não se tenha repetido com o “entendimento”.
O mar não desiste nunca de enfrentar os obstáculos.Às vezes apenas espreita a melhor oportunidade.
O desassossego está semeado.Há de dar frutos,mesmo que às vezes não pareça.
Abril 20, 2008 at 2:14 am
E porque é preciso denunciar, coloquei a mesma informação nestes 3 blogs:
http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/04/os-cravos-tambm-se-abatem.html
http://desportoemcontraste.blogspot.com/2008/04/os-cravos-tambm-se-abatem.html
http://ocartel.blogspot.com/2008/04/os-cravos-tambm-se-abatem.html
Abril 20, 2008 at 2:15 am
Ainda não entendi como será possível propor objectivos para dois anos sendo que um deles já passou. Se nos conseguissemos coordenar seria interessante que ninguém apresentasse objectivos ou se candidatasse a titular. Mas como conseguir essa coordenação?
Abril 20, 2008 at 2:26 am
“escolas obsoletas e professores magoados, revoltados e desmotivados”
Maria Eduarda, as Secundárias estão a ser remodeladas…
Abril 20, 2008 at 2:54 am
DP,
conseguir essa coordenação não deve ser, é impossível que seja, a partir desta casa do Guinote que é pública, terá de ser por outros meios. Ou por correio normal via CTT (ainda não abrem os envelopes dos cidadãos) ou por infra-estruturas montadas, sindicatos, organizações de profs, ou no melhor dos casos de boca em boca, talvez o melhor dos métodos, sem que as paredes oiçam e as câmaras de vídeo captem.
Abril 20, 2008 at 3:35 am
Ainda bem que acordaram, melhor tinha sido acordado há 2 anos!
Vamos aos remendos
Vai ser muito mais difícil, apesar das “brechas” que estão abertas no memorando de entendimento. Mais 2 escalões com os mesmos anos de carreira , etc…..
Abrir aquele livro preto e começar a mexer nele, vai ser difícil deixar pedra sobre pedra.
Vamos a ver!
Como não tenho confiança nenhuma nesta equipa do ME e acho que não trabalham por convicção mas por teimosia.
Esperemos por uma boa oposição no PSD. Até a Ferreira Leite é uma Senhora ao lado desta corja.
Abril 20, 2008 at 4:37 am
Como não conseguimos mais, agora é boicotar o mais possível dentro da razão.
É o razoável para quem se esqueceu que o ECD estava a ser negociado!
Temos o que merecemos.
Boa noite.
Abril 20, 2008 at 8:32 am
Paulo,
Agora que a espuma dos dias começa a assentar, a reflexão sobre os próximos passos, tendo por base uma análise não emotiva e não manipuladora dos factos e dos resultados obtidos com a luta, é o mais importante para todos.
Afinal temos nas nossas mãos a possibilidade de provar que somos profissionais reflexivos e não “zecos” que embarcam em qualquer manobra preparada por centrais de comunicação e propaganda do governos.
Foi por isso que postei «Por quê desistir agora, gente de pouca fé?»:
http://fjsantos.wordpress.com/2008/04/19/por-que-desistir-agora-gente-de-pouca-fe/
Abril 20, 2008 at 8:41 am
Ninguém vai desistir. Mas não me parece que a FENPROF e etc. desencadeem grandes lutas no primeiro período, veja-se o Expresso de ontem e as reuniões que lá são descritas entre M. do Trabalho, M. Nogueira, etc. É importante que a luta recomece cedo ou a coisa instala-se. Vão ser 5 aulas assistidas? São necessárias 5?
Abril 20, 2008 at 8:43 am
So much to be done… Who’s ready for the real thing?
Abril 20, 2008 at 8:49 am
No meio da turbulência, tenho que prestar homenagem ao Pinto Balsemão. Quando se trata de minar o campo da agitação, este homem sabe mover cordelinhos com mestria, não se confunde com o boçal Emídio Rangel. Os méritos dos contendores devem ser reconhecidos.
Abril 20, 2008 at 9:42 am
Já agora, o melhor é estar sempre outro professor a assistir a TODAS as aulas ao longo do ano. Só assim é que se pode ver se o professor em avaliação é competente!
Muito obrigada senhores sindicalistas, enquanto vão fazer parte da comissão de observação os outros é que se vão lixar!!!
P.S. Não nos podemos esquecer que além do Mário Nogueira estiveram lá outros e não se fala deles.
Abril 20, 2008 at 9:45 am
Por mais que os sindicatos se desdobrem em explicações, não há volta a dar : o que foi ACORDADO é manifestamente insuficiente!
O próximo ano vai ser MUITO LONGO e ainda seremos todos surpreendidos com o novo modelo de concurso. Não esqueçam que a ministra discorda dos critérios do actual. por isso, preparemo-nos!
Abril 20, 2008 at 10:24 am
Curioso como alguns ainda insistem em colocar os sindicatos como vítimas da comunicação social.
Então o Mário Nogueira anda nas lides do PCP desde que usava calções e ainda há quem lhe dê o benefício da dúvida ??
Será ingenuidade ou querem-nos tomar por idiotas ??
1. Os sindicatos fazem parte do sistema capitalista e constituem a última reserva da Nomenklatura na contenção da revolta pela via paíficas de embuste e da manipulação. Quando os sindicatos falham envia-se o exército. Talvez seja por essa razão que actualmente se investe menos na educação e mais no reforço das FA.
2. Os sindicatos não se subordinam às massas, pela simples razão de que os seus dirigentes são peças da Nomenklatura, com provas dadas de respeito e fidelidade às estratégias dos comités centrais dos aparelhos partidários.
3. A Nomenklatura tem um pacto de estabilidade estabelecido entre os seus membros, no qual os sindicatos são uma peça central na exploração e repressão dos assalariados.
Abril 20, 2008 at 10:27 am
Se os sindicatos não nos servem, o que fazer? Criar uma Ordem?
Abril 20, 2008 at 11:28 am
Sem discordar absolutamente do conteúdo deste post, nomeadamente que o próximo ano também vai ser (tem de ser) quente, era para escrever o que escreveu o autor do comentário 6 que eu me preparava para fazer. Portanto, “ainda alguém me há-de explicar que porra de argumento é esse de “salvar o 3º período”. Mas algum professor deixou de fazer o que tinha a fazer por causa das concentrações/manifestações e da oposição ao desvario governamental? Só se tivessem sido os professores dos sindicatos mas esses não dão aulas e são poucos…”.
É que eu não entendo mesmo o que é isso de “salvar o 3.º período”. Acaso os outro dois períodos foram perdidos? Que prejuízos resultaram para as escolas da deslocação de quase todos os professores a Lisboa, numa determinada tarde de Sábado? E que prejuízo resultaria de grandes manifestações a levar a cabo nas noites de Segunda-feira?
Claramente, e isso transparece na informação deste fim de semana, eles tinham a “guerra” perdida e os sindicatos tiveram medo de a ganhar. Então vai de “tentar salvar o 3.º período”, mesmo que jamais estivesse condenado. Com efeito, as aulas, os alunos não são ainda a única coisa que continua a justificar a minha (nossa?) ida à escola.
Abril 20, 2008 at 11:31 am
Termino o comentário anterior com um ponte de interrogação.
Abril 20, 2008 at 12:25 pm
Bem sei que a ponderação que o Paulo Guinote está a revelar nos últimos posts incomoda muito boa gente. E mais ainda pela aproximação que demonstra em relação às posições da Plataforma Sindical, designadamente no que se refere ao entendimento conjuntural. Incomoda os adeptos do “ou tudo, ou nada” e incomoda os adversários de sempre do movimento sindical e da unidade dos professores.
Com serenidade, leia-se o serviço da Lusa:
Educação: Sindicatos reafirmam “benefícios” de entendimento com Ministério sobre avaliação
Os sindicatos insistiram hoje na “importância” e “benefícios” do entendimento alcançado com o Governo em matéria de avaliação de desempenho, mas sublinharam que a luta contra “o ataque” à escola pública e aos docentes vai continuar.
“Seria impossível assinar um qualquer acordo com este Governo sem que se alterassem aqueles que são os principais instrumentos de ataque à escola pública e aos professores. Não é disso que se trata. Este é um entendimento, imediato para o terceiro período, extremamente positivo para os professores”, afirmou Mário Nogueira, porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, em declarações à Agência Lusa.
Vários movimentos cívicos de professores contestaram este fim-de-semana o entendimento alcançado na madrugada de sábado entre os sindicatos e a equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, alegando que não estão contempladas as situações que estão na origem da luta dos docentes.
“Se isto não é importante para os professores – salvaguardar os efeitos negativos da avaliação, retirar importância a procedimentos já executados e prever a alteração do modelo -, francamente fico sem saber se os professores, não sendo assinado este entendimento, ganhariam com isso, pois ficariam sujeitos às regras anteriores”, responde o dirigente sindical.
O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) sublinha ainda como benefícios a participação dos sindicatos numa comissão paritária com a administração educativa para acompanhar a aplicação do modelo, mas também os horários de trabalho dos professores na componente não lectiva, a criação de um escalão no topo da carreira correspondente ao escalão mais elevado da carreira técnica superior e a aplicação do primeiro procedimento decorrente do novo diploma da gestão escolar até 30 de Setembro.
“Este é um texto que beneficia muito os professores e que permite criar alguns compassos de espera relativamente a outras matérias e à organização de lutas”, afirmou.
Por outro lado, o dirigente sindical sublinha a importância das moções que as escolas votam hoje para a ratificação do documento, que não será subscrito caso seja essa a vontade dos professores, e para a manutenção, ou não, dos protestos previstos até ao final do mês.
Mário Nogueira refere ainda que o documento a ser assinado quinta-feira com a tutela vai integrar uma declaração da Plataforma Sindical, na qual os docentes reiteram profundo desacordo em relação a matérias como o Estatuto da Carreira Docente, a divisão da carreira em duas categorias, o diploma da gestão escolar e do ensino especial, entre outras matérias.
“Os sindicatos não alteram uma vírgula na sua posição sobre essas matérias. Continuam a ser contra e bater-se-ão para alterar profundamente esta legislação”, afirmou Mário Nogueira.
O sindicalista garante que “os professores continuam unidos” e desvaloriza as posições dos movimentos cívicos de docentes: “Não nos temos limitado a ouvir os representantes dos movimentos. Estamos em crer que não é essa a posição dos professores, mas veremos” hoje.
“Podíamos pedir o céu, mas no imediato o que queríamos era não ir para o inferno. Agora compete aos professores continuarem a lutar, a exigir, com propostas alternativas àquelas que são as medidas que o Governo tem vindo a implementar”, apelou Mário Nogueira.
MLS.
Lusa/Fim
© 2008 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Abril 20, 2008 at 12:32 pm
Sim, sim…
Abril 20, 2008 at 12:32 pm
Adiar uma luta que se prevê inevitável não me parece nada sensato. Preferia um 3º Período complicado e iniciar o próximo ano ano lectivo em paz. Penso que estamos a perder tempo e de alguma forma a dar a entender à opinião pública que afinal o “entendimento” foi positivo e resolveu tudo.
Abril 20, 2008 at 12:35 pm
Parece-me que onde se lê: “salvar o 3º período”, devia ler-se, “adiar a reivindicação para o próximo 3º período de 2009 por questões de agenda política”
Abril 20, 2008 at 12:45 pm
As últimas declarações da Ministra esclarecem bem a medida em que a situação evoluiu para uma direcção que ela não soube antecipar. Transformou-se numa peça irrelevante para a sequência e arrisca-se a provocar estragos nas próprias hostes. Há que ler os pequenos sinais no meio de tanto alarido.
Abril 20, 2008 at 1:40 pm
É verdade que os dirigentes dos sindicatos (quer da
CGTP, quer outros) se passaram há muitos anos para o
outro lado.
Existe luta de classes e a razão de ser dos sindicatos
é que ela existe.
Os sindicatos são entidades destinadas a negociar com
o poder (económico e político). Mas são, ao mesmo
tempo, entidades destinadas a manipular as «massas».
As pessoas, que afinal constituem «as massas» não têm
outra opção senão exigir um respeito pelo mandato das
direcções respectivas, promover assembleias gerais
extraordinárias para discutir e eventualmente demitir
os dirigentes que desrespeitaram tão obviamente o
mandato conferido pelas bases.
Porém, a escumalha da burocracia sindical instalada,
desde há muito que se «blindou» para essa
eventualidade, fazendo estatutos que embora
consagrando da decisão das assembleias, tornam tão
difícil a sua convocação legal, tornam tão irrisórias
as possibilidades de contestação interna, ordeira.
Assim sendo, a única opção dos descontentes, face à
ausência de democracia sindical parece ser VOTAR COM
OS PÉS, DAR À SOLA.
Mas este comportamento é imaturo, pois as pessoas
sabem que demora muito tempo e esforço construir de
raíz um sindicato novo, de acordo com uma lógica
democrática, etc.
No entretanto … o tempo vai passando e perde-se a
possibilidade de lutar.
Ora existe uma maneira de obviar isso:
é constituir-se comissões de luta, abertas (quem
quiser fazer parte delas, para colaborar e lutar, pode
fazê-lo, qualquer que seja a sua filiação sindical ou
mesmo que não tenha nenhuma). Isto é a base na luta
sindical verdadeira. Aquela que tem estado ausente no
panorama sindical no nosso país.
Se os 100 000 que desfilaram a 8 de MARÇO tiverem o
bom-senso de constituir-se em comissões de luta NOS
LOCAIS DE TRABALHO irão pôr em cheque os acordos
espúrios e as traições.
Eles -burocratas sindicais – não têm nada a oferecer
ao poder, se não tiverem uma obediência cega das
«massas» (ou seja de nós todos/as)!!
A luta continua!
Solidariedade,
Manuel Baptista
Abril 20, 2008 at 4:10 pm
António Ferrão continua a ler o futuro nas borras do Entendimento e a prever o desenlace das batalhas que se avizinham nas entranhas de aves raras.
Paulo Guinote é irónico quanto baste ao ponto de referir que o Entendimento faz parte de um jogo político em que o mais importante é a “boa ordem democrática”, aquela que a Nomenklatura está disposta a salvaguardar a qualquer preço, mesmo que tenha de queimar governantes (Correia de Campos) e recorrer a sindicalistas (Carvalho da Silva).
Ou já não se lembram dos bonzos que estiveram presentes no doutoramento do líder da CGTP ??
Quando Màrio Nogueira diz que o seu papel é o de evitar o Inferno, sem nunca prometer o Céu, confirma que o actual Purgatório é o que mais (lhe) convém, porque assim os docentes certamente irão continuar a precisar dos sacerdotes sindicais, bem como a confiar no Santo Mário e nos outros padres da Plataforma da Igreja Sindical.
Por isso, Paulo Guinote está também consciente de que não se muda a realidade com uma grandiosa manifestação de fé, mesmo que ela comporte 100 000 crentes.
Abril 20, 2008 at 6:10 pm
H5N1
99.999 “crentes” e mais 1 que não era “crente”
Bom fim-de-semana.
Abril 20, 2008 at 6:25 pm
Só podemos confiar em nós!
Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht
Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!
Abril 20, 2008 at 6:34 pm
Sópodemos confiar em nós!
Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht
Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!