A menos que queiram entupir os Tribunais de Menores.
Aluna no Tribunal de Menores
A aluna da Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, envolvida no incidente de violência com uma professora por causa de um telemóvel vai ser alvo de um processo no Tribunal de Menores do Porto. A decisão, soube o JN, foi ontem tomada pelo Ministério Público (MP) e visa apurar se a jovem cometeu algum ilícito penal durante a cena filmada e transmitida na Internet, através do portal “YouTube”, ou noutra ocasião. No final do processo, se houver razões para isso, pode vir a ser-lhe aplicada uma “medida tutelar educativa”, visando a “educação para o Direito”, conforme estipula a lei aplicável a menores.
O que se passou em concreto, e por uma vez estou de acordo com o SE Valter Lemos (aleluia!!!), é perfeitamente solucionável no ambiente no contexto escolar.
Porque se isto vai parar – apesar de toda a sua gravidade – ao Tribunal de Menores passamos a ter dezenas de casos destes por cada período e o resultado não passa de um repreensão com cenho franzido do juiz.
Há que também – não desculpando ou pós-modernizando a responsabilidade – saber encarar a verdadeira proporção da ocorrência. Ainda não é um caso de polícia ou de Tribunal.
Outros haveria muitos antes deste…
E não é desta forma que se arranjam «casos exemplares», porque assim acaba por ser o descrédito e a desculpa para os relativistas se insurgirem contra o autoritarismo e a repressão e lá ficamos pior que na mesma.
Março 26, 2008 at 2:48 pm
OPINIÃO Publicado 25 Março 2008 13:59
Miguel Frasquilho
Carolina Michaëlis: Para Onde Vamos?!…
Volto hoje a escrever sobre Educação, depois do texto de há quinze dias em que abordei a polémica entre Professores e Ministério da Educação. Resolvi fazê-lo porque, a esta altura – escrevo este texto no fim-de-semana de Páscoa –, ainda estou em estado de choque com o sucedido há duas semanas atrás na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, e que …
Volto hoje a escrever sobre Educação, depois do texto de há quinze dias em que abordei a polémica entre Professores e Ministério da Educação. Resolvi fazê-lo porque, a esta altura – escrevo este texto no fim-de-semana de Páscoa –, ainda estou em estado de choque com o sucedido há duas semanas atrás na Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, e que nos devia fazer reflectir a todos sobre a sociedade em que vivemos (ou em que nos estamos a transformar), que país queremos e qual o caminho que estamos a seguir.
Graças à filmagem de um aluno (através do seu telemóvel) e ao famoso “site” YouTube (onde o vídeo foi colocado), pudemos ver na televisão o que se passou numa aula de Francês do 9.º ano de escolaridade (o último ano do Ensino Básico): uma aluna agrediu a professora pelo facto de não ter concordado que esta lhe tenha retirado o telemóvel – com o qual estaria, certamente, a perturbar o normal funcionamento da aula (e onde a sua utilização é, aliás, proibida).
Na verdadeira luta havida entre estudante e professora, ouve-se por diversas vezes “dá-me o telemóvel, já!” e “dá-me o telemóvel!”, expressões proferidas pela aluna numa inacreditável gritaria (e sim, é verdade – imagine-se!… –, tratando a professora por “tu”!). Perante este cenário, já de si chocante, ouve-se os risos do resto da turma, divertida com o que estava a acontecer. Só passado algum tempo os outros alunos resolvem intervir para tentar separar professora e aluna, sendo que, durante a disputa, a professora tenta chegar à porta para pedir ajuda mas é impedida pela aluna (cujo físico, mais possante, lhe conferia vantagem). Em determinada altura, ouve-se um dos alunos dizer “a velha vai cair” (sim, é verdade, com a professora presente!…). Pouco tempo depois a reportagem acaba e, por tudo o que me foi dado ver, fiquei com a percepção de que a aluna conseguiu, pela força, reaver o seu telemóvel.
Não é preciso muito para percebermos que o que se passou na Escola Carolina Michaëlis é extremamente grave. E o pior é que todos temos a noção de que, como outros professores entretanto já confirmaram, este não é um acontecimento tão isolado assim. Nem sequer me estou a referir aos casos, de que com alguma frequência ouvimos falar, de actos que ocorrem em escolas implantadas em zonas consideradas mais problemáticas, perpetrados por estudantes que as frequentam. Até porque essas escolas, fruto da sua natureza, são, tanto quanto sei, objecto de uma maior vigilância e protecção em relação a um estabelecimento de ensino dito “normal”. Não.
O problema, do meu ponto de vista, é estrutural: creio que hoje se terá perdido, em grande parte, a noção de que, a seguir à instituição “família”, as instituições “escola” e “professor” são as mais importantes na construção de uma sociedade desenvolvida, equilibrada e onde o respeito, a consideração e a educação sejam, de facto, valores colocados em prática. Os professores, seja no Ensino Básico, Secundário ou Universitário, são alguém que, tal como os pais, nos prepara para a vida, nos confere ensinamentos e práticas essenciais – cabendo, portanto, aos pais, a tarefa de incutir nos filhos o respeito que devem a um professor.
Recordo-me de, algumas vezes, nos meus tempos de estudante, me ter queixado de professores aos meus pais. Pois bem: nem por uma vez me foi dada razão! Em algumas dessas situações os meus pais deslocaram-se à escola para saber como ia o meu rendimento, como me estava a portar, etc. Quer dizer: por mais que eu achasse que tinha razão (e naquela altura achava), nunca os meus pais ma deram! Não creio que tenham feito mal (ainda que na altura me tenham certamente desiludido): este foi também um meio pelo qual me apercebi de que o professor mandava de facto, de que tinha autoridade e o melhor que eu tinha a fazer era obedecer. Aliás, apesar de quando estudei não existirem telemóveis (como o tempo passa!…), olhando para o que se sucedeu há duas semanas atrás, se eu fosse o aluno e o meu telemóvel importunasse a aula (porque, por exemplo, me tinha esquecido de o colocar em silêncio ou de o desligar), pediria imediatamente desculpa pelo sucedido e garantiria que não voltava a acontecer. Se o telemóvel me fosse confiscado, paciência: reavê-lo-ia no fim da aula? Nem outra forma de agir, aliás, me passaria pela cabeça!
O caso agora divulgado revela toda a falta de respeito e consideração que hoje se tem na sociedade pela figura do professor. Será tolerável que uma aluna trate a professora por “tu”, como vimos neste caso?!… E que tente, recorrendo à violência, obter algo que a professora justamente lhe havia retirado (o telemóvel)? Ou que outro aluno trate a professora – presente – por “velha”?! É que não conheço ninguém que, enquanto aluno, não tenha caracterizado algum professor com expressões, digamos, “menos recomendáveis” – mas tal não sucedeu, certamente, na sua presença?
Acontece que, hoje, muitos pais defendem sempre os seus filhos? contra os professores, por vezes de forma muito pouco educativa. Prevenir que situações como a da Escola Carolina Michaëlis deixem de acontecer é, pois, e desde logo, uma responsabilidade das famílias (que tem a ver com a educação, com os valores a incutir nas crianças), mas é também uma responsabilidade do Ministério da Educação que nos últimos tempos tem contribuído para denegrir a imagem e a força da figura do professor. Dois exemplos elucidativos: os professores têm, sem dúvida, de ser avaliados, como acontece em todas as outras profissões, mas não com o modelo burocrático, centralizado e em-algumas-etapas-sem-sentido que foi proposto por este Governo (como há duas semanas escrevi) e que em nada tem contribuído para elevar as relações entre docentes e Ministério, nem a imagem dos professores na sociedade. E convenhamos: não é o novo Estatuto do Aluno, onde se torna a reprovação por faltas praticamente impossível (e que é, portanto, um verdadeiro convite à falta e ao “gazetismo”), que contribuirá para devolver à figura do professor a autoridade que se foi progressivamente perdendo e que é imperioso que lhe seja devolvida.
É claro que existirão sempre excepções e para elas, não pode haver contemplações: os alunos devem ser exemplarmente punidos e corrigidos, quer pela escola, quer, sobretudo, pelos pais (claro que não me refiro a punições físicas, não – ainda que pense que as então famosas “reguadas” que apanhei na escola primária não me tivessem sido nada prejudiciais, muito pelo contrário). Neste caso, a escola poderá adoptar a punição mais elevada – que, ao que sei, passa pela expulsão e transferência da estudante para outro estabelecimento de ensino. Em casa, impedir a utilização do telemóvel durante um (longo) período será, certamente, numa época em que os telemóveis são encarados como fundamentais, um castigo que a aluna não esquecerá…
Agora, se a impunidade for a regra, então, caro leitor, estamos mesmo perdidos, porque esta jovem aluna de hoje pertencerá à força de trabalho de amanhã. Que atitude terá no seu local de trabalho? Será responsável? O que fará se for chamada à atenção pelo seu chefe? Será mal-criada ou violenta? E se ela for chefe, como exercerá a sua autoridade? Se já se percebeu onde quero chegar, não é verdade? Os nossos procedimentos enquanto crescemos são fundamentais para o que seremos enquanto adultos: o que aprendemos na escola hoje é o que faremos profissionalmente amanhã; e um país em que os seus habitantes não têm noção nem das regras, nem da responsabilidade, nem reconhecem a autoridade, nunca será economicamente desenvolvido nem socialmente equilibrado e justo, estando, assim, condenado ao fracasso. Todos devíamos, pois, ponderar muito no caso conhecido da Carolina Michaëlis. Para, ao menos, nos interrogarmos: para onde vamos?!…
Março 26, 2008 at 2:56 pm
A posição da PGR tem merecido pouca atenção.
Anteontem, em entrevista, o sr. PGR declarava que iria encarar os problemas da disciplina e da violência da escola como uma prioridade. Não creio que nestas alturas, o mais alto responsável da investigação criminal em Portugal tenha de vir cavalgar a crista da onda mediática, para aparecer nos telejornais, mas tudo bem. Talvez a intenção fosse dar um sinal positivo de preocupação e ao mesmo tempo de segurança para professores, alunos e famílias.
Afinal lê-se hoje no Público que a PGR tem recebido nos últimos tempos dezenas de queixas sobre violência nas escolas. Mas afinal o que fez com elas? Porque não exerceu o seu dever de as investigar?
Concordo totalmente com a opinião do bastonário da ordem dos advogados, ontem na SIC Notícias – o dever das autoridades de investigação criminal e policiais é de falar menos e agir mais.
O sr. PGR perdeu uma boa oportunidade de continuar (ou passar) a dar prioridade aos casos de violênca nas escolas, investigando até ao fim as queixas que tem na sua posse. E com isso demonstrar cabalmente, com actos, a sua determinação face ao tema da violência da escola. Ganharíamos todos com isso.
Março 26, 2008 at 2:56 pm
Discordo totalmente do que afirmaste Paulo
já pouca coisa é solucionável no ambiente no contexto escolar, pelo menos na minha Escola tenta-se tapar o sol com a peneira.
E é bom que surgam dezenas de casos destes por cada período mesmo que resultado não passa de um repreensão com cenho franzido do juiz como dizes.Porque é um sinal de aviso para muitos Pais que só de pensarem em ver os filhos a ter que lidar com os tribunais pode significar uma modificação de atitudes e um consequente abrandamento da violência escolar.
Não é um caso de proporção mas de estratégia, há que acolher a ajuda do Procurador não demos tiros nos pés porque de heróis temos muito pouco, é um caso de Tribunal, poderá não ser dos mais graves mas é.
E de certeza que ficamos melhor , para pior já basta assim.
Março 26, 2008 at 2:58 pm
Ana,
Este caso não é para Tribunal, na minha opinião.
É para uma posição firme no contexto da Escola.
Passar o assunto para o Tribunal é confessar que não há sequer capacidade de reagir internamente.
E ainda há.
Apesar de tudo.
Março 26, 2008 at 3:03 pm
Não sei se é ou não um caso de tribunal. Nem creio que ninguém saiba, para sermos honestos, antes do inquérito estar concluído.
Quando o inquérito estiver concluído, se o CE considerar que existe matéria criminal apresente a respectiva participação. Ou então se a PGR – no exercício do seu direito e perante uma certidão do processo – considerar que os factos configuram um delito criminal.
Deixemos as autoridades de investigação criminal preocuparem-se com casos – esses sim de natureza criminal – que existem na escola: agressões, roubos, extorsões, violações. Casos esses, que devem ser comunicados sempre que assumam características criminais. E que devem ser investigados.
Daqui a pouco estamos a defender a pena de morte como solução…
Março 26, 2008 at 3:04 pm
“Passar o assunto para o Tribunal é confessar que não há sequer capacidade de reagir internamente” mas essa é a realidade numa grande parte das Escolas estive numa 9 anos e vi a polícia ser agredida bem como Professores e queremos nos recusar ajuda?
Não Paulo se queremos valer os nossos direitos e integridade física há que reconhecer a disponibilidade do Procurador
Março 26, 2008 at 3:06 pm
Atento,
Tudo bem, as averiguações e tudo isso.
Mas acho que já percebemos razoavelmente o que se passou.
A proceder nesses termos, criminais, acho que teria maioria de razão ser contra o autor da inclusão do vídeo no You Tube, por manifesta devassa da privacidade dos filmados.
Março 26, 2008 at 3:06 pm
Aqui ninguém está a exagerar eu própria já presenciei a entrada de dois polícias à paisana de caçadeira de canos cerrados porque um gang dentro da Escola se encontrava a agredir dois outros Polícias da Escola Segura. Passou-se no cacém
Março 26, 2008 at 3:08 pm
Queixamo-nos e depois queremos ser a nós a resolver o assunto , só este ano já dosi colegas meus sofreram tentativas de agressão. E lá vem uma suspensãozita que até agradecem
Março 26, 2008 at 3:09 pm
Ana,
Mas para esses casos de gravidade evidente é que se deve guardar esse tipo de recursos.
Até porque já assisti a situações dessas que acabaram – e bem – em Tribunal.
Ocorridas dentro da Escola e nas suas imediações.
Mas, por exemplo, quando um aluno me ameaçou há uns anos, com testemunhas, que «lá fora parto-te os cornos», nunca me ocorreu recorrer ao Tribunal.
Admito que imprudência minha.
E o tipo era bem maior que eu.
Quanto ao que relatas, que eu bem sei existir, já defendo uma intervenção bem mais musculada.
Aquela que o ME quer fazer crer que não é necessária.
Março 26, 2008 at 3:09 pm
Ana,
Está a exagerar face ao caso em apreço. Parece-me, a não ser que novos dados surjam no inquérito. Outros sim, devem ser investigados como crime.
Março 26, 2008 at 3:11 pm
http://br.youtube.com/watch?v=8hG45w58L0o
Março 26, 2008 at 3:12 pm
um dos problemas deriva, precisamente, dos professores não reconhecerem a fronteira entre o que é “caso de escola” e o que é “caso de policia”. E, nos últimos meses, as diferentes opiniões entre o PGR e a ME só serviram para confundir quem já não estava elucidado!
Ou acham que a grande maioria dos delinquentes com actividade criminosa não passam pelas escolas?
E o que é que a escola faz para travar a delinquência? Nada, porque acha consegue resolver os problemas em contexto de escola.
Março 26, 2008 at 3:14 pm
Não estou a exagerar em mais de 20 anos já vi quase de tudo, Professores agredidos dor EE e alunos, carros vandalizados e Professores enxovalhados BASTA.
Ao menos que este seja um exemplo, obviamente que não estou a defender o internamento da miúda mas uma ida ao Tribunal ouvir o Sr Juiz pode ser muito proveitosa para ela e um alerta para os outros
Março 26, 2008 at 3:22 pm
GRAVE
NUMA ESCOLA DA PORTELA
http://br.youtube.com/watch?v=NgLEU6Vg5jU
Deste caso ninguém falou
Março 26, 2008 at 3:33 pm
Também considero despropositado o envio do caso para o Tribunal de Menores. Mas compreendo a posição do Procurador Geral da República que, desde há algum tempo, vem a chamar a atenção do Ministério da Educação para os casos de violência nas escolas. Perante o agravado autismo crónico de Lemos, Lurdes e Pedreira, o PGR foi obrigado a emitir uma mensagem mais forte. Mesmo assim, duvido que oiçam.
Março 26, 2008 at 3:40 pm
Primeiro queixam-se da indisciplina agora já é despropositado? Não entendo
Março 26, 2008 at 3:41 pm
Assim não vamos lá mais vale desistirmos de tudo e esperar por D. Sebastião para resolver os problemas de educação
Março 26, 2008 at 3:42 pm
Com tanto pessimismo nunca iremos lá
Março 26, 2008 at 3:43 pm
O Tribunal só irá verificar se aquela menina não estará “em risco”…
Março 26, 2008 at 3:43 pm
Ana,
Há que ter a noção da escala da gravidade dos comportamentos.
O que é grave em termos de indisciplina pode não ser caso de Polícia.
Pode ser caso de ter formas e regras de actuação na Escola, com os órgãos de gestão a saberem como lidar com as coisas e os colegas sem medo de reportarem os casos.
Acabar com a cultura de silêncio e vergonha.
Outra coisa é recorrer para o Tribunal de Menores.
Mas esta é a minha opinião, apenas.
Se fosse eu o envolvido naquele episódio quereria que a Escola agisse em conformidade.
Não o Tribunal.
Março 26, 2008 at 3:45 pm
Tambem penso que nao ha necessidade.
Para casos futuros desta gravidade, poderia haver uma penazita de expulsao, suficiente para o aluno perder o ano.
A possibilidade do educando ficar sem fazer nada em casa,e perder o ano,ira operar maravilhas a nivel do empenho educativo por parte dos EEs.
Fala-se muito em descentralizar, pois descentralize-se a responsabilidade de educar.
E responsabilize-se os alunos pelos seus actos, acabe-se de vez com a infantilizacao destes.
Março 26, 2008 at 3:47 pm
Despropositado e inadequado, porque não é com a criação de bodes expiatórios que se resolvem os problemas. Há numerosos casos tão graves ou mais do que este. Para mim, havendo recurso ao Tribunal de Menores, o autor do vídeo devia também ser citado. E assim o as agressores da auxiliar em Tarouca.
Sobre indisciplina veja-se a posição da Fenprof, em comunicado de hoje:
http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=226&doc=3246&mid=115
Março 26, 2008 at 3:48 pm
Mas toda a gente sabe que os Conselhos Executivos têm medo de actuar caramba qual é o problema de a menina ir a Tribunal
Março 26, 2008 at 3:49 pm
Completamente em desacordo com o Paulo e de acordo com a Ana. Tribunal, sim. Para que os alunos entendam que a) os seus actos têm consequências; b) a sociedade não aprecia os seus actos. As pessoas não podem estar todo o tempo a queixar-se que es escolas não têm instrumentos para resolver os problemas internamente (e não têm) e dps acharem excessivo o recurso ao tribunal. Não foi o Paulo que, num recente um post sb autoridade e poder, reconheceu que o poder “falha por completo” (cito) no que respeita aos professores?
Não podemos criticar os facilitismos dos estatutos dos alunos e, ao mesmo tempo, recusar caminhos mais enérgicos que podem, esses sim, funcionar como sinais claros de desagrado da sociedade perante certros comportamentos.
Afirmar, como Paulo o fez, que situações de violência podem ser resolvidas exclusivamente em contexto escolar significa aceitar que o Estatuto do Aluno é suficiente para as resolver. E não é.
Março 26, 2008 at 3:56 pm
Ulisses,
(estou a bater na madeira antes de escrever o início do que vou escrever)
É necessário distinguir o que está mal no Estatuto do Aluno – ausência de medidas preventivas, incoerência ou inutilidade dos conceitos (caso do artigo 9º onde se não define o que é vivência escolar) – do que ainda resta às escolas em capacidade de intervenção. Com o 270/98, que era uma lástima, estive numa Escola onde o fizemos funcionar, puxando todas as alíneas até aos seus limites.
Claro, há quem discorde disso.
O novo Estatuto do Aluno é uma lástima em termos de irresponsabilidade, mas principalmente quanto à assiduidade e desautorização dos Conselhos e Turma.
Mas casos como este são passíveis de solução.
Acho eu.
Mas não estou por aqui para concordar com tudo ou para que todos concordem comigo.
Eu sei o que faria, já lá acima o escrevi.
Se me disserem que foi o Ministério Público que tomou a iniciativa, OK, mas então era melhor irem atrás do tipo que colocou o vídeo online.
Serviço público ou devassa da privacidades, escolham uma hipótese.
Março 26, 2008 at 3:59 pm
Paulo: li algures que o inquérito que se está a fazer também visa o autor do video…
Março 26, 2008 at 4:02 pm
Foi o Ministério Público que tomou a iniciativa e o autor do vídeo também irá ser chamado
Paulo aceito a tua opinião mas volto a reafirmar a minha totalmente inversa
Março 26, 2008 at 4:05 pm
Ana, concordamos em discordar, o que é normal e salutar.
Março 26, 2008 at 4:06 pm
Se o comentário anterior pareceu demasiado consensual,levem isso à conta de uma falha involuntária.
Março 26, 2008 at 4:08 pm
Paulo precisamos é de ser unidos para que lá fora não passe a ideia de que a classe é uma classe de preguiçosos que não querem trabalhar. Penso estarmos unidos mais do que nunca
Março 26, 2008 at 4:10 pm
np e ana
exactamente o que eu e outros aqui e algures já tínhamos defendido – identificação e investigação ao autor do vídeo e de quem o colocou na net que pode não ser o mesmo. Por acaso, não tinha pensado na aluna em foco, mas, se os juízes estivessem vocacionados para este tipo de situações, não faria nada mal a menina contribuir com umas horinhas para a comunidade, se calhar educativa: ler histórias aos mais pequenos durante x horas poderia ser uma hipótese… Não podemos ter medo de chamar as coisas pelos nomes e o que etes meninos que gravaram e divulgaram foi crime, chamem-lhe ilícito criminal que é o mesmo. O nosso amigo Paulo crê que , como ele seria competente para aplicar uma medida justa, imagina que os outros farão igual…e eu duvido. Vai servir , com certeza , de exemplo. E depois?
Março 26, 2008 at 4:15 pm
Neste país passa-se cá com uma facilidade do 8 para o 80…!
É evidente que se passamos a depender dos tribunais para manter a disciplina nas escolas, estamos bem tramados!! Mais uma desautorização! São as escolas e os professores que têm que ter os mecanismos para poder actuar. Ou só temos acção quando o facto é divulgado no you tube?
Março 26, 2008 at 4:18 pm
A FENPROF ataca o problema da indisciplina na escola com a sua dialéctica marxista:
“Procurar conhecer as causas sociais, políticas e económicas que levam ao seu recrudescimento ou, pelo menos, à sua maior incidência em determinados períodos ou em determinadas escolas e comunidades, identificar as situações subjectivas e objectivas que levam a que esses comportamentos surjam e tomar medidas que reforcem a autoridade dos docentes e uma maior responsabilização das famílias e da administração educativa são tarefas inadiáveis”.
Percebe-se bem que esta lenga-lenga saíu da cabecinha de um tonto que em tempos leu o “Que Fazer?” de Lenine, onde pontificavam as célebres “situações subjectivas e objectivas” da “análise concreta da situação concreta”.
Em nenhum momento a FENPROF assume que o estado actual da educação em Portugal é o resultado das políticas com que pactuou ao longo dos últimos 33 anos !!!
A indisciplina não é de agora, não caíu do céu com este governo, mas dá jeito fazer acreditar que é assim.
Março 26, 2008 at 4:28 pm
Paulo:
1- Não entendi essa do bater na madeira…
2- “Mas casos como este são passíveis de solução.”. Não são não. Pq o EA não prevê a expulsão da escola. 10 dias de suspensão? Não brinquemos. Transferência de escola? Isso foi o que fizeram, na mesma escola, em dezembro, a uma outra aluna, mandando-a para uma escola para onde ela já tencionava ir… Só se a solução for branquear o caso…
No inquérito do PÚBLICO, 84% a favor do caso em tribunal e 16% contra.
Março 26, 2008 at 4:50 pm
Sempre gostava de conhecer os modelos de análise que não consideram as condições objectivas e subjectivas. Consideram o quê? A metafísica? A facilidade com que alguém avalia os outros como tontos,não será um sinal de grave disfunção?
Já era assim, ou ficou pior depois de ler o livro de Jorge Semprun?
Março 26, 2008 at 4:50 pm
Ulisses,
«Bati na madeira», porque me senti quase um sociólogo isctiano de um Observatório qualquer a querer fazer «distinções».
Com o actual clima a transferência poderia ser suficientemente «exemplar» e a DREN até ajudaria, para acalmar as coisas.
Quanto à sondagem, pois é, nunca disse que tenho as ideias mais populares…
Março 26, 2008 at 5:01 pm
E qual é o problema se dependermos dos Tribunais, até agora dependemos das Escolas e é o que se vê, também já não dependemos da Escola Segura?
Não vejo qualquer desautorização,quais mecanismos? Os processos intermináveis que decorrem nas Escolas muitos deles sem surtirem efeito
Março 26, 2008 at 5:02 pm
O problema da indisciplina nas nossas escolas reside muito de uma doença que ocorre nas nossas escolas:
” a gavetisse ” – participação escrita de indisciplina dos alunos que passa para a gaveta, algumas vezes do DT, muitas vezes do CE
Março 26, 2008 at 5:03 pm
Eu acrescentaria a 39 “comodismo”.
Março 26, 2008 at 5:04 pm
E muitos CE’s gostam de esconder a indisciplina nas Escolas! Infelizmente!
Março 26, 2008 at 5:28 pm
Ana tem TODA a razão! O direito à integridade física e à integridade moral(não houve agressão?-como é possível? Maltratada, Agarrada, empurrada, impedida de pedir auxílio… será que para haver agressão teria que levar um murro na cara e ter que ir parar ao hospital), o direito à segurança no trabalho, a liberdade e o dever de ensinar…
Se for violência, agressão, roubo contra outras crianças a escola também resolve? – Não brinquem!
Aquilo que temos hoje em diversas escolas é a cultura do medo, a lei do mais forte e a incapacidade de proteger crianças e jovens de comportamentos normais!
Denuncie-se e sempre que for caso disso queixa na polícia e processo em tribunal (de professor, de funcionário ou aluno)! Já chega de impunidade – escola não responde e crescentemente vem perdendo capacidade de responder…não deixo de sentir alguma curiosidade sobre a punição que alguns proporiam à menina – no âmbito da escola, claro está! (lembrem-se que a transferência tem que ser autorizada pelo Director Regional e dessa decisão cabe recurso…)
Março 26, 2008 at 5:38 pm
O que é que a FENPROF e o Pedro Castro têm a dizer sobre o aluno-centrismo ser a pricipal razão do aumento da violência nas escolas, uma vez que o docente, segundo este modelo, passa a estar ao serviço do aluno, já que este no seu papel de cliente de um serviço público tem o direito de exigir que seja bem atendido de acordo com a sua vontade e necessidade expressa ????
Como é que a FENPROF e o Pedro Castro analisam e separam a “situação subjectiva” da “situação objectiva” neste problema ????
E repare que o problema não é novo, pois já há 2500 anos Platão dizia que
“Lorsque les pères s’habituent à laisser faire les enfants, lorsque les fils ne tiennent pas compte de leurs paroles, lorsque les maîtres tremblent devant leurs élèves et préfèrent les flatter, lorsque finalement les jeunes méprisent les lois parce qu’ils ne reconnaissent plus au-dessus d’eux l’autorité de rien ni de personne, alors c’est là (…) le début de la tyrannie”
Março 26, 2008 at 6:04 pm
picareta-na-cabeça-de-trotsky, tem razão quando diz “aluno-centrismo ser a pricipal razão do aumento da violência nas escolas”, mas não isto não descura o problema de existir um certo “comodismo” nas escolas quanto à indisciplina, comodismo esse, em parte, resultado da burocracia que existe nos mecanismos processuais disciplinares!
Março 26, 2008 at 6:05 pm
Relativamente à intervenção do Tribunal de Menores e ao seu entupimento- entupido já ele anda- o problema principal parece-me ser a morosidade de actuação (que não sei se virá a ser um mero cenho franzido ou outra sanção mais significativa). Tenho conhecimento de casos de menores em grande risco- aqui a problemática é diversa- por resolver há anos. Em matéria disciplinar, a pedagogia da punição perde-se se não for aplicada atempadamente e, nesta matéria, a actual legislação também deixa muito a desejar. Mesmo quando havia a possibilidade de transferência de estabelecimento, cheguei a presenciar casos de alunos transferidos que traziam o gangue “de estimação” para o portão de escolas nunca dantes premiadas com este tipo de frequência, tendo os CEs de pedir reforço policial e presenciando-se, em zonas pacatas, autênticas situações de Bronx no seu melhor, com direito a rusgas e a jovens encostados à vedação. Nesta matéria não me sinto apta a ter as certezas que têm os comentadores antecedentes.Uma aposta numa legislação não permissiva e hierarquias firmes seria desejável, mas será isso suficiente em zonas mais problemáticas?
Março 26, 2008 at 8:46 pm
Concordo com o JF e a Ana “Aquilo que temos hoje em diversas escolas é a cultura do medo, a lei do mais forte e a incapacidade de proteger as crianças e jovens de comportamentos normais!”
Isto tem de acabar o mais depressa possível, nada como a ajuda dos tribunais.
Março 27, 2008 at 12:37 am
Sabe-se agora, que a professora do vídeo, comunicou o caso ao CE, mas não formalizou a participação.
Parece-me que outras reflexões virão ao de cima.
Por isso, considero positivo que, a partir de agora, os CE e os DT, tenham que pensar duas ou três vezes, antes de “engavetar” a participação de um professor, ou ainda, antes de tentar as tácticas dissuasoras que muitos colegas conhecem.
É que os papéis podem ter asas…e voar para a opinião pública.