Enquanto as minhas duas equipas verdes favoritas disputam pelos Algarves, de forma um bocado enfadonha, uma taça patrocinada por uma cerveja igualmente verde, vou passeando por outros canais e em plena SICNotícias dou de caras com uma Ministra da Educação algo desalinhada e abespinhada com uma jornalista.

Aproveitando as palavras de Valter Lemos ontem, a jornalista perguntava-lhe se o novo Estatuto do Aluno iria diminuir este tipo de ocorrências. Algo irritada, MLR perguntou-lhe se já tinha lido o Estatuto e criticou a pergunta formulada. A jornalista insistiu que estava a usar o raciocínio que o Secretário de Estado tinha expressado ontem – que o Estatuto do aluno é um instrumento para combater estas situações – mas MLR não desarmou e atacou dizendo que o Código da Estrada também não evita os acidentes. Pois, não evita, mas define as regras a serem respeitadas.

Pouco satisfeita com a forma como ia intimidando a jornalista, MLR ainda continuou recomendando que a jornalista fizesse bem o seu trabalho e revisse as peças sobe o tema, pois de acordo com ela Valter Lemos falara depois «do deputado do CDS» e do «deputado do PSD», de quem MLR parece não conhecer os nomes (PauloPortas e Pedro Duarte, no caso). No que isso era relevante para a matéria não explicou.

Perante tamanha investida e desafio, a jornalista foi rever as peças e constatou que afinal a Ministra baralhara a sequência das intervenções e, transmitindo as declarações de VL à TSF, demonstrou que são contraditórias com a da teórica superior hierárquica.

Não sei o que se seguirá: se um pedido de retractação pública a alguém (quem?), se a admissão do erro (impensável!). Ou se, tal como com os sindicatos, MLR passará a recusar-se a falar com a SICNotícias ou com aquela jornalista em particular.

O interessante é notar como alguém que detém um cargo público de responsabilidade se mostra sempre profundamente irritada quando as questões fogem ao guião previsto e enveredam por terrenos incómodos.

Há a quem, realmente, falte uma certa e determinada vontade (ou vocação) para suportar as agruras da vida pública em democracia.

A parte boa é que a irritabilidade e falta de tolerância começam a romper a máscara e a transbordar para a vista de todos.

E depois não chega ter amigos bem colocados nos OCS.