A opinião publicada sobre Educação, indisciplina e violência nas Escolas aumenta exponencialmente e neste momento já todos opinam, mesmo sem saber muito bem sobre o que falam e escreevem.
No caso de Nuno Melo nota-se mesmo que é para marcar território. Ele deve perceber tanto do assunto como eu das regras protocolares da Tailândia. Mas mesmo assim, lá vai disto.
Quanto a Constança Cunha e Sá escreve um texto que poderia ser assinado por imensas outras pessoas, desde logo por outra articulista do Público como Helena Matos. As argumentações pouco diferem em aspectos essenciais.
Hoje é a vez de José Miguel Júdice repisar o repisado. De Fernanda Câncio se enfadar, de Mário Contumélias elaborar (neste caso até com bastante sentido, certos pormenores à parte).
A malta do costume opina como de costume.
Daqui a uns dias – e desta vez isto até que tem durado mais do que esperava, mas concluído o procedimento disciplinar tudo se considerará resolvido – já todos estarão esquecidos e saltarão todos em sintonia para um novo tema, que pode ser a designação do candidato democrata para a presidência americana ou ou um qualquer escãndalo menor que por aí apareça, quiçá voltem à questão da terceira ponte sobre o Tejo.
E todos os do costume escreverão, como de costume, segundo as fórmulas do costume.
E entretanto tudo ficará sempre na mesma. Mas as almas apaziguadas, porque todos deram as suas fórmulas exactas para a solução do problema que não conhecem se não de ouvir falar nos jornais e lá do caso da senhora da limpeza que tem uma filha que até foi assaltada na outra semana à porta da escola.
Março 28, 2008 at 10:52 am
Todos falam…todos falam…
E da ministra a passeaar pr Moçambique… Afinal é a encarregada do Ministério a cuja tutela pertence o caso… Esgotou-se nas palavras agastadas a um jornalista que pôs em causa o milagroso estatuto, ou está fazer de conta, olhar para o lado e minimizar????
Quando chegar acho que dirá… tudo foi resolvido, a aluna foi castigada.A história teve o final que merecia.
O que fará então a opinião pública???
Março 28, 2008 at 11:58 am
Fátima Bonifácio dizia ontem que a Escola onde se desenrolou o vídeo premiado “não existia”!
Começo a dar-lhe toda a razão quando agora se sabe que a professora em questão permitia que os alunos ouvissem música na sala-de-aula.
Quando uma escola se transforma num circo em que o domador-de-feras não controla as criaturas, o espectáculo torna-se arrepiante, obscenamente atraente (por essa razão é repetido até à exaustão), mas o domador não consegue sobreviver e tem de ser substituído.
O problema mais grave é que o episódio também poderia entrar no género do circo romano, não sei bem se no capítulo do cristão a ser atacado pelos leões, ou se no combate de gladiadores, mas inclino-me mais para o primeiro.
Quando a escola descamba neste patamar de excitação espectacular é caso para dizer que de facto já NÃO EXISTE enquanto escola !!!
Março 28, 2008 at 12:48 pm
Picareta.
O ouvir música na aula pode ser uma concessão para evitar chatices ou uma conquista.
Depende um bocado da «dinâmica» em causa.
Confesso que sou muito avesso a fórmulas homogeneizadoras de comportamento, como as qu DS agora apoia e discordo de «contratos de turma» muito formais.
Pelo menos para meu uso.
Numa Escola onde fiquei meia dúzia de anos, a partir de um dado momento já todos sabiam como as coisas funcionavam.
A palavra passava, de colegas para colegas, de irmãos para irmãos.
Coordenei um espaço de Informática aberto a toda a gente, que entrava e saía quando queria.
Nunca exigi qualquer tipo de cumprimentos.
Mas todos faziam questão de se dirigir ao meu lugar e fazê-lo.
Nunca uma peça de material foi danificada.
Se podiam ouvir música?
Podiam!
Se podiam jogar?
Podiam?
(aliás nós travámos conhecimentos graças ao tal torneio de PStation que uma vez confessei ter promovido)
Agora há uma coisa certa: os trabalhos agendados é para serem apresentados.
Os objectivos quanto às aprendizagens devem ser cumpridos.
E, por regra, são.
Sou um tipo com sorte?
Sou.
Março 28, 2008 at 4:12 pm
Fernanda Câncio desta vez tem razão quando fala das imagens ilegais, foi exactamente isso que eu quis dizer no meu post sobre o caso. A professora tem direito à defesa do seu bom nome e da sua imagem. A garota fez o que fez mas tem direito à protecção da sua imagem e nome, tanto mais que é menor. Os media babam-se por mais, quase instigando alunos a dizerem mais coisinhas sobre a turma e as aulas da professora. Os media babam-se por mais histórias de violência. Querem sangue…. Quem põe ordem nisto? O homem dos recortes que recorte esta, ele deve gostar. No entanto,esta parte a seguir (ele já não vai citar) eu defendo liberdade de expressão com responsabilidade e essa é nos tribunais que se determina! A propósito dessa sinistra figura clipante, esteve a mandar-me comentários apenas citando os meus dizeres e parando onde lhe apeteceu. Eu, democrata que sou, cortei-lhe o comentário todo.
Março 28, 2008 at 10:32 pm
Também acredito na sorte da do tipo “Este país não é para velhos”, mas aí também prevalece aquele “feeling” que tem a ver com o estilo, a personalidade ou o carisma do educador/artista que pretende ganhar a audiência.
Porque a profissão docente exige inquestionavelmente um lado de atracção/sedução que não pode ser confundido com a autoridade.
Mas como hoje em dia este tipo de nuances desapareceu debaixo do aluvião da racionalidade instrumental, resta apenas uma desencantada bipolaridade “autoridade fascista” vs. “igualitarismo emancipador” em que a mediação “metacomunicativa” ou “metacognitiva” tende a expulsar qualquer réstea de nobreza que ainda ousa afirmar-se na relação pedagógica.
Daí a dificuldade cada vez maior em estabelecer uma actividade educativa saudável, uma vez que a ideologia de esquerda se aliou à cultura empresarial para pregar o reinado da criança, a centralidade do aluno, o primado do cliente, em que o educador se verga ao mercado ideológico e mercantil e o docente se submete ao Estado enquanto prestador de um serviço público.
Março 28, 2008 at 10:36 pm
Última aula.
Entrega de testes.
Aula “aligeirada” e descontraída.
A “velha” a tentar mostrar ao “ppl novo” que pode ser uma “gaja porreira”?!
Se calhar foi isso.
Mesmo assim, para a aula não ser o “avacalhamento total”, estabeleceu alguns limites.
Pois é… o “ppl novo” não aceita que se estabeleçam “limites”!
Ponto.
Março 29, 2008 at 2:30 am
… há de facto uma tendência obsessiva para uniformizar procedimentos e os Conselhos Pedagógicos costumam ser pródigos nessa matéria.
Em regra a preocupação de normalizar parte, a meu ver, dos mais inseguros, por necessidade de balizarem as suas intervenções e alcançar a (falsa) sensação de pisar em terra firme. Porém, as relações interpessoais, em geral e a relação professor aluno, em particular, não são passíveis de uniformização, pelas sua características pessoais, subjectivas… nem era desejável que fossem, pelo risco de esvaziarem o seu conteúdo educativo… há quem se preocupe em estabelecer quantas vezes o aluno se pode esquecer do livro, quantos segundos podem chegar após o toque, se podem ir fazer xixi, etc, etc, … a norma das minudências… normalizar ? …sim, o que é essencial, e pode para isso nem ser preciso ultrapassar muito as linhas que definem o cumprimento dos deveres correspondentes ao rigoroso respeito pelos direitos dos outros… depois há uma coisa que se chama autoridade (no melhor sentido do termo). O excesso de normalização , se por um lado alivia os inseguros, por outro é uma fonte de constrangimentos para aqueles que com “autoridade” e bom senso, conseguem manter-se em velocidade cruzeiro, sem qualquer conflito ou disfuncionamento, e sabem construir, sem a norma, valores educativos. Depois, é mesmo preciso muita “arte” para conseguir viver nessa diferença que, sendo muitas vezes explorada pelos alunos, se ergue como mais um desafio, de onde também se podem extrair valores positivos… mas é preciso tempo, disposição, gosto …e neste inferno que “estes senhores” ateiam e em que a “autoridade” tantas vezes se queimou, já não há paciência que sobreviva…