Por que razão estou profundamente céptico em relação ao acordo entre o ME e os Sindicatos?
Mário Nogueira refere que o “noticiado acordo” não o foi na realidade. Existiu sim um entendimento para salvar o 3º período, desbloqueando a situação de conflito. Creio, no entanto, que acabou por salvar, também, a face da equipa ministerial numa altura em que estes governantes estavam sob pressão intensa. Desejaria vivamente que assim não fosse, mas temo que assim tenha sido. Todos pressentimos que, com este Ministério, o essencial da luta dos professores morrerá na praia.
Este acordo, quero dizer, entendimento, apesar de reconhecer que traz consigo pequenas vitórias, que é sempre de realçar, não incide em nada de substancial da nossa luta. A negociação sobre essas matérias ficou adiada para Junho e Julho, uma data conveniente para o Ministério (inexistência de aulas, aproximação das férias dos professores, desmobilização…) para, penso eu, nada alterar de substancial. A confirmar-se o fracasso dessas negociações e conseguindo o ministério, como pretende, implementar efectivamente o seu modelo de avaliação em Setembro, então a derrota está perto. Devo recordar que esta avaliação que nos querem impor põe em acção um estatuto que é indigno da profissão.
A verdade é que os Sindicatos ficaram reféns deste acordo, perdão, entendimento. Depois disto, e com a previsível subida de popularidade da ministra, quer na opinião pública, quer na opinião publicada, pelo seu comportamento (inédito!) de estadista, ninguém compreenderá o regresso à luta dos professores. Esse é outro dos problemas que se põe: o esvaziamento da luta dos professores. O que resta agora? Com que motivação voltaremos à rua? Como vamos explicar esse regresso, depois de todo o trabalho de sensibilização da opinião pública? Quais as consequências da radicalização da luta esperadas com o dia D? Eu, como milhares de professores, acreditámos que, perante o estado de coisas, apenas uma posição de força que não deixasse dúvidas sobre a postura dos professores, inviabilizaria este ataque à classe docente, à escola pública e à educação em Portugal. Não podemos esquecer (nunca!) que a política resultadista deste ministério visa recolher louros políticos à custa da mentira estatística e do trabalho sério de milhares de professores e alunos, salvaguardados na retórica mentirosa do mérito e da excelência; não podemos esquecer (nunca!) as medidas controleiras de encurralamento da consciência profissional, na lógica de obediência a uma cadeia de comando que, quer o estatuto, quer o decreto regulamentar 2/2008, quer o novo diploma de gestão escolar, impõem, sem respeito pela autonomia intelectual e profissional da classe docente – elemento fundamental de uma educação de qualidade; não podemos esquecer (nunca!) a degradação do nosso estatuto remuneratório e da indignidade a que, diploma após diploma, nos têm querido sujeitar, com especial relevo para essa burla economicista que é a divisão da carreira em duas categorias. Estes são alguns dos aspectos essenciais.
É verdade que algum pessimismo me acometeu – espero que momentaneamente. E porque assim espero, cito alguns versos de Brecht, excelentes para manter o espírito vivo e o ânimo aceso:
Há homens que lutam um dia, e são bons…
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis
Devemos manter viva a ideia de que há mais, muito mais, na escola para além do ministério e dos sindicatos, por isso continuarei, juntamente com meus colegas, a preparar o dia D pela continuação da luta.
José Rui Rebelo, Esc. Sec. de Barcelos
Abril 13, 2008 at 3:27 pm
Os sindicatos agiram como o General Spinola no 25 de Abril chegou aos Carmo virou-se para a Maia e disse que a partir de agora ele tomava o comando.Os sindicatos mostraram as tropas a Sinistra e depois fizeram o que quiseram, este texto é muito lúcido. Agora a Sinistra que estava entalada até aos col**es passou essa posição para os profs o 2/2008 continua em vigor não é alterado tá tudo na mesma
Abril 13, 2008 at 3:28 pm
Raiz do Mal !…
Ler o Artigo 35, do Decreto-Lei nº 15/2007 de 19 de Janeiro (estatuto da carreira docente). O ponto 4. deste artigo, com excepção da alínea f)(como é óbvio), sempre integrou a carreira dos professores. E é bom que continue a integrar!
Abril 13, 2008 at 3:34 pm
Creio que todos somos hoje, em parte, o que de nós fizeram os nossos professores; eu lembro-me de muitos deles e vou nos 75 anos.
Nunca lhes seremos suficientemente gratos.
Mas em certa altura a quantidade de docentes e discentes aumentou muito, ainda bem, e a qualidade dos encarregados de educação baixou, ao mesmo tempo que o “lar” passou a ser apenas “casa”.
Agora temos professores a mais, dizem, e a quantidade não foi acompanhada pela qualidade.
É dramático e eu não quereria ser professor, nem por nada…
Abril 13, 2008 at 3:34 pm
pergunta
conseguem abrir o site da FENPROF?
Eu não.
Abril 13, 2008 at 3:34 pm
Os sindicatos são aquilo que fizermos deles. Não consigo vislumbrar a razão deste entendimento a não ser que a sensibilidade dos sindicatos lhes tenha ditado que a desmobilização estava mais uma vez aí. De outra forma não se compreende. Creio que nos cabe a nós demonstrar o contrário. Ainda há tempo e é com muita expectativa que aguardo a reacção do Norte pois serão estes os primeiros a manifestarem-se. Aqueles que entraram no Terreiro do Paço em último lugar, trazendo a força dos primeiros redobrada, cantando “Aqui estão os Professores da Nação” serão os primeiros a mostrar para onde querem ir. Iremos para onde quisermos e não para onde quiserem guiar-nos. Bem a propósito:
“Vêm por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
(…)
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui “?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
(…)
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga “vêm por aqui”!
(…)
Eu não quero ir por aí!
Abril 13, 2008 at 3:36 pm
Francisco (1),
Pois não passarão.
Este Memorando de “Entendimento” é muito significativo do que ha 3 anos se passa em materia de Educação. Excelente estar na praça publica… Já sabíamos mas agora está preto no branco que tipo de interesses e o que defendem de facto os sindicatos.
Nós mobilizamo-nos. Contra toda a camarilha. E as pessoas mais lucidas vão intervir.
Contem com muitos professores que vão dar testemunho das ligações perigosas Poder-Sindicatos- Partidos Políticos.
Abril 13, 2008 at 3:38 pm
Citizen, eu também tenho tentado e não estou a conseguir, mas parece que se mantêm as concentrações nas capitais do norte.
Será?
Abril 13, 2008 at 3:42 pm
Paulo, (continuação 2)
Quero conhecer o tal estudo (paguei-o) dos tais experts em Organização do Trabalho.
Deveria estar no site oficial do M.E desde que foi entregue, pois é com base nele que surge o tal “descritivo funcional da categoria tritular” (risos)
Mario Nogueira concorda…
Na senda da Fenprof que NÃO CONCORDOU COM O ANTIGO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE, carreira única, NEM O SUBSCREVEU (quem o negociou com o ME foram outros sindicatos)
Os “camaradas” são preconceituosos (?)como a sinistra: primeiro os Universitarios, os politecnicos, os do secundário, depois os do Basico pela seguinte ordem (3º/2º/1 ciclo).
Abril 13, 2008 at 3:43 pm
reacções a norte?
são simples: vou levar tomates e ovos podres para atirar aos traidores – os sindicatos.
Abril 13, 2008 at 3:45 pm
Professora
parece que sim:
“Na sequência deste Memorando de Entendimento, manter-se-ão as concentrações previstas para as capitais do norte do país, a realizar já na segunda-feira, dia 14 – com a participação dos secretários-gerais das organizações sindicais – bem como o Dia D, previsto para dia 15, terça, em todas as escolas/agrupamentos, devendo este dia representar um momento de debate, reflexão e ratificação deste entendimento pelos professores e educadores. A assinatura da declaração conjunta entre os Sindicatos e o ME está prevista para dia 17 de Abril, quinta, pelas 11 horas, nas instalações do CNE.”
http://www.sprc.pt/default.aspx?id_pagina=311
Abril 13, 2008 at 3:46 pm
Infelizmente, estou convencido que o colega José Rui Rebelo está coberto de razão. O “entendimento” só é bom para os sindicatos e excelente para o ministério e o governo. Os sindicatos cantam vitória, “mostram” que vale a pena lutar e sentem-se como que a reconquistar algum poder. O ministério, que estava completamente encurralado, não apenas na luta que estava a travar connosco, mas, e principalmente, nas suas próprias incoerências e incapacidades, acabou por receber um bónus. A avaliação vai ser minimalista, como só podia, mas tal facto vai parecer que decorre do “entendimento” e não da incompetência arrogante da Santíssima Trindade. A partir de Setembro, tudo será como o ministério pretendia, a nossa capacidade de protesto estará esvaziada e o Primeiro Ministro das “Gandas oportunidades” poderá ir distribuindo em reletiva paz umas migalhinhas a pensar nas eleições. Nós não podemos aceitar isto. Temos que obrigar os sindicatos a pedir a renegociação do Estatuto e do diploma da avaliação. Não podemos deixar o governo sossegado na altura que mais lhe convém.
Abril 13, 2008 at 3:48 pm
O Paulo nas primeiras análises que fez ao “entendimento” achou que houve, de facto, recuo do ME. Não foi esse o meu entendimento. Eu achei que ele só servia os interesses do ME. Perante a opinião pública deu a entender que cedeu até onde podia ceder, conseguiu que a avaliação deste ano se fizesse, não importa que tipo de avaliação e conseguiu(?)desmobilizar os professores. Acontece que no próximo ano a modelo vai se raplicado na integra e acontece que eu não fui a Lisboa só por causa do modelo de avaliação. Há muitas outras coisas que necessitam ser revistas a bem dos professores mas sobretudo da qualidade da EScola Pública. Adiar essa discussão para Junho e Julho é de uma ingenuidade que me faz desconfiar. Nessa altura quais são as armas de que os professores dispõe para lutar? Não há aulas os exames já se realizaram…
O que eu acho é que os sindicatos, lá no fundo, não incorporaram as verdadeiras razões da revolta dos professores. Se pensarem bem não foram eles que mobilizaram os professores, foram os professores que os mobilizaram a eles, não me admira, portanto, que não tenham entendido bem as razões da sua revolta.Cá está a tal diferença que faz estar ou não estar na escola…
Abril 13, 2008 at 3:55 pm
Se os professores não foram mobilizados pelos sindicatos, o se ” entendimento” não vai ao encontro das reinvindicações dos professores, logo, as manifestações vão manter-se. Temo que muitos se desmobilizem com este entendimento.
Abril 13, 2008 at 3:56 pm
Eu acho é que a Platarforma Sindical se devia ter preocupado mais com o “timing” deste entendimento.
Por que aceitou negociar na sexta-feira, até às “quinhentas” da manhã?
Não teria sido melhor, a partir de certa hora,agendar para 2ª feira, as negociações?
Afinal, quem tinha pressa?
Abril 13, 2008 at 3:58 pm
O ME claro! Agora a opiniãp pública e os meios de comunicação social não vão perceber as manifs
Abril 13, 2008 at 3:58 pm
Abro o site da fenprof sem problemas. Ou muito me engano ou está igual ao que estava ontem
Abril 13, 2008 at 3:59 pm
Rui, agradeço que tenhas revelado esse teu cepticismo, tanto mais que me parece que é comum a tantos outros colegas. Sendo eu do norte, uma certeza tenho, se fui a Lisboa fui em representação de todos aqueles que, tal como eu, não concordam com a actual política educativa. Este “entendimento” a mim não me diz nada e não baixarei os braços. Amanhã dia 14 estarei na capital de distrito e no dia 15 na escola.
Abril 13, 2008 at 4:01 pm
Professorazeca (16)
agora tb eu
Abril 13, 2008 at 4:05 pm
Para as últimas na imprensa:
http://www.scribd.com/people/view/347254-liberdade
Abril 13, 2008 at 4:05 pm
A manifestação irá manter-se para o Norte ou não ? Alguém sabe alguma coisa?????
Abril 13, 2008 at 4:09 pm
Tanto quanto sei Graça não recebi qualquer indicação em contrário, daí que tenha dito que amanhã lá estarei, porque para mim isto não foi uma vitória…foi um entendimento. Que surpresas nos reserva o futuro?
Abril 13, 2008 at 4:12 pm
Já recebi um sms que confirma os protestos agendados para amanhã, dia 14 nas capitais de distrito do norte.
Abril 13, 2008 at 4:15 pm
Estou muito desapontada com este acordo eufemisticamente apelidado de “entendimento”, mas se as concentrações/manifestações se mantiverem, faço questão, mais do que nunca, de responder “presente”. Quero que o ME, os sindicatos e a opinião pública em geral saibam que eu não estou nada contente com o actual estado de coisas. Penso que há algo que ninguém pode destruir – a união dos professores – e que não devemos oferecer ao ME a cereja em cima do bolo: o baixar de braços.
Nota: opinião de quem não está habituada a estas lides de manisfestações e afins
Abril 13, 2008 at 4:18 pm
o que eu penso
(em poucas palavras)
nada do que eu li no “memorando de entendimento” (apenas a referência no 6. a futuras negociações sobre o concurso para prof. titular não me agrada) põe em causa o essencial da luta.
Aceitou-se a avaliação relativa a 2007/2008 em moldes muito semelhantes à anterior e este facto é positivo.
Vamos ser sensatos e esperar pelo dia 15 e depois pelo 17.
Depois… depois se verá.
Entretanto não se deve “baixar a guarda” tendo sempre em atenção não procurar dividir a “plataforma” enquanto ela a merecer.
A avaliação não é o que mais importa mas foi para aí que o governo, estrategicamente, nos empurrou.
Sempre atentos.
Abril 13, 2008 at 4:19 pm
Parece-me lógico, no ponto em que as coisas estão,que as formas de luta continuam. Portanto,as acções previstas devem realizar-se, sem esmorecimentos.
E no Dia D há que tomar resoluções firmes quanto a todos os aspectos que nos levaram a Lx.
Abril 13, 2008 at 4:21 pm
Graça e colega
leia o comentário 10
Abril 13, 2008 at 4:26 pm
Preferiam então que os PCE mais adesivos grelhassem os contratados?
Leiam bem o ponto 4 do «entendimento». As grelhas podem vir a ser todas alteradas, de acordo com a análise que delas se fizer.
Se todo o processo for alterado, continuará tudo mal?
Não há qualquer traição dos sindicatos. Acho ridículo que o vejam assim. (Não conheço pessoalmente ninguém dos sindicatos)
Abril 13, 2008 at 4:29 pm
Sondagem na Sinistra…
http://www.sinistraministra.blogspot.com/
Abril 13, 2008 at 5:18 pm
Também não vejo isto como uma traição (até porque eu também sou sindicalista), quando muito uma estratégia errada. Um acordo na sexta-feira, quando temos reunião agendada na terça-feira para reflectir e propor formas de luta, parece-me um erro. Esvaziou de algum modo esse dia, e produziu um acordo sem verdadeiramente auscultar os professores. Contudo, as razões para nos mobilizarmos mantêm-se e talvez até tenham sido reforçadas. Por isso, os protestos mantêm-se como estava previsto. Não se esqueçam, a última palavra é nossa. Tem que ser nossa!
Abril 13, 2008 at 5:25 pm
Concordo com esta questão do “esvaziamento”.
Realmente o acordo na 6ª foi de modo a tentar controlar os danos de dia 15.
O que revela grande receio por parte do ME.
O que reforça a tese de ser necessário manter essa mobilização, mesmo se com outra natureza e evitando “recriminações”.
Abril 13, 2008 at 5:37 pm
Concordo mais com um erro de estratégia do que com traição.
Por outro lado, mobilizar e estar presente, serve para que a opinião pública perceba, de uma vez por todas, que afinal não era só a avaliação.
Abril 13, 2008 at 9:31 pm
Bravíssimo, Rui! O texto está absolutamente avassalador e reflecte o pensamento da maior parte de nós!
O desânimo… lá nos vai invadindo, de vez em quando, mais fruto do cansaço do que que do baixar de braços!
Lá continuaremos a luta!… outros farão o mesmo!
Abril 13, 2008 at 10:32 pm
Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS, com o slogan:
“VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA! NÃO VOTES PS!”
É só fazer o download aqui para mandar aos contactos:
http://www.scribd.com/doc/2531726/VOTA-A-DIREITA-OU-A-ESQUERDA-NAO-VOTES-PS