fin4.jpg Apenas porque muitas (excessivas) vezes se evoca o exemplo finlandês sem a devida contextualização e caracterização, recortando-se apenas o que interessa, hoje vou fazer algo semelhante e recortar da obra A Sociedade da Informação e o Estado-Providência de Manuel Castells e Pekka Himanen alguns dados para demonstrar como a realidade finlandesa dificilmente pode ser transposta para Portugal.

Para isso vejam-se aspectos como o nível de sindicalização lá existente, a opinião (confiança) dos cidadãos no seu modelo de Estado e ainda as suas prioridades em termos de políticas sociais.

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Tudo é diferente de cá, mas a razão essencial talvez seja fácil de compreender: existe uma relação de aparente confiança entre os cidadãos e as suas instituições representativas, dos sindicatos aos seus responsáveis políticos. Há confiança no seu modelo de segurança social, a maioria acha que vale a pena pagar para ter bons serviços públicos e a baixa de impostos não é uma grande prioridade.

Por cá, tudo é realmente muito diferente. Curiosamente, e como se prova em situações como as da Autoeuropa (internamente) ou dos trabalhadores emigrantes (externamente), a falha em relação à qualidade do desempenho não parece estar do lado da arraia-miúda.