Enquanto as minhas duas equipas verdes favoritas disputam pelos Algarves, de forma um bocado enfadonha, uma taça patrocinada por uma cerveja igualmente verde, vou passeando por outros canais e em plena SICNotícias dou de caras com uma Ministra da Educação algo desalinhada e abespinhada com uma jornalista.
Aproveitando as palavras de Valter Lemos ontem, a jornalista perguntava-lhe se o novo Estatuto do Aluno iria diminuir este tipo de ocorrências. Algo irritada, MLR perguntou-lhe se já tinha lido o Estatuto e criticou a pergunta formulada. A jornalista insistiu que estava a usar o raciocínio que o Secretário de Estado tinha expressado ontem – que o Estatuto do aluno é um instrumento para combater estas situações – mas MLR não desarmou e atacou dizendo que o Código da Estrada também não evita os acidentes. Pois, não evita, mas define as regras a serem respeitadas.
Pouco satisfeita com a forma como ia intimidando a jornalista, MLR ainda continuou recomendando que a jornalista fizesse bem o seu trabalho e revisse as peças sobe o tema, pois de acordo com ela Valter Lemos falara depois «do deputado do CDS» e do «deputado do PSD», de quem MLR parece não conhecer os nomes (PauloPortas e Pedro Duarte, no caso). No que isso era relevante para a matéria não explicou.
Perante tamanha investida e desafio, a jornalista foi rever as peças e constatou que afinal a Ministra baralhara a sequência das intervenções e, transmitindo as declarações de VL à TSF, demonstrou que são contraditórias com a da teórica superior hierárquica.
Não sei o que se seguirá: se um pedido de retractação pública a alguém (quem?), se a admissão do erro (impensável!). Ou se, tal como com os sindicatos, MLR passará a recusar-se a falar com a SICNotícias ou com aquela jornalista em particular.
O interessante é notar como alguém que detém um cargo público de responsabilidade se mostra sempre profundamente irritada quando as questões fogem ao guião previsto e enveredam por terrenos incómodos.
Há a quem, realmente, falte uma certa e determinada vontade (ou vocação) para suportar as agruras da vida pública em democracia.
A parte boa é que a irritabilidade e falta de tolerância começam a romper a máscara e a transbordar para a vista de todos.
E depois não chega ter amigos bem colocados nos OCS.
Março 22, 2008 at 10:13 pm
Também vi agora a peça, Paulo!
Claro que anda irritada, MLR… claro que tem de andar irritada…(já não consegue disfarçar, como alguns dias atrás) o châo começa a fugir-lhe debaixo dos pés…. é a oposição das escolas à avaliação, é este caso (que ainda vai dar muito que falar, em minha opinião… modesta, confesso) são os OCS que me parece começam a mudar de rumo… tudo isto a irrita… mas “Quem semeia ventos, colhe tempestades”…
Março 22, 2008 at 10:17 pm
Também vi. E, parece-me cada vez mais possessa…
Doidas, doidas, doidas andam as galinhas!
Agora, até os jornalistas já levam.
Vá lá, que esta jornalista fez mesmo o seu trabalho e mostrou quem é que se enganou.
Boa!
Março 22, 2008 at 10:18 pm
Um tribunal da cidade espanhola de Sevilha condenou uma mãe a pagar uma multa de 14 mil euros, depois do seu filho ter agredido um colega na escola.
Segundo noticia a edição electrónica do jornal El País, o tribunal considerou que foi o «laxismo e tolerância» maternos que permitiram a atitude do menor.
in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=930867&div_id=291
Março 22, 2008 at 10:21 pm
Exmº Senhor Primeiro Ministro,
Enquanto docente, não titular (tenho lá a culpa de os meus paizinhos só me terem feito em 1968, e consequentemente menos de 18 anos de serviço!)de uma escola pública portuguesa, cabe-me informa-lo, que a sua Ministra da Educação com base nas atitudes apresentadas e patenteadas nas afirmações dadas por ela mesma hoje à estação de telivisão sicnoticias(http://videos.sapo.pt/sicnoticias/ultimos), deverá com a máxima urgência iniciar um plano de rwecuperação afim de conseguir superar as dificuldades que tem vindo a apresentar.
Desta feita proponho que a senhora em questão:
a) Pedagogia diferenciada no seu (des)governo;
b) Programas de tutoria para apoio a estratégias de como lidar com pessoas que não tem a mesma opinião que a sua, orientação e aconselhamento da Ministra;
c) Actividades de compensação em qualquer momento do ano lectivo ou no início de um novo ciclo;
d) Aulas de recuperação;
e) Actividades de ensino específico da língua portuguesa para saber ludibriar os jornalistas de qualquer canal televisivo.
Estas medidas de apoio deverão ser realizadas ao longo do 3º Período.
Março 22, 2008 at 10:23 pm
Comentário 3
Boa notícia no portugaldiario.
Se fosse cá, muito provavelmente, a escola ainda era responsabilizada.
Março 22, 2008 at 10:25 pm
Ora aqui está uma experiência internacional que bem poderíamos importar sem qualquer problema.
Algo que estranhei na postura da Ministra é que ela falou como dirigente política (creio que nem militante é), não como gestora de um sector do Estado. Preocupou-se em responder taco a taco a dirigentes de partidos da oposição, não em esclarecer matéria da sua estrita competência.
Março 22, 2008 at 10:25 pm
Ena tanta erro!Peço desculpas.
Onde se lê:”telivisão” deverá se ler televisão; Onde se lê:”rwecuperação” deverá se ler recuperação.
Março 22, 2008 at 10:29 pm
Também vi. É o desnorte… A frustração…
Como entrámos em interrupção Pascoal deve sentir a falta de andar à caça do professor… desse ser inútil e pago ao preço do ouro…
Como estamos na Páscoa e o “trio maravilha” terá de interromper a “época da caça” venho desejar-lhes (ao trio e ao governo) uma Páscoa, passada o melhor possível, deixando-lhes a sugestão de uma actividade alternativa:
Desejo que cacem muitos raios de Lua e que subam aos céus para acender muitas velinhas nas estrelas, dedicando-lhes esta quadra da cantiga irlandesa “Galway Bay” (aborda a opressão, e os protagonistas mudam, mas a opressão não tem outro nome).
Então aqui ficam os versos:
“For the strangers came and tried to teach us their way,
They scorned us just for being what we are,
But they might as well go chasing after moon-beams,
Or light a penny candle from a star”.
Sincerely (sem “yours”)
Cum Alta Istima (e já agora se não fosse pedir muito, podiam deixar-se estar lá pelas alturas):
R.C.
Ao Paulo e restantes colegas: Feliz Páscoa e descansem bem.
Março 22, 2008 at 10:41 pm
Não creio que a Ministra seja uma “semeadora de ventos”. Será, apenas, mais um instrumento para reformas fictícias e economicistas. E o código da estrada não estimula o bom comportamento dos condutores, mais parece um “xls” sobre coimas.
Março 22, 2008 at 11:00 pm
Se o Código da Estrada não evita os acidentes, experimente a sra. Ministra revogá-lo e substituí-lo por outro que seja tão permissivo como, sei lá, o Estatuto do Aluno.
Março 22, 2008 at 11:08 pm
E o verniz estala…
É a própria minisocretina quem sabe, de saber feito, inquestionável, logo, determina e manda publicar, aqueles que são os assuntos de política nacional que o merecem ser.
E mais nada.
Retive aquela :”…o acontecimento com um professor, no caso, uma professora”…
Desvalorizou o acontecimento, meteu olhar (se a jornalista tiver algum pendor para as coisas do “mau olhado”, deve estar a necessitar de algum acompanhamento psicológico) arrasador e , doutoralmente(?), inquiriu sobre o conhecimento do estatuto do aluno!Como não se discorreu sobre o assunto, novamente com faíscas no olhar, vomitou código de estrada…esquecendo-se que tem carro e condutor “a bem da nação”…e zurziu na oposição, trocando as sequências de intervenção dos políticos oportunistas, contradisse o seu Valter, o Lemos…
Enfim.
Já noutros tempos isto aconteceu com muito boa gente:sempre que abriam a boca para se pronunciarem sobre responsabilidades das pastas ministeriais que ocupavam, não acertavam uma.E, para não mais se espalharem com a sua verborreia nos órgãos de comunicação social e arrastarem as suas pastaspelo chão do ridículo, foram, até por questões de menor relevância, substituídos.
Já disse e repito:o sr Procurador Geral da República terá de fazer alguma coisa…
Março 22, 2008 at 11:10 pm
Exactamente, experimente o governo revogar o Código da Estrada e substituir por um em que a penalização máxima será a de o infractor ter de ir conduzir para outras bandas…
Como vê Sra. Ministra, a sua comparação foi linda.
Março 22, 2008 at 11:11 pm
Isto é tudo muito sério, mas este governo ainda me provoca umas enormes gargalhadas.
Março 22, 2008 at 11:16 pm
No codigo de estradas da autoria “sinistra” os carros que deveriam circular pela direita, circulam pela esquerda. É um “ganda choque”. Pró país inteiro.
Por exmplo,
Os pais em vez de serem (totalmente) responsabilizados pelos comportamentos dos seus filhos na escola (como nos outros países) vão ser recompensados – vão abancar de tenda nas escolas “dos filhos”. Ganda choque. Ganda código de “estradas”…Tudo louco. Parece-me.
Março 22, 2008 at 11:17 pm
Declarações aqui:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20080322+Caso+da+professora+agredida.htm
Repito novamente:
VAI SER O ESTATUTO DE ALUNO, e a oposição dos pais a ele(o que a confap diz não interessa) que vai fazer cair MLR.
Março 22, 2008 at 11:20 pm
O problema da nossa querida Ministra encontra-se no seu Código… Genético.
Que há lá qualquer falhazinha… ah isso, há!
Março 22, 2008 at 11:20 pm
Concordo plenamente!
Março 22, 2008 at 11:21 pm
Meus amigos, apesar de tudo eles (o governo) continuam a convencer. Há já muitos anos que os demagogos e os sofistas não persuadiam como agora. E enquanto a opinião pública lhes for favorável, eles continuarão a cantar de galo: «perdi os professores, mas ganhei a opinião pública», dizia a senhora.
Março 22, 2008 at 11:34 pm
Um dos comentários à notícia no El País:
“O sea ..que según la madre el culpable de que su angelito le rompiera los dientes a otro chico era el Instituto por no vigilarlos…Señora, el instituto no es un parvulario y su hijo tiene que pagar los desperfectos bucales que ha ocasionado…y si quiere que lo controlen bien ingréselo en un correccional, ya que no sabe convivir en una sociedad civilizada.”
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Condenada/agresividad/hijo/elpepusoc/20080322elpepusoc_3/Tes
Março 22, 2008 at 11:36 pm
Ao comentário 18: Até um dia António! Já faltou mais!
Março 22, 2008 at 11:39 pm
Qual a solução para os telemóveis nas escolas, que tantos problemas causam? (roubos, brigas, comportamentos como os que estão expressos no célebre vídeo…)
O que acham que se deve fazer?
Discutir isto de forma séria e ponderada deveria ser mais interessante do que mandar umas bocas e apresentar exemplos insensatos,
Março 22, 2008 at 11:39 pm
É triste, mas concordo com o António.
É necessário encontrar maneira de explicar aos pais que a nossa posição em relação a tudo isto, não se limita à avaliação -poe exemplo, o escandaloso DL 3/2008, sobre ensino especial, que afecta directamente alunos e mais uma vez nós prof. é que vamos pagar por não conseguir trabalhar com a diversidade numa sala de aula.
Tive uma inspecção na minha sala, uma Unidade Especializada de Multideficiência e foi-nos dito que ou fundamentamos muito bem as deficiências dos alunos ou vai tudo para a sala do regular.
Março 22, 2008 at 11:41 pm
Já que a ministra estabeleceu a brilhante comparação entre o Estatuto do Aluno e o Código da Estrada, solicitemos-lhe que das duas uma, ou os alunos infractores passam a ter coimas e a ser privados de ir à escola (em casos muito graves)etc, etc, ou então que aplique a lógica do Estatuto do Aluno ao Cód. das Estr., sendo a pena máxima uma privação de conduzir durante 10 dias ou se for gravíssimo ir conduzir para outra freguesia.
Março 22, 2008 at 11:52 pm
A brincar, a brincar dizem-se as maiores verdades (e ainda nos vamos rindo! Que a vontade de rir, não no-la conseguem roubar)
A insensatez vem da tutela.
Março 22, 2008 at 11:55 pm
Atento – comentário 21
Ainda não percebeu que isto não é uma questão de telemóveis, mas sim de educação, ou melhor, de falta de educação?
Março 23, 2008 at 12:03 am
Até dentro do ME já há desacordo.
Eu acho que não há tábuas de salvação para nenhum deles.
Março 23, 2008 at 12:07 am
O que é cada vez mais notória é a falta de chá da D. Lurdes. No parlamento foi o que se viu, de arrogante e obstinada. Agora dá sermões aos jornalistas. Está à beira de um ataque de nervos e não tarda muito puxa-lhe o pé para o chinelo. Em vez de demitida vai acabar estatelada em directo.
Março 23, 2008 at 12:08 am
Elsa Curado:
Deus, Nosso Senhor, a oiça… porque tábua de salvação já os professores não têm há muito… Que seja a vez deles agora. Ainda para mais merecem experimentar o remédio.
Março 23, 2008 at 12:19 am
Resposta ao Post 14 e 15 –
PS- Não sou da Confap, nem “pai”, mas devemos usar de alguma honestidade intelectual, colegas!
O EXERCÍCIO DA DISCIPLINA EXIGE
EDUCAR PARA A RESPONSABILIDADE
A CONFAP condena todos os actos de indisciplina praticados por alunos nas escolas, tal como o que hoje foi dado a conhecer, ocorrido na escola secundária Carolina Michaelis, no Porto. Manifesta, igualmente, a sua solidariedade para com a professora e, simultaneamente, lança um apelo a todos os pais para que exerçam o seu poder paternal junto dos seus filhos, educando-os no sentido da responsabilidade e do comportamento que devem ter em sala de aula, o seu local privilegiado de aprender.
Apela-se aos pais, também, para que imponham regras muito firmes quanto ao uso de telemóveis pelos seus filhos. Muitos dos conflitos hoje existentes no interior das escolas devem-se ao uso indiscriminado de telemóveis.
Este caso não pode ser visto de forma isolada A DISCIPLINA deve ser entendida no sentido da partilha da responsabilidade de aprender, dos fins que justificam a existência da escola numa sociedade moderna e democrática, sociedade essa regida pelos valores da igualdade e da liberdade.
O desaparecimento da família tradicional e da escola tradicional está intrinsecamente ligado ao facto de assumirmos novos valores que se desenvolvem na base da igualdade. Isto levou, sem dúvida, à “crise da autoridade” e à “crise da educação” com que nos debatemos. A sua resolução, porém, não passa, nem pode passar, pela restauração da autoridade perdida, mas pela compreensão da História e pela procura de novos caminhos, que não surgem por magia, mas pela reflexão séria sobre o funcionamento democrático das instituições e o exercício do poder no seu interior, que seja compatível com os valores da igualdade e da liberdade e, obviamente, da responsabilidade pessoal e da compreensão de cada um do seu papel na escola e na sociedade.
“Na escola, a participação deve ser a regra, pois é a base da autoridade: só respeitamos quem nos respeita, nos ouve e tem interesse por aquilo que pensamos e sentimos. A autoridade é sustentada na relação de confiança e de respeito mútuo que caracteriza a interacção saudável entre aluno e mestre”, escreveu Daniel Sampaio, num artigo recente. E acrescentou: “Devemos ser exigentes para com os mais novos, para os podermos responsabilizar – aceitamos que podem trabalhar aos dezasseis anos, mas nunca solicitamos a sua opinião sobre as coisas que lhes dizem respeito, como por exemplo o funcionamento da escola que frequentam.”
A CONFAP defende que é necessário desenvolver na sociedade portuguesa o exercício de participação na vida democrática, que conduza à prática consciente da cidadania. Daí que seja importante, fundamental, Educar para a Cidadania, quer na família, quer na escola, ou seja, Educar para a Responsabilidade.
Março 23, 2008 at 12:30 am
Mãe teve de pagar por agressão do filho
2008/03/22 | 21:42HB
Tribunal espanhol determinou uma multa de 14 mil euros
Um tribunal da cidade espanhola de Sevilha condenou uma mãe a pagar uma multa de 14 mil euros, depois do seu filho ter agredido um colega na escola.
Segundo noticia a edição electrónica do jornal El País, o tribunal considerou que foi o «laxismo e tolerância» maternos que permitiram a atitude do menor.
O dinheiro desta multa servirá também para custear os tratamentos dentários que a criança agredida necessita.
A mãe do agressor ainda terá tentado responsabilizar a escola, alegando que esta não tomou conta de forma eficaz dos alunos. Mas o tribunal não acolheu como válidos estes argumentos, considerando que «a brutalidade e a intensidade» das agressões são reflexo de «uma falta de fornecimento ou assimilação de educação e moderação».
Março 23, 2008 at 12:40 am
O comunicado da CONFAP tem sido tão profusamente transcrito que este espaço ameaça tornar-se um espaço oficioso dessa agência do ME.
Honestamente só lá leio uma série de frases politicamente correctas a que se segue a sua visão filosófica do conceito de disciplina, cidadania e vida democrática.
Quanto à autoridade do professor apenas vejo um conceito de autoridade horizontal, que não deixa de ser naif pese o seu autor,
quando a autoridade tem necessariamente uma natureza vertical que não é incompatível com o respeito mútuo.
Quando o respeito do aluno falta, ele tem de saber quem manda e é essencial que se saiba onde está a autoridade para se não cair no autoritarismo, cujo exemplo vem do ME.
Mas quem sou eu para falar de autoridade na escola!? O meu mundo é o das leis e não o da psicologia e o meu conceito de autoridade inspira-se mais na lei do que em Daniel Sampaio.
Março 23, 2008 at 1:37 am
Um excelente texto de uma professora anónima, retirado daqui:
http://professoresramiromarques.blogspot.com/2008/03/prolas-do-eduqus-leia-aqui-o-que.html
“Os alunos não aprendem e a culpa é dos professores que não sabem ensinar??!!!
Esse foi o lema durante o meu estágio feito há mais de 20 anos!
Durante uma aula assistida, um aluno perguntou-me que horas eram, e aqui d’el-rei que o menino estava enfastiado! Para bem dos meus pecados ainda tinha 27 alunos interessados na aula, que me valeram para “abafar o incidente”!
Como “o professor é um actor”, fazia-se o pino, entoavam-se as palavras, passeava-se pela sala organizada em grupos de mesas, gesticulava-se, levavam-se resmas de imagens, bonecos, retroprojector, diapositivos… cada aluno era um mundo e o professor tinha que se desdobrar por 28 / 30 pequenos mundos por hora…
Não interessava muito o produto final, mas sim os processos, os percursos que cada aluno percorria durante o ano lectivo.
Trabalho de Projecto; trabalho em grupo; pedagogia Freinet; nada de autoridades; muita motivação; as aquisições não são obtidas pelo estudo de regras e leis, mas sim pela experiência; o fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo… enfim tudo era motivador.
Cada Unidade de Trabalho começava sempre por “sensibilização dos alunos ao problema de…”
E os alunos ficavam sensibilizados.
Resultou? Sim resultou. Durante muitos anos este tipo de pedagogia resultou nas minhas aulas e nas dos meus colegas. Os alunos respondiam aos desafios, experimentavam, eram curiosos, interessados e aprendiam.
E agora? Como é agora?
Se na pedagogia Freinet tudo era centrado nos interesses das crianças, porque é que agora não resulta? Quais são afinal os interesses das crianças e dos adolescentes de hoje?
Passou quase um século, desde Freinet…
Agora os interesses mudam todos os dias. Mudam muito mais depressa do que antigamente. Mudam dois dias antes de se pôr em prática a melhor pedagogia, a melhor metodologia, as melhores estratégias…
Ah! O zapping! Agora está na moda o zapping!
Hoje gosta-se disto, amanhã gosta-se daquilo. Não presta, deita-se fora, troca-se, compra-se novo, desfaz-se, muda-se de emprego, de casa, de canal de TV, de marido, de mulher, de amigos… tudo ao alcance de um click!
Estamos na era do zapping, do imediatismo, do facilitismo, “do quero ter já e depois logo se vê”!
As novas tecnologias, os novos sistemas de comunicação, entram-nos pelos olhos, pelos ouvidos, pela nossa casa dentro, todos os dias e a toda a hora. E não é mau. Usamo-las. Já não dispensamos o nosso ipod, a Tv, o PC, o telemóvel, o pocket PC, o iphone, a PSP, a pendrive… e tantos outros gadgets que nos inundam o dia a dia.
E de repente, toca para a aula e entram-nos 20/30 alunos por uma porta que se sentam em frente de um quadro negro (ou verde), virados para uma criatura que os proíbe de utilizar os Mp3 e os telemóveis, e lhes pede que estejam sentados a conjugar os verbos, a fazer equações, a ouvir contar os descobrimentos…
E eles que já nascem com a cabeça levantada, que com menos de um ano de idade percorrem os corredores dos hipermercados em alcofas e cadeirinhas penduradas nos carrinhos de compras, a levar com outdoors, cartazes, luzes, sons …
Eles que desconhecem o que quer dizer “concentração”, porque já nascem com “concentração dispersa”, eles que conseguem estar atentos a 4 ou 5 coisas ao mesmo tempo, eles que já nascem hiperactivos, têm que permanecer sentados numa sala de aula a aprender matérias que não percebem bem “para quê?”
Para quê ler, se viajam mais e melhor através da Net?
Para quê memorizar aquela quantidade de nomes ou a tabuada, se pode estar ao alcance de um click? Para quê?
Hoje já não “disfarço” os conteúdos como antigamente fazia. Eles não gostam. Acham que é tratá-los como atrasados mentais. E têm razão. Para quê projectar “a caixinha” na aula de Matemática, que é construída em Ed. Tecnológica, é pintada na aula de Ed. Visual, é cantada em Ed. Musical, é escrita no Português, traduzida em Inglês e reciclada em Ciências Naturais?
Dar “a seco” os conteúdos, porque afinal assim eles “sabem” o que estão a aprender.
Também já há salas repletas de computadores, onde os alunos se atiram vorazmente a cada PC, surfando indiscriminadamente na Net ou utilizando o MSN e outros programas do género, onde costumam passar horas a conversar com os próprios vizinhos do lado…
Já não conversam muito entre eles. Falam teclês na Internet, por SMS…
Afinal o que é que querem?
Quais são os seus interesses?
Porque é que as famílias os depositam nas escolas onde sabem estarem seguros?
Porque é que ao mesmo tempo certos pais desvalorizam a escola?
Porque é que os alunos não aprendem?
O que é que afinal quereriam aprender? Ou deveriam aprender?
Porque estão cada vez mais agressivos, mais violentos?
Porque é que os pais não os educam?
Porque é que os profs têm que “tomar conta deles” mesmo depois das aulas?
Porque é que muitos têm famílias desestruturadas e por isso mesmo gostam cada vez mais da escola, do recreio da escola?
Porque é que os profs têm que competir com a televisão, os MP3, os computadores…. etc?
Porque é que já não conseguimos sensibiliza-los para nada?
Porque é que já não se encantam com um bom livro que a professora lhes mostrou? Uma imagem? Uma exposição? Um filme? Uma aula que levou horas a preparar?
Afinal temos que competir com os gadgets que eles trazem no bolso?!!
Afinal para que é que todos temos o telemóvel no bolso, se temos que o ter desligado?
E se o meu filho precisa de mim e telefona? E a minha mãe, que está doente e sozinha?
E porque é que não posso ouvir música ao mesmo tempo que o prof. fala, se lá em casa todos trabalham no PC, com a TV ligada, o CD a tocar, os miúdos a gritarem….?
A comunicação mudou.
A comunicação mudou?
As matérias são uma seca. A professora é uma seca. Diz o meu filho em casa.
Temos que pensar o que é que queremos. Não para amanhã, mas o que queremos para daqui a 10, 20 anos.
Temos que reflectir sobre muita coisa.
Temos que reformar muitas coisas.
Temos que nos actualizar.
Temos que aprender outras coisas.
Temos que ouvir os adolescentes de hoje.
Temos que ser ajudados.
Temos que nos entre ajudar.
Temos que nos equipar.
Temos que experimentar outras coisas.
Temos que “inventar” novas aulas, novas salas de aula.
Temos que nos adaptar aos novos alunos, às novas famílias, às novas profissões, aos audiovisuais, às novas formas de comunicação, até ao zapping!
Temos que aprender novas maneiras de ensinar.
Temos que aprender novas maneiras de aprender.
Mas, de repente, cai-nos um país em cima que diz que está tudo mal e que a culpa é nossa e por isso temos que ser castigados!
Também somos pais, que diabo!
Acabo de ver na Internet o tal vídeo da aluna aos gritos e puxões à professora, só porque esta lhe retirou o telemóvel enquanto decorria a aula. Uma turma inteira a faltar ao respeito a uma professora, que tenta desesperadamente desempenhar o seu papel, que com certeza já trabalha há muitos anos. Reparo agora que não é só este, mas centenas deste género de vídeos que mostram cenas em salas de aula onde se passa tudo, menos ouvir o professor! São escolas em Portugal, em Inglaterra, no Brasil e pelos 4 cantos do mundo. Mas afinal o que é que se está a passar?! De repente todos os professores perderam a autoridade na sala de aula?! E os valores? Ainda são os mesmos valores que perduram? Respeito é sempre respeito. Falta de respeito há 20 anos é a mesma falta de respeito hoje?
Aqui em Portugal, de há 3 anos para cá tem sido uma alegria com alguns políticos a denegrirem a imagem dos professores. Nos outros países não sei. Será que a culpa é dos telemóveis?
São verdadeiros génios os professores que conseguem manter a disciplina e o interesse dos alunos (uma turma inteira – 28 alunos) numa sala de aula durante um dia!
Perguntemos aos pais de hoje se conseguem manter os vossos filhos quietos sentados à mesma mesa a conversar? Quanto tempo dura o vosso jantar lá em casa? No meu tempo era a hora sagrada em que estávamos com os nossos pais a conversar à mesa.
São os vossos próprios filhos – devem conhecer-lhes os interesses, caramba! Quanto tempo conseguem estar à conversa com eles, ou a ensinar-lhes qualquer coisa? Nem que seja só as boas maneiras? Quanto tempo conseguem prender a atenção dos vossos filhos adolescentes?
É que eu já tenho dificuldade em fazer isso mesmo com os meus próprios filhos!
Então, percebam o que é que se pode conseguir sem equipamento nenhum. Só com uma sala cheia de mesas e cadeiras, um quadro negro de giz… e 28 pessoas diferentes.
Entretanto proliferam livros e documentários sobre pequenas crianças ditadoras e pais que pedem ajuda… O que é que se passa afinal?! Os pais estão a demitir-se e pede-se à escola que os substituam também?
São tantas as questões que gostava de ver debatidas, analisadas, reflectidas em conjunto com pais, professores, alunos, governantes…
Claro que queremos ser avaliados. Claro que temos sido avaliados. Há listas de graduação a nível nacional. Estágios, formação anual, antiguidade… más condições e péssimos salários, agora congelados…
Para quando as Reformas a sério?
Uma coisa eu tenho a certeza, não se conseguirá nada sem o envolvimento de todos.
Sou mãe de 3 filhos e professora há 28 anos. Nunca tive problemas de indisciplina nas minhas aulas, mas tem-me saído do pêlo e do tempo que tiro à minha própria família, dedicando-me à escola a tempo inteiro, mas até quando?
Os alunos que me aparecem nas aulas são cada vez mais problemáticos. O seu desinteresse, a falta de empenho e de trabalho crescem avassaladoramente. As forças vão-me faltando e os resultados são cada vez menos positivos. E não, não estou a falar dos resultados do aproveitamento, mas dos resultados das estratégias que utilizamos para ganhar o interesse dos alunos. Esses são para mim os mais importantes, porque os outros decorrem naturalmente dos primeiros.
São os programas, as matérias, os fracos recursos de que dispomos, a própria estrutura em que se sucedem as aulas, as vidas familiares turbulentas e desequilibradas, a grande disparidade entre a vida lá fora e o comportamento que se pretende numa sala de aula, que provocam este desinteresse nos alunos de hoje.
Mudar? Sim. Mas como? Para onde? De que maneira?
Pensar uma escola a longo prazo e no que queremos destes cidadãos daqui a 20 anos, parece-me ser o caminho mais certo. Não interessam reformas para hoje, nem para eleições. Não é só encher as escolas de computadores, se não se souber para que os queremos ou como usá-los.
A tecnologia avançou largamente estes últimos 20 anos. E a educação? A escola? É por decreto que se faz a escola do século XXI? São os professores os culpados por todo este estado de sítio?!”
Março 23, 2008 at 1:53 am
Para (re)lembrar. Isto passou-se com deputados do PS. Imagine-se a bes.. em roda livre.
Secretário de Estado irrita-se com deputados socialistas
Andreia Félix Coelho
O SECRETÁRIO de Estado da Educação, Valter Lemos, reuniu-se na
quarta-feira à noite com deputados socialistas da comissão
parlamentar de Educação e os ânimos exaltaram-se quando surgiram
críticas ao processo de regulamentação do Estatuto da Carreira
Docente.
«O Secretário de Estado berrou, amachucou os papéis e atirou-os
ao ar numa atitude inimaginável e indigna para um governante»,
contou ao SOL fonte do PS. E reforçou: «Não foi um berro isolado.
>> Gritou de forma continuada. Estava totalmente descontrolado. Os
>> deputados ficaram estupefactos e preferiram continuar a falar como
>> se estivessem perante uma pessoa no seu estado normal».
>>
‘Deputados-professores’ prejudicados
Segundo a mesma fonte, a tutela pretende que as novas regras do
Estatuto dos professores tenha efeitos retroactivos por sete anos
>> no que diz respeito, por exemplo, à assiduidade. Por isso, os
professores que interromperam a sua actividade para exercer outras
>> funções podem ser prejudicados em termos de progressão na
>> carreira.
É o caso de muitos deputados que deixaram as aulas em stand by
para assumir funções políticas. Só no grupo parlamentar do Partido
>> Socialista existem 26 deputados cuja actividade principal é a
>> docência. Valter Lemos argumentou, a propósito: «Queremos
>> privilegiar quem está na escola».
Contactado pelo SOL para comentar o caso, Valter Lemos não deu
qualquer resposta em tempo útil.
Esta fricção com os deputados socialistas surge em pleno
processo negocial com os sindicatos para a regulamentação do novo
>> Estatuto da Carreira Docente. As negociações estão a decorrer de
>> forma acesa e sem acordo entre a tutela e as diversas estruturas
>> sindicais.
>>
>>> O ponto mais contestado é a contabilização das faltas para os
>>>
>> professores que já estão no topo da carreira poderem progredir
>> para a categoria de professor titular: um docente que falte mais
>> de nove vezes num ano lectivo recebe zero pontos na avaliação –
>> mesmo que as faltas sejam justificadas por doença, morte de
>> familiar ou presença em acções de formação.
>>
>>> «É inaceitável que um professor, que nos últimos sete anos tenha
>>>
>> cumprido acções de formação, por exemplo, seja agora penalizado»,
>> afirmou ao SOL o secretário-geral da Federação Nacional dos
>> Sindicatos de Educação (FNE), João Dias da Silva. O dirigente
>> sindical tem «esperança» que a tutela ainda reconsidere e
>> apresente uma nova proposta na próxima reunião, agendada para
>> segunda-feira.
>>
>>> PCP e PSD exigem alterações
>>>
>>> A alteração do estatuto dos professores foi ontem discutida em
>>>
>> plenário na Assembleia da República. O PCP e o PSD apresentaram
>> propostas de alteração que serão agora discutidas em sede de
>> comissão parlamentar. Entretanto, a Fenprof anunciou que «irá
>> envolver os professores na tomada de decisão e na concretização
>> das acções e lutas reivindicativas». Por isso, convocou os
>> professores para se juntarem à manifestação da CGTP, que teve
>> lugar em Lisboa ontem à tarde.
Março 23, 2008 at 1:57 am
Relativamente á situação descrita em comentário 33 era interessante saber se os ditos deputados já têm o “problema deles resolvido”. Parece que foi de imediato resolvido.
Março 23, 2008 at 2:22 am
A Ministra da Educação tratou os jornalistas quase com a mesma falta de educação com que a menina Patrícia tratou a professora.
A sorte dos professores é os alunos não verem telejornais, porque se os alunos aprendem a falar como a Ministra estamos todos lixados.
http://indignidade.blogspot.com/
A mulher está mesmo descontrolada.
Março 23, 2008 at 6:45 am
Tá-lhe no sangue e tá-lhe na tola. A Yacinthe do Cuidado cas Aparências, lá no Inglês, era assim cínica, autista, qual freira gorda, sinistra, me valga diós.
Março 23, 2008 at 6:56 am
Bah, e depois e antes disso é doida, a mulher, por força, o cenho carregado, desalinhado o cabelo, num riso amarelo, quão forçado de raiva e cinismo, ui, eu vi tamém a feia criatura!
Março 23, 2008 at 10:00 am
Para se ser ministro é preciso ter queda para a coisa ser inteligente, comunicativo,ter capacidade de argumentação rápida para quando questionado ter as melhores saídas. Não vejo estes perdicados em muitos membros deste governo
Março 23, 2008 at 10:12 am
Resposta ao comentário 29
Os telemóveis, ao contrário das aparências, não são os principais problemas da escola, mas servem para ilustrar a falta de civismo, de responsabilidade e educação básica de alguns meninos (felizmente também há muitos alunos cujos pais não se demitiram de os socializar e educar em tenra idade).
Já está na altura de perceber que por muito boa vontade que os professores tenham, com a falta de autoridade (responsabilidade das sucessivas tutelas) e a ausênsia princípios básicos dos meninos (muitas vezes responsabilidade de pais negligentes – mas sempre dispostos a deitar mais lenha para a fogueira e a ajudar a tutela na desautorização do professor)não se vai longe.
Quando algo corre mal: Cruxifique-se o professor!
A resposta dos professores é clara:”BASTA!”.
Março 23, 2008 at 10:49 am
Gostei de ver o Rui Baptista (na RTP N) a analisar a questão – entre outras coisas criticou a ministra por não ter enviado uma palavra à professora do Porto e ele próprio afirma que a única pessoa que sai da situação com toda a dignidade é a professora, por ter feito de forma exemplar o que lhe competia.
Alguém sabe se alguma atitude de solidariedade foi já posta em prática? Não obstante termos já alguns de nós manifestado aqui o nosso sentir, seria bom enviarmos para o email da escola um apoio colectivo à colega. Será que podemos fazê-lo em conjunto?
Março 23, 2008 at 10:50 am
O texto referido no comentário 32 é um excelente ponto de partida para vermos, e de frente, o que realmente está em causa! Muitos parabéns! conseguiu transmitir aquilo que vai na alma e na cabeça, de muitos colegas, preocupados com a escola e a análise crítica daquilo que ali acontece.Tenho trinta e três anos de serviço, dois filhos e uma neta e subscrevo inteiramente as suas dúvidas e questões, como professora e cidadã.
Ana Maria
Março 23, 2008 at 11:01 am
Obrigatório espreitar:
http://homoclinica.blogspot.com/2008/03/
novas-competncias-para-os-professores.html
Uma Santa Páscoa!
Março 23, 2008 at 2:17 pm
Passou-se com a jornalista?
Não vi mas deve andar por aí alguma cópia do vídeo. Felizmente as gravações mostram tudo o que se andava a varrer para baixo do tapete.
Março 23, 2008 at 2:31 pm
O Video está no blogue da Sinistra Ministra.
Março 23, 2008 at 8:38 pm
Em resposta ao comentário 40. Acho que era muito importante que se iniciasse um movimento de solidariedade. Apelo a todos aqueles que “dominam” as TIC que desencadeiem qualquer meio para que a PROFESSORA de Francês (que se portou de uma forma SUPERIOR) sinta que estamos incondicionalmente ao lado dela. Porque não aquelas petições online? não sei é só uma ideia