É algo francamente exagerado. É uma daquelas considerações desnecessariamente alarmistas e muito urbanita.

Os meus alunos estão no alvo etário daquilo e não os ouço dizer nada sobre o assunto. É certo que a multiculturalidade os atira mais para o hip-hop, o 50 Cent e os Buraka Som Sistema.

Já há uns anos o mundo ia acabar por causa do Dragon Ball. Afinal aguentou-se mais uns anos. Agora é o wrestling e a salada de morangos e moranguitas. Não sei se passamos de 2010 se a TVI não acaba com a série.

Eu cresci avidamente à espera (apenas dois canais a preto e branco, um em curto horário, sem gravadores, cassestes ou cd’s) que o Jerry massacrasse o Tom e que o Coyote fosse pelos ares a cada 15 segundos, para não falar nas desgraças infligidas ao Silvester pelo Piupiu/Tweety.

Não sei se foi a escassez do recurso à psicologização excessiva da infância que me salvou (?), se foi a ausência de um carpir de mágoas a cada nova moda do momento. Sou um adulto relativamente funcional.

A Floribella falava com uma mãe que tinha reencarnado numa árvore? É estúpido! E depois?

O Tio Patinhas a mergulhar num cofre de moedas também é.

Será que realmente olhamos para a miudagem e lhes damos verdadeiro crédito? Aqui a petiza de casa dobra o riso desde os 3 anos a ver o Tom & Jerry nas reposições do Cartoon e sabe perfeitamente que aquilo não é real! E recusa tudo o que é animação demasiado agressiva.

É certo que o visionamento da televisão e destes programas é supervisionado e comentado com ela. O que evitar e porquê. Mas ela própria rejeita naturalmente muita coisa.

Há qualquer coisa estranha em tudo isto. Não serão os adultos que levam demasiado a sério os Morangos com Açúcar? Ou será que é porque não têm paciência para os usar de forma útil?