Este post soube-me a muito pouco há coisa de uma semana atrás. Fiquei sem saber se o meu ex-professor Medeiros Ferreira tinha achado da prestação da sua colega de blogue Joana Amaral Dias. O tempo em que nos cruzámos, de forma bem amigável, no Mestrado de História Contemporânea foi suficiente para achar que compreendo o silêncio em que caiu quanto ao assunto.
Entretanto, no Correio da Manhã, já este fim de semana, alongou-se um pouco mais sobre os temas educativos, mas mesmo assim continuo a achar curto.
Abriu-se fogo sobre a escola pública. A escola que ensine, a escola que discipline, a escola que guarde as crianças no horário laboral dos adultos, a escola que poupe nos recursos humanos. A escola que fabrique mão-de-obra barata e deite fora tudo quanto a pedagogia cante. A escola que feche o seu espaço ao tumulto social e o abra à comunidade e aos pais purificados à porta de entrada. Até as televisões descobrem os alunos com os telemóveis adolescentes que publicitam.
Depois, confunde-se incivilidade com violência, indisciplina com crime.
Ainda por cima foi o Governo a desencadear o processo da crítica à escola e aos professores na fase de reduzir a despesa. O bispo D. Carlos Azevedo sentenciou: “O grande problema da Educação é o Estado.”
Querida sociedade tão irresponsável…
Sabendo eu como Medeiros Ferreira é mestre no exercício de uma análise de «malha fina», assim como numa ironia nem sempre caridosa, há algo que me continua a faltar nestes pequenos pedacinhos de prosa que fogem pouco à normalidade.
Abril 6, 2008 at 11:02 pm
Já pensou nas companhias? Tenho consideração intelectual por Medeiros Ferreira, mas ele hoje remete para um blogue, http://inquietacaopedagogica.blogspot.com/, dando-o como exemplo de excelentes reflexões sobre a educação. Segui o link e lá me deparei com gente e linguagem que explicam a curteza analítica de que parece sofrer, neste caso, Medeiros Ferreira.
Abril 6, 2008 at 11:45 pm
o Dr. Paulo Guinote!
Confesso que fiquei baralhado com o “palavreado” de Dr. Medeiros Ferreira.
Diz sua excelência:”Abriu-se fogo sobre a escola pública.”
Mas quem foi que abriu fogo sobre a Escola Pública ?
Os Docentes?
Os Alunos?
Os Pais e Encarregados de Educação?
A Igreja Católica
ou Ensino Particular?
Mas quem?
Foi o Governo e Ministra da Educação.
A Ministra da Educação quando quis comprar e comprou e pôs a as Associações de Pais contra os professores.
Quando tenta implementar um estatuto do aluno dando ao mesmo o título de pequeno ditador
e ao professor como escravo.
Ao governo pelo simplex e eduquês?
e reducionismo nas despesas,
quando estrangula a democracia e autonomia da Escolas.
“A escola que ensine”
A quem não quer aprender e não quer ser ensinado?,
“a escola que discipline,”
A quem não quer ser disciplinado?
Até a Polícia e GNR o não consegue!
“a escola que guarde as crianças no horário laboral dos adultos”
O quê ? os professores agora são amas secas e pais de pançudos?,
“a escola que poupe nos recursos humanos.”
A Escola unhas de fome,
parente pobre da Nação??
“A escola que fabrique mão-de-obra barata e deite fora tudo quanto a pedagogia cante.” Não entendo isto.
Explique-se.
Estou baralhado!!
“A escola que feche o seu espaço ao tumulto social e o abra à comunidade e aos pais purificados à porta de entrada.”
Então os professores são as feras do Circo da Educação!!
Mas o Senhor Dr. já consultou os queixumes que passam pela Comunicação Social que é filtrada pelos xuxas
e o lápis azul dos mesmos?!
AINDA BEM QUE HÁ OS BLOGS E TELEMÓVEIS -ESPAÇOS DE LIBERDADE E COMUNICAÇÃO!
“Até as televisões descobrem os alunos com os telemóveis adolescentes que publicitam.” Grande piada basta ir à internet, Hi5, etc! Até a Comunicação social estás dispensada de ir à Rua .É só sacar pelo Vixi.net,Vdownloader, etc..
“Depois, confunde-se incivilidade com violência, indisciplina com crime.”
Que confusão cabeça deste homem. Fazia-o mais inteligente!
“Ainda por cima foi o Governo a desencadear o processo da crítica à escola e aos professores na fase de reduzir a despesa.”
É o simplex e reducionex!
“O bispo D. Carlos Azevedo sentenciou: “O grande problema da Educação é o Estado.”
E se calhar é mentira ?!
Aprova o aborto,
preservativos à balda,
pílulas do dia anterior, do dia
e do dia seguinte,
acaba com os casamentos civis
e religiosos,
divórcios simplex e à borla,
educação religiosa às urtigas,
doentes dos hospitais ao abandono da sorte!!!!
“Querida sociedade tão irresponsável…”
Ah! nisto tem razão se se refere àquela a que pertence!!http://gozaramcomanossacara.blogspot.com
http://adosinda-cruz-heroina-nacional.blogspot.c
Abril 6, 2008 at 11:49 pm
Caro Paulo Guinote:
Passei a ler o seu abundante blog depois de o ter visto nos Prós e Contras, e do nosso amigo comum Fernando Martins me ter desafiado a dar uma opinião sobre o programa ,coisa que já fiz há dias na respectiva caixa de comentário do Cachimbo.
Mas agora que sou interpelado por si acrescento que gostei muito das intervenções da JAD., conforme lá consta.
Não seja tão narcísico…
abraço amigo
J Medeiros Ferreira
Abril 7, 2008 at 12:00 am
Pois eu não gostei mesmo nada da JAD. Como sou uma simples professoraZECA, a minha opinião não conta. Nestes novos tempos os que dominavam a comunicação social e que ” faziam” a opinião pública estão preocupados pois existem espaços como este que permitem que todos possam expressar a sua opinião. Mete medo? claro que sim! Viva a blogosfera!
Abril 7, 2008 at 12:05 am
“Mas agora que sou interpelado por si acrescento que gostei muito das intervenções da JAD., ”
Gostou?
Abril 7, 2008 at 12:14 am
Compramos livros, jornais, revistas. Vamos a teatros, festivais, congressos,conferências.Tiramos cursos, fazemos formação profissional e pessoal.Votamos, participamos em acções de voluntariado, participamos em projectos, somos amigos e confidentes de adolescentes, enfim… cumprimos pacificamente todas as alucinações de “intelectuais” que do mundo conhecem o que leram dos livros, muitas vezes estrangeiros, e agora que esticaram a corda e que ela rebentou….querem o quê!? Que os professores calem e obedeçam como seres desprovidos de capacidade de resposta?
Abril 7, 2008 at 3:22 am
O que falta ao Medeiros Ferreira? Não sei. Sei. Assim, de repente, talvez lhe ocorram trinta dinheiros. Ou mais, que um tipo não deve aparentar ser fácil.
Abril 7, 2008 at 9:04 am
A Joana Amaral Dias deve dar uma certa ponta ao J Medeiros Ferreira (JMD).
Que outra explicação será possível atribuir a tamanha confissão de rendição a uma postura plástica que joga sobretudo na política das emoções ???
Joana Amaral Dias é um híbrido de Ana Gomes e Odete Santos com aquele glamour de Lolitona para almas sensíveis como a de JMD.
A miséria destes “estadistas” que continuam a apostar em versões de pechisbeque de guardas de lábios vermelhos para atrair a “juventude” e os pervertidos, para a imolação no altar do mercado erótico, é algo de patético que nos faz perceber que tipo de criaturas mandam efectivamente neste país.
Aquele vídeo do patrão da FIA, os SMS do ministro finlandês, os pedófilos no parlamento, são exemplos do tipo de representações que colonizam os neurónios dos políticos e dirigentes que governam esta Europa e este país.
Daí esta sedução dos gerontocratas e dos políticos de “sucesso” pela exposição mediática e por carne fresca que permite perceber, em parte, a dimensão do ataque a uma certa moral de costumes assumida pelo PS e pelo BE.
Abril 7, 2008 at 10:02 am
Caro professor,
Não querendo colocar em causa a sua palavra, e mesmo sabendo que o não fará, gostaria de saber que partes apreciou mais nas intervenções de JAD, se o desvario anti-globalização, se a parte em que começou a dizer uma coisa e acabou a dizer o seu contrário quanto à postura dos professores (começou a atacá-los e depois lembrou-se que não era boa ideia).
Quanto ao resto, apenas dois detalhes:
a) O FM há muito que não é meu amigo, desde o momento em que perdeu a coluna vertebral à procura de um lugar ao sol. Se a recuperou não sei.
b) Em matéria de narcisismo tive excelentes professores, que me ajudaram a apurar os meus parcos recursos.
Abril 7, 2008 at 10:15 am
Li agora o seu comentário e dou de caras com algo estranhíssimo: escreve que eu afirmei que a autoridade do Estado dependia de uma atribuição do Ministério quando eu disse, e está gravado, que a função de professor recebe a sua autoridade do Estado que o designa e certifica para essa função (na escola Pública).
Muito diferente, como perceberá.
Por estranho que pareça essa confusão foi lançada por quem quis dar a entender que eu disse algo que não declarei em momento algum.
Em si, muito em especial em si, estranho essa tremura no detalhe.
Quanto «à piscina das minhas convicções», como bem se lembrará, se eu me lançasse a sério a ela seria complicado e doloroso.
Aumentaria por aqui as audiências ainda mais, mas depois fechavam-me o blogue em 3 tempos.
Esta é apenas a versão mainstream e suportável das minhas convicções.
Abril 7, 2008 at 11:26 am
«Mas agora que sou interpelado por si acrescento que gostei muito das intervenções da JAD.»
A escolha do verbo (“gostar”), de mão dada com o advérbio, é bastante interessante e reveladora da profunda e rigorosa análise ao discurso da jovem. (Será que é assim tão jovem? Aquele ar de eterna teenager provavelmente…)
Abril 7, 2008 at 11:31 am
Joana Amaral Dias usa a dialéctica como ninguém, como se pode perceber por esta lucidez deslumbrante que utilizava nos tempos de “cover-girl” de Soares:
“Cavaco não faz parte desta contemporaneidade, logo não tem aqui palavra. Alegre, que resiste em vez de lutar, que declama Pátria em vez de procurar a imprescindível agenda internacional, confina as fronteiras de Povo ao Estado-Nação, acantonando-se numa hegemonia fora de época e longe da Europa”.
JAD que não gostava dos copos e das jantaradas quando lolitava na JS (segundo as palavras da própria), transformou-se numa arma lúdico-erótica-profissional ao serviço das multitudes que transbordam das fronteiras nacionais e se acotovelam perante as aportunidades pós-modernas da resistência em rede.
Na sua epopeia de mulher multi-funções, JAD representa aquilo que qualquer consumidor desta época pode desejar num ser humano do género feminino: a especialista, a mãe, a educadora e a excitação erótica.
Quando Soares a convidou, certamente que os seus “conselheiros” sabiam o que queriam, mas afinal os cidadãos portugueses ainda não estavam preparados para salivar atrás de um isco pós-moderno, preferindo os candidatos “fora do seu tempo”.
São estes paradoxos do “ser” português que Sócrates, melhor do que Soares ou Louça, percebeu há muito tempo, porque ele é um caso exemplar de sintonia em complementaridade entre a alma do Salazarismo e a atracção do mercado capitalista.
Abril 7, 2008 at 6:19 pm
Devemos tentar compreender Medeiros Ferreira. Não há-de ser fácil empenharmo-nos valorosamente num tema como o futebol (eu também ainda aprecio algum futebol) e depois saltarmos assim de repente para educação. Podemos, inclusive, ouvir palavras mais do que gastas, um pouco em ziguezague, daquelas que fazem parte do vocabulário que se diz moderno, mas anda há demasiado tempo a atormentar as pessoas, e pensarmos que são novidade. Medeiros Ferreira, por quem ainda nutro alguma simpatia (vivo naquela faixa vertical interior que representa cerca de dois terços do país e onde se sabe pouco), bem poderia voltar a tentar que o seu Partido ressuscitasse. Mas parece que desistiu.
Abril 7, 2008 at 6:26 pm
Terá sido Medeiros Ferreira a escrever o comentário?
Abril 7, 2008 at 9:57 pm
Os socretinos não distribuiram nenhum “cargo” ao sr Medeiros. Está “desempregado”, na gíria brincalhona de uma nossa colega. Farta-se de se colocar em bicos dos pés para ver se reparam nele!