Eu vi tanta coisa bonita…
Vi professoras grávidas de 6 e 7 meses;
Eu vi gritarem tantas vezes…
Vi professores com 39ºC de febre;
Eu vi o impedir que a corrente quebre.
Vi gente do sul, norte e centro;
Eu vi um mar de gente adentro!
Vi um professor a andar de muletas;
Eu vi os testemunhos de uma prova de estafetas!
Vi gente que já não via desde a faculdade…
Eu vi gente de toda a idade!
Vi conhecidos e amigos;
Vi abraços e sorrisos;
Vi tristezas e indignações;
Vi as lágrimas e as emoções;
Vi gritarem e fazerem silêncio:
Eu vi a coordenação e o consenso!
Vi as palmas da população:
Eu vi a sua compreensão!
Vi a beleza de uma multidão;
Eu vi a força da união!
E, no final, vi a ministra dizer,
Que fossem mil ou cem mil, não iria ceder…
E por isso, e tem tudo a ver,
Cara ministra: – O maior cego é o que não quer ver!
É… eu vi tanta coisa bonita…
Gostava apenas de dizer que não sou filiado em nenhum partido, não estou sindicalizado e não sou hooligan…
Sou apenas um professor que ama os seus alunos e ama muito a sua profissão.
Bem hajam… e o futuro há de dizer quem tem a razão.
Maurício Brito
Março 10, 2008 at 9:22 pm
Muita gente embarcou nesse logro comunicacional e defende-se por antecipação, abjurando da filiação partidária. Mas afinal é crime ou é pecado ser filiado num partido? Juro que não sabia! É que eu sou filiado num partido e não vejo mal nisso, nem isso me faz ver o mundo todo branco. Depois de receber o cartão, juro que continuei a conseguir raciocinar.
Março 10, 2008 at 9:22 pm
E já agora, também sou sindicalizado…
Março 10, 2008 at 9:39 pm
Não é um logro comunicacional, é uma declaração como qualquer outra.
Invertendo a lógica: é crime ser não militante e ser não sindicalizado?
Porque na manifestação os “nãos” eram mais do que os “sins” e isso deve ser tido em conta como uma vantagem.
A diversidade não pode ser tida como negativa.
Março 10, 2008 at 9:53 pm
Caro João Filipe:
Não pretendo defender-me seja do que for, pois considero tão digno ser militante e/ou sindicalizado como não o ser. Apenas quis dirigir-me aos que, nos últimos tempos, tentaram induzir um certa opinião pública de que as nossas manifestações eram realizadas por militantes de outros partidos ou por sindicalistas/sindicalizados…
Apenas isso, caro João.
Grato pelas palavras, Paulo.
Março 10, 2008 at 9:58 pm
Maurício, eu até estive para não incluir a última parte do mail, mas achei que era relevante, para que os habitués destas coisas percebessem a dimensão “extra” e singular desta manifestação.
Março 10, 2008 at 10:02 pm
Eu nem sei os colegas, mas , quando penso nessa tarde, não sei, sou mesmo muito emotiva… sinto que realmente foi tudo muito bonito, sem incidentes, com serenidade, todos regressaram bem a casa… e estas palavras de Maurício Brito dizem-no na perfeição.
Março 10, 2008 at 10:15 pm
Já tinha dado os parabéns ao Maurício noutro post. Adorei, este texto explica tudo aquilo que sentimos por lá.
Março 10, 2008 at 10:31 pm
Maurício, sem ofensa! Compreendo agora que estava a reagir contra as insinuações de manipulação. Mas como para mim essa tese já deu o que tinha a dar, pensei que ainda estivesse a valorizar uma distinção que, em minha modesta opinião, não tem qualquer merecimento.
Foi isso que nos separou: o Maurício usou a linguagem “deles” para os contestar, eu rejeitei-a demasiado energicamente.
Chamei-lhe “logro” porque, sinceramente, acho que essa mentira foi intencional e apanhou muita gente na armadilha. Nem é bom nem é mau ter ligação a partidos e sindicatos, e o contrário também não.
Março 10, 2008 at 10:34 pm
Forte abraço, João!