Paliativos são realidade precária
Um verdadeiro deserto – em 278 concelhos, Portugal contabiliza apenas oito unidades de internamento, quatro equipas intra-hospitalares sem internamento e três equipas comunitárias de cuidados paliativos, no Sistema Nacional de Saúde (SNS). As pessoas com doenças crónicas, progressivas, agonizantes e muitas vezes terminais morrem abandonadas em hospitais, porque não há respostas próprias para lhes dar qualidade de vida nos seus últimos tempos. Estima-se que são 60 mil os que, anualmente, precisam destes cuidados.
Esta é uma área da saúde que tem sido permanentemente adiada pelos sucessivos governos. Em 2004 – 30 anos de democracia volvidos – foi redigido um Programa Nacional de Cuidados Paliativos, mas somente em 2006 foi criada a Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados (RNCCI) com quatro valências, sendo uma delas a dos cuidados paliativos (ver caixas).
“A nossa cobertura agora é pouco mais do que 1%”, confessou Alice Cardoso, responsável pelo grupo de paliativos da RNCCI. Concretamente, a Rede, no que diz respeito a esta valência, conta com uma destas unidades no IPO do Porto; uma em Cantanhede, Coimbra; outra no Hospital do Fundão; e mais três em Lisboa na Casa da Saúde da Idanha, na Cova da Piedade e no Hospital do Mar. Fora da Rede, há mais duas estruturas do SNS, sendo que uma é no IPO do Porto e outra no IPO de Coimbra.
Há indicadores de qualidade de vida (ou falta dela) que não mentem e são impossíveis de contornar, por muitas bandeirinhas que se agitem.
Março 17, 2008 at 4:03 pm
Na Educação, segundo o inefável Sócrates, as soluções para o sucesso passam pela revolução tecnológica. Acabo de ouvir, nos noticiários:
O primeiro-ministro enumerou as medidas que vão ser implementadas no ensino público, a partir do próximo ano lectivo: «aumento da velocidade da Internet em banda larga de 40 para 100 megabytes[no seu Inglês técnico, Sócrates pronuncia megabites]; salas de aula com Internet, equipadas com quadros electrónicos interactivos». O primeiro-ministro apontou ainda como objectivo que cada escola possa vir a ter um computador para cada dois alunos.
Que mais nos irá prometer?
Março 17, 2008 at 4:42 pm
Depois de o Nuno Crato ter escrito que os computadores na sala de aula são prejudiciais às aprendizagens…qua nos USA estão a retirá-los depois de uma experiência de dez anos que provou a sua inutilidade. Colocar pc nas mãos dos alunos só os vai dispersar e aumentar o insucesso. Ou julgam que em 99,9999% dos casos os alunos vão utilizá-los para quê?
Tanta ingenuidade e deslumbramento pacóvio com as novas tecnologias já chateia. Isto é uma tristeza. Merecíamos melhor.
Março 17, 2008 at 7:39 pm
Como não conseguimos estar a ver 12 portáteis ao mesmo tempo, eles vão entrando no messenger, no msn, no H5, etc. Tenho apanhado alguns a jogar em vez de entrarem nos sites que lhes são apontados.
Todos sabemos isso, só quem ainda não utiliza as TIC em sala de aula é que não sabe disto.
Março 17, 2008 at 10:31 pm
Este primeiro-ministro parece daqueles pacóvios deslumbrados com a tecnologia. Desculpem a grosseria!
Março 18, 2008 at 1:06 am
Não uso TIC na sala de aula, a escola não tem condições nenhumas, uma secundária.
Mas após sofrer obras por parte da Parque Escolar, que começarão em Julho, vai ter tudo isso.