Em nada terá adiantado a luta dos Professores se não forem, de uma vez por todas, resolvidas as situações anómalas do Estatuto da Carreira Docente (ECD), porque é isso que, na essência de todos os problemas, está em causa.
Carreira
- Abolição da figura de professor titular;
- Abolição imediata das quotas para progressão;
- Constituição de carreira docente única constituída por 10 escalões;
- Permanência nos escalões por períodos de 4 anos (10 escalões x 4 anos = 40 anos de serviço).
Progressão na Carreira
- Abolição da avaliação de Excelente. Não tem justificação científico-pedagógica.
- Para progredir, o docente deverá apresentar competente relatório de actividade docente de dois em dois anos, no cumprimento exemplar de parâmetros a regulamentar.
- O relatório de actividade docente deverá ser submetido à apreciação e decisão de Comissão Científica e Pedagógica Especializada constituída por:
- Presidente do Conselho Pedagógico;
- Presidente do Conselho Executivo;
- Coordenador do Departamento do docente em avaliação;
- Coordenador dos Directores de Turma;
- Director do Centro de Formação;
· Para progredir, o docente deverá ter na avaliação a menção de Bom, no cumprimento de critérios a regulamentar;
· Garantir a possibilidade de o docente poder progredir mais rapidamente no escalão, de acordo com critérios a regulamentar, se tiver a menção de Muito Bom.
Para o efeito, o docente deverá requerer avaliação extraordinária de desempenho, que implicará a exposição e defesa da sua actividade docente, sustentada no seu relatório, perante a Comissão Científica e Pedagógica Especializada, que para além dos elementos já indicados deverá ser complementada por:
- Técnico Pedagógico da Direcção Regional de Educação;
- Inspector Pedagógico da IGE;
- Professor da disciplina, do 8º, 9º ou 10º escalão, a indicar pelo docente em avaliação;
- Presidente da Associação de Pais da Escola.
Esta menção só poderá ser atribuída em avaliação subsequente a uma menção de suficiente e em caso limite, devidamente justificada em relatório bem fundamentado pela Comissão Científica Pedagógica Especializada. Da avaliação, poderá recorrer o docente avaliado ao abrigo do CPA.
Creio que um processo como o exposto
- Reduz drasticamente a burocracia;
- Responsabiliza mais o professor no desenvolvimento da sua actividade docente, valorizando o processo ensino-aprendizagem e favorecendo o sucesso dos seus alunos;
- Envolve todas as partes efectivamente interessadas no sucesso dos alunos e na boa imagem da Escola, que se quer construtora positiva e activa da excelência na sociedade portuguesa.
Viana, 12 de Março de 2008
F. Manuel Rodrigues
(Professor EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa)
Março 12, 2008 at 8:51 pm
A menção de Insuficiente implicará a abertura de processo de averiguações para apuramento de responsabilidades, podendo conduzir a processo disciplinar.
Mais uma vez se confunde matéria de desempenho com matéria disciplinar. Grande confusão…
Março 12, 2008 at 8:51 pm
Posição Da Fenprof…
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=927198&div_id=291
Março 12, 2008 at 9:01 pm
Mas parece que a FNE até ficou satisfeita com a ” abertura” da ministra.
A FNE sempre esteve caladinha e só participou na marcha por arrastamentou ou oportunismo!
Março 12, 2008 at 9:09 pm
Penso que a proposta tem algumas virtudes é exigente mas não corta a possibilidade de chegar ao topo concordo com o que o António diz
Março 12, 2008 at 9:09 pm
o eixo do mal está no ECD e em sócrates
deixo uma prova da escelência do estado da nossa economia:
Dhttp://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=19&id_news=95579eixo-
Março 12, 2008 at 9:11 pm
A posição da FNE está no site da respectiva e está de acordo com a da FENPROF
Março 12, 2008 at 9:12 pm
é este o link, desculpem
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=19&id_news=95579
Março 12, 2008 at 9:20 pm
Colegas: essa de pôr o Director do Centro de Formação e o Coord dos DT´s a avaliar profs, enfim….
Já estamos num nível superior de discussão, isto não é para enrolar, com todo o respeito pela proposta do colega.
ANTÓNIO
Março 12, 2008 at 9:29 pm
Não desconversem!
Tempos houve em que se procurava um sindicato, ainda que fosse pequenininho, para assinar (a troco de um prato de lentilhas) uma ou outra arbitrariedade da conveniência da tutela. Queiram ou não queiram 100.000 mil professores, em Lisboa, são um peso enorme para o governo e uma grande responsabilidade para as estruturas sindicais, mesmo as mais despojadas de representatividade. Se possível, devemos continuar juntos, sem pontarias em alvos fictícios. Também concordo com O António (comt. 1), não devemos confundir desempenho com disciplina e, se possível, devemos sempre acentuar, em qualquer proposta, o carácter formativo da avaliação.
Se não for possível o consenso, o modelo do Vitalino parece-me ajustado e se serve para avaliar o governo, também funcionará no subsistema “Educação”, até sem ministério. Eu recordo: “Fizemos tantas coisas bem que o que fizemos de errado não tem importância”.
Também concordo.
Março 12, 2008 at 9:42 pm
Muito bem , colega precedente!
Mas vamos com calma….
António
Março 12, 2008 at 10:23 pm
Terei que ler com maior atenção. Mas parece-me que a proposta apresentada F. Manuel Rodrigues parece-me um bom documento (Viana do Castelo)!
Março 12, 2008 at 10:32 pm
À excepção da confusão referida no comentário 1, parece ser uma proposta interessante. O que preocupa é sabermos ser o modelo oficial uma forma de combate ao défice,pressuposto que poderá vir a impedir qualquer proposta positiva de vir a ser analisada.
Março 12, 2008 at 10:36 pm
Espero que os ditos parâmetros não sejam “delirantes”. Parece-me que dar ideias é bom, mas acho que temos que ter mais escolha. Podiamos propor mais coisas. A colega Adélia que deu a ideia de um congresso, parece-me boa para definir estratégias.
Março 12, 2008 at 10:37 pm
Temos de ser mais realistas.
Compreendo o colega que recupera estas propostas aos tempos da progressão automática por antiguidade.
A verdade, porém, é que o critério da progressão automática não se compagina com as actuais tendências de gestão pública. Ou seja, nem o oiti nem o oitenta…
Um abraço!
Março 12, 2008 at 10:43 pm
Gestão pública! Gestão económica! Bastava que as comissões que avaliam os relatórios, pedissem explicações a certos colegas que fazem uma coisa e “relatam ” outra, que também os há. Não querem pagar-nos mais? Digam isso!! Não venham é maçar-nos de morte com legislação, reuniões e avaliações delirantes!
Março 12, 2008 at 11:26 pm
A minha ideia de Escola é tão diferente da que poderá encaixar nestes modelos de avaliação que eu não sou capaz de dar o menor contributo para esta causa(da avaliação). Eu defendo a verdadeira autonomia, onde as escolas possam fazer os seus documentos PE,PCE,RI…darem deles conhecimento à comunidade que inscreverá os seus filhos se concordar com eles. A escola gerirá os seus recursos humanos e financeiros e no fim presta contas. Quem é avaliada é a Escola, que internamente há-de encontrar os seus mecanismos de avaliação, nomeadamente para os professores, uma vez que ela, escola, vai ter que estabelecer objectivos e todos terão que cooperar para os atingir. Esta é a minha ideia de Escola.
Março 13, 2008 at 12:23 am
Li “progressão automática”? (Kosmografias)
A minha escola deve ter sido em Marte!
Às tantas valia a pena traçar por aqui o caminho da avaliação dos professores nos últimos anos, desde o velhinho exame de Estado (convivi com muitos professores que o fizeram, ainda existem e não têm sequer oitenta anos…); profissionalização em serviço e em exercício; provas públicas para transitar ao 8º escalão e relatório crítico, com acções de formação obrigatórias, para mudar de escalão. Era automático? era, desde que se cumprissem os normativos. Passavam todos? Nem por isso.
“Actuais tendências de gestão pública”? Voltamos à estafada questão da empresarialização da escola e, depois da política se submeter por inteiro à economia, teremos então a escola ao serviço das empresas. Mas é exactamente essa a febre do momento: uma escolinha massificada que pouco avance para além do “ler, escrever e contar”. Concordo com o Ramiro Marques, fundamentalmente em relação às aulas assistidas. Um congresso, era capaz de resultar.
Março 13, 2008 at 12:28 am
Essa do congresso parece-me uma excelente ideia!
Março 13, 2008 at 9:10 am
[...] Educação – Contributos – F. Manuel Rodrigues [...]
Março 13, 2008 at 5:43 pm
Colega para aqui, colega para ali.. hummm, coorporativismo doentio. Colega?!?! what the fuck?!?
Março 13, 2008 at 7:50 pm
Laranjalima,
Esclareça-me, por curiosidade, é professor?
jmsc
Março 13, 2008 at 9:27 pm
Sou professora…com profundo amor à arte.
Março 13, 2008 at 9:29 pm
jmsc
Porque pergunta se eu sou professora?
Março 13, 2008 at 10:56 pm
Sem desprimor para os restantes, o seu contributo nesta caixa de comentários foi de uma frescura arrebatadora, pelo desarme que começa por fazer, e por rasgar os horizontes que, na opinião de quem está de fora (ao ponto de não saber o que é o PE, o PCE, o …) e, de certeza por não frequentar o meio, apenas tinha apreciado opiniões no sentido que aponta, de gente “que não está por dentro” (daí a minha pergunta
. Dê-me até a liberdade de dizer que imagino que esteja a sentir uma angústia profunda ao constatar o desperdício de tanta, mas tanta energia, na direcção errada… Mas, já agora, há mais gente no meio com este alinhamento?
Março 13, 2008 at 10:57 pm
Laranjalima, o jmsc deve estar confundido porque o que vc escreveu é, tb no meu ponto de vista, “a verdadeira autonomia”. Coisa que não serve os “colegas” coorporativistas pois “A escola gerirá os seus recursos humanos e financeiros e no fim presta contas. Quem é avaliada é a Escola, que internamente há-de encontrar os seus mecanismos de avaliação,nomeadamente para os professores”.
Ou seja, adivinho que o “colega” jmsc fique incrédulo ao ver uma professora propor uma situação que retira os “direitos” de classe, protegidos pela coorporação, e os substitua pelo mais digno direito de exercer a profissão e cooperar localmente.. e isso traz mais responsabilidade.
Março 13, 2008 at 11:32 pm
Obrigado pela mediação
InTheLimbo, face à informação de que disponho, não me parece que eu seja “colega” de algum comentador deste blog.
O meu comentário não tinha qualquer ponta de ironia, pelo que não percebi o sentido da sua advinhação.
Março 13, 2008 at 11:36 pm
Eu ando é mesmo tristinha!!! A minha escola mesmo, sem autonomia, já esteve muito próximo do que eu acredito o “modelo”. Sujeita à “Avaliação Integrada das Escolas” obteve a classificação de Excelente. O relatório da inspecção abria com a declaração de uma aluna que dizia: “Eu não não trocava esta escola por nada deste mundo”. Foi essa a avaliação que me importou. Daí em dianta os burocratas da 5 de Outubro encarregaram-se de a estragar, aos bocadinhos… é esse o motivo da minha revolta!
Março 13, 2008 at 11:50 pm
A minha escola não é de elites, recebe os meninos de todas a Instuições de Acolhimento de Crianças em Risco(3) da cidade, tem uma percentagem elevada de meninos com apoios sócio-económicos. Não tem abandono escolar e tem óptimos resultados na avaliação externa. A ministra, bem podia vir aprender como se constrói uma verdadeira Escola Pública ( enquanto ainda restam os caquinhos…).
Março 14, 2008 at 12:34 am
MInha cara,
A minha opinião é formada quase exclusivamente pelo que aparece publicamente na comunicação social. Admito, que a opinião da maior parte dos portugueses seja formada dessa maneira. E, francamente, não abona muito as pessoas que aparecem a dar a cara e, por consequência, dos professores. A visão que expôs inicialmente tem ou não massa crítica suficiente para ir à luta? Para, no mínimo, ser publicamente evidente que existem correntes de opinião, dentro do sistema, que defendem outras coisas para além do mais do mesmo…
Março 14, 2008 at 12:54 am
Algumas das razões porque esta avaliação de professores é uma loucura e um pântano:
http://www.scribd.com/doc/2274810/Avaliacao-de-Professores-alpha-de-Cron
Março 14, 2008 at 1:25 am
José Sócrates: bastava substituir a palavra “professores” por “criminosos”
http://www.scribd.com/doc/2247135/Cartas-ao-Director-Ouagadougou
Março 14, 2008 at 1:48 am
jmsc
Eu compreendo claramente o que diz. Nós não temos acesso aos meios de comunicação e eles não vêm às escolas conhecer o que lá se passa.
O modelo que eu defendo, mais coisa menos coisa, é partilhado pela maioria dos professores. Acontece que nós não temos autonomia para nada, estamos espartilhados em decretos/normativos e afins e esmagados por uma burocracia que nos afasta do essencial – o trabalho com os alunos. Eu adoraria explicar-lhe tudo,mas levaria tanto tempo que acho que é por isso que nunca chega a ser informado. Prometo que, se estiver interessado, amanhã explico. Já agora, PE (Projecto Educativo), PCE (Projecto Curricular de Escola), RI (Regulamento Interno)
Março 16, 2008 at 1:47 am
Se bem entendi, esta alternativa é algo muito parecido com: “Fica tudo na mesma” !