baumann.jpgEnunciadas a todo o momento a partir de uma posição de autoridade e dispondo dos recursos adequados, as proposições em causa tendem a tornar-se verdadeiras, e é por isso que a formação que visa tornar-nos dependentes dos especialistas acaba por ser bem-sucedida; mais cedo ou mais tarde, somos nós próprios que começamos a buscar insistentemente e por nossa própria iniciativa o conselho «daqueles que sabem». À medida que deixamos de confiar no nosso próprio juízo, tornamo-nos presa possíveis do medo de errar; chamamos pecado, culpa ou vergonha ao que tememos, mas seja qual for o nome que lhe dermos, passaremos a sentir a necessidade da prestimosa mão do especialista que nos reconduzirá à segurança da certeza. É o medo que alimenta a nossa dependência dos especialistas. (Zygmunt Bauman, A Vida Fragmentada, 2007, p. 23)