O principal ‘problema’ da Escola Pública é, em simultâneo, também a sua maior virtude: o ser Pública!
E, tal como quase tudo neste nosso pequeno planeta, também a Escola Pública vive momentos de conturbada mudança e complexa redefinição.
No entanto, ao contrário de muitas outras organizações (e aplico aqui o termo em sentido vasto), o grande paradoxo da Escola Pública e da sua mudança é o de serem os seus principais agentes [da mundança]cumulativamente um dos seus primordiais alvos: os professores.
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É como ter de fazer o passe de 50 metros para a boca da baliza, para remate indefensável e golo certo: onde passador, rematador e guarda-redes são uma só pessoa!
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Desatar este nó górdio é tarefa quase hercúlea que muitos outros paises têm tentado nas últimas duas décadas.
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E o progresso far-se-á de recuos e avanços!
A forma e o estilo com o qual se pretende reformar, pode comprometer o êxito da reforma educativa.
Por isso as questões relativas ao processo da reforma são tão importantes como as intenções e objectivos das reformas em si.
Se a reforma é imposta, em catadupa de decretos, sem auscultar nem envolver os agentes educativos que a irão implementar, como esperar a sua adesão ?
Este estilo, impositivo, unilateral, autoritário, e autista é o primeiro e incontornável obstáculo que esta reforma sempre encontrará.
Ao ignorar e não acolher os valiosos contributos de largos milhares de docentes que ao longo de anos contribuem com a sua larga experiência e as suas reflexões para a construção de saberes importantes sobre as necessidades e prioridades do nosso sistema educativo, este governo afronta arrogantemente os princípios de cidadania que diz prezar.
Como gestora de recursos humanos esta ministra tinha a obrigação de, antes de mais, envolver os professores e todos os agentes educativos no processo de reformas que pretende
implementar, mobilizando-os, levando-os a contribuir com as suas concepções e propostas e a partir dessa participação sintetizar em documentos aceitáveis as suas propostas.
Isso seria governar democráticamente numa perspectiva de cidadania e de mobilização empenhada de recursos.
Ai do general que ignore e despreze os seus soldados.
Sem confiança nos direntes e sem objectivos comuns, quem se dispõe a “combater” ???
Agora, com todo o processo inquinado pela desconfiança e pelo seu indisfarçavel preconceito contra os professores, a ministra gerou para sempre uma imagem de alguem que os despreza, os ignora, não pestaneja em os prejudicar e sacrificar em prol de metas e objectivos polémicos e discutiveis que os docentes nunca subscreveram.
O caldo azedou ha muito. Definitivamente.
Só ha uma coisa a ser feita : Mudar a titular da pasta para que se reinstale a confiança.
A plataforma sindical, tenta minorar os estragos da acção desastrosa do ME, alcançando com o recente entendimento um instrumento que permitirá estancar uma série de graves abusos que alguns tiranetes lambe-botas, de alguns conselhos executivos, doutores pretensiosos e acríticos,vinham cometendo.
São exemplo disso algumas grelhas ” de avaliação ” com mais de 30 folhas, com que se pretendia implementar a actual e muito contestada legislação e os horários de trabalho verdadeiramente medievais, aviltantes e obsenos que têm vindo a ser impostos a vários colegas nossos. Uma vergonha !!
Com este entendimento, parece-me que não se curou a doença mas socorremos os casos mais graves.
Não façamos da solidariedade uma palavra vã. Nós que estamos em escolas geridos por conselhos executivos compostos por gente decente, não nos esqueçamos dos colegas que estão sob a gestão de caciques sem formação nem prática democráticas, cujo principal objectivo é aparecerem aos olhos da ministra como os bons e aplicados alunos das suas doutrinas.
De muitos passos se faz uma caminhada.Este entendimento foi minúsculo passo na direcção certa.
Não nos podemos deixar guiar pelo nosso justificado recentimento, mas sim pelas nossas razões e princípios.
A luta continua !!
Pela unidade de todos os professores, pela participação democrática, pela cidadania activa!
Viva a escola pública ! Mantenhamo-nos activos e mobilizados !
Abril 17, 2008 at 11:09 pm
Paulo,
O principal ‘problema’ da Escola Pública é, em simultâneo, também a sua maior virtude: o ser Pública!
E, tal como quase tudo neste nosso pequeno planeta, também a Escola Pública vive momentos de conturbada mudança e complexa redefinição.
No entanto, ao contrário de muitas outras organizações (e aplico aqui o termo em sentido vasto), o grande paradoxo da Escola Pública e da sua mudança é o de serem os seus principais agentes [da mundança]cumulativamente um dos seus primordiais alvos: os professores.
.
.
É como ter de fazer o passe de 50 metros para a boca da baliza, para remate indefensável e golo certo: onde passador, rematador e guarda-redes são uma só pessoa!
.
Desatar este nó górdio é tarefa quase hercúlea que muitos outros paises têm tentado nas últimas duas décadas.
.
E o progresso far-se-á de recuos e avanços!
Abril 18, 2008 at 11:02 am
A forma e o estilo com o qual se pretende reformar, pode comprometer o êxito da reforma educativa.
Por isso as questões relativas ao processo da reforma são tão importantes como as intenções e objectivos das reformas em si.
Se a reforma é imposta, em catadupa de decretos, sem auscultar nem envolver os agentes educativos que a irão implementar, como esperar a sua adesão ?
Este estilo, impositivo, unilateral, autoritário, e autista é o primeiro e incontornável obstáculo que esta reforma sempre encontrará.
Ao ignorar e não acolher os valiosos contributos de largos milhares de docentes que ao longo de anos contribuem com a sua larga experiência e as suas reflexões para a construção de saberes importantes sobre as necessidades e prioridades do nosso sistema educativo, este governo afronta arrogantemente os princípios de cidadania que diz prezar.
Como gestora de recursos humanos esta ministra tinha a obrigação de, antes de mais, envolver os professores e todos os agentes educativos no processo de reformas que pretende
implementar, mobilizando-os, levando-os a contribuir com as suas concepções e propostas e a partir dessa participação sintetizar em documentos aceitáveis as suas propostas.
Isso seria governar democráticamente numa perspectiva de cidadania e de mobilização empenhada de recursos.
Ai do general que ignore e despreze os seus soldados.
Sem confiança nos direntes e sem objectivos comuns, quem se dispõe a “combater” ???
Agora, com todo o processo inquinado pela desconfiança e pelo seu indisfarçavel preconceito contra os professores, a ministra gerou para sempre uma imagem de alguem que os despreza, os ignora, não pestaneja em os prejudicar e sacrificar em prol de metas e objectivos polémicos e discutiveis que os docentes nunca subscreveram.
O caldo azedou ha muito. Definitivamente.
Só ha uma coisa a ser feita : Mudar a titular da pasta para que se reinstale a confiança.
A plataforma sindical, tenta minorar os estragos da acção desastrosa do ME, alcançando com o recente entendimento um instrumento que permitirá estancar uma série de graves abusos que alguns tiranetes lambe-botas, de alguns conselhos executivos, doutores pretensiosos e acríticos,vinham cometendo.
São exemplo disso algumas grelhas ” de avaliação ” com mais de 30 folhas, com que se pretendia implementar a actual e muito contestada legislação e os horários de trabalho verdadeiramente medievais, aviltantes e obsenos que têm vindo a ser impostos a vários colegas nossos. Uma vergonha !!
Com este entendimento, parece-me que não se curou a doença mas socorremos os casos mais graves.
Não façamos da solidariedade uma palavra vã. Nós que estamos em escolas geridos por conselhos executivos compostos por gente decente, não nos esqueçamos dos colegas que estão sob a gestão de caciques sem formação nem prática democráticas, cujo principal objectivo é aparecerem aos olhos da ministra como os bons e aplicados alunos das suas doutrinas.
De muitos passos se faz uma caminhada.Este entendimento foi minúsculo passo na direcção certa.
Não nos podemos deixar guiar pelo nosso justificado recentimento, mas sim pelas nossas razões e princípios.
A luta continua !!
Pela unidade de todos os professores, pela participação democrática, pela cidadania activa!
Viva a escola pública ! Mantenhamo-nos activos e mobilizados !