“Basta de pensar que quem é pobre tem de ser violento”
(…)
A escola da Apelação, concelho de Loures, é para uma aluna “perigosa, mas fixe”. Aqui as lutas entre os alunos são uma constante, lutam por brincadeira, mas também para se defenderem e marcarem posição. Os alunos dizem não saber de casos de uso/porte de armas, mas as funcionárias garantem que aparecem regularmente facas na escola. Num desabafo, revelam que “já ultrapassámos o nosso limite, continuamos a dar o nosso melhor e não temos qualquer reconhecimento”. “Agora somos desautorizadas pelos nossos chefes, em frente aos alunos, que nos ameaçam” queixa-se uma funcionária ao DN.
Nos corredores, as palavras que alunos e funcionárias trocam estão carregadas de tensão. Os primeiros acusam as segundas de serem “mal-educadas”. As auxiliares falam de ameaças a si e aos seus filhos.
Aproxima-se uma funcionária com olhar cabisbaixo. Roubaram-lhe o fio de ouro. Outra conforta-a. “Deixa lá, eu já não trago nada disso para a escola.”
Estarão todas estas pessoas, cujo emprego dependia dela (agora, com a transferência da tutela do pessoal não docente para as autarquias já não se sabe) interessadas em «denegrir a Escola Pública»?
Ou será que para alguns responsáveis políticos, opinadores e comentadores, estas pessoas, tal como os professores, só estão a defender «interesses particulares» e «privilégios», demonstrando um «espírito corporativo»?
Quanto à questão do título, é mais do que pertinente, pois não há nada pior do que a «sociologia do pobrezinho», aquela variante da Sociologia que costuma justificar as suas teorias, manifestamente inadequadas, com os preconceitos alheios, quando os seus preconceitos são os piores.
Abril 5, 2008 at 6:22 pm
Relato da reunião de ontem em Lisboa
http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/04/foi-vez-das-lisboas-oriental-e.html
Abril 5, 2008 at 6:23 pm
fora do contexto
(da saúde para a educação)
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=87751
Abril 5, 2008 at 6:30 pm
paulo
numa escola da margem sul, no último dia de aulas do segundo período, sem alunos na escola devido à greve dos Auxiliares,
um aluno emocionalmente em baixo também explodiu um “bomba” de acido muriático ( não sei se é assim que se escreve.
Quem acompanha estes miúdos, produto de familias disfuncionais? 5 dias directo para casa e depois quem desmonta esta revolta contra a escola, onde estes míudos passam o dia, mas sem ir às aulas e quando confrontados saltam a rede?!!
que soluções têm os pedagogos do eduquês?
Abril 5, 2008 at 6:35 pm
Hoje tinha aqui tanto texto atrasado para ler que estou cansada… de tanta barafunda e dos pobrezinhos e das desculpas esfarrapadas e das justificações tolas… eu já por aqui disse que conheci alguma gente a quem os paizinhos acariciavam a cabecinha e os caracóis – o meu menino é d’ouro , o meu menino seria incapaz disso e daquilo – e a auréola e depois dos 18 anos passaram a ir visitá-los ao EP (sigla para Estabelecimento Prisional, e é o mesmo para Empresa Pública ehheheh) …e eu hoje é que me sinto presa – e não estou só, creio! – a um tal meandro de leis que não há quem nos desenrede delas… Estou mesmo atarantada , deve ser porque anunciam mudança de tempo…
Abril 5, 2008 at 6:37 pm
Esqueci-me de dizer que pobrezinhos só eram de espírito …
Abril 5, 2008 at 6:48 pm
Há tempos, na minha escola comentava-se a vandalização de computadores. Apareceram logo os filobloquistas a querer argumentar que isso era um sinal de revolta dos desfavorecidos da sociedade, um escape para as frustrações da privação. Eu e outros tentámos argumentar que nada deveria desculpar esses actos de vandalismo, e que os culpados deveriam ser castigados, fossem ricos ou pobres. Veio a ver-se, eram filhos de gente rica, com portáteis em casa.
Abril 5, 2008 at 6:50 pm
Jaime: e depois, qual foi a explicação?
Abril 5, 2008 at 6:55 pm
Renda, ficou tudo abafado. Eu voltei a falar com um bloquista e ele reconheceu que às vezes a realidade escapa-lhe.
Abril 5, 2008 at 7:05 pm
Jaime: porque eram filhos dos srs fulanos de tais lá do burgo… é sempre a mesma coisa!
Abril 5, 2008 at 7:06 pm
a nós que a realidade anda a escapar, talvez no chile saibam lidar com familias ricas e pobres disfuncionais
eh eh eh
Abril 5, 2008 at 7:06 pm
Já não me lembro de quem é que postou, há dias, um texto interessantíssimo e com humor, a denunciar os revolucionários de plástico e aqueles que só passadas décadas é que afinal compreendem, talvez, aquela referência do Fernando Pessoa …”o comunismo, isso que só os tolos sabem o que é.” (as palavras podem não ser essas, mas a ideia e o insulto são)
Ora esse texto poderia ser o ponto de partida para uma série de humor para tv tipo “Conta-me como foi”
Imaginem uma benzoca da linha do Estoril que pergunta ao pai e à mãe como foi, e depois começa daí um flash back até aos anos sessenta e setenta, quando eles e os amigos acreditavam exactamente no oposto do que fazem agora.
Tipo “Banqueiro Anarquista” mas para a gargalhada…
Abril 5, 2008 at 7:08 pm
o jaime ia ser um sucesso, aí é que os meus filhos iam aprender essa coisa da política
eh ehe
Abril 5, 2008 at 7:08 pm
que tal sugerir aos gatos
Abril 5, 2008 at 7:12 pm
a ver se mando isto aos gatos, ou se eles passam por aí…
Abril 5, 2008 at 7:16 pm
Os gatos também se riem destas heranças,
Abril 6, 2008 at 1:06 am
“Basta de pensar que quem é pobre tem de ser violento”
Foi dito pela PCE desta escola:
http://www.eb23-cerco.rcts.pt/
Assinale-se a diferença de discurso entre as Escolas do Cerco e a de Apelação.
Já agora porque não uma reportagem comparativa do dia-a-dia numa Escola-Problema(Apelação, Sacavém, Cerco…) e numa Escola da classe-media/alta(Parque das Nações, Restelo, Foz…)