Apenas porque muitas (excessivas) vezes se evoca o exemplo finlandês sem a devida contextualização e caracterização, recortando-se apenas o que interessa, hoje vou fazer algo semelhante e recortar da obra A Sociedade da Informação e o Estado-Providência de Manuel Castells e Pekka Himanen alguns dados para demonstrar como a realidade finlandesa dificilmente pode ser transposta para Portugal.
Para isso vejam-se aspectos como o nível de sindicalização lá existente, a opinião (confiança) dos cidadãos no seu modelo de Estado e ainda as suas prioridades em termos de políticas sociais.
Tudo é diferente de cá, mas a razão essencial talvez seja fácil de compreender: existe uma relação de aparente confiança entre os cidadãos e as suas instituições representativas, dos sindicatos aos seus responsáveis políticos. Há confiança no seu modelo de segurança social, a maioria acha que vale a pena pagar para ter bons serviços públicos e a baixa de impostos não é uma grande prioridade.
Por cá, tudo é realmente muito diferente. Curiosamente, e como se prova em situações como as da Autoeuropa (internamente) ou dos trabalhadores emigrantes (externamente), a falha em relação à qualidade do desempenho não parece estar do lado da arraia-miúda.
Abril 3, 2008 at 3:12 pm
Agressão a Professora já tem merchandising
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=87113
Abril 3, 2008 at 6:39 pm
Existem duas boas razões para eu me proclamar como de origem escandinava: uma, não digo
; a outra é exactamente a mentalidade, demonstrada nos gráficos apresentados. O que safa, é que muitos “mandadores de bocas”, por vezes também conhecidos por colunistas, comentadores e outros cognomes, tendem-nos a comparar com outros mundos, para conforto dos nórdicos. Basta pensar em duas das ideias que mais prurido me causam, e que poderiam denotar a necessidade de rigor, mas denotam o egoísmo (congénito ou semeado?) da lusa raça. A primeira, é o apregoar de que as despesas do Estado são feitas com “… o meu rico dinheirinho!” (mesmo os que não pagam impostos directos reproduzem esta genial “idiossincrasia”). A segunda, é a que faz com que qualquer partido político aumente a sua popularidade, bastando para isso anunciar a baixa de impostos (mesmo que depois os suba). Apego-me aos meus olhos claros, meio esverdeados, para crer que tenho costelas nórdicas. E sinto alívio!
Abril 3, 2008 at 6:40 pm
A diferença é abissal… a começar logo na confiança e boa fé entre as partes… Estado e trabalhadores. Por isso é que não se inspiraram no modelo de avaliação finlandês – tinham que se inspirar num outro modelo… em que as relações entre os cidadãos e o Estado ainda não tem todas as feridas saradas nem sanadas…
Abril 3, 2008 at 6:41 pm
anahenriques:
quem irá receber os direitos de autor? a prof, a aluna ou o aluno??? Se calhar nenhum que não correram a registar a ideia !!! heheheh
Abril 4, 2008 at 2:54 pm
Olá, boas tardes…
quanto à Finlândia tenho a dizer que tenho experiência de ter «filhas de acolhimento» finlandesas, (intercâmbios escolares com 10 meses de duração) e suas respectivas amigas que acabam por frequentar a casa.
Então aqui vai o que resulta do meu conhecimento assim adquirido:
Os finlandeses não falam. Entram numa sala de aula, permanecem e saem no mais puro silêncio.
Lá não poderíamos avaliar essa coisa abjecta da ‘participação espontânea’ (sempre perto da pouca educação). Ao fim de 3 meses em Portugal uma das minhas ‘filhas’ desatou a falar nas aulas, o que muito me aborreceu. Interpelada, ele respondeu-me: – Oh, mãe, na Finlândia nós não falamos. Ninguém fala na aula. Só quando o professor pergunta directo. Mas quando eu vi o estilo em Portugal também alinhei e confesso que assim é que é bom. E agora falo nas aulas, pronto!
Dixit.