É algo francamente exagerado. É uma daquelas considerações desnecessariamente alarmistas e muito urbanita.
Os meus alunos estão no alvo etário daquilo e não os ouço dizer nada sobre o assunto. É certo que a multiculturalidade os atira mais para o hip-hop, o 50 Cent e os Buraka Som Sistema.
Já há uns anos o mundo ia acabar por causa do Dragon Ball. Afinal aguentou-se mais uns anos. Agora é o wrestling e a salada de morangos e moranguitas. Não sei se passamos de 2010 se a TVI não acaba com a série.
Eu cresci avidamente à espera (apenas dois canais a preto e branco, um em curto horário, sem gravadores, cassestes ou cd’s) que o Jerry massacrasse o Tom e que o Coyote fosse pelos ares a cada 15 segundos, para não falar nas desgraças infligidas ao Silvester pelo Piupiu/Tweety.
Não sei se foi a escassez do recurso à psicologização excessiva da infância que me salvou (?), se foi a ausência de um carpir de mágoas a cada nova moda do momento. Sou um adulto relativamente funcional.
A Floribella falava com uma mãe que tinha reencarnado numa árvore? É estúpido! E depois?
O Tio Patinhas a mergulhar num cofre de moedas também é.
Será que realmente olhamos para a miudagem e lhes damos verdadeiro crédito? Aqui a petiza de casa dobra o riso desde os 3 anos a ver o Tom & Jerry nas reposições do Cartoon e sabe perfeitamente que aquilo não é real! E recusa tudo o que é animação demasiado agressiva.
É certo que o visionamento da televisão e destes programas é supervisionado e comentado com ela. O que evitar e porquê. Mas ela própria rejeita naturalmente muita coisa.
Há qualquer coisa estranha em tudo isto. Não serão os adultos que levam demasiado a sério os Morangos com Açúcar? Ou será que é porque não têm paciência para os usar de forma útil?
Abril 1, 2008 at 8:33 pm
De facto a série é rídicula
Abril 1, 2008 at 8:38 pm
Mas quantas novelas o são.
Quantas outras coisas para consumo de adultos o são.
Há que dar-lhe a volta e demonstrar esse mesmo ridículo.
Abril 1, 2008 at 8:39 pm
Não é obsessão. Não é diabolização. Mas uma série que dura há cinco anos e trata de assuntos tão essenciais para as crianças e os adolescentes como os primeiros amores, ou as amizades, deve merecer dos educadores uma análise atenta e não ser apenas considerada como uma “novela como as outras”.
Abril 1, 2008 at 9:09 pm
Boa noite colegas!
Tem que se culpar alguma coisa: ou o sistema, ou o governo, ou os professores, ou os morangos…
Eu prefiro que culpem a TVI e os morangos do que nos culpem a nós!!
Abril 1, 2008 at 9:10 pm
Quando miúdo era fã dos “Heróis Marvel”:
- Hoje não transformo-me num monstro verde quando fico nervoso…
Quando adolescente devorava “A espada Selvagem de Conan”:
- Acreditem, não tornei-me num bárbaro…
O que tive foram uns pais que ensinaram-me sempre as regras da boa educação.
Que sempre disseram: “Meu filho, tens de respeitar os teus professores e os funcionários da Escola como respeitas os teus pais.”
Venham os Morangos e todas as Frutas juntas!
- Os pais que controlem a quantidade do Açúcar…
Abril 1, 2008 at 9:11 pm
Já ouvi falar na série da RTP Prós-e-Contras, mas confesso que não me agrada. Parece um circo, ou um espectáculo montado por uma jornalista sem classe e muito parcial. Muito pobre. Aliás, proporcional à educação do país.
Abril 1, 2008 at 9:17 pm
“Aqui a petiza de casa dobra o riso desde os 3 anos a ver o Tom & Jerry”
A cá de casa também…
E a ver o Tom Sawyer? Ui!
Quanto aos “Morangos com Açúcar:
acho que, curiosamente, a série é capaz de afectar mais o “pessoal” do 1.ª CEB, a julgar pelas reacções a que assisti quando morreu o actor que fazia de “Dino”, há dois anos. Vi, realmente, cenas impressionantes… como miúdas a andar de joelhos, no recreio ou na rua… para “desagravarem” a sua memória… tipo “fazer um sacrifício para ele ir para o Céu”!
Lembro-me de o professor de uma das miúdas a questionar… lhe dizer que ia prejudicar a sua saúde… e ela responder: “não faz mal, assim morro mais depressa e vou para o Céu para o pé do Dino”!
Mas estou como tu: se calhar é demasiado a “diabolização” que fazem dessa série e doutras do género… quando, se calhar, os maiores problemas estão a montante…
(ou será “a monte”?)
Abril 1, 2008 at 9:17 pm
De facto, os adultos não conseguem usar os morangos como algo de útil – julgam, aliás, que nada daquilo existe, que é pura fantasia influenciante dos comportamentos maus dos nossos infantes. Até o Pres.da República ficou chocado e o Procurador preocupado com o filme do Carolina Micaelis; vê-se mesmo a noção que têm da realidade (!) – foi preciso um acto ilícito para desenvolverem a retórica!
E ainda assim acreditam que os morangos não se baseiam na realidade? E ainda assim não os usam para corrigir atitudes menos correctas? – Quanto ao Albino, nem merece comentários (será albina a sua inteligência?)
Abril 1, 2008 at 9:18 pm
Parabéns, Paulo Guinote, pela sensatez de raciocínio.
Abril 1, 2008 at 9:22 pm
Paulo:
O Tio Patinhas nunca poderia gerar fenómenos de imitação como o podem fazer os Morangos. A possibilidade de identificação dos adolescentes com as personagens dos Morangos é enorme. Lembrem-se da histeria que sucedeu com a morte daquele actor num acidente de automóvel.
Abril 1, 2008 at 9:32 pm
Este tema é pertinente. Mesmo quando se fala de cinema com alguma violência questiono-me sobre a razão de se dizer que infuencia negativamente os jovens quando, afinal, o herói vence (quase) sempre. Masoquismo, certamente. Mas considero de máxima importância a supervisão referida pelo Paulo. Nem sei muito bem se os piores criminosos viram muito cinema ou se foram deixados ao deus-dará. Importante é a interiorização das regras sociais, muitas delas absolutamente informais, transmitidas por alguma “tradição oral”, mas também, e principalmente, pelo exemplo.
Abril 1, 2008 at 9:48 pm
Não que o pai tenha de deixar de telefonar à hora do almoço para resolver um negócio importante para a vida da família (ou de beber um pouco de vinho) porque, se o fizer, o filho imberbe fica com o direito de telefonar ao amigo para combinar a “tarde desportiva” (ou também de beber vinho). Quem defendeu isto no “Prós” considera que a escola deve ter todas as regras negociadas e escritas, provavelmente porque não transmite nenhuma em casa. Defenderá também que as transportadoras, os calceteiros e os donos de cafés negoceiem e passem a escrito as regras mínimas de convívio nos respectivos lugares? Imaginemos que, até por lapso, um RI define que os alunos não podem sair pelas janelas do rés-do-chão. Quererá isto dizer (na lógica de alguns parece) que poderão sair pelas do primeiro andar?
Abril 1, 2008 at 10:04 pm
Ana
De facto a série é rídicula…
No nosso dia-a-dia, não ficcionado, quantas coisas são ridículas?
Abril 1, 2008 at 10:14 pm
Acho bem mais deprimente a forma como alguns personagens “professores” são representados: ou muito maus… como a “stora Conceição” de uma série que vi com a minha filha no Sábado (de jovens detetives)… ou muito “totós”, como alguns dos “Morangos”… etc… enquanto que os advogados, os psiquiatras, os médicos, os psicólogos ,etc… são sempre todos uns “porreiraços bem sucedidos na vida”. Isto mesmo me (nos) foi transmitido numa acção de formação por uma actriz (Amélia Videira)… e que entrou numa série juvenil, há uns anos, onde fazia de avó… ex-professora ou algo assim… e que era uma excepção ao que nos acabava de afirmar!
Abril 2, 2008 at 2:44 am
Para a esmagadora maioria dos meus alunos (do 8º, 9º e 11º, da classe média e média-alta urbana), coisas como os Morangos e Floribela são motivo de chacota e de comentários cínicos quando se querem insultar uns aos outros.
Maio 16, 2009 at 7:52 pm
OLÁ ESTA BOM
Maio 16, 2009 at 7:54 pm
OLÁ ESTA BOM ana