Vejo de passagem José Sócrates na RTPN a fazer umas declarações algo agitadas, incorrendo em diversos erros factuais.

Resumindo, afirmou o nosso Primeiro-Ministro que:

  • As progressões na carreira dos professores têm sido automáticas, bastando apresentar um Relatório Crítico.
  • Nos últimos 20 anos nenhum professor deixou de progredir.
  • Que nos últimos 20 anos só se tem conjugado o verbo «adiar» em matéria de avaliação dos docentes.

Ora quer-me bem parecer que José Sócrates deve estar sob extrema pressão atribuível às duras funções de PM e que terá sido vítima de alguma desinformação, possivelmente mal recolhida em blogues, pois:

  • Os professores para progredirem necessitam, antes de elaborar o dito Relatório Crítico, de frequentar Acções de Formação creditadas pelo ME,  com formadores acreditados por uma instituição em que o ME delegou essas funções, sendo aprovados de acordo com regulamentação emanada do ME. Se as ditas acções foram mal aprovadas e os formadores erradamente investidos em tal função, os professores não são responsáveis por isso.
  • Nos últimos 20 anos houve professores que não progrediram mesmo assim, em diversos contextos, e ainda ontem ouvi um relato de uma dessas situações. Para além disso, o nosso PM parece desconhecer a antiga prova de acesso ao 8º escalão.
  • O Estatuto da Carreira Docente foi revisto em 1998 quando estava no Governo o PS, sendo José Sócrates um dos elementos desse Governo e não se lhe conhecendo posições públicas nessa matéria, nem então, nem depois, sobre essa forma de «adiamento» do problema. Aliás, Augusto Santos Silva, enquanto Secretário de Estado e depois Ministro da Educação estará em condições de confirmar isso mesmo ao seu antigo colega e actual superior hierárquico no Governo.

O que é lastimável é que, por razões certamente inimputáveis ao Primeiro-Ministro, estas afirmações carentes de fundamento passem como correctas em prime-time noticioso, sem que seja resposto o rigor dos factos por Fátima Campos Ferreira, ao finalizar a emissão. Ou antes de um qualquer intervalo da programação.

E é igualmente preocupante que o nosso Primeiro-Ministro possa estar a laborar num erro de apreciação de uma situação ao, sem qualquer responsabilidade, tomar como boa a informação manifestamente «incompetente» (uso o termo a que a Ministra da Educação recorreu para qualificar o esquema da avaliação mostrado no Expresso, RTP e outros órgãos de informação) que lhe terá sido fornecida por alguém.

Porque pode estar-se a tentar reparar apressadamente um erro, caindo de forma desnecessária num erro equivalente ou maior, tudo por causa da chamada «desinformação», essa coisa malévola.