Texto chegado por mail por alguém que teve acesso privilegiado ao conteúdo da reunião da Ministra e Secretários de Estado com os Presidentes de CE e CP da DRELVT, em Santarém, mas que prefere manter-se anónimo pela razões que compreendo.
Numa reunião com Presidentes de Conselhos Executivos e de Conselhos Pedagógicos, o secretário de Estado Valter Lemos informou que o Ministério está a estudar a solução jurídica para avaliação dos casos em “zona cinzenta”.
Os da “zona cinzenta” são os professores contratados que terminaram o contrato pouco depois da entrada em vigor o Decreto Regulamentar, e que completaram 6 meses de serviço, como é referido no n.º 1 e n.º 3 do artigo 28.º. Para estes, os procedimentos de avaliação tinham de ser promovidos 20 dias antes do fim do contrato.
Caso prático: contratado em início de Setembro, se fizer 6 meses termina o contrato em 29 de Fevereiro. Como tal, os procedimentos de avaliação têm de começar a 9 de Fevereiro.
Mas os instrumentos de avaliação ainda não existiam nessa data, porque segundo os prazos do artigo 34.º, só estariam prontos a 21 de Fevereiro. Isto se contarmos os prazos à letra, porque o início da contagem foi informalmente adiado pelo Ministério, em contradição com a Lei, e avançou mais 15 dias. Tomando os prazos do Ministério, os contratados só podiam começar a ser avaliados a 6 de Março.
Na prática, todos os que terminaram contrato entre 29 de Fevereiro e 26 de Março, estão abrangidos pelo Decreto, mas não hipótese de lho aplicar. Isto é, pelo mesmo texto têm “obrigatoriamente” de ser avaliados, mas não podem ser avaliados. Lindo paradoxo para ser deslindado.
Confesso que sem as pistas do secretário de Estado, eu nunca teria dado pela gaffe. Mas isto abre perspectivas interessantes: o Ministério terá que tapar o buraco que deixou na lei e fará a manta tão curta ou tão larga quanto a quiser fazer.
O mesmo instrumento jurídico que o Ministério inventar para este caso pode, se quiser, adaptá-lo a todos os contratados que terminem mais tarde, em Maio, em Junho, em Julho. Aliás, sabendo que as leis devem ser por natureza abstractas e universais, sempre que numa escola um docente contratado não for avaliado por falta dos instrumentos previstos na lei, estará coberto pela solução do paradoxo.
E aí está como é duvidosa a “obrigatoriedade” de avaliar os contratados este ano, sob pena de ficarem penalizados.
A ideia da “zona cinzenta”, aquela área entre a Luz e as Trevas, tem o seu quê maniqueísta, de sombria paisagem romântica do século XIX, e também da série televisiva Twilight Zone, onde as coisas extraordinárias podiam acontecer. Mas mais prosaicamente é apenas um buraco na lei, por onde pode afinal passar o inesperado camelo das escrituras.
Rod Sterling
Abril 3, 2008 at 11:37 am
Zona cinzenta ou uma espécie de limbo.
http://arlindovsky.wordpress.com/2008/04/02/como-cumprir-a-lei-nao-cumprindo-a-lei/
Abril 3, 2008 at 12:49 pm
VL está a dar tiros no próprio pé há muito tempo. Até vai durar isto?…
Abril 3, 2008 at 12:52 pm
Hoje, começa a ser quase certo que os contratados TÊM que ser avaliados este ano, independentemente da forma (a escola terá de “andar” ao ritmo que poder).
Os riscos são claros: não há avaliação, não há prolongamento dos contratos. Ou seja, intimidação e chantagem.
Porém, estes casos não são equivalentes a TODOS os contratados. Estes terão que obedecer aos seguintes requisitos (Decreto lei nº 20/2006):
3 – A colocação, em regime de contratação, é efectuada pelo período de um ano escolar, sendo renovável por iguais e sucessivos períodos, precedendo apresentação a concurso, desde que, cumulativamente, se trate de docente portador de habilitação profissional, se mantenha a existência de horário lectivo completo e exista concordância expressa da escola relativamente à renovação do contrato.
4 – A renovação da colocação, incluindo o primeiro ano de contrato, é efectuada dentro dos seguintes limites:
a) Relativamente ao ano escolar de 2006-2007, com a duração de três anos escolares;
b) A partir do concurso para o ano escolar de 2009-2010 e seguintes, com a duração de quatro anos escolares.
E digamos em boa justiça, não são assim tantos os contratados nesta situação. Porém eles existem e são importantes.
Julgo que não é justa esta situação! Terem que “bater sempre no mesmo ceguinho”!
Intimidar para poderem ver os seus propósitos avante.
As escolas cada vez mais mostram desunião e os boys andam aí a tentar mostrar serviço. Faz lembrar os tempos dos súbditos de Hitler que tinham ideias e práticas mais maquievélicas numa tentativa de mostrar serviço e serem bem vistos pelo próprio chefe.
Coimbra em peso teve uma atitude perante este processo de avaliação e o resultado foi o reunir de “tropas” para tentar impingir e aplicar aquela avaliação a todo o custo.
Porque razão não são assim tantas as escolas que se insurgem contra esta avaliação?
Porque razão o Presidente do Conselho de Escolas cada vez que fala passa a ideia do país cor de rosa do sr. Pinto de Sousa, quando na realidade todos vemos e apercebemo-nos que nada daquilo é a realidade que nos circunda todos os dias?
Porque razão o que hoje é verdade, amanhã poderá não ser, no dia seguinte é simplificado, no outro é mentira e por fim no dia seguinte a estes torna-se novamente verdade?
Porque razão se implementa isto para reduzir o défice quando o importante aqui seria o país e os alunos que serão o futuro deste país? Já sei que alguns supostos iluminados irão dizer que por causa do país é que se deve fazer esta avaliação, mas quem serão e com que conhecimento de causa falam?
Porque razão se quer implementar uma prova de acesso à docência numa tentativa clara de mais uma vez humilhar aqueles que trabalham arduamente todos os dias para este ME?
Para dizerem que afinal tinham razão e que depois com a quantidade de chumbos (previsível para mim, pois esta medida mais não é do que uma redução de professores) digam que eles tinham razão e que nós não prestamos!
Para continuarem a ter professores cada vez com mais trabalho precário e não reconhecido?
Para reduzirem o número de professores no desemprego, que deixam de ser 40000 a 50000 passando a não haver desemprego entre “estes novos professores”?
Para dar ainda mais valor e força ao ensino privado? Pois aí poder-se-á ter um ensino de qualidade que no ensino público cada vez é mais difícil de encontrar devido a tudo o que cada vez mais tentam impôr?
Para nos obrigarem cada vez mais a mais trabalho?
Para que o professor seja pai, irmão, primo, tio, amigo, vizinho e no fim de tudo professor?
Para reduzirem o défice a todo o custo, independentemente da forma como o fazem?
No resto do mundo, e nos países desenvolvidos, no quadro de crise generalizada em todo o mundo, as atenções voltam-se para o “mundo educativo” como último recurso face aos gravíssimos problemas sociais entre os quais o desemprego é o principal exemplo. A resposta a estes problemas passa por um grande e genuíno investimento no domínio da educação e da formação ao longo da vida, embora esta não seja a varinha mágica capaz de superar todas as deficiências e assimetrias. Este investimento começa na escola (que deve ter uma verdadeira autonomia, recursos materiais e humanos, equipando-se da necessária e indispensável abertura à comunidade, envolvendo todos os agentes sociais) e no professor (redefinindo e valorizando o seu papel, valorizando-se ele próprio, ampliando a sua cultura geral e a actualização constante dos seus conhecimentos técnicos, profissionais e humanos).
Mesmo tendo em consideração que cada um conceptualiza a avaliação com diferentes significados, TODOS reconhecemos que a AVALIAÇÃO tem que existir, existe ou deverá existir COM O OBJECTIVO DE UMA MELHORIA DA ESCOLA E DAS PRÁTICAS.
Infelizmente, não é isso que se quer construir!
Abril 3, 2008 at 1:53 pm
Na minha escola, vieram com a ameaça de que, se os contratados não fossem avaliados, estes seriam prejudicados, pois não poderiam concorrer. Esta ameaça foi feita ao CE por parte do ME. Ora, olhando para a provável calendarização do concurso 2008/2009, vemos que a manifestação de preferências será feita a 17 e 18 de Julho, ou seja, antes sequer de cada professor contratado ter uma classificação. E como vemos nestas declarações, em que alguns poderão não ser avaliados, e juntamente com o facto que indiquei, chegamos à conclusão que tal ameaça era bluff! Assim se vê como este ME opera, através de ameaças e falácias!
Abril 3, 2008 at 2:19 pm
Bonito serviço!!!
Abril 3, 2008 at 2:33 pm
Paulo
Após a reunião de Coimbra, penso que a única medida com algum peso será a demisão, em bloco dos Conselhos Executivos.
Abril 3, 2008 at 2:54 pm
Os Crs não se demitem, pois não estão a representar os professores, são correias de transmissão do Me, e percebe-se a razão de o ME não querer dialogar com os sibdicatos que refilariam de imediato enquanto os CEs se calam, com a medida de poderem durante mais um ano continuarem como CEs para implementar a nova avaliação.
Os RI, do Algarve, feitos pela nova legislação voltaram para as escolas sem ser aprovados, pois a sua aprovação extinguiria a Assembleia de Escola, originando novas eleições, de modo que ficam congelados.
Abril 3, 2008 at 2:55 pm
*CEs e não Crs.
Abril 3, 2008 at 3:29 pm
Também sou de acordo que isto é um monumental bluff. Resta ver quem vai a jogo e quem aguenta a parada. Estou cada vez mais convencido de que o bluff não tem cartas para aguentar a jogada.
Abril 3, 2008 at 4:40 pm
Quem não aguenta a parada somos nós!
aliás, todos os CP´s que conheço estão a agir como cordeirinhos e, no entanto, estiveram lá na manifestação.
Ao nível de cada escola , a batalha está perdida.
Resta uma nova mega-manifestação ou coisa do género …ou esperar que aconteça um milagre ( Mª de Lourdes….Lourdes… ) capicce?
António
Abril 3, 2008 at 5:38 pm
Os coordenadores avaliadores são ameaçados, se no caso de não avaliarem de se demitirem e depois instauram-lhe um processo disciplinar.
QUem se deveria demitir são os Ces que foram eleitos com os votos dos professores. Estes não foram ameaçados de nada, eu fui ameçado com a demissão e com processo disciplinar.
Abril 3, 2008 at 5:47 pm
Fernando, os coordenadores foram ameaçados, mas também os CE’s foram ameaçados.
Neste momento deveria existir alguém (sindicatos) que apelassem aos CE´s e Coordenadores de Departamento para pedirem demissão dos respectivos cargos!
Se muitas demissões ocorrerem em simultâneo, o governo perderá a batalha da avaliação.
Agora se CE’s e Coordenadores de departamento actuarem de uma forma pontual e desorganizada, é evidente, que correm o risco de sanção. Veja o exemplo de Coimbra!
Abril 3, 2008 at 5:48 pm
Em 12 ler “apelasse” em vez de “apelassem”
Abril 3, 2008 at 5:59 pm
Pedro Castro
Para isso seria necessário um movimento de antecipação e coordenado. O que se passa é que está tudo descoordenado.
Ontem a PCE impingiu o simples, e quando estava a tentar defenir os itens da ficha de avaliação do PCE, eu interrompi e perguntei se não queriam saber das posições dos departamentos sobre a avaliação. Mal disse a posição contra do meu departamento, a reacção foi de pânico e mandou logo para a acta assim como um outro departamento que tb estava contra, Os restantes departamentos só debateram as fichas -qual teria sido a razão?- e nada sobre o modelo de avaliação, de modo que ganhou o modelo de avaliação. Entretanto, no Pânico da PCE que teria de relatar para a DREA a posição contra da escola – que não se verificou pois só 2 departamentos são contra- ela disse que quem fosse contra a avaliação se demitisse e depois soube que a demissão implicava processo disciplinar. Não ouvi quaisquer processos disciplinares sobre PCes que se recusassem a avaliar e alguns deles até se demitiram e foram substituidos por outros que são a favor da avaliação. Aos Ces foi-lhes dado mais um ano , e outras garantias.
Abril 3, 2008 at 6:26 pm
1º Os Conselhos Executivos de todo o país deviam exprimir imediatamente e a uma única voz a sua posição, à semelhança dos colegas de Coimbra, contra esta avaliação docente, o novo regime de gestão escolar e o estatuto do aluno.
2º Em seguida, apresentar a demissão de todos os cargos.
3º Os sindicatos devem tomar posição pública em relação às alegadas ameaças de processos disciplinares.
Abril 3, 2008 at 6:57 pm
Aquilo que mais me irrita nos cobardes, é não terem a coragem de assumir que são cobardes…
Vá! Para não virem com bocas, eu sou cobarde!
Mais um Prof de Excelência aqui: http://antifalsospedagogos.wordpress.com/
Também é Presidente do CE de uma Escola que não é para todos. Certamente não é cobarde e tem mais com que se preocupar do que a avaliação
O estranho é que esta gente ganha o mesmo que os outros, e trabalham e desgastam-se francamente mais, a todos os níveis.
Abril 3, 2008 at 7:16 pm
Albino MAu. Seu linkar na barra lateral mo seu blogue promete-me que não usa este sistema básico para tentar que alguém o leia?
pronto, eu faço a ligação para os textos onde de forma corajosa os animadores do Tretas me ofendem de forma sistemática, o que tem sempre a sua graça.
Já pensei reproduzir aqui parte dos vossos posts, mas acredito que embora sem propriedade intelectual claramente atribuível, me ameaçariam com um processo judicial.
Já agora, os contactos off the record com os “ofendidos” deram resultados?
Abril 3, 2008 at 7:55 pm
Essa questão dos contratados preocupa-me muito e por isso já andei a rever toda a legislação.
Para já não há penalizações. Vão precisar de ter o tempo de serviço cumprido este ano mas ainda não conheço o regulamento do concurso.
Acho estranho que tempo de serviço não seja tempo de serviço. Para os professores do quadro, pode fazer sentido que um critério de progressão seja anos de serviço com avaliação de pelo menos bom, mas ninguém nega a existência de esse tempo de serviço. Existe, mas não serve para a progressão. Nada existe que diga que não conta para efeitos de concurso.
Também não percebo que avaliação pretendem em 20 dias, se é preciso que o professor tenha estado na mesma escola um mínimo de 6 meses. Estes 6 meses só fazem sentido se entendermos que é o tempo mínimo para avaliar minimamente alguém. Em 20 dias vão analisar um portfolio que pode ser o espelho do trabalho realizado ou “talvez não”.
Afinal, ninguém paga a um contratado para esse trabalho extra, já que muitos deles têm que aguentar 22 horas de serviço lectivo que muitos de nós não quisemos. Acho que é mais gratificante fazerem uma reconversão profissional e irem ser avaliados para as empresas privadas. Pelo menos sempre têm fins de semana.
Abril 3, 2008 at 8:07 pm
Tenho que admitir que sua inteligência é inatingível, pois francamente a forma como codifica o discurso, não dá para a minha frugal inteligência.
Essa do off the record… não estou a ir lá! Eu ainda nem sei que quem são os ofendidos, quanto mais contactar com eles, tirando alguma coisinha com menos graça que eventualmente possa ter tido consigo e o possa ter tornado num ofendido.
Quanto ao link, quando colaborar lá, quero que ponha aqui um link! Eu autorizo! Mas assim não sei!
Abril 3, 2008 at 8:12 pm
O ME está a acenar com aumentos remuneratórios para os CEs e coordenadores para os aliciar, estamos feitos!!!!!
Abril 3, 2008 at 9:56 pm
Paulo: esse tal Albino não merece que gaste o seu teclado a responder a coisas que a nenhum de nós interessa.
Temos é que arranjar, juntos, solução para o nosso problema (professores) e não ligar a todos os que nos venham aqui tentar denegrir ou “picar”
Abril 3, 2008 at 9:58 pm
Até aqui havia já professores de 1ª e professores de 2ª, agora há ainda a acrescentar os cinzentos!!
Abril 3, 2008 at 9:59 pm
Para ti albino mau
Pela escadinha de um courão subindo
Parei na sala onde não entra o pejo;
Chinelo aqui e ali suado vejo,
E o fato de cordel pendente, rindo;
Quando em miséria tanta refletindo
Estava, me apareceu ninfa do Tejo,
Roendo um fatacaz de pão com queijo,
E para mim num ai vem rebolindo:
Dá-me um grito a razão: — “Eia, fujamos,
Minha porra infeliz, já deste inferno…
Mas tu respingas? Tenho dito, vamos…”
Eis a porra assim diz: — “Com ódio eterno
Eu, e os sócios colhões em ti mijamos;
Para baixo do umbigo eu só governo
Abril 3, 2008 at 10:01 pm
Excelente bigbrother, simplesmente excelente!
Abril 3, 2008 at 10:03 pm
Big Bocage.
Abril 3, 2008 at 10:07 pm
O big hoje está poeta! Já tem outro poema noutro post!