Educação: TC considera inconstitucional norma que impediu concurso a professor titular em caso de doença
O Tribunal Constitucional (TC) declarou inconstitucional a norma que impediu os docentes em situação de dispensa total ou parcial da componente lectiva, mesmo por motivos de doença, de concorrer a professor titular.
O acórdão n.º 184/2008 do TC declara “a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral”, da norma do artigo 15.º, n.º 5, alínea c) do Decreto-Lei n.º 15/2007 por considerar que viola o direito constitucional à protecção da saúde ao estabelecer que na altura do concurso só poderiam concorrer docentes em prestação efectiva de funções, desconsiderando, por exemplo, professores que se encontrasssem na altura doentes.
O Decreto-Lei n.º 15/2007 estabelece o estatuto da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, bem como o regime jurídico da formação contínua de professores.
“Como se se tratou de um concurso extraordinário e irrepetível, realizado em Junho de 2007, significa que o concurso a professor titular decorreu ferido de inconstitucionalidade e há professores que estando em condições de ser professor titular, atingindo o topo da carreira, hoje não o são”, revelou o dirigente da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, em conferência de imprensa.
Mário Nogueira disse, também, que em 30 de Abril de 2006 se encontravam em situação de dispensa de componente lectiva 3.185 professores, “a maioria dos quais de topo de carreira e em condições de candidatura a professor titular, mas que foram inconstitucionalmente impedidos de o fazerem”.
“O Ministério da Educação (ME) levou por diante um concurso que tem uma norma que o fere de inconstitucionalidade e neste caso já não é passível de recurso. A teimosia do Ministério terá excluído cerca de 3.200 professores simplesmente porque estavam doentes”, afirmou o sindicalista.
Para Mário Nogueira, esta decisão do TC “além de ser uma derrota política terrível mostra que a teimosia do Ministério é infinita”.
“Ou o Ministério da Educação anula o concurso de professor titular e faz um novo concurso, ou tem de abrir um concurso para estes milhares de titulares e aí tem de simular as condições de candidatura no momento em que não puderam concorrer”, disse, considerando que “estes professores que tinham vaga têm de entrar sem que os que não deveriam então ter entrado percam o lugar”.Por seu lado, fonte do Ministério da Educação disse à Agência Lusa que o “ME cumprirá a decisão do Tribunal”.
Agora resta saber exactamente como o ME pensa cumprir a decisão do Tribunal, que não é um qualquer Tribunal. Não há recurso, não há grande volta a dar ao texto.
Quanto ao assunto já na sexta-feita me interrogava sobre todo o seu alcance.
Numa visão, nem sequer muito maximalista, neste momento existem potencialmente muitos Coordenadores de Departamento e avaliadores nomeados que o poderiam não ser caso o concurso transitório para professor-titular tivesse contemplado todos aqueles que foram abusivamente impedidos de concorrer.
Sei que é umbiguista, mas desde há muito escrevo que o ME comete atropelos imensos nesta matéria, tratando de forma discriminatória os docentes portadores de um qualquer tipo de incapacidade
(mesmo só parcial) que, de acordo com as regras legais, permitiam a redução da componente lectiva. Objectivamente, esses docentes estavam a ser lesados nos seus direitos profissionais.
Agora isso fica demonstrado.
Abril 7, 2008 at 9:33 pm
E agora? Depois disto, só o dilúvio! E veio a chuva…
Abril 7, 2008 at 9:34 pm
Conheço colegas que vão ficar mais contentes embora estejam já a tratar da aposentação.
Abril 7, 2008 at 9:47 pm
Pois… por mim, se me quiserem retirar de titular, que acabou de passar ao nono esclão, tudo bem, deixo de ser coordenador e de estar no Pedagíco de de pertencer à comissão de avaliação. Um Favor… como titular ou sem ele não mais vou subir para lado nenhum, mas também na minha escola , não houve desses probelmas, e os que estão no 10º escalão não sei se estarão para serem avaliadores.
Por mim… que se lixe, tou farto dos titulares e de colegas que passaram a vida a falar na nova carreira de titulares.
Que anulem tudo e voltem a baralhar. Como neste país anda tudo baralhado e para o próprio TC é legal. então vamos todos baralhar.
Estamos numa autentica República das Bananas.
Abril 7, 2008 at 9:49 pm
A solução da criação de um concurso extra-extraordinário como referi na sexta-feira, sem a ocupação da dotação de 1/3 das vagas, é a única solução viável.
Não acredito que os 3185 professores nessas condições estejam muito dispostos a concorrer.
Abril 7, 2008 at 9:49 pm
A solução da criação de um concurso extra-extraordinário como referi na sexta-feira, sem a ocupação da dotação de 1/3 das vagas, é a única solução viável.
Não acreito que os 3185 professores nessas condições estejam muito dispostos a concorrer.
Abril 7, 2008 at 10:01 pm
Será que desta a Lurdinhas vai acatar uma decisão desfavorável de um tribunal? Pago para ver.
Abril 7, 2008 at 10:35 pm
Tenho uma colega doutorada que passou a titular mas que se fartou de chorar ao saber que não lhe contaram o tempo em que esteve no Alcoitão (cerca de ano e meio) após ter tido um acidente vascular que a fez ficar sem um dos pés.
É uma humilhação do caraças, não acham?
Por que será que estes métodos nos remetem para outras cenas?
Abril 7, 2008 at 11:02 pm
A “guerra” com os titulares tem sido uma guerra mal direccionada. Os titulares não são os maus da fita. Não sei se algum se “ofereceu” para ser avaliador. Faço minhas as palavras do fernando: dispenso o cargo e as funções. Inconscientemente ou não tem, sido um dos factores a minar, por dentro, a unidade dos professores. Importa definir claramente o modelo de avaliação que defendemos: Avaliação por pares ou outra. Pela minha leitura da situação, defendo a avaliação por pares, com critérios claros e formaçao sobre a matéria (para avaliados e avaliadores), a incluir na componente não lectiva. Em alternativa, a posição do Paulo, já aqui expressa, pode constituir uma boa opção. Aliás, se defendo a primeira perspectiva é porque me parece ser esse “o sentir” da maioria dos colegas. Pessoalmente estou à vontade para defender um trabalho em provas públicas (não seria a primeira vez que o faria). Depois disto estar definido, então apontar as baterias no sentido certo. Do outro lado não estarão, certamente, os titulares ( se esta divisão absurda se mantiver).
Abril 7, 2008 at 11:05 pm
He lá, grande furo!
Abril 8, 2008 at 12:11 am
… cada vez mais cheias de verdade, as palavras com vinte e muitos anos, de Zeca Afonso, no Jardim da Sereia, em Coimbra : “essa cambada engravatada e escolopêndrica que aparece aí na televisão”…
… e ninguém os pára ?!