Os inimigos da escola

Como toda a gente já percebeu (inclusive, os professores), o albergue espanhol em que se transformaram os sindicatos impede-os de serem um parceiro credível em qualquer reforma educativa. Aliás, os sindicatos de professores e as associações de pais foram os principais responsáveis pelo fracasso das últimas reformas educativas (designadamente a de Fraústo da Silva), na medida em que as alterações que impuseram e vieram a ser aceites subverteram e destruíram completamente o espírito da reforma. Quem conhece, por dentro, a realidade da Educação em Portugal não pode deixar de saber que uma das principais causas da degradação do nosso sistema de ensino reside na irracional sobrecarga lectiva dos horários dos alunos. Isso não só contribui decisivamente para o insucesso escolar (na medida em que impede a assimilação das matérias, por falta de tempo, por parte dos alunos com menos capacidades intelectuais ou com pais com menos capacidade económica) como também impossibilita qualquer estratégia para remediar, por não haver espaço disponível para o efeito no horário do aluno.

E já que se gosta tanto de falar da Finlândia, comparem-se os horários dos alunos finlandeses com os horários dos alunos portugueses e o número de disciplinas que cada um tem. Só que, quando se chega aqui, sindicatos, associações de pais e comentadores (também pais), assobiam para o lado e fingem que não percebem. Com efeito, nem os sindicatos querem ouvir falar em menos disciplinas (logo, menos professores), nem as associações de pais querem ouvir falar em redução da carga horária dos seus filhos. Ou seja, os sindicatos olham a escola como um centro de emprego para os seus filiados e as associações de pais como um depósito para os seus filhos. Mas, quem os ouvir falar, todos se batem pela qualidade de ensino…(Hipócritas!)
Santana-Maia Leonardo, Ponte de Sor

A esta análise, globalmente acertada, conviria acrescentar – quiçá! – uma análise do tipo de currículo em cada uma das paragens em causa,