“Basta de pensar que quem é pobre tem de ser violento”

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A escola da Apelação, concelho de Loures, é para uma aluna “perigosa, mas fixe”. Aqui as lutas entre os alunos são uma constante, lutam por brincadeira, mas também para se defenderem e marcarem posição. Os alunos dizem não saber de casos de uso/porte de armas, mas as funcionárias garantem que aparecem regularmente facas na escola. Num desabafo, revelam que “já ultrapassámos o nosso limite, continuamos a dar o nosso melhor e não temos qualquer reconhecimento”. “Agora somos desautorizadas pelos nossos chefes, em frente aos alunos, que nos ameaçam” queixa-se uma funcionária ao DN.
Nos corredores, as palavras que alunos e funcionárias trocam estão carregadas de tensão. Os primeiros acusam as segundas de serem “mal-educadas”. As auxiliares falam de ameaças a si e aos seus filhos.
Aproxima-se uma funcionária com olhar cabisbaixo. Roubaram-lhe o fio de ouro. Outra conforta-a. “Deixa lá, eu já não trago nada disso para a escola.”

Estarão todas estas pessoas, cujo emprego dependia dela (agora, com a transferência da tutela do pessoal não docente para as autarquias já não se sabe) interessadas em «denegrir a Escola Pública»?

Ou será que para alguns responsáveis políticos, opinadores e comentadores, estas pessoas, tal como os professores, só estão a defender «interesses particulares» e «privilégios», demonstrando um «espírito corporativo»?

Quanto à questão do título, é mais do que pertinente, pois não há nada pior do que a «sociologia do pobrezinho», aquela variante da Sociologia que costuma justificar as suas teorias, manifestamente inadequadas, com os preconceitos alheios, quando os seus preconceitos são os piores.