A equipa directiva do Expresso perdeu qualquer vago pudor em assumir o seu alinhamento nas questões da Educação e hoje volta ao ataque contra os professores e os sindicatos, usando todo o tipo de pedras para atirar, mesmo as que sabem ser pouco transparentes.
Vejamos, por ordem.
1.
Fernando Madrinha menoriza a manifestação do outro sábado, considerando-a «Uma Vitória Inútil» e daí partindo para a já habitual diatribe contra os sindicatos. Elogia a MLR (terá Madrinha sio também um velho anarquista?), ajuda acirrar os ânimos ao afirmar que o ME não cede em nada e acha que se a Ministra se conseguisse fazer ouvir nas Escolas tudo serenaria.
Não compreendo se Fernando Madrinha acredita no que escreve, se o faz já em piloto automático. Opto por esta segunda hipótese, porque a primeira implica que ele acredita que a esmagadora maioria dos docentes não passa de uma caterva de surdos que não «ouvem» a Ministra e não a «compreendem».
Depois, para exemplificar como há entre nós quem seja excelente e por isso mereça reconhecimento internacional pelo seu trabalho, destaca o caso de Nuno Crato, curiosamente um dos mais notáveis críticos da política educativa deste Governo para a sua área de especialidade.
Isto significa uma de duas coisas: ou Madrinha não percebe claramente o que se passa neste mundo da Educação ou então admite que, mesmo criticando-se a Ministra, se pode ser excelente.
2.
No editorial não assinado da página 44, escreve-se que:
É certo que 100.000 professores são dignos de ser ouvidos e compreendidos, como o são os grevistas da Função Pública. Mas não é menos certo que convém entender a perplexidade de muitos que não querem ou não têm oportunidade de se pronunciar. Daqueles que pensam que a reforma da Função Pública é urgente e dos que acham que as escolas não podem continuar a funcionar como funcionam.
Todas as opiniões são aceitáveis, quando fundamentadas e demonstradas, em especial de forma coerente. Ora o que bem sabemos é que, em matéria de opinião, o Expresso é o refúgio de todos esses pseudo-perplexos que produzem artigos de opinião, sobre artigo de opinião, defendendo essas posições que o editorialista afirma não terem «oportunidade de se pronunciar». Pelo contrário, o que é visível é que, só com muito esforço, opiniões individuais articuladas do grupo profissional dos professores passam o filtro editorial do Expresso. Opinião de profe vai directamente para um cantinho, truncada quanto possível. Houve uma excepção, da colega Dalila Mateus, mas foi arrancada a ferros e mesmo assim, meio de esquina na página. Por isso, o editorialista do Expresso teria muitas vantagens em olhar para a forma como corta a voz dos professores e, em contrapartida, a dá a quem faz parte do clube restrito dos políticos, nados e criados nos Liceus da capital e que há 35 ou 40 anos eram todos colegas, mesmo se acabaram mais de vermelho ou cinzento. Um qualquer vulto de terceira linha do PSD espirra e ai-jesus, tome lá meia página para explicar a origem da constipação.
3 .
Por fim, as três colunas em que Henrique Monteiro revela como novidades luminosas, dados que circulam há meses e anos em mails na net. Como qualquer neófito chegado a uma matéria cheia de números, Monteiro deleita-se no que é corriqueiro para milhares de investigadores e professores na matéria. Henrique Monteiro anuncia, de forma pouco modesta, «Números sobre Educação que o vão espantar». Maravilhas mil, minhas senhoras e meus senhores. Depois, percebe-se que o articulista se resumiu a respigar uns dados no site da OCDE e mesmo assim de forma pouco hábil ou então muito selectiva para acentuar três ideias: os professores ganham muito; o ensino privado devia ser mais apoiado; o Estado gasta imenso dinheiro na Educação. Claro que H. Monteiro não viu, ou não soube, ver algumas tabelas com os gastos com por aluno ou medidas de eficiência, por exemplo com relação ao desempenho em Matemática (onde os valores não são bons, mas se percebe que os gastos envolvidos são de ordem média). Só que isso perturbaria a limpidez e simplicidade da demonstração pretendida, a saber: mais ensino privado, menos investimento na rede pública, os professores são os culpados.
São opiniões, pena é que Henrique Monteiro não saiba mais do que juntar uns números, sendo incapaz de analisar a Educação na perspectiva da organização curricular dos ciclos de escolaridade, do modelo de avaliação, do tipo de perfil desenhado pelos documentos oficiais, ou mesmo das constantes inflexões legislativas, preocupadas com efeitos de curto prazo que comprometem o sucesso a médio ou mais longo prazo.
Nem sequer lhe parece ocorrer que se existe um baixo output de «sucesso» para um teórico elevado input financeiro, provavelmente não serão os professores os responsáveis pela alocação desses recursos ou pelo desenho do sistema.
Mas provavelmente, para ele, como nem sempre se podem traduzir em números (seria interessante saber se há estatísticas sobre leis produzidas na OCDE sobre Educação, por país, por cada ano lectivo), estas questões não sejam «factos».
Ou «factóides».
Março 15, 2008 at 12:17 pm
Existe uma solução, não comprar:
Expresso; Diário de Notícias e Correio da Manhã.
É que uma boa percentagem dos seus leitores sãp Professores.
Pessoalmente fico-me pelo Público
Março 15, 2008 at 12:18 pm
a desonestidade intelectual é uma das caracteristicas humanas que mais me incomoda. E isso é o que mais vejo no Expresso nos ultimos tempos. Por mim, estou farta! Leitora do Expresso, desde que me lembro de mim, vou interromper até que o Henrique Monteiro deixe de ser Director.
Março 15, 2008 at 12:32 pm
Eu já não compro o Expresso há muito tempo pois considero que deixou de ser um jornal independente , e além de mais passou a veícular as opiniões do Status quo económico. As ideias neoliberais são predominantes.
Para mim o Expresso acabou.
Março 15, 2008 at 1:01 pm
Eu continuo a fazer as alegrias da papelaria da esquina do bairro.
Março 15, 2008 at 1:02 pm
Ler o jornal do expresso feito por supostos jornalistas que para serem avaliados provavelemente terão de paasar pela cama de henrique monteiro -desde que tenha buraco-é como lewr papale higiénico.
Para mim o expresso morreu á uma quase dezena de anos quando era um jornal ainda de referência, agora dirigido por neoliberais -vou-me rir quando a crise da américa fazer falir uns banquinhos aqui a beira mar plantados- que acham que a china é o futuro, destilam ácido para a ponião pública.
expresso jamais.
Março 15, 2008 at 1:07 pm
Land of confusion, é a pressa ou escreve mesmo assim?
E depois, uma questão básica, se não compra e não lê, como critica?
É isso que sempre me faz confusão.
Quem sabe o que está no livro, só pela imagem da capa.
Março 15, 2008 at 1:18 pm
Guinote é a pressa que é inimiga da perfeição (ver caso da avaliação de professores)
Eu não compro -ou raramente- mas leio na bomba ao beber o café e digo-lhe quem viu aquele jornal a uma dúzia de anos e quem o vê!,,
Não admira que o Saraiva tenha fundado outro jornal.E não é que o Sol seja uma pérola da informação, longe disso, mas pelo menos não é uma central de informação de agentes neoliberais.
Nesse aspecto concordo com o Não passarão: eu já estive no Japão -embora diferente do modelo chinês-e o esilo de vida destas sociedades faz-me asco.
Alunos estudam 12 ou 13 horas, horário de 10 ou 12 horas, 15 dias de férias, um dia de folga por semana….
Logo, quando vejo estes misráveis defender que sim senhor este modelo asiático é que é bom só me apetece chamar o pol pot.
Guinote não te admiras de hoje em dia a pergunta essencial não é como te chamas mAS O QUE É QUE FAZES?
nÃO TE ADMIRAS QUE TANTOS ELOGIOS SE FAÇAM AO FACTO DE AS PESSOAS – NOVAS OU VELHAS -
Março 15, 2008 at 1:20 pm
TRABALHAREM 10 OU 11 HORAS DIA.
Este tipo de sociedade já FOI DESCRITA A CERCA DE 50 ANOS: Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.
Lê o livro e tira as tuas conclusões.
Como vês tive mais cuidado com os erros…
Março 15, 2008 at 1:27 pm
Leiam a crónica do MST no Expresso de hoje. Paulo Guinote e a restante tropa já lhe devem ter tamanha azia, que já nem o evocam nas críticas. Ou devem ser os efeitos do pedido que circula nas msg de tlm.
Março 15, 2008 at 1:28 pm
Leiam o MST a propósito do amor que alguns professores nutrem pelo Público.
Março 15, 2008 at 1:31 pm
Não, meu caro Contra a Maré.
Não evoco, nem rebato MST como não rebati Emídio Rangel.
Há limites para qualquer sacrifício pessoal.
Março 15, 2008 at 2:28 pm
Porque será que certos jornalistas andam tão “incomodados” com a manifestação do passado Sábado, ao ponto de não falarem noutra coisa? E quem financia os seus vencimentos?
Março 15, 2008 at 3:38 pm
Não consigo compreender (
)esta nova distinção entre escolas e professores tão em voga na linguagem do ME actual e, pelos vistos, já assimilada pelos comentadores (ao) de serviço.
Os professores contestam, mas as escolas trabalham! Os professores não “ouvem” nem “compreendem” a Ministra, mas as escolas…! Há mau estar entre os professores mas não existe mau estar nas escolas! Os professores são maus profissionais porque não aceitam, de boa fé, as directivas do ME, mas escolas têm apresentado resultados! A voz da Ministra não chega às escolas porque encalha nos professores (esta é do melhor!)!!!
Para esta gente os professores e as escolas são entidades completamente diferentes! E se calhar a culpa é nossa! Somos profissionais tão bons que, apesar de todas as iniquidades conseguimos trabalhar e por isso as escolas funcionam.
E estes críticos em vez de perceberem este facto, aproveitam-no precisamente ao contrário!
Estaremos a ser burros na nossa forma de luta?
Agora pergunto eu, invertendo as perguntas : A voz das escolas e dos professores não chega aos gabinetes, da 5 de Outubro, porquê? Não haverá um bando de críticos que, não sendo escolas, nem professores, não conhecendo a realidade de que tratamos e em que vivemos, apenas produzem ruídos e gritos inconvenientes, não deixando que a voz de quem conhece a realidade chegue lá cima, tentando transformar negociações em verdadeiras lutas de galos, atribuindo pontos a cada um?
Porque não se calam?!
Março 15, 2008 at 3:51 pm
Maria Lisboa,
A distinção surge porque tanto para o ministério como para os comentadores ela é clara.
Parece que só nós professores não queremos ver:
de um lado estão os professores que somos nós, do outro estão “as escolas” que são os conselhos executivos e pedagógicos que cumprem os ditames do governo. Nós não queremos ver isso porque ainda acreditamos que “eles” são nossos colegas. No entanto, há muito que passaram para o outro lado da barricada.
Março 15, 2008 at 4:18 pm
Eu sei, fjsantos… e sei-o porque todos os dias e em todas as reuniões de CP, tento que percebam que a ME conta com estes órgãos como aliados. E todos os dias insisto numa posição de escola, que dê voz a tudo o que se ouve na sala de professores e a tudo o que os elementos destes dois órgãos manifestam enquanto professores e perdem quando chegam “ao órgão como voz da escola”.
Percebo, perfeitamente, a diferença que o ME e os OCS fazem. Só queria que todos a percebessemos e a interiorizassemos.
Mas também só vem aqui quem já percebeu isto mesmo.
Felicito-nos por haver algumas (poucas) escolas que se confundem com professores. Infelizmente não chega!
Março 15, 2008 at 4:23 pm
O senhor Fernando Madrinha disse que as escolas e os professores não ouviam a ministra, tem razão. Esquece-se é de algo muito importante, a ministra nunca quis nem nunca ouviu os professores e as escolas, seguiu sempre o seu caminho, nunca perdeu tempo com os seus súbitos, nunca tentou entender o que vai mal no seu reino, fez imposição atrás de imposição. Claro está que”quem com ferros mata com ferros morre”, criou um clima de intolerância, de insatisfação. Esta senhora não merece o lugar e estes senhores (jornalistas e frequentadores do Pabe) tem que começar ir às escolas falar com os professores e alunos, conhecer a realidade. Para terminar uma última pergunta: há quanto tempo o Senhor Fernando Madrinha, o Senhor Henrique Monteiro e o senhor Miguel Sousa Tavares não entram numa escola pública? Também não os aconselho a entrar, pois são locais muito desagradáveis. Nas suas cantinas não servem pratos de caça, não têm whisky de vinte anos e o pior de tudo (para o senhor Miguel Sousa Tavares) não se pode fumar e em todas elas ouvem-se muitos gritos de crianças, algo que é mais prejudicial para a nossa saúde do que o fumo do tabaco. Portanto o melhor é ficarem pelo Pabe ou pela Versalhes, a falar mal e fazer enredo politico pois sempre estão a salvo de uma intoxicação escolar.
Março 15, 2008 at 11:44 pm
“Para terminar uma última pergunta: há quanto tempo o Senhor Fernando Madrinha, o Senhor Henrique Monteiro e o senhor Miguel Sousa Tavares não entram numa escola pública?”
O Miguel Sousa Tavares têm o filho mais novo numa escola pública. Deve lá ter entrado nos últimos tempos.
Março 15, 2008 at 11:45 pm
o comentário anterior dirige-se ao joão douro, comentário 16.