Do episódio ocorrido no Carolina Michaelis, Luís Portela, médico e administrador, extrai a consequência da necessidade de avaliação dos professores. Eis a peça final na argumentação (lógica?) daqueles que, cegos pela luz salvadora de um farol do qual não conseguem libertar-se, se estilhaçam nas rochas do ridículo:
E a professora que não se sabe impor dentro da sala de aula e que apenas participa um episódio desta gravidade oito dias depois, quando ele já é do conhecimento público, não deverá ser reavaliada e submetida a acção de formação apropriada? Resta o Conselho Executivo da escola que permite (ou não) este estado de coisas no ambiente escolar. Vamos ver como ele resolve esta situação e como cria condições para que ela não se possa mais repetir.
Talvez por tudo isto se compreenda a necessidade da reforma na Educação em Portugal. A necessidade de os professores serem formados e avaliados no seu trabalho, de forma a conseguir-se uma maior competência técnica e disciplinar de quem tem que cumprir a função de educar e, ao mesmo tempo, suprir as deficiências dos encarregados de educação.É natural que uma classe que tem vivido sem grande controlo da sua actividade, num clima de algum facilitismo, reaja emocionalmente à tentativa de aumento da responsabilização e melhoria, pelo método de avaliação, que o Ministério da Educação tem tentado implementar. Independentemente de alguns erros metodológicos que possam ter sido cometidos pelo Ministério, parece muito importante e urgente implementar a reforma e conseguir melhorar o ambiente e a disciplina escolares, de modo a que os nossos jovens possam aprender a serem homens e mulheres correctos e responsáveis e profissionais competentes e dedicados.
Para não dar razão ao senhor doutor, não vou reagir emocionalmente, nem escrever tudo aquilo que penso deste tipo de operação em que 2+2=7,54.
Março 26, 2008 at 12:03 pm
Luís Portela o homem que apoia a pesquisa no Paranormal, não estou a brincar e a propósito da educação diz o contrário conforme podem verificar
http://www.debatereducacao.pt/relatorio/files/Dp27.pdf
Março 26, 2008 at 12:04 pm
Interessante.
Muito.
Março 26, 2008 at 12:05 pm
2+2=7,54 É uma síntese genial para ilustrar a argumentação lógica deste “doctor”.
Boa metáfora!
Março 26, 2008 at 12:22 pm
sobre o site com 1
Desculpe, como diz? “A Direcção deve poder recusar a (…) admissão de alunos com comportamentos desviantes”!?!?
Bolas, mas assim é fácil! Assim, não dá luta, Srs. Gestores Profissionais!
Março 26, 2008 at 12:22 pm
O Agrupamento de Escolas Aquilino Ribeiro em Porto Salvo que recebe os antigos moradores da Pedreira dos Húngaros está com problemas
Março 26, 2008 at 12:31 pm
É engraçado como a avaliação dos professores é vista por alguns iluminados como a salvação de todos os problemas da Educação em Portugal! Primeiro, a avaliação vai melhorar os resultados escolares (de uma forma perversa, realmente irá…); segundo, vai melhorar a gestão dos dinheiros públicos, visto que esses malandros dos professores, esses grandes “faltistas”, esses grandes privilegiados com ordenados acima do seu real valor, esses inúteis nas palavras de um génio da sociedade portuguesa, desta forma, irão trabalhar mais; e agora, até vai fazer com que os professores estejam mais habilitados a lidar com os seus alunos “karaté-kids” e melhorar, senão sanar, todos os problemas sócio-culturais e económicos que levam à violência nas escolas! Avaliação é como o aloé: cura tudo!…
Março 26, 2008 at 12:42 pm
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323672&idCanal=58
“Ministério Público quer apurar se houve ilícito penal
Aluna que agrediu professora vai ser alvo de processo no Tribunal de Menores”
Março 26, 2008 at 12:44 pm
O que dizem ministra, ex-ministros e comentadores sobre o caso
Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação
“É um oportunismo político estarem a misturar o Estatuto do Aluno, que é um quadro de regras que permite às escolas prevenir e agir, com este caso de indisciplina.”
Couto dos Santos, Ministro da Educação 1992-1993
“Lamento que os professores tenham vindo a perder autoridade. O que tem muito a ver com o comportamento dos pais dos alunos, que acham que os filhos têm sempre razão.”
Roberto Carneiro, Ministro da Educação 1985-1991
“Os miúdos chegam às escolas sem socialização. A escola não pode fazer o que os pais não fazem em casa. Têm que haver regras e elas têm que ser respeitadas pelos alunos.”
Deus Pinheiro, Ministro da Educação 1985-1986
“Hoje em dia, os meninos vivem numa redoma. Tolera-se-lhes tudo. Os meninos têm que aprender a respeitar a escola em todos os sentidos. O mal é o facilitismo que está instalado”
Veiga Simão, Ministro da Educação 1970-1974
“Nos anos 70 os casos de indisciplina eram resolvidos nas escolas. Os professores eram muito respeitados. Eram uma autoridade por si próprios. Há uma crise de autoridade na sociedade.”
Marcelo Rebelo de Sousa, Comentador
“[Maria de Lurdes Rodrigues] transformou os professores num bode expiatório, disse que não havia violência e perdeu nas propostas de aproximar os pais às escolas.”
Março 26, 2008 at 12:47 pm
Talvez esse doutor devesse ler isto:
http://hekate-hkt.blogspot.com/2008/03/os-professores-violncia-e-stress.html
Março 26, 2008 at 12:55 pm
E o doutor não será doutor como o outro é “engenheiro”?
Março 26, 2008 at 12:59 pm
Como sei do que fala Ana…
Passei pela situação quando a Pedreira ainda existia. E olhe que vinha de dar aulas aos da Cova da Moura!!!
Março 26, 2008 at 1:20 pm
Convide-se Sócrates para ir leccionar no 3º período em Porto Salvo: Inglês técnico, Espanhol técnico e Educação Visual (como desenhar casas).
Março 26, 2008 at 1:43 pm
Mais um dono da verdade que nunca deu aulas embora lhe servisse de terapia , caso o fizesse numa considerável lista de escolas a propor. Recordo uma colega de faculdade que, há cerca de 25 anos, tendo sido informada pelo orientador de estágio da ESE numa das tais escolas “tocadas pela magia” que “nunca se expulsa um aluno da sala” terá ouvido do mesmo, poucos dias após a doutoral sentença: “do que está à espera para mandar o aluno sair?”… o pior é que, pelos vistos, se verifica actualmente a recusa por parte dos problemáticos em “abandonar a sala” e parece ser urgente a criação de CEFs em realização cinematográfica, assistentes de realizador, figurantes e afins, na tentativa de se não desperdiçar tanto talento perdido, podendo a ideia tornar-se grata ao tão enraizado espírito eduquês já revelado em algumas das criações “cefianas” mais recentes.
Março 26, 2008 at 1:50 pm
Já agora… há possibilidade de se arranjar o mail deste “doutor-administrador”. Gostava de lhe enviar alguns.
Março 26, 2008 at 1:51 pm
[...] aos conceitos de “desenvolvimento” dominantes? Mais um desafio para doutorices futuras. Um desafio, de facto, quando há já quem se atreva da dizer que quem precisa de reciclagem é a pr… Este problema dos valores estará na base de argumentações vindas de Adriano Moreira , Dom [...]
Março 26, 2008 at 1:58 pm
Gostava era de ver este iluminado a aplicar as suas teorias na Saúde, junto aos seus pares. Por exemplo num hospital onde há cerca de 2 semanas, a classe fez greve às cirurgias da parte da manhã, mas da parte de tarde como era a pagar já não estavam de greve.
Gostava de o ver no mesmo sítio, a poupar dinheiro aos contribuintes, adjudicando serviços de imagiologia ao proponente menos oneroso para o Estado em vez de atribuir ao amigo que controla o sistema todo (dentro e fora do hospital).
Gostava ainda de ver a sua firmeza para com o comportamento de um médico cleptomaníaco (filho de um sr. juíz fulano de tal) que rouba descaradamente os pacientes dentro do hospital. Ou ainda junto de um outro médico que tem por hábito bater nas criancinhas que gritam – assim por uma coisita como ter uma perna ou um braço partidos-, além de tratar toda a gente com impropérios.
Nestes e noutros casos é que gostava de ver este e outos ’spin-doctors’ de serviço a mostrar o que valem. Na educação são manifestamente incompetentes e, como tal, as suas opiniões estão ao nível da conversa da treta.
Março 26, 2008 at 2:06 pm
Precisamos de alguma calma para não perdermos a razão. Não me parece correcto atacarmos classes profissionais por causa de determinadas opiniões!
Março 26, 2008 at 2:13 pm
Sara tem sido um inferno
Março 26, 2008 at 2:14 pm
Clap!Calp! António
Temos médicos a tratar pacientes abaixo de cão, as pessoas como estão fragilizadas (o que é normal uma vez que se encontram doentes) e como o SR. DOUTOR é o SR.DOUTOR nem coragem têm de os enfrentar. Maus profissionais há em todas as profissões, mas parece que agora só há maus profesores. Chateiam-me imenso estes fulanos que vêm de outras profissões mandar bitaites.
Aliás gostaria imenso que os utentes pudessem avaliar os médicos (que agora até recebem incentivos para fazer o que devem).
Sugiro também que se adapte o método de avaliação dos professores à avaliação destes profissionais… a ver se deixam de dizer disparates.
Março 26, 2008 at 2:16 pm
Relativamente ao post 7 e à posição da PGR.
A posição da PGR tem merecido pouca atenção.
Anteontem, em entrevista, o sr. PGR declarava que iria encarar os problemas da disciplina e da violência da escola como uma prioridade. Não creio que nestas alturas, o mais alto responsável da investigação criminal em Portugal venha cavalgar a crista da onda mediática, para aparecer nos telejornais, mas tudo bem. Talvez a intenção fosse dar um sinal positivo de preocupação e ao mesmo tempo de segurança para professores, alunos e famílias.
Afinal lê-se hoje no Público que a PGR tem recebido nos últimos tempos dezenas de queixas sobre violência nas escolas. Mas afinal o que fez com elas? Porque não exerceu o seu dever de as investigar?
Concordo totalmente com a opinião do bastonário da ordem dos advogados, ontem na SIC Notícias – o dever das autoridades de investigação criminal e policiais é de falar menos e agir mais.
O sr. PGR perdeu uma boa oportunidade de continuar (ou passar) a dar prioridade aos casos de violênca nas escolas, investigando até ao fim as queixas que tem na sua posse. E com isso demonstrar com actos a vontade mediática de surgir também face a este tema. Ganharíamos todos com isso.
Março 26, 2008 at 2:16 pm
Lua … até concordo contigo…mas como disse já me chateia que toda a gente opine sobre educação (muitas vezes sem dizer que profissão exerce)sem olhar para o próprio umbigo. Por vezes temos que lhes chamar à atenção …
Março 26, 2008 at 2:20 pm
De acordo com lua.
Seria até importante ler com atenção as opiniões, mesmo de quem não concordamos.Até pode ser que num ou noutro ponto tenham razão.
Aliás, a BIAL é um óptimo caso de sucesso da indústria farmacêutica portuguesa, tem protocolos com várias universidades portuguesas de apoio à investigação.
Não quer dizer por isso que a sua opinião seja certeira quanto ao tema em apreço, mas merece a consideração da análise racional e não do insulto.
Março 26, 2008 at 2:21 pm
Pois mas também conheço médicos que não são convidados a escrever em jornais que nos defendem e que estão do nosso lado! A maioria trabalham em condições precárias como nós. Nem todos são presidentes de empresas como a Bial. Neste caso este dito ” doutor” não faz banco de urgências nem recebe doentes em Centros de Saúde. Não podemos deixar que a emoção nos tolde a razão. Mas essa é a minha opinião! Será que também serei apedrejada por isso?!
Março 26, 2008 at 2:26 pm
A propósito de pensar… Quem leu a entrevista ao matemático americano sobre os problemas do ensino da matemática (mas também sobre a escola e a valorização dos professores), parte da qual está transcrita num post anterior deste blog? No final tem algumas afirmações interessantes. Qual a principal? A chave do sucesso escolar é a qualidade dos professores.
Março 26, 2008 at 2:32 pm
Pois claro! Mas era mesmo aí que eu queria chegar. O mal está na generalização de toda uma classe com base em alguns exemplos. Claro que não será apredejada por isso.
O meu médico de família é o primeiro a defender-nos até porque é casado com uma professora. Além disso é um excelente profissional que cumpre os seus horários etc.
O problema está nas generalizações.
Março 26, 2008 at 2:40 pm
De como eu, professora, chorei, enxuguei as lágrimas e voltei a chorar
Gosto do que faço e esmero-me na preparação da aulas. As horas são tardias, mas teimo em construir materiais pedagógicos adequados às turmas que estão sob a minha responsabilidade.
É que nem sempre os manuais servem para o efeito; muito menos as fichas que existem noutros livros e noutros lugares, elaboradas para outras situações que não as que os meus alunos e as minhas alunas vivem naquele preciso momento. Já foi o tempo em que me perdia com caixinhas e cartolinas coloridas. O dinheiro não chega para tudo e passei a ser mais comedida. Continuo a fotocopiar o que me parece interessante e depois recortar para fazer montagens à medida dos meus meninos e das minhas meninas. Há também o esmero nas apresentações em powerpoint e no treino solitário da leitura expressiva.
Há que preparar tudo, não permitir que a linguagem esteja nem abaixo do nível desejado nem acima a ponto de ser tornar opaca, hermética, incompreensível. Eles sabem da minha paixão pelo mundo do Verbo e eu aproveito a flexibilidade e a curiosidade para lhes falar de coisas outras e entrar, de mansinho, pelo mundo dos valores.
Leio com atenção os textos que me entregam e que estão para além do programa a ser cumprido. Poemas, contos, cartas de amor. Eles e elas exigem uma resposta honesta e argumentada. E, por isso, eu avanço pela noite dentro. Como tantos outros milhares de colegas professores.
Foi de coração aberto que regressei ao 3º ciclo do ensino básico, depois da provação do desemprego sem direito, ainda que inconstitucional, ao subsídio devido. Uma oferta de escola, para substituir uma professora que deu em doida com a nova geração. Era uma professora antiga e por isso, achava eu, mais susceptível a indignações e chiliques afins. Muni-me de leituras do foro da psicologia para enfrentar um punhado de adolescentes com as hormonas aos trambolhões.
Descobri, porém, um mundo muito cão. Turmas de fugir. Entrei na sala, pedi para entrarem com preceito, mandaram-me para o caralho. Sim, assim, com todas as letras. Desculpem, podem repetir?, acho que não ouvi bem… P’ró ca-ra-lho. O dedo espetado, a mão nas partes, o riso, a galhofa… Mandei-os para a rua e marquei-lhes falta. Fui chamada ao Conselho Executivo e ali me disseram que não podia mandar alunos para a rua por dá cá aquela palha. Estupefacta. Petrificada. Sentar com os pés em cima da mesa, recusar-se a sentar com preceito, escarrar para o chão, chamar a professora de monhé e mandá-la para o caralho, não é propriamente aquela palha. Que eles são uns marginalizados, que muito aguentam eles em casa, que na escola exprimem o que lhes vai na alma, pais presos, traficantes ou drogados, mães prostitutas, CPCJ à perna. Uma desgraça. Pois, mas eu não sou psicóloga nem assistente social. Professora. Tenho um programa a cumprir e quero, muito, que eles descubram as maravilhas da língua francesa. Falei com os directores de turma. Que era assim em todas as aulas, com todos os professores. Uma luta diária por uma causa talvez perdida.
Aula seguintes, a começar do zero. Estronsa, chamavam-me eles. Quem me conhece reconhece o trocadilho, certo? Reforço positivo, reforço positivo, reforço positivo… eu bem queria aplicá-lo. Mas como, se não econtrava nada de positivo?
Decidi-me pelos materiais feitos para eles. Algumas directas, um investimento extra e, voilà, rap francês, cartolinas, fotos, cores. Quando entrei na sala, havia alguns papéis no chão. Segui o conselho de uma colega experiente e apanhei-os, para dar o exemplo. Não resultou. Isso, limpa a merda que nós fazemos. Falta disciplinar e comunicado ao Director de Turma. Não vale a pena, estronsa, que isso não serve para nada, você sabe muito bem disso. Nem para a rua nos pode mandar!… Rasgaram as cartolinas que lhes dei, que não iam levar lixo para casa. Atiraram cascas de pevide para o chão. Saltaram. Gritaram.
Eu sou um vulcão que pouca gente conhece. Consigo dominar os sentimentos e manter uma transparência calma e quase imperturbável. O ascendente em gémeos adocica o temperamento fogoso do meu signo. Mas nesse dia a dor foi tão profunda, o desespero tão intenso, a frustração tão real que as lágrimas romperam. E enquanto eles riam, eu chorei. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de professora. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de adulta em público. Chorei por mim e chorei por eles. Chorei por começar a acreditar que eram uma causa perdida. Chorei por saber que estava ali uma porção do futuro.
Não sou das que se deixa desistir facilmente. Sou carneiro. E isso diz tudo. Na aula seguinte, enxuta, experimentei outra estratégia. A dos afectos em simultâneo com o desprezo total. Meus amigos, querem aprender não querem aprender é convosco. Para o ano eu não estarei cá e recuso-me a ficar doente como a vossa professora anterior por causa de um punhado de gente que não merece um peido. Calaram-se, esbugalhados. Não é todos os dias que uma professora fala assim. E mais, fazemos um pacto. Vocês tentam aprender alguma coisa e eu ensino-vos outras, assim à margem. Queremos saber como engatar gajas no verão, stôra. Queremos aprender palavrões. Muito bem. E ficam com o meu contacto no messenger. Comigo falam só em francês.
À noite já eles me tinham adicionado às suas contas. Bom sinal. Depois, aprenderam o bonjour, o excusez-moi, o pardon, o merci, o je peux entrer, o s’il vous plaît, e, também, t’es belle, je t’aime, e, ainda, palavras como putain, merde, con ou connard. Fui assistir aos jogos de futsal de uns, passei a almoçar com outros. E, depois, numa aula, vieram ter comigo e, com uma palmadinha nas costas, que eu era fixe e que tinha passado no teste deles. Aprovada com distinção. Depois foi mais fácil. A ordem restaurou-se; a aprendizagem a passo de caracol.
Na reunião final tinha bastantes negativas para dar. Não vale a pena o choradinho, amigos. Quem sabe sabe, quem não sabe azar. Pois é, madame, tem razão, para o ano vai ser melhor. Afinal, francês até é fixe!
Reunião de conselho de turma. O aluno A tem 4 negativas, há que levantar uma nota para poder passar. Vai a votação, sobe a Francês. Não pode, impossível. Pode sim, a mudança de professor a meio do ano causou intabilidade. Foi a votação. Passou. O aluno B está a atingir a idade limite do ensino obrigatório. Pedagogicamente recomenda-se a aprovação. Segue Francês. Não pode. Pode sim. Instabilidade do corpo docente. E o aluno C, e o aluno D e assim por diante. Mas, ó colegas, eu estou parva, vocês estão parvos ou estamos todos parvos? É assim, senão chumba na reunião do pedagógico e chamam-nos em Agosto. E a gente vem e consolida a argumentação, não? Não, porque as directrizes do Ministério são muito claras.
…É preciso dizer mais alguma coisa?
Março 26, 2008 at 2:40 pm
http://rabiscosegaratujas.blogspot.com/2008/02/de-como-eu-professora-chorei-enxuguei.html
Março 26, 2008 at 2:41 pm
Um excerto:
«Foi de coração aberto que regressei ao 3º ciclo do ensino básico, depois da provação do desemprego sem direito, ainda que inconstitucional, ao subsídio devido . Uma oferta de escola, para substituir uma professora que deu em doida com a nova geração. Era uma professora antiga e por isso, achava eu, mais susceptível a indignações e chiliques afins. Muni-me de leituras do foro da psicologia para enfrentar um punhado de adolescentes com as hormonas aos trambolhões.
Descobri, porém, um mundo muito cão. Turmas de fugir. Entrei na sala, pedi para entrarem com preceito, mandaram-me para o caralho. Sim, assim, com todas as letras. Desculpem, podem repetir?, acho que não ouvi bem… P’ró ca-ra-lho. O dedo espetado, a mão nas partes, o riso, a galhofa… Mandei-os para a rua e marquei-lhes falta. Fui chamada ao Conselho Executivo e ali me disseram que não podia mandar alunos para a rua por dá cá aquela palha. Estupefacta. Petrificada. Sentar com os pés em cima da mesa, recusar-se a sentar com preceito, escarrar para o chão, chamar a professora de monhé e mandá-la para o caralho, não é propriamente aquela palha. Que eles são uns marginalizados, que muito aguentam eles em casa, que na escola exprimem o que lhes vai na alma, pais presos, traficantes ou drogados, mães prostitutas, CPCJ à perna.»
Março 26, 2008 at 2:42 pm
“Descobri, porém, um mundo muito cão. Turmas de fugir. Entrei na sala, pedi para entrarem com preceito, mandaram-me para o caralho. Sim, assim, com todas as letras. Desculpem, podem repetir?, acho que não ouvi bem… P’ró ca-ra-lho. O dedo espetado, a mão nas partes, o riso, a galhofa… Mandei-os para a rua e marquei-lhes falta. Fui chamada ao Conselho Executivo e ali me disseram que não podia mandar alunos para a rua por dá cá aquela palha. Estupefacta. Petrificada. Sentar com os pés em cima da mesa, recusar-se a sentar com preceito, escarrar para o chão, chamar a professora de monhé e mandá-la para o caralho, não é propriamente aquela palha. Que eles são uns marginalizados, que muito aguentam eles em casa, que na escola exprimem o que lhes vai na alma, pais presos, traficantes ou drogados, mães prostitutas, CPCJ à perna.”
Março 26, 2008 at 2:43 pm
http://rabiscosegaratujas.blogspot.com/2008/03/educao-ainda-sempre.html
Março 26, 2008 at 2:55 pm
Este cabrão deste médico deve ser casado com aquela pedopsiquiatra hippie de sandálias com o cérebro cheio de Marx e LSD, a que vai à televisão!
Só à bengalada, uma velha receita actualmente muito subestimada!
Quem nos livra desta corja de imbecis?
Março 26, 2008 at 2:59 pm
Ricardo,
Respirar fundo.
Oxigene lá o sistema.
Março 26, 2008 at 3:06 pm
Nós também fomos encobrindo alguns casos estranhos na nossa Classe! Certo!? É não admitimos generalizações. Eu não admito essas generalizações, mas sou realista. Tenho dois filhos no sistema….os casos vão do Excelente ao Mau!Considero que ambas as coisas são boas para eles.
Março 26, 2008 at 3:09 pm
Não podemos comparar classes e funções… As especificidades de cada função não o devem permitir. Ninguém vê um professor a meter-se em questões puramente médicas. Podemos sim, considerar que o SNS não se encontra nos seus melhores dias, mas apenas podemos falar a nível da organização. Tal como um médico pode falar sobre o sistema educativo público. Agora, tornar todos, repito, todos, os temas ligados à educação, numa espécie de debate público onde todos são doutorados na matéria, é sinal da impunidade e da desfaçatez com que se fala de Educação hoje. Citando uma frase em voga nesta altura, todos são treinadores de bancada…
Março 26, 2008 at 3:14 pm
Ora aí está um conselho que agradeço, e que também recomendo a todos os colegas, para bem da nossa saúde!
Já lidávamos com garotos mal-educados, agora temos que lidar com matulões e matulonas sem tino! É a nossa sina!
Obrigado, Paulo
Março 26, 2008 at 3:52 pm
Médicos e enfermeiros a falar de “indisciplina na escola” tem a sua piada… eles que recorrem ao Haldol, Largactil, Nozinan, Atarax, etc… e aos imobilizadores e grades para “contolarem” os doentes mais “nervosos” e “excitados”… hehehe… já para não falar que até à polícia chegam a recorrer, quando algum “lhes vai às ventas”! Sim, conheço muitos casos relatados “na 1.ª pessoa”…
Março 26, 2008 at 4:16 pm
Várias vezes tenho referido de que toda esta “bandalhice” a que chegaram as escolas no capítulo da indisciplina de alunos, tem e sempre teve os seus actores ideológicos. OS VERDADEIROS CULPADOS na minha óptica!
As declarações de Luís Portela prova o que estou a dizer.
Mas existem mais…
Quando será que estas “luminárias” se calarão de tanta asneira e má fé intelectual?
Pelo que diz Luís Portela é um ignorante! Não conhece a realidade nem admite o óbvio.
É para esta gente que sócrates e MLR governam?
Vão dar banho ao cão!
Março 26, 2008 at 4:20 pm
Ó np (comentário 36), se eu me começo a lembrar de coisas que já vi e que já aconteceram comigo em urgências hospitalares, relativamente a certos médicos, então muito teria que dizer e, muito deveria ser avaliado.
As pessoas deveriam estar caladas e remeterem-se às suas profissões.
Março 26, 2008 at 4:54 pm
Alguém pode dizer a esta pessoa que:
Índios da Amazônia colocam vídeo no YouTube e lançam novo hit
Grupo Eware, da tribo Ticuna, faz sucesso no Peru e na Colômbia com ‘Minha princesa’.
Nova canção ‘Se não fosse você’ é interpretada por Genaro.
Este deve ser um assunto mais adequado para o “Sr. Dotô” comentar…
Março 26, 2008 at 5:29 pm
Este texto é uma rematada parvoíce…
Eu acho que se poderiam aplicar umas multas aos pais destes meninos que só fazem disparates e todos passaríamos a poder usufruir daquilo a que temos direito. Penso que todos os alunos têm direito a aprender e os professores o direito de ensinar… ou será que o único direito reconhecido é o de fazer asneiras e disparates a torto e direito??? e ainda levar palmadinhas nas costas de alguns psicólogos, outros doutores e claro dos formados em eduquês???
Março 26, 2008 at 6:22 pm
Mas eu respondo: este gajo é um ” adiantado mental ” ou sofre de esquizofrenia congénita!
António
Março 26, 2008 at 9:18 pm
Idiota. Disse.