Ministra promete continuar a trabalhar para encontrar as “melhores soluções”
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O que são «melhores soluções»?
Uma fórmula vazia para ganhar tempo e compreensão presidencial?
Será esta equipa ministerial capaz de admitir que o erro ou o equívoco podem estar do seu lado?
Ou acham que «determinação» e «mudança» são valores por si mesmos?
Uma «melhor solução» não é ouvir, a preceito, uns quantos elementos cooptados pelo próprio ME ou uma dezena de representantes de órgãos de gestão, receosos que sobre eles caia o poder disciplinar do Ministério caso não sigam religiosamente os ditames da tutela.
Há que saber o que é diálogo, que vai muito para além da troca de papéis ou de chavões feitos em reuniões meramente para cumprir calendário.
A Ministra deveria saber que as reformas são indispensáveis, mas que é difícil achar boas reformas a partir da 5 de Outubro, de forma enclausurada em lógicas livrescas de gabinete.
Se assim fosse há muito que as coisas estariam resolvidas na nossa Educação.
O erro fulcral foi nunca ouvir quem trabalha no terreno de forma efectiva e sem receios de parte a parte.
Março 8, 2008 at 10:56 pm
Até a Ferreira Leite diz hoje no Expresso que “modificar propostas tomando em consideração os contributos positivos para o seu aperfeiçoamento, não é sinal de fraqueza, mas de seriedade”. Será que també é comunista por discordar da ministra?
Março 8, 2008 at 10:57 pm
Mas ainda se dão ao trabalho de a ouvir: a senhora já não diz coisa com coisa e está lá claramente com uma missão: poupar poupar e estrangular a carreira docente.
Só não vê isto quem não quiser.
Façam as contas do que se poupa impedindo os professores de subir para os escalões de topo e chegam a um número bem interessante.
Figgers only figgers o resto é para disfarçar.
Março 8, 2008 at 11:04 pm
Entretanto o orçamento de 2008 para viagens, ajudas de custo, assessorias, campanhas eleitorais … foi substancialmente AUMENTADO.
É escandaloso, que se corte na educação e saúde para os passeis dos políticos
Março 8, 2008 at 11:04 pm
A expressão “promete continuar a trabalhar” não deixa de ser preocupante… é que há pessoas que deveriam ficar “sussugaditas” e a população ficar-lhes-ia sinceramente grata. Depois do dia de hoje, acredito que não serão só os professores a agradecer a MLR umas férias prolongadíssimas em qualquer estância termal (de preferência nos antípodas).
Março 8, 2008 at 11:06 pm
Manifestação
20 autocarros com professores retidos pela polícia na A1
Por Margarida Davim, com Andreia Félix Coelho
Vinte autocarros com professores vindos do Norte foram parados numa operação stop da Brigada de Trânsito da GNR junto à estação de serviço de Aveiras na A1, adiantou ao SOL fonte do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados. Mário Nogueira acabou de confirmar esta informação no seu discurso no Terreiro do Paço, enquanto os docentes gritavam «fascistas»
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=84073
Março 8, 2008 at 11:10 pm
E os nossos ordenados é que pagam esta “palhaçada”:
http://www.correiodamanha.pt/noticiaImprimir.asp?idCanal=181&id=278296
http://www.correiodamanha.pt > Exclusivo CM
2008-02-18 – 13:00:00
Administração Pública: Despesa cresceu 155 milhões
Serviços externos custam 958 milhões
O Governo tem feito da redução da despesa pública um dos seus cavalos de batalha, mas se tem conseguido fazer com que o aumento dos gastos com salários seja menor, o mesmo não se pode dizer em relação à aquisição de serviços. Entre 2006 e 2007 a despesa com remunerações aumentou 63 milhões de euros, ou seja, 0,8 por cento, enquanto os gastos com a aquisição de serviços subiu perto de 155 milhões de euros, isto é, 19,3 por cento.
Pedro Catarino
No total o Estado gastou perto de 958 milhões de euros com a aquisição de serviços e 8,330 milhões de euros com salários.
Para o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que fez as contas ao aumento da despesa com a aquisição de serviços, isto “revela a intensificação do recurso do Estado ao outsourcing, ou seja, a contratação de serviços a privados.
“Na Saúde, por exemplo, temos visto o Ministério prescindir de funcionários com contratos a prazo para depois esses mesmos trabalhadores executarem os mesmos serviços mas numa empresa privada”, denunciou Bettencourt Picanço em conversa com o CM. Com isto, e segundo o sindicalista, o Estado gasta mais dinheiro porque em vez de pagar, por exemplo, 500 euros ao funcionário passa a pagar 700 euros à empresa.
“Isto é, aumenta o desemprego e a colocação de trabalhadores na eufemística mobilidade especial e alguém engole as verbas poupadas engordando os lucros invisíveis”, refere o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado.
O Ministério que mais gastou com a aquisição de serviços foi o da Justiça, onde esta despesa disparou 65 milhões de euros em relação ao ano anterior. Seguiu-se o Ministério dos Negócios Estrangeiros com um acréscimo de 51,3 milhões de euros e a Defesa com uma subida de 26,2 milhões de euros.
APELO AO VETO PRESIDENCIAL
O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado considera discriminatório que os funcionários públicos tenham de descontar mais um por cento dos seus salários que os restantes trabalhadores para que lhes seja reconhecido o direito à protecção social em caso de desemprego. Por esta razão, o sindicato presidido por Bettencourt Picanço pediu ao Presidente da República que vete o Decreto-Lei número 187 sobre a Protecção no Desemprego na Administração Pública ou, pelo menos, que solicite a sua fiscalização preventiva pelo Tribunal Constitucional. A organização sindical alega que este decreto “viola o princípio da igualdade” ao fazer com que os funcionários descontem uma taxa social total de 12 por cento, enquanto os restantes trabalhadores descontam 11 por cento.
DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS
Ministério: 2006 / 2007
Justiça: 75,3 / 140,3
Negócios Estrangeiros: 33,7 / 85,0
Defesa: 229,7 / 255,9
Agricultura: 34,0 / 43,0
Saúde: 26,9 / 33,2
Administração Interna 105,5 / 108,7
Educação: 28,6 / 30,0
Obras Públicas: 6,5 / 7,5
Finanças e Adm. Pública 138,0 / 138,4
Ciência: 5,6 / 5,2
Trabalho: 13,1 / 13,3
Ambiente: 28,2 / 23,5
Cultura: 27,1 / 22,8
Economia: 17,9 / 14,9
Valores em milhões de euros
Fonte: Direcção-Geral do Orçamento
APONTAMENTOS
AGRICULTURA
Na Agricultura, o Ministério que até agora mais funcionários colocou em situação de mobilidade especial, a despesa com aquisição de serviços aumentou nove milhões de euros.
CORTES
Houve três ministérios que conseguiram reduzir os gastos com esta rubrica em 2007. Foram eles os ministérios do Ambiente (menos 4,7 milhões de euros), Cultura (menos 4,3 milhões de euros) e Economia(menos três milhões de euros).
PARCIALIDADE
O STE aponta a possibilidade de a contratação de serviços abrir a porta à parcialidade de pareceres jurídicos. Isto porque se um serviço pedir um parecer a um jurista que seja funcionário desse serviço obterá uma opinião independente e imparcial. Já o mesmo pode não acontecer quando esse parecer é pedido a uma empresa privada, com outros interesses.
NOTAS
JUSTIÇA INVESTE NA INFORMÁTICA
O Ministério da Justiça gastou mais 65 milhões de euros com a aquisição de serviços, em parte, devido à informa-tização dos tribunais, como a introdução da gravação digital.
PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UE
Assumir a liderança da UE implica custos adicionais com serviços para o Ministério dos Negócios Estran-geiros, como por exemplo a despesa com deslocações.
DEFESA APOSTA NA MODERNIZAÇÃO
A modernização das Forças Armadas nacionais tem uma elevada responsa-bilidade no aumento de 26,2 milhões de euros nas despesas com aquisição de Serviços na Defesa.
Sandra Rodrigues dos Santos
Março 8, 2008 at 11:14 pm
Não me espanta o auto-stop a que foram sujeitos os professores que vinham participar na manifestação. É uma atitude normal, da parte de quem vive de fachada, da manipulação dos Mass média, do imediato.
Mas este comportamento, já tem mais de trinta anos, a forma é que já não é tão camuflada, é mais descarada, com excepção do assassinato de Sá Carneiro e Amaro da Costa, que foi crime político… mas como vivemos em democracia, não faz mal … tivesse sido durante o Estado novo, e as conclusões seriam outras!
Cumprimentos
Março 8, 2008 at 11:17 pm
Depois da manifestação de hoje,algo já começou a mudar, por muito que MLR não queira ver.
Março 9, 2008 at 11:05 am
lembram-se deste Blog?:
http://doportugalprofundo.blogspot.com/
Sábado, 8 de Março de 2008
A Política do Contra e a repressão ..
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Imagem editada daqui
O Governo de José Sócrates ficará na história do Portugal pós-revolucionário até hoje como o mais intolerante para a liberdade de informação e opinião e, num âmbito ainda mais largo, o maior desrespeitador dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.
56 votes
Os casos tornados públicos, além de muitos outros que por receio se escondem ou por terror se abafam, são o sintoma da cólera governativa, de que o comportamento do primeiro-ministro é o caso mais grave. Os casos Dossier Sócrates (que aqui se sofreu), Charrua (a quem agradeço o simpático comentário deixado na minha caixa), Dissidências (ver explicação), a ameaça de organismos carentes do Governo como no caso da extraordinária Educação do Meu Umbigo (ver caso e comentário explicativo) do Paulo Guinote e Educar na Escola, perseguição a sindicatos, atemorização de professores, divulgação televisiva nas novas Conversas em Família por Fátima Campos Ferreira da auto-crítica de funcionários contestatários, são a evidência tangível de um estilo tenebroso e, mais além, de uma política para-ditatorial.
As tácticas de intimidação alegadamente praticadas, consecutivamente (o que define um padrão), por funcionários (polícias) do Ministério da Administração Interna, dirigido pelo ex-director dos serviços secretos portugueses (SIS) Rui Carlos Pereira, têm de ser enquadradas nessa política de repressão das liberdades dos cidadãos, que nos faz lembrar as barricadas estalinistas à manifestação da “maioria silenciosa” do 28-9-1974 ou a protecção armada do Copcon às peregrinações ao santuário de Fátima em 1974/75. Como se estivéssemos na Roménia de Ceausescu, efectuam-se diligências cuja iniciativa e direcção se escondem, promovem-se inquéritos, filtram-se procedimentos de repressão de manifestações para os media, desinforma-se (veja-se a explicação de quem é quem no post “O mestre em defesa da discípula”) e insulta-se através de opinadores alinhados (professores-”hooligans”!…), com o objectivo de limitar os estragos mediáticos de concentração de descontentes e contestação da política governativa. Só nos falta a entrada em acção dos mineiros, à maneira do ditador romeno, mas tendo em conta o que se anuncia, lá chegaremos…
Para além de um erro de diagnóstico ou, pior!, o Governo fecha os ouvidos e olhos ao descontentamento legítimo dos professores contra modelos absurdos – veja-se o emaranhado do modelo subjectivo de avaliação dos professores (veja-se diagrama da avaliação, via Ashera, e outro esquema mais detalhado, 1 e 2, na revista Visão, via Educação do Meu Umbigo) ou o processo de selecção de professores-titulares – e o vilipêndio da dignidade da classe profissional ( conforme sondagem da Gallup para o World Economic Forum divulgada em Janeiro de 2008) em que os portugueses mais confiam (em perfeito contraponto com os políticos que são relegados para o último lugar dessa lista), desviada, por reformas burocratizantes, delírios pedagógicos e utopias didácticas, da sua verdadeira missão que é ensinar (veja-se este excelente artigo do prof. Pedro Castro na incontornável Educação do Meu Umbigo). Enquando o Governo se fecha, o Presidente da República partiu para o Brasil numa reedição do seu passeio ao Pulo do Lobo de 8 de Maio de 1994…
A Marcha da Indignação dos professores hoje, 8-3-2008, em Lisboa – e a iniciativa espontânea (na primeira onda de SMS) dos protestos que fugiram propositadamente ao controlo sindical, por desconfiança de compromissos de gabinete que salvam a face de governantes em troca de trocos e desonram os representados -, é a prova da dignidade de uma classe maltratada que não admite que a sua honra de missão, sacrifício e honestidade, seja posta em causa pelas tácticas de demonização dirigidas contra si pelo Governo de José Sócrates.
A manifestação dos professores tem um significado ainda mais profundo: é a assunção da classe profissional mais reputada em Portugal da responsabilidade civil de expressar a sua indignação pela degradação do Estado e regressão do País. O professor que marcha hoje em Lisboa, significativamente do Parque Eduardo VII em direcção ao Terreiro do Paço, manifesta-se na dupla qualidade de professor indignado e cidadão preocupado. Nesse sentido, esta Marcha Negra docente de luto pelo Estado é a continuação da Marcha Branca pela protecção das crianças face à rede pedófila.
Na Política do Contra, que melhor define a actuação deste executivo, o primeiro-ministro e os ministros que comanda, com mão-de-ferro e os recados do Martins, governam contra os funcionários públicos, contra os contribuintes, contra as empresas, contra os jornalistas, contra os residentes no interior, contra os médicos, os enfermeiros e os doentes, contra os professores, contra os pensionistas… contra o povo. Governam contra na esperança pérfida e ignorante de que a inveja ou alívio dos outros grupos os una com o Governo. Mas como o fazem sucessivamente com os demais grupos, acabam por garantir a unidade de todos contra eles, consolidada pela confirmação do povo de que o prometido milagre económico prometido para o final deste período de jejum, afinal, é apenas mais outra charlatanice política.