Os inimigos da escola
Como toda a gente já percebeu (inclusive, os professores), o albergue espanhol em que se transformaram os sindicatos impede-os de serem um parceiro credível em qualquer reforma educativa. Aliás, os sindicatos de professores e as associações de pais foram os principais responsáveis pelo fracasso das últimas reformas educativas (designadamente a de Fraústo da Silva), na medida em que as alterações que impuseram e vieram a ser aceites subverteram e destruíram completamente o espírito da reforma. Quem conhece, por dentro, a realidade da Educação em Portugal não pode deixar de saber que uma das principais causas da degradação do nosso sistema de ensino reside na irracional sobrecarga lectiva dos horários dos alunos. Isso não só contribui decisivamente para o insucesso escolar (na medida em que impede a assimilação das matérias, por falta de tempo, por parte dos alunos com menos capacidades intelectuais ou com pais com menos capacidade económica) como também impossibilita qualquer estratégia para remediar, por não haver espaço disponível para o efeito no horário do aluno.
E já que se gosta tanto de falar da Finlândia, comparem-se os horários dos alunos finlandeses com os horários dos alunos portugueses e o número de disciplinas que cada um tem. Só que, quando se chega aqui, sindicatos, associações de pais e comentadores (também pais), assobiam para o lado e fingem que não percebem. Com efeito, nem os sindicatos querem ouvir falar em menos disciplinas (logo, menos professores), nem as associações de pais querem ouvir falar em redução da carga horária dos seus filhos. Ou seja, os sindicatos olham a escola como um centro de emprego para os seus filiados e as associações de pais como um depósito para os seus filhos. Mas, quem os ouvir falar, todos se batem pela qualidade de ensino…(Hipócritas!)
Santana-Maia Leonardo, Ponte de Sor
A esta análise, globalmente acertada, conviria acrescentar – quiçá! – uma análise do tipo de currículo em cada uma das paragens em causa,
Abril 18, 2008 at 9:14 pm
Interessante esta análise, particularmente pela a isenção de responsabilidades dos professores nisto tudo.
Aliás quando os alunos entram para dentro das aulas as Associações Pais entram também para estabelecer a confusão. Não falo nos sindicatos porque certamente alguns estarão lá.
Aliás, na Finlândia a intervenção dos professores na Escola nem existe, eles só lá vão receber os ordenados…
Já agora também faltou dizer que a falta de qualidade do ensino também se deve, a Ponte Sor pertencer ao Distrito de Portalegre, pois se pertencesse ao Distrito de Évora talvez os resultados fossem outros, isto para não falar na qualidade da água…
Abril 18, 2008 at 9:17 pm
O meu caro começa a raiar o patético. Como não lhe chega lá no seu cantinho, vem espalhar a bílis por aqui.
Já reparou que, por questões de higiene mental, eu nem por lá poiso no seu cantinho verdejante?
Abril 18, 2008 at 9:17 pm
“Pela a” ? Como digo aos meus alunos, trata-se de um erro de palmatória!
Abril 18, 2008 at 9:22 pm
A qualidade da educação passa pelo cuidado incondicional que se deve ter com cada um dos bons professores que existem, com cada uma das boas escolas que existem, com cada um dos bons encarregados de educação que existem.
Mas os esquemas de reconhecimento dessa qualidade estão perversamente avariados (ou desfocados), raramente se elogia quem o merece. Assim, a escola serve muitos interesses, mas pouco aquele que deveria: educar bem os neófitos.
Abril 18, 2008 at 9:24 pm
Anti-tretas
Saltou para a arena e em vez de se centrar nos factos – carga horária e nº de disciplina dos alunos – veio esgrimir a maledicência.
É da CONFAP,é Sindicalista,ou não é nada é nada mais do que tretas?
Abril 18, 2008 at 9:25 pm
Leia-se: não é nada mais do que tretas?
Abril 18, 2008 at 9:42 pm
Um link sobre a Finlândia, para quem tiver a arte e o engenho de ler e guardar, antes que seja apagado:
http://www.dpp.pt/pages/files/infor_inter_2004_I_I1.pdf
Neste link para mapas de Helsínquia não consegui encontrar a Praça dos Sindicatos.
http://www.askmaps.com/008/ml45.php
Abril 19, 2008 at 12:03 am
“Com efeito, nem os sindicatos querem ouvir falar em menos disciplinas (logo, menos professores), nem as associações de pais querem ouvir falar em redução da carga horária dos seus filhos.”
Como professor tenho defendido um horário de 25 horas para todo o ensino básico. Sou contra as AECs no 1.º ciclo, sou favorável ao acompanhamento dos alunos por monitores/animadores.
Abril 19, 2008 at 12:40 am
Aproveitando a sugestão de João Serra, fui buscar o documeto e guardei-o no meu cantinho (finlandia.pdf)
Vale a pena ler, principalmente a parte da educação. Só para servir de rebuçado:
“As aulas duram 45 minutos,
findos os quais as crianças têm 15 minutos de intervalo.”.
Abril 19, 2008 at 11:00 pm
O articulista tem razão. E basta tocar ao de leve sobre o interesse dos professores para os ver soltar todo o azedume.