O tempo do professor-escrivão
Há modelos eficazes de avaliação de professores por esse mundo fora que podiam ter sido adoptados de forma quase consensual, sobretudo se o objectivo tivesse sido o da simplificação do modelo…
A educação pública em Portugal, ao nível dos ensinos Básico e Secundário, está sob avaliação constante de todos os portugueses, porque todos se sentem capacitados para sobre ela se pronunciarem como não fazem para outras áreas sociais e porque todos os políticos a tomam como frente de batalha em nome do progresso social. Podíamos falar de uma avaliação informal da educação pública nos casos em que o cidadão comum se pronuncia, mas o grau de seriedade e de atenção com que todas as opiniões são publicitadas permite-nos concluir que todos exigimos que as nossas ideias sobre a educação pública sejam formalmente válidas. Todos acreditamos ter uma solução para a educação pública, mesmo nos casos (a maior parte) em que apenas opinamos por opinar.
Esta falácia comunicacional tem ajudado mais a destruir a educação pública do que a contribuir para a sua democratização, como seria, em teoria, desejável. O papel social do professor em Portugal está tão diminuído que qualquer política que tente regular as condições da profissionalidade do professor está condenada a dois tipos de sentença dadas em simultâneo: a dos próprios professores que lutam contra um legislador que odeia a profissão, e a da própria sociedade não educativa que odeia os professores, porque os vê como resistentes à mudança. Só uma política de reconciliação de todos os intervenientes na educação pública podia ter êxito e essa postura reconciliadora está longe de qualquer agenda política verdadeira.
(…)
Na escola pública actual, só parece haver lugar para quem souber executar tarefas programadas em decreto-lei. Está a impor-se o burocrata das fichas, registos de faltas, grelhas, matrizes, relatórios, actas, planificações, projectos educativos, planos individuais, etc. O professor que tem o poder de pensar na matéria do seu ensino, reflectir sobre a melhor aprendizagem dos seus alunos e conduzir-se a um patamar de realização profissional de excelência académica está a ser suprimido por decreto.
As actuais políticas educativas nascem no Castelo da 5 de Outubro mais burocratizadas do que qualquer desejo de resolver com bom senso os problemas da escola pública. Não estranho que onde há professores-educadores-pensadores, apenas se vejam funcionários administrativos capazes de desempenhar tarefas de preenchimento de papéis e condução mecânica de alunos que se querem modelares por força do cálculo estatístico e não por força da efectiva aprendizagem de novos conhecimentos. Vivemos o tempo do professor-escrivão, aquele que deverá dispensar o saber criativo do educador e que se distinguirá no desempenho administrativo e nas boas acções, aquele que sabe calcular o sucesso escolar em função da proporcionalidade pré-destinada por decreto legal. Chegou o fim da criatividade, da espontaneidade e do livre-pensamento, para triunfar o modelo de escola acéfala que apenas produz estudantes autómatos cujos actos se traduzem mecanicamente em fichas de avaliação que programam todos os comportamentos. O professor-escrivão não se distingue deste tipo de aluno – ele é o modelo de professor com que qualquer estatística governamental sonha. Não tardarão aí as boas notícias da OCDE sobre o elevado crescimento do sucesso escolar português.
Texto completo no site Educare.
Abril 17, 2008 at 9:59 pm
O site do Expresso não diz nada mas o do Público informa que o Menezes se demitiu da presidência do PSD!!!!
Abril 17, 2008 at 10:02 pm
Está a dar a notícia agora mesmo na SIC notícias…
Abril 17, 2008 at 10:07 pm
Relativamente ao post “O tempo do professor-escrivão”, acrescentaria apenas “escravo”.
Carlos Ceia foi meu professor na FCSH e devo dizer que, se nem sempre estive de acordo com ele, desta vez subscrevo-o.
Abril 17, 2008 at 10:13 pm
…”um legislador que odeia a profissão”…
Pois bem.Passados 34 anos da revolução dos cravos, como cidadão, de cinquenta anos e sem dívida nenhuma ao que quer que seja, não tenho dúvidas em afirmar que estes “legisladores”, apesar do peso que, inquestionaveolmente têm, não passam de uma cambada de oportunistas, de “vendedores do templo”, de trapaceiros, de joguistas, da pior cambada que Portugal tem.
Esta cambada não legisla apenas contra os professores.
Com a face do dinheiro exposta, apenas cumprem com as ordens de quem lhes paga.E bem.
Há muitos anos, um amigo meu, homem ligado à investigação policial, dizia-me que, acaso a corrupção estivesse a ser, devidamente seguida, observada, policiada, corria-se o risco de não haver prisões suficientes em Portugal par albergar tanta gente.
Os “legisladores” não passam de meros paus mandados que, a troco de muito dinheiro e mordomias, se entregam, de corpo e alma(que nunca tiveram!) a esse serviço.
E , em último caso, quem perde são, de facto, os portugueses, na sua maioria, e a democracia.
Jamais respeitarei qualquer destes serviçais.Legislem eles onde quer que legislem.
Abril 17, 2008 at 10:14 pm
RC – e subscreve muito bem!
Abril 17, 2008 at 10:18 pm
Como pode o Paulo ser sensivel a este texto e votar a favor do entendimento?Para mim o que está em causa é isto mesmo.É exactamente assim que eu me sinto
de há uns anos a esta parte, sendo que a partir de Setembro, será muito, mas muito pior.
Até este entendimento, restava-me a dignidade de poder dizer que me foi imposto. Agora o ME irá dizer que foi consentido. Faz toda a diferença não acha?
Abril 17, 2008 at 10:19 pm
Bom artigo. Boa reflexão. E convidando a pensar a formação de docentes, bem como o papel da prova de acesso aplicada nos actuais moldes. Injustiça que se acrescenta às apontadas, em particular a distinção titular/outros… Como se chega aqui?
Como já disse algures, diferenciar em função do mérito e da dedicação, sim. Dividir burocraticamente (e injustamente), NÃO!
O actual momento deve representar uma oportunidade de consolidação da representação institucional e social da classe docente. Evitando a agenda política a que os sindicatos estão presos. É que nem sempre ela coincide com aquilo que uma boa parte da classe pensa.
Mas, segundo vou apurando, parece que não nos podemos organizar de outro modo face à tutela do Ministério da Educação. Segundo me dizem, o caso é muito diferente do dos médicos. Que têm tutela do Min. Saúde, mas não há (não pode haver)interferência institucional no acto médico. Ainda não compreendi muito bem, mas continuarei a tentar…
Com tanta boa gente a pensar, aberta e frontalmente, os problemas que a Educação enfrenta – e têm-se destacado algumas pessoas, recentemente – não se pode contribuir mais efectivamente na resolução dos problemas?
A pergunta pode ser ingénua (aceito), mas é sincera.
Não podemos deixar contribuir. Continuemos.
Saudações,
Luís Vilela.
Abril 17, 2008 at 10:31 pm
Mais outro bom texto a par do Santana Castilho.
Eles que comecem a falar a verdade porque têm andado bastante caladinhos.
Abril 17, 2008 at 10:33 pm
Recupero uma frase de Santana Castilho “Pior que isto é não sermos capazes de superar isto”.
Abril 17, 2008 at 10:34 pm
Luis, com. 7, só uma curiosidade: o IC diz-lhe alguma coisa? (é codigo secreto)
Abril 17, 2008 at 10:39 pm
Com o ritmo e postagem do Paulo nem sei se já abordou este interessante artigo. É uma forma peculiar de ver o problema. Não sei se os comentadores deste Blogue concordam…
“(…) Ora, homem sensato desconfia quando há tanta pressa de correr para a televisão a dizer que se ganhou e ainda por cima em grande. Homem sensato sabe como funcionam o PCP e os sindicatos, sabe como eles estavam num beco sem saída criado pela sua própria vitória. Depois de contribuírem para a gigantesca manifestação sabiam que não podiam dar continuidade à “luta” com uma greve e tinham que recuar. Homem sensato sabe que, por muito sucesso que a luta dos professores tenha tido, e teve, a seguir à manifestação viria um refluxo¹, como veio. Sabe o homem sensato e sabem melhor do que ele os sindicalistas profissionais. Homem sensato e com memória já viu muitas vezes como, para os comunistas e os seus sindicalistas, o mais importante não são os anéis, são os dedos. (…) Um precisava de parecer que ganhava e o outro de parecer que cedia. Foi por isso que, de repente, se chegou a um acordo que, pelos vistos, os “professores”, citados pelos jornais, entendem como uma derrota e não como a “grande vitória”. Percebe-se porquê: os professores que se manifestavam não queriam, na sua esmagadora maioria, nenhuma avaliação de desempenho, e vai continuar a haver avaliação. Eles sabem disso, os sindicatos sabem disso, a ministra sabe disso, o resto é coreografia.»
José Pacheco Pereira, A lógica dos sindicatos e a lógica dos professores (na Sábado)”
Abril 17, 2008 at 10:46 pm
O professor-escrivão, “aquele que deverá dispensar o saber criativo do educador e que se distinguirá no desempenho administrativo e nas boas acções” nasceu com as ciências da educação ou, dito de outra forma, da educação encarada como ciência. Porque, onde há ciência, há “cálculos estatísticos” e “programação dos comportamentos”. Nem mais. Foi o qe faltou dizer a Carlos Ceia.
Abril 17, 2008 at 10:46 pm
Paulo, absolutamente de acordo com o texto.
António
PS TS CALLE-SE!
Abril 17, 2008 at 10:49 pm
António,
Não se irrite, pf. Vou já sir, ainda tenho que preparar uns trabalhos…
Sabe que devemos perseguir a excelência?
Abril 17, 2008 at 10:50 pm
ulisses
não me considero perita na matéria, mas a ideia que tenho do que vou lendo é que as Ciências da Educaçao, e muito particularmente quando usam métodos não quantitativos, lutam por ser consideradas uma ciência.
Estarei enganada? Algum doutor(a) sabe?
Abril 17, 2008 at 11:06 pm
Os deputados do Partido Socialista inviabilizaram na Assembleia da República várias resoluções que, de forma sensata, propunham a suspensão da avaliação de desempenho dos professores. Muitos destes deputados são ou foram professores e por isso mesmo têm
responsabilidades acrescidas nesta matéria.
Aqui fica o desafio:
Escolham os deputados professores do Partido Socialista do círcul eleitoral a que pertencem e enviem-lhes uma mensagem.
Contem-lhes o que se está a passar nas escola em matéria de avaliação de desempenho.
Sugiro ainda que lhes perguntem se sabem o que se está a passar nas escolas onde exerceram a profissão. Sejam criativos e ousados.
Aqui ficam os endereços electrónicos dos deputados professores e
professoras do Partido Socialista, por círculo eleitoral:
Porto
Agostinho Gonçalves
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=473&leg=X
Alcídia Lopes
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=494&leg=X
Açores
Luiz Fagundes Duarte
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=9&leg=X
Renato Leal
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=461&leg=X
Aveiro
João Bernardo
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=464&leg=X
Rosa Maria Albernaz
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=12&leg=X
Braga
António José Seguro
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=260&leg=X
Isabel Coutinho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=429&leg=X
Manuel Mota
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=466&leg=X
Ricardo Gonçalves
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=27&leg=X
Bragança
Mota Andrade
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=28&leg=X
Coimbra
Horácio Antunes
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=432&leg=X
Matilde Sousa Franco
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=431&leg=X
Teresa Portugal
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=433&leg=X
Europa
Maria Carrilho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=152&leg=X
Évora
Bravo Nico
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=490&leg=X
Faro
Aldemira Pinho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=436&leg=X
Jovita Ladeira
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=44&leg=X
Guarda
Fernando Cabral
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=343&leg=X
Leiria
Odete João
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=438&leg=X
Lisboa
Celeste Correia
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=67&leg=X
Irene Veloso
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=409&leg=X
Jaime Gama
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=145&leg=X
José Augusto de Carvalho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=156&leg=X
José Lamego
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=84&leg=X
Pedro Farmhouse
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=440&leg=X
Madeira
Jacinto Serrão
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=462&leg=X
Maria Júlia Caré
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=463&leg=X
Portalegre
Miranda Calha
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=79&leg=X
Porto
Agostinho Gonçalves
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=473&leg=X
Alcídia Lopes
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=494&leg=X
Santarém
Fernanda Asseiceira
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=454&leg=X
Setúbal
Alberto Arons de Carvalho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=149&leg=X
Maria Manuel Oliveira
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=500&leg=X
Teresa Diniz
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=455&leg=X
Vítor Ramalho
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=166&leg=X
Viana do Castelo
Jorge Fão
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=457&leg=X
Rosalina Martins
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=119&leg=X
Vila Real
Maria Helena Rodrigues
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=482&leg=X
Viseu
Cláudia Couto Vieira
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=459&leg=X
José Junqueiro
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=122&leg=X
Miguel Ginestal
http://www.ps.parlamento.pt/?menu=deputados&id=123&leg=X
Abril 17, 2008 at 11:13 pm
Nesta página da Fenprof, entre outras coisas sobre a assinatura do acordo, pode ler-se o seguinte:
Foi, ainda, reafirmado que os pressupostos base do desbloqueio da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergências de fundo que as organizações sindicais mantêm sobre:
- o actual Estatuto da Carreira Docente, designadamente quanto ao ingresso na profissão e à divisão dos docentes em “professores” e “titulares”, agravada por um concurso de acesso sujeito a cotas e com regras injustas e inaceitáveis;
- o modelo de avaliação do desempenho que se considera injusto, burocrático, incoerente, desadequado e inaplicável, devendo ser alterado no final do ano lectivo de 2008/2009.
- um modelo de direcção e gestão escolar que não reforça a autonomia, antes a cerceia;
- a nova legislação sobre Educação Especial, que põe em causa princípios fundamentais da Escola Inclusiva;
- um conjunto grande de medidas que tem vindo a desvalorizar a Escola Pública e não dignifica o exercício da profissão docente.
Se o modelo injusto, burocrático, incoerente, desadequado, só vai ser alterado no final de 2008/ 2009, isso quer dizer que entretanto vamos ter de o gramar?
Por favor, digam-me que não foi para isto que fizemos a maior manifestação de professores de que há memória…
Abril 17, 2008 at 11:14 pm
(14) …dar cabo dela?
Abril 17, 2008 at 11:15 pm
Não foi por perseguir a excelência que perdeu a mulher TS? Muito trabalho e pouca assistência..
Abril 17, 2008 at 11:19 pm
# 16 Maio:
Claro que não foi para isso, mas vamos gramar e ser grelhados, somos as cobaias de um experiência imaginada pelo Trio Maravilha e com os ajudantes da PS.
Fomos à luta contra o modelo e o entendimento foi de aplicar o modelo.Depois, segundo eles os dois – ME e a PS- logo alteram. Será mesmo?
Acreditam nisso?
Abril 17, 2008 at 11:26 pm
I walk alone in the dark side of life, betwen the shadow..
http://www.youtube.com/watch?v=bxfpMGLMZ7Y&feature=related
Neste momento em que cada vez nos sentimos mais sozinhos, mais traídos, mais sem saber o rumo nem qual o caminho só nos resta o boulevard of broken dreams
Abril 17, 2008 at 11:34 pm
Wake up me when September ends
http://www.youtube.com/watch?v=8vDg41NAZ18&feature=related
I demand an apologize from the nogueira man
http://www.youtube.com/watch?v=xBazmTmvkMs&feature=user
Est mantenaint quesque nous avon faire..
Abril 17, 2008 at 11:43 pm
Interessante!
http://psitasideo.blogspot.com/2008/04/mais-um-impedimento-na-avaliao-de.html
Abril 17, 2008 at 11:54 pm
# 19 Fernando
Era o que eu pensava!… Então não estou a ver fantasmas…
Citando, o gaulês Breno após a conquista de Roma, “Ai do vencidos!…”.
Abril 18, 2008 at 12:15 am
interessante, interessante é o 5. deste
Comunicado do Conselho de Ministros de 17 de Abril de 2008
http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Conselho_de_Ministros/Comunicados_e_Conferencias_de_Imprensa/20080417.htm
ou a Plat. Sind. põe urgentemente fim a esta história dos titulares ou faço o que prometi na declaração de voto do dia D.
Abril 18, 2008 at 1:55 pm
A rua foi controlada, a perigosa manifestação das bases, a necessidade de comprar rapidamente a tranquilidade do período de exames. Agora bico calado, estamos no Purgatório, o Inferno é a seguir.Quem se manifestar, quem se movimentar, não tem razão. Não foi assinado o entendimento? Como se vai arranjar espaço de reinvidicação, aceite pela população que ouviu as declarações de ambas as partes? A tentação foi maior e entregou-se o ouro aos bandidos.A Escola está domada, podemos espernear, mas seremos vistos como infantis e intelectualmente básicos. Infelizmente.Era o agora ou nunca. Como dizem na minha terra:”Agora assobia-lhe às botas”.
Abril 19, 2008 at 2:16 pm
Carlos Ceia tem um livro interessante, «O Professor Sentado». Tudo o que seja papelada controleira só vai PIORAR o desempenho do professor. O professor tem de estar liberto para pensar nas estratégias a utilizar nas aulas. Estarei errada se disser que ser professor tem aspectos únicos como profissão?? Alguém já fez um estudo acerca das reuniões que se fazem actualmente nas escolas?? No outro dia, saí de uma reunião longuíssima para uma aula de RVCC, sem jantar, estava tão extenuada que disse aos alunos: «Juro que não bebi nada. Só água!» Acreditem, eu parecia estar embriagada ou drogada. Os alunos disseram-me, que não se importavam de ir embora para eu poder descansar. E eu disse que não, que íamos até ao fim da aula, tinham é de me desculpar o aspecto e o cansaço. E a falta de materiais, porque não tinha sequer ido a casa entre as aulas da tarde e as da noite. Ora bem, esta situação foi excepcional?? Não. Começa a ser o normal!! Até quando é que aguentamos isto? Os PROFESSORES DA NOITE estão fartos destas situações!!
Dezembro 12, 2008 at 12:00 pm
Esta é uma questão política e social que me tem preocupado de há tempos para cá. Considero que o estado de saúde de um país se pode medir através do estado de saúde dos Professores. Ou melhor, é uma questão de prioridades. E digam o que disserem, a partir do momento que se cortam milhões do orçamento do estado por exemplo para as Universidades, ninguém me poderá convencer de q o governo está interessado em formar convenientemente os seus cidadãos. E no secundário valha-nos o Magalhães! Já me começa a enervar este denegrir dos Professores que até amigos meus (!) compraram nos media. O problema deste país são os funcionários públicos. Talvez sejam, mas os que estão a ganhar milhares de euros por serem amigos de fulano ou sicrano, neste país de capelinhas. Esses estarão sempre a salvo. Entretanto o governo tentará tornar os Professores subservientes e manietados e gerirá as cotas da avaliação baseando-se em critérios q muitas vezes nada têm que ver com o mérito. Isto se os Professores deixarem.