A culture of evaluation in Danish schools
By Minister for Education Bertel Haarder
(…)
In 2004, the Danish Evaluation Institute published an evaluation which showed that the evaluation culture in the Danish primary and lower secondary school system is very poor, even though it was integrated in the Folkeskole Act already in 1993 that running tests and evaluation must be made as part of the teaching activities. A group of experts from the OECD have pointed out the same issue.
For this reason, an extensive pedagogical tool kit will now be made available to the individual teacher. The toolkit will provide information on evaluation methods and initiatives to be taken in order to remedy a pupil’s poor progress in a given subject.
As part of this initiative, we shall introduce ten compulsory tests to be passed during the course of primary and lower secondary education: four reading tests, two mathematics tests and one test in each of the four subjects of English, physics/chemistry, geography and biology. The tests will be developed on the basis of the most recent research on each subject area. They are adaptive, that is, that they adapt to the skills base of the individual pupil. The pupil will answer some initial questions that determine the level of difficulty of the subsequent questions. This process provides a profile which the teacher can apply to the teaching approach. The tests take up a relatively modest amount of time (approximately ten hours of the approximately 7,000 hours that make up the course of primary and lower secondary school), but they constitute a solid investment in monitoring the progress of a pupil and in dealing proactively with poor learning results.
The test results will be confidential in relation to the individual pupil, the class, the school, the municipality and the region. The results may not be applied to ranking the pupils. Each year a national performance profile will be published at national level for the individual subjects, so that for instance the teacher will be able to compare the results of a given class with the general achievement level for Denmark as a whole. Without ranking.
(…)
The responsibility for the schools rests with the municipal councils. An evaluation carried out by the Danish Evaluation Institute in 2005 shows that in practice there are great differences in the way this responsibility is administered. Therefore, the bill incorporates the demand that municipalities must draw up a quality report every year to describe the schools of the municipality, the academic level achieved and the pedagogical development, etc.
In addition, the local authority must draw up action plans to improve the level in cases where an overall assessment shows that the academic achievement of a given school is not satisfactory. All findings and initiatives must be discussed by the municipal council, so that the elected representatives will be provided with a basis for monitoring the development. It is important that management at all levels, as well as the Ministry of Education and research scientists are provided with better documentation of good practice. I am looking forward to the point at which we shall be able to “praise” our way to better schools rather than becoming depressed by underachievement.
Quem diria?
Março 25, 2008 at 10:34 am
Só para que não haja confusões na leitura deste texto do Ministro da Educação da Dinamarca: a avaliação de que aqui se fala é uma avaliação dos estabelecimentos de ensino, baseada na avaliação das competências e conhecimentos adquiridos pelos alunos. Não é uma avaliação dos professores.
Repare-se em alguns aspectos:
a) A responsabilização local da gestão e melhoria da qualidade das escolas, em vez de ser fruto de um mamute como o ME português, por muito que isso custe a quem defende uma gestão centralizada do sistema escolar.
b) A necessidade de estabelecer avaliações-padrão e de reforçar os mecanismos de avaliação de conhecimentos, desde o início da carreira escolar dos alunos.
c) A necessidade do reforço de uma cultura de auto-avaliação ao nível da escola.
O EVA (o Inatituto de Avaliação da Dinamarca) é uma agência de avaliação externa, para avaliação das escolas (não dos professores). Não sei se é em instituições deste tipo que o líder da oposição pensou para avaliar os professores, quando fez a proposta que é pública. Se o é, revela um enorme conhecimento do que é avaliação.
Março 25, 2008 at 10:41 am
Eu inclui aqui este texto com três objectivos principais:
a) Chamar a atenção para a sensação vivida na Dinamarca quanto ao seu sistema de ensino.
b) Destacar a preocupação com a obtenção de resultados com a avaliação dos alunos, mas não fazendo uma relação directa com o estabelecimento de rankings.
c) A constatação que a municipalização das responsabilidades educativas, mesmo num país do 1º mundo, pode conduzir a grandes assimetrias.
A parte da avaliação dos docentes não era nenhum desses objectivos.
Quanto a Menezes, acho que provavelmente não estará bem a par deste sistema, caso contrário seria fácil acrescentar as palavras “como na Dinamarca”.
Março 25, 2008 at 10:55 am
Caro Paulo Guinote:
Creio que há um erro de lógica: pensar que se não houvesse municipalização do ensino as assimetrias seriam inferiores (”pode conduzir…” – o que implica que antes as assimetrias seriam menores). Isso radica na concepção de que sistemas centralizados são mais eficientes do que sistemas descentralizados de ensino. Não partilho desta ideia, nem este documento põe em causa o princípio da descentralização. Pretende antes reforçá-lo com a necessidade de instrumentos de monitorização da qualidade e com o desenvolvimento de uma cultura séria de auto-avaliação.
A existência ou não de rankings é secundária. Se os dados estiverem acessíveis, quem os quiser efctuar pode sempre fazê-los.
Março 25, 2008 at 11:06 am
Curiosamente os Conselhos Municipais de Educação teriam competências para trilhar os caminhos apontados neste texto.
Mas quer os docentes quer as autarquias quer os representantes dos diferentes órgãos com assento nos Conselhos preferiram deixar estar tudo como estava, uma vez que ninguém se mostra muito interessado (ou com reais poderes) em alterar o actual “statu quo”, uma vez que não existe qualquer debate digno desse nome, em Portugal, sobre o modelo educativo que se pretende seguir.
A prová-lo está a condenação hipócrita do episódio do telemóvel, mesmo da parte dos responsáveis que ajudaram a construir este modelo decadente de escola “emancipadora”, erguida em ruptura com o passado e contra a autoridade “não negociada” do docente.
A “esquerda”, para ser consequente, deveria apoiar a justa atitude da aluna que se insurgiu contra a prepotência da docente, uma vez que a luta de classes passa também pela sala de aula.
Mas não, de forma errática agarra-se agora à vitimização da classe docente contra a figura malévola da Ministra, essa figura do Mal.
Como nunca conseguiram ter uma posição coerente sobre a escola “emancipadora”, andam aos zig-zags como mosquitos-dengue em busca daqueles que se apresentam como as “vítimas” ideais para inocularem o vírus da revolta.
E lá estão os docentes a baixar as calças para serem ferroados outra vez…
Março 25, 2008 at 11:11 am
Atento,
Não acho que existam fórmulas definitivas. Há sistemas centralizados eficazes e outros que o não são.
O mesmo para os descentralizados.
O interessante é escolher a via certa perante o contexto existente.
Por cá aponta-se a centralização como uma das origens do mal.
E recomenda-se a descentralização.
Mas as medidas tomadas (ou a tomar), são equívocas em dois pontos:
a) A descentralização deve ser real e não decretada em diplomas de dezenas de alíneas.
b) A descentralização, podendo ser territorialização, não implica necessariamente uma “municipalização”.
Picareta,
A “esquerda” corre atrás do último mártir para o emancipar.
No episódio que faz as manchetes, hesita e tenta distribuir salomonicamente as culpas e a vitimização dissos endo exemplo a postura, por exemplo, de Daniel Oliveira.
A aluna é vítima.
A professora é vítima.
A Escola é vítima.
A culpa, em boa verdade, é da guerra no Iraque.
Março 25, 2008 at 12:15 pm
Posso estar a dizer asneira, mas se o estiver a fazer, darei de bom grado a mão à palmatória – dos países que estão no topo do PISA todos têm regimes descentralizados, com excepção de Singapura. Será mera coincidência?
Março 25, 2008 at 12:41 pm
O posicionamento teórico de Daniel Oliveira é exemplar a vários títulos.
1. Ao assumir que a escola é uma “preparação para a vida adulta”, ignora que a educação é uma vivência no presente em contacto real com aquilo que de melhor a cultura e o saber da comunidade pode proporcionar DESDE LOGO às crianças e aos jovens !
Esta postura de costas para o passado e de frente para a “futura vida de adulto” enferma de três “pecados mortais”:
a) concebe a escola como um antro de pré-formatação de acordo com um PROJECTO DE VIDA para o futuro, em ruptura com o passado (raízes do cristianismo presentes no messianismo de “esquerda”)
b) abre caminho à instrumentalização e à mercantilização da educação uma vez que as competências necessárias ao desempenho profissional é um dos temas centrípetos das sociedades actuais.
c) ignora que a educação deve ser dividida em dois percursos distintos: um primeiro de socialização e incorporação de um “ethos” comunitário (visando sobretudo uma “uniformização” comportamental e social) e um segundo em que se devem estabelecer pistas e vias de desenvolvimento pessoal com base na potenciação das únicas e individuais de cada indivíduo (com recurso a currícula e a experiências em vias distintas, desde as profissionais ás de pura contemplação e sem qualquer utilidade mercantil).
2. Confunde crise de autoridade com desvalorização dos títulos académicos, ao meter no mesmo saco os efeitos da dessacralização das instituições e as consequências da massificação dos produtos ou bens (neste caso dos graus e títulos académicos).
Compare-se o caso do poder que o culto mariano de Fátima continua a exercer sobre os portugueses. A Religião passou a ser um assunto privado e sem expressão ou coerção no ensino público, mas a sua autoridade ao nível dos poderes extra-terrestres continua a exercer um fascínio considerável junto de muitos crentes.
O mesmo se poderia dizer em relação ao PCP e ao encanto que ainda exerce a visão de um Paraíso na Terra sobre muitos crentes-laicos.
A título de exemplo, a autoridade de Álvaro Cunhal não advém da sua reconhecida incapacidade e incompetência em promover a revolução socialista em Portugal, mas decorre em boa medida da devoção e da crença irracional em poderes demiúrgicos que lhe estariam imanentes.
Quando se pretende racionalizar e medir tudo por critérios científicos, metade do que se passa no mundo escapa ao nosso entendimento.
Março 25, 2008 at 2:58 pm
As habilitações de acesso à profissão docente na Dinamarca são menores que em Portugal (entrevista de uma docente dinamarquesa no programa “União a 27″ da SIC Notícias”). Lembram-se?
Mas o sucesso escolar dos alunos dinamarqueses é maior. Isto dá algumas pistas para reflexão.
Será o professor o único responsável pelo sucesso escolar dos alunos, como pretende o ME inculcar nas mentes dos menos atentos?
Março 25, 2008 at 5:17 pm
Caros colegas, agora vamos deixar de falar na Finlândia para passar a falar da Dinamarca?
A realidade portuguesa é única e como tal deve ser tratada. Se bem que podemos (e devemos) analisar as boas práticas além-fronteiras, não devemos fazer disso pedra basilar do nosso sistema de Ensino!
Sei que pode parecer uma cassete (e sem querer desculpar ninguém), mas lembremo-nos de que:
- Portugal viveu numa ditadura durante décadas…
- Os pais dos alunos e grande parte dos professores são filhos da revolução (com o que isso implica)…
- a cultura é sobrevalorizada na sociedade e consequentemente nos curricula…
- A pedagogia de algibeira continua a pautar as decisões ministeriais…
- Os actuação sindicalista entre os professores ainda é «quantos mais melhor»…
Março 25, 2008 at 5:36 pm
Cristina,
Não sei o que entende ao dizer que a realidade portuguesa é única. Não creio que esteja de acordo.
“a cultura é sobrevalorizada na sociedade e consequentemente nos curricula” – o que significa exactamente isto que disse?
Março 25, 2008 at 5:43 pm
Pedro Castro,
Pensava que o acesso à profissão docente na Dinamarca era baseado na obtenção de um mestrado, mas posso estar enganado.
O que pode dizer é que o mestrado (2.º ciclo) na Europa é equivalente às nossas antigas licenciaturas de 4 ou 5 anos, como já li por várias vezes aqui no blog. Não é verdade. Muitas vezes confunde-se anos de escolaridade com intensidade de trabalho. Quem compara a maioria dos nossos mestrados com mestrados a tempo inteiro nos países nórdicos, na Holanda, RU, etc. sabe que não têm nada a ver. A intensidade de trabalho – medido em horas de trabalho por aluno – é muito superior.
Março 25, 2008 at 5:45 pm
Atento,
A realidade portuguesa é única, porque cada pais tem a sua idiossincrasia, os seus costumes, língua, tradições, geografia, etc, etc… Tudo isto deve ser tido em conta no sistemas de ensino (os alunos dinamarqueses vão para casa às 3 da tarde, mas a maioria da mães vai pouco tempo depois…e em Portugal?)
O que queria dizer é subvalorizada, obviamente!!
Março 25, 2008 at 6:03 pm
Cristina,
Podemos aprender mais com os outros – até porque enfrentaram há mais tempo problemas de imigração étnica, violência na escola, massificação escolar, etc. – do que por vezes pensamos.
Eu sei que isto pode parecer retórico, mas já reparou se as realidades nacionais fossem tão idiossincráticas assim, a própria possibilidade de existência de ciências sociais seria inviabilizada. Deixemo-nos de ter medo das experiências estrangeiras e de copiar o que é bem feito. Creio, aliás, que a valorização da profissão de professor ganharia com isso. E já dei exemplos.
Março 25, 2008 at 6:43 pm
Atento,
Voltei agora (fui buscar os miúdos ao colégio) e reli o que escrevi no meu 1.º comentário. Não nego a necessidade de nos abrimos a novas experiências e boas práticas de outros países, pelo contrário. O que não defendo é o copy-paste de políticas pensadas para realidades distintas da nossa.
Março 25, 2008 at 6:51 pm
Cristina,
Não sou professor do ensino não-superior, mas tenho filhos na escola, interesso-me por educação (como espectador atento…) e, sobretudo, também sou professor. Por isso, estes temas me são caros. Peço desculpa pela interpelação – não foi por mal – mas creio que por vezes é necessário uma visão um pouco exterior para introduzir pontos de vista novos.
No ensino superior, os temas de gestão das universidades, avaliação de estabelecimentos de ensino e de professores, para que o ensino tenha um nível mais elevado, estão também na ordem do dia. Com menos visibilidade do que relativamente ao ensino não-superior, é certo.
Março 25, 2008 at 7:05 pm
Atento,
se tem filhos na escola não se considere apenas espectador. Nós, pais, também fazemos parte do filme, talvez não como actores principais (ou secundários), alguns são meros figurantes (aqueles que aparecem nas reuniões de pais apenas para marcar presença). Consideremo-nos parte da equipa de argumentistas, que vai dando umas achegas, mudando uma ou outra frase, fazendo-as chegar ao encenador (talvez o ME)que se estiver para aí virado as acatará.
Quanto à interpelação, ora essa, adoro que me façam reflectir!