Já disse ontem que não estou muito inclinado para opinar sobre este Acordo Ortográfico que agora se vai finalmente erguer de 15 anos de inacção.
Já me estou pelos ajustes.
Agora existem duas regras básicas, apenas, que eu gostaria que este Acordo me garantisse, assim como qualquer acordo do género, presente, pretérito ou condicional, a saber:
- Que o Acordo, qualquer Acordo, defenda a diversidade e riqueza da língua e não uma sua formatação empobrecedora. Serve este argumento para contrariar um pouco aqueles que afirmam que o Acordo é necessário porque a língua evolui e é necessário registar essa evolução. Se assim é, mesmo existindo um padrão da língua, qualquer acordo deve conter a liberdade da grafia variável que corresponde a cada variante linguística minimamente consolidada.
- Que o Acordo, qualquer Acordo, para além de defender a diversidade, não enverede pela imposição da solução da quantidade como critério de uniformização. Porque assim, não me parece que exista grande respeito pela riqueza cultural, nacional ou regional. Quem ache que a grafia a usar como padrão deve ser a que se adapta melhor ao falar brasilês, porque eles são mais, então certamente quererá uniformizar o mirandês com o português.
Se o Acordo, este Acordo, só muda 1,6% das palavras não me interessa muito, pois nessa contabilidade devem estar todos os artigos definidos, indefinidos e por definir, assim como pronomes, preposições e muita palavra invariável ou avariada. O que me aflige é que, atávico e empoeirado como sou, ainda digo faqueto, ópetimo e aquetual. Devo ter nascido fora de época e uma pharmácia ainda me deixa um sorriso melanchólico nos lábios. Pelo que me parece que perco qualquer coisa ao olhar para um ótimo fato atual.
Leituras velhas e perigosas é o que é.
Abril 9, 2008 at 9:42 am
E não venham uma vez mais com o chavão “geração Morangos com Açúcar”! É que lá pela escola, os alunos têm feito inúmeras perguntas sobre o acordo ortográfico, nunca imaginei que o assunto despertasse tanto interesse entre adolescentes. Como ainda não me debrucei o suficiente sobre a matéria, ainda me interrogo se iremos escrever (e dizer) “rato” em vez de “rapto”… deveria ser surrealista ouvirmos nos noticiários a frase: “um empresário foi ratado”.
Abril 9, 2008 at 10:38 am
Bem… a discussão, pelo que vi, já vai longa aqui no blog, mas deixo aqui a minha “acha”…
Sou professora de Português. Considero-me uma mulher “moderna”, desenpoeirada e lutando constantemente contra os implacáveis pré-conceitos (intencional) sociais.
Assim, nesta questão, senti-me dividida entre o meu amor à lingua mátria e uma certa impressão de sobranceria “colonialista”, de quem não quer que nada mude, que me faz um pouco de comichão.
Como professora sei, e isso ensino, que a língua evolui e que o Português tem sofrido alterações. Daí que nunca vi com maus olhos um acordo que uniformizasse a escrita, anulando certos “tiques” inócuos.
Contudo, neste momento, não é isso que sinto. Porque se está a forçar uma evolução artificial do nosso Português. Porque se está a cair numa nova forma de colonialismo.
Por que carga d’água temos de escrever “fato”, quando lemos a consoante em “facto”? ou “rato”, como referiu a Maria no comentário anterior? e se nós distinguimos “têm” de “tem”?! O que se pretendia é que se ratificassem alterações verificadas, naturalmente, na língua, não que se impusesse um modo de escrever e, forçosamente, falar! E isto devido a um novo “colonizador”! Se me custava aceitar a imposição das nossa regras aos brasileiros, igualmente me custa aceitar o contrário, tantos mais que o critério é… o número. Eles são mais,nós, pequeninos, sujeitamo-nos!
Aliás, haverá tanta inocência nisto?… as mega editoras do Brasil não terão um grande dedo interesseiro nesta questão?
Não, não estou nada contente! Especialmente quando penso que me vão “forçar” a ensinar assim…
Abril 9, 2008 at 10:40 am
Maria A.,
Ainda ouviremos no noticiário: “Um empresário foi ratado, de fato” e logo nos questionaremos se o dito também levava gravata(?).
Abril 9, 2008 at 10:42 am
Paulo: esse argumento dos 1,6% só pode demonstrar má consciência, para calar distraidos. Pois se os dicionários mais completos registam cerca de 100.000 vocábulos e na linguagem coloquial do dia-a-dia não são usadas mais de 3.000 (3%), estaremos, provavelmente a atingir 50% do vocabulário.
PS: em cursos rápidos de lingua estrangeira, para situações de grande emergência, o objectivo é dominar 300 vocábulos em uma semana.
Abril 9, 2008 at 11:24 am
Maria A.
Os brasileiros dizem “o empresário foi rapitado” pelo que não há perigo de essa essa grafia ser alterada.
Sem discutir aspectos técnicos do acordo,que me escapam,o que me parece um facto inegável é que a grafia brasileira resulta da aplicação de uma orientação profundamente errada – escrever como se fala, mesmo quando se fala mal – e é o resultado dessa orientação, que enformou a grafia brasileira, que este acordo vai importar para Portugal.
Pode ser uma afirmação colonialista mas porque é que a uniformização não passa pela reaprendizagem da língua no Brasil?
É que, aparentemente, só o Brasil, meia dúzia de patetas e a vaidsde do governo estão verdadeiramente interessados no acordo. Mais ninguém está.
Abril 9, 2008 at 11:38 am
Por obra do destino e da necessidade de ganhar dinheiro, vi-me de repente no continente africano a desempenhar as funções de tradutor, que adoro. Logicamente, tive contacto diário com a variante linguística do português que se fala em Angola (esta foi rebuscada).
Durante os anos que por lá estive, e ainda foram alguns, sempre defendi que a língua não se muda por decreto. Também defendi o respeito pelas regras do bom escrever. Sempre que possível, procurei deixar de lado inovações locais, que me soavam mais a calão local. Promovi, sempre que possível um estilo fluido. Não me dei mal por isso. Não foi por isso que as traduções produzidas pelo departamento que eu chefiava eram recusadas, antes pelo contrário.
Mas, eis senão quando, repescam o dito Acordo.
Deixo-vos então com uma variante do português angolano que expressa bem o estado de espírito perante este Acordo.
“Vamos fazer mais como então? É o problema que estamos com ele!”
Abril 9, 2008 at 3:58 pm
in PUBLICO.PT
Concorda com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico?
1 – Sim 23%
160 votantes
2 – Não 77%
528 votantes
Abril 9, 2008 at 4:01 pm
Eu já trabalhei para brasileiros e sei bem a treta que isto vai ser.
Ainda me lembro quando entrei na empresa e disse que estava frio e que devia ter levado uma camisola.
Para nós facto e fato são coisas diferentes.
Para os brasileiros são fato e terno pelo que não há confusão.
Como estes pequenos exemplos há centenas, se não mais.
Este acordo só vai ser bom para os brasileiros fazerem a pressão necessária para que o português “acordado” seja adoptado de seguida por toda a CPLP e isso significa a abertura escancarada dos mercados emergentes africanos (Angola, Moçambique e Cabo Verde) aos editores e produtores africanos sem nenhum aumento de custos.
Além de que o Português (i.e. o nosso) está em vias de ser língua oficial da ONU e isso é uma chatice para os brasileiros. Com o acordo é o Português (i.e. o deles) que será aprovado.
Para nós só significará um empobrecimento da língua e da nossa já escassa influência no Mundo.
Abril 9, 2008 at 4:08 pm
Duas notas.
“aos editores e produtores africanos sem nenhum aumento de custos.”
Deveria ser:
“aos editores e produtores brasileiros sem nenhum aumento de custos.”
Camisola = Explicação AQUI
Podem imaginar a galhofa que foi durante uma semana
Abril 9, 2008 at 4:09 pm
E aqui fica também alguma informação sobre o que dizemos diferente, para além do óbvio.
Abril 9, 2008 at 4:15 pm
E mais umas coisinhas aqui e aqui.
Abril 9, 2008 at 4:44 pm
Vou continuar a escrever com a minha professora e avó me ensinou, com acordo ou sem acordo.
Quem não gostar que se mude.
Uma coisa são pequenos ajustes outra é dobrar as costas.
Abril 9, 2008 at 4:54 pm
Sem me detêr na discussão dos detalhes, que não domino, concordo com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico. Por razões de natureza estratégica e económica. Se o Português poderá um dia vir a ser língua oficial na ONU, será certamente a norma brasileira a escolhida, a não ser que o Brasil optasse por indicar o Português de Portugal, o que não parece fazer qualquer sentido. Quando as grandes editoras brasileiras avançarem para os outros países de expressão portuguesa – ainda não precisaram, dada a dimensão do seu mercado – alguém duvida do que acontece às nossas se se mantiverem acantonadas numa norma que estará para a brasileira como o Mirandês está para o Português?!? A dimensão conta! O Brasil é uma das maiores economias do mundo podendo vir a ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Queremos continuar a ser falantes de uma das línguas mais faladas no mundo ou preferimos ficar com o “nosso” Português, em extinção, porque entretanto aparece o Brasileiro? E em nome de quê, quando a língua é uma coisa viva e as alterações em curso, quer em Portugal quer no Brasil, não são relevantes?Acresce que nós não somos donos do Português e não sei qual das normas estará mais distante da língua de quinhentos. Nem sei se alguma das normas se poderia considerar formalmente mais correcta. Sendo da área das ciências acho particularmente interessante o seguinte exemplo que nem sequer está em causa no Acordo: no Brasil diz-se “menor/maior” e em Portugal “mais pequeno/maior”. Também não é verdade que a escrita brasileira assente na forma de falar. Nas escolas ensinam a chamada “norma culta” e identificam as diferenças com os vários modos de falar. Ao associarmos a forma de falar e escrever de muitos dos emigrantes brasileiros ao Acordo, estamos a ser preconceituosos e a esquecer a grande qualidade da literatura brasileira e do trabalho que no domínio da língua se faz nas Universidades brasileiras. Tão preconceituosos como os brasileiros que há alguns anos pensavam que os homens portugueses se chamavam todos Manuel ou Joaquim e que as mulheres não tiravam o bigode.
Abril 9, 2008 at 5:56 pm
…imigrantes brasileiros e não emigrantes. Desculpem o erro.
Já agora, um exemplo de alterações que nós introduzimos no passado e os brasileiros só agora o vão fazer: lemos de forma diferente “frequente” e “quente” (“frecuente” e “quente”); os brasileiros escrevem freqüente e quente.
Abril 9, 2008 at 6:01 pm
Tem graca, mas quando leio Machado de Assis, nao me parece que esteja a ler Mirandes.
Quando era miudo e lia o Pato Donald ou o Bolinha, sabia que aquilo que estava a ler era o Portugues do Brasil e nunca me fez a menor confusao.
Os outros sao assim tao totos que tenhamos de mudar a nossa lingua?
Afinal quem e que tem preconceitos?Estarei a detectar complexozinhos de culpa de antigo colonizador?
E tambem nao me faz qualquer confusao que o ingles tenha diferencas nas varias partes do mundo.
Abril 9, 2008 at 6:10 pm
Sugiro a Nuno Sousa umas revisões de matemática… e no Acordo não se está a mudar a “nossa” língua…
Abril 9, 2008 at 6:59 pm
Está a parecer-me que para algumas pessoas estamos numa de “Porreiro, pá!”
Só um exemplo. Eu digo e escrevo electrão, o brasileiro diz e escreve, maioritariamente, elétron, se bem que eu já tenha encontrado outras grafias. A influência é do inglês. Já não há problema. Também passarei, a seu tempo, a escrever elétron? Ou electrôn, como também já vi? Porque eles querem? Para poderem fazer edições com grandes tiragens e ganharem muito dinheiro?
Boa!
Abril 9, 2008 at 8:00 pm
O bacoco, pseudo-nacionalismo aventado da raiz galaico-portuguesa, usado como argumento dos detratores do acordo ortográfico e da língua que o Brasil dimensionou, devido à benesse de a usar, (o que os portugueses deveriam agradecer reconhecidos), e que teve a humildade e a paciência de a pôr à discussão, já a usando e verificando que é plenamente funcional mundialmente, depara-se com este pseudo-povo “erudito”, que habita Portugal e em tempos já foi Português.
Tenho esperança que Portugal e os Portugueses reconheçam a força da mudança progressista e criativa que a ratificação deste tratado deverá fazer à Língua Portuguesa, tornando-a a Língua Mundial por excelência e espero que Portugal, o volte a ser, apesar desta tentativa dos “União-Europeistas”, de cercear e limitar a Língua em que diversos milhões de cidadãos Lusófonos se exprimem.
Luís Cruz Guerreiro
Publicado no Blogue, “Nova Águia”: http://novaaguia.blogspot.com/“
Abril 9, 2008 at 9:46 pm
Está com a cara lavada!:
http://www.scribd.com/people/view/347254-liberdade
Abril 9, 2008 at 11:03 pm
Lendo alguns argumentos dos defensores do acordo fico com imensas dúvidas:
Será que o português não surgiu neste cantinho da Europa?
Será que a língua deixou de ser a nossa língua por a termos ensinado a falar a uns quantos milhões por esse mundo fora que, por serem muitos, adquriram sobre a língua direitos na proporção em que nós os perdemos?
Será que, por a língua se ter espalhado e diversificado nós temos de andar a reboque da forma de falar e escrever dos outros?
Será que tem alguma utilidade prática, para além de uns quantos empregos de tradutor a ocupar por brasileiros, que o português seja uma das línguas adoptadas na ONU?
Será que Portugal, ou algum grupo de portugueses, alguma vez limitou ou cerceou a frma de falar e escrever dos brasileiros?
Será que alguém se convence que Portugal, por força deste acordo, vai adquirir uma importância ou dimensão “Mundial”?
Chamem-lhe, se quiserem, complexos de colonizador mas preferia não ver a língua portuguesa colonizada pelo Brasil.
Abril 10, 2008 at 8:48 am
Caro Mário Rama, actualmente existem tradudores de Português PT, para Português BR, por exemplo no sistema operativo Linux.
Não é uma questão de colonização, é uma questão real, se não fosse o Brasil a falar Português, eramos neste momento uma língua com a dimensão de língua quase morta, por exemplo como o Galego.
Luís Cruz Guerreiro
Abril 10, 2008 at 9:42 am
Antes morto que abastardado.
Abril 10, 2008 at 9:51 am
Não vejo os galegos, catalães, aragoneses ou bascos a desistirem da sua língua lá por serem espanhois. E a deles até é bem diferente.
Não vejo os espanhois a fazerem acordos ortográficos com os vários países sul-americanos para adaptarem o seu espanhol ao deles… e eles também são muitos mais.
Não vejo os franceses a martelarem o seu francês pelo do Canadá ou da Costa do Marfim.
Não vejo os ingleses a mudarem o seu inglês pelo dos americanos, australianos ou sul-africanos.
Já para nem falar no Chinês nos seus imensos dialectos e grafia única.
Porque devemos nós “acordar” o nosso?
Alguma razão especial que os outros todos ex-colonizadores e colonizados não sintam?
Já basta de complexos, chiça!
Abril 10, 2008 at 10:00 am
Lamento muito, mas esse argumento da língua oficial da Onu é absolutamente serôdio… pequenino como a mentalidade que (nacional) que a alimentou (ai Eça, Eça, não precisavas de ser tão actual!) – querem língua mais oficial que o inglês? e vêm-nos preocupados com as diferenças entre o americano e o “british”?!… nem se preocupem que os bárbaros estrangeiros aprendam a língua com o dilema de distinguir uma da outra… “que se amanhem”, dirão eles!…
Abril 10, 2008 at 11:05 am
Luís Cruz Guerreiro,
O acordo ortográfico não dá solução a essa necessidade. As grandes diferenças entre Português PT e Português BR não são a nível ortográfico. Se vamos por aí o acordo é perfeitamente inútil na minha opinião.
Abril 10, 2008 at 1:33 pm
Caro Luis Guerreiro,
Está muito enganado sobre a saúde do galego. Basta ver a TV Galícia para se saber que não é por pura propaganda demagógica que existem produções em galego e noticiários em galego. É porque as pessoas não só o entendem como o falam.
Aliás, com todos os galegos que conheço eu não utilizo o castelhano: eu falo em português e eles em galego e entendemo-nos perfeitamente.
É pois, ignorância ou deliberada inverdade (para ser delicado) a afirmação de que o galego é uma língua quase morta.
Quanto à dimensão é uma questão de opinião: o galego tem a dimensão exacta dos galegos, e chega-lhes.
Se o português tem uma dimensão maior do que Portugal é algo de que nos podemos gabar, mas apenas enquanto formos nós a definir a língua que criámos. Quando, por serem muitos, forem os brasileiros a dizer como devemos escrever ou falar em Portugal, em nome de lusofonias de natureza e objectivos duvidosos, cujo escopo não é linguistico mas politico-económico, então já nem da língua nos podemos gabar.
E os “moribundos” galegos continuarão a falar com orgulho a língua deles.
Esclareço que não sou o Mário da Silva, nem o M de Mário, mas estou em total sintonia com eles.
Uma pergunta final: já nos veio alguma coisa de bom do Brasil nos últimos 100 anos?
Para nós que aqui estamos. Não para os que lá vão enriquecer mais, como para qualquer outro lado onde isso seja fácil para quem já for rico?
Por mim, chamem-me racista se quiserem, mas nunca irei escrever em português mestiço.
Abril 10, 2008 at 6:57 pm
A mestiçagem é que é a perfeição, tanto da Espécie humana como da Língua Portuguesa.
Na minha genética tenho o ADN dos Árabes e dos Alanos, dos Cartaginezes, dos Celtas, dos Lusitanos e dos Romanos e dos Africanos e dos Indianos e dos Americanos, sou Português e sinto muito orgulho nisso, sou Lusófono e desejo uma Pátria que não esteja confinada a estas margens europeias que o não deixam fluir. As margens que eu pretendo para a Língua Portuguesa e para a Portugal do Futuro, são as margens do Atlântico e do Índico.
Saudações a todos de Luís Cruz Guerreiro.
Abril 10, 2008 at 8:45 pm
Caro Luís Cruz Guerreiro,
Perante tão espectacular ADN e consequente perfeição que se atribui implicitamente, resta-me dar-lhe os parabéns.
Insisto, então e se fica mais satisfeito, em que continuarei a escrever com todas as imperfeições da língua que aprendi.
Sendo mais modesto, deixo-lhe o privilégio, que não reconheço nem pretendo, da mestiçagem e da perfeição, tal como a vacuidade das margens que escolheu para si.
O império é um facto histórico, motivo suficiente de orgulho, que não necessita de ser ressuscitado, e muito menos invertido para o ser.
Abril 10, 2008 at 8:59 pm
Compreendo e respeito a sua condição, meu caro Mário Rama, apenas tem de compreender que há portugueses cujo desígnio tem de ser cumprido aquém ou além-mar e acredite que não sou eu a sentir-me superior, é apenas a minha condição de miscegenado que me induz a achar a miscegenização como a perfeição, especialmente a que a mal ou bem foi feita pelos Portuguesas durante a sua colonização.
Nunca gostaria de impôr aos mais pigmentados que se misturem com os menos pigmentados, ou vice-versa, cada um tem de optar, e respeito até o racismo genético pessoal.
Não admito é que se torne uma política de estado.
Abril 10, 2008 at 9:46 pm
Confirmo o que o Mário Rama aponta do Galego… aliás, se um amigo meu galego ler o que se disse aqui, ainda nos invade o país! e ele que gosta tanto de nós! Fala o galego com orgulho e sentido de identidade nacional… aliás, é precisamente através da lingua que estão a tentar recuperar uma identidade que quase se anulou, ao contrário do que aconteceu nas outras autonomias da vizinha “Espanha”.
Luís Guerreiro… essa da mestiçagem ‘tá gira! E concordo!… ela existe, viva, na nossa língua. Aliás, até os “bués” entraram no diccionário! Mas isso não tem nada a ver com um “acordo” que força uma língua a adoptar uma determinada expressão!
Abril 10, 2008 at 11:23 pm
Caro Luís Guerreiro
Este acordo tem pouco a vêr com mestiçagem, linguística ou lusofonia.
Penso que isso é claro para todos (ou pelo menos para os que assistiram ao debate na TV entre o embaixador brasileiro em Portugal e o editor da Porto Editora, já para não falar do da Assembleia da República) ou deveria sê-lo.
É tudo uma questão econômica e de hegemonia política e nada mais.
Além de ser um excelente fâit-diver para esquecer outros assuntos nacionais.
Abril 10, 2008 at 11:43 pm
Conclusão: a única política de estado admissível é a mestiçagem, língua portuguesa incluída.
E como há portugueses com esse desígnio só esses contam (somados aos basileiros, claro)
Só não entendo porque é que num assunto que tanto toca a identidade nacional a maioria absoluta não promove um referendo.
Afinal fizeram-no para a questão do aborto.
Claro que aí havia quatro boas razões: não tiveram coragem para se assumirem como maioria e impor a decisão sózinhos, era patente que já poucos concordavam com a crimnalização, não havia grandes interesses
económicos envolvidos e se, por mera hipótese, a cuidadosamente preparada pergunta fosse chumbada estavam-se nas tintas.
Neste caso a pergunta seria muito simples mas a resposta é que já não é nada segura.
Assim, temos um governo que se sente mandatado para alterar a língua dos portugueses, em nome dos que o não são, só porque também a falam.
Por aqui me fico.
Abril 10, 2008 at 11:51 pm
Exemplo exemplar do acôdo.
A vêr se descobrem
Abril 13, 2008 at 10:08 pm
Desculpe-me, mas parece-me que está mal informado.
“Facto”, escrito em português de Portugal, nunca se escreverá, pelo acordo atual, como “fato”, mas sim FACTO.
Esta é uma das palavras que não se alteram e que ficará com duas grafias.
FATO, para os brasileiros e
FACTO, para os portugueses.
Sim, já terei o “c” mudo de actual, já estou a escrever como o acordo diz: atual, e não me faz grande impressão.
Cumprimentos
Abril 14, 2008 at 8:46 am
Vai ser lindo vai.
Daqui a dez anos voltamos a falar e logo vemos com é que vai estar a escrever.
Eu continuo a achar que, com mérito ou demérito, o objectivo da necessidade deste acordo é esta e não outra… mas o tempo o dirá.