CARTA ABERTA AO CIDADÃO COMUM, ALUNOS, PROFESSORES E PAIS
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Afinal, o que queremos?
Queremos uma escola aberta, alicerçada em regras democráticas, isto é, participada e feita por aqueles que lhe dão corpo (alunos e pais que os representam, professores, funcionários), sendo desde logo e concomitantemente, a escola da aprendizagem da democracia ou, funcionando com a filosofia e as regras empresariais, isto é, obedece quem trabalha manda quem pode?
Queremos educar os nossos filhos na liberdade de pensamento e de escolha, na descoberta do saber, alicerçada nos melhores valores sociais e morais, como a solidariedade, a procura do belo e do diferente, ou uma educação para o sucesso (de alguns, poucos, num sistema em que cada vez cabem menos), cuja liberdade de escolha e de procura do científico fica limitada às necessidades empresariais do momento e tendo como valores a concorrência a partir do berço, onde vale tudo, da rasteira à denúncia, e como cartilha única um qualquer manual de marketing do vendedor do ano?
É que podemos querer, sabem?! Do ensino, o dono somos nós, os cidadãos comuns, os trabalhadores, não os empresários bajulados pelo Governo e pela Televisão Pública (expropriada a quem a sustenta). Somos nós, com os nossos impostos, que financiamos directa e indirectamente o que se gasta no ensino neste país. Até parte do privado, onde não temos lá os nossos filhos.
Antes de mais, a declaração de interesses. Sou trabalhador por conta de outrem (não sou funcionário público) com os impostos em dia, pai de dois estudantes em escolas públicas, um já maior, universitário, outro, menor, no secundário, mas, sou em primeiro lugar e antes de tudo cidadão, que entende que a felicidade é o melhor bem que a espécie humana foi capaz de criar. E que entende que a liberdade, o conhecimento e o bem estar mínimo são os seus pressupostos.
É nessa qualidade, de cidadão de meia idade, que se sente enojado, é o termo, com o papel que certos intelectuais da sua geração e de gerações anteriores, que têm no seu passado a luta pela liberdade (na verdade, apenas contra o regime) têm feito, quer nos partidos, quer na sociedade, sob a veste assexuada de comentadores, em defesa do conforto alcançado nas poltronas do sistema, que sentiu a necessidade de aqui vir vomitar a sua revolta, indisposto com a verborreia falaciosa e oportunista dominante.
Todos nós, os mais humildes, e que fizemos o liceu antes do 25 de Abril, se chegámos às letras e à Universidade, foi graças a um professor que em determinado momento se cruzou nas nossas vidas e que, com o seu entusiasmo, particular sensibilidade, maior disponibilidade ou conduta admirável nos despertou ou abriu um caminho. Esse professor, a excepção, foi para nós o espaço de liberdade e de futuro que a escola pública (leia-se, paga com o dinheiro público mas dirigida pelo Governo), em regra, não nos dava. A trilogia, Deus, Pátria, Família fazia, então, do chefe da família, hoje encarregado de educação, e do professor primário, as traves mestres do sistema.
Depois do 25 de Abril, os alunos, um dos sectores mais combativos pela liberdade e, depois, os professores, passaram a encarar a escola como um espaço de liberdade, em que a diversidade, embora minoritária no modo de administrar os conhecimentos, pôde ser preservada. É essa “liberalidade” que agora se procura enterrar definitivamente.
Todos os que trabalham no privado sabem o que é a avaliação. É o instrumento de gestão que permite que, sem nada proibir, tudo o que seja autonomia ou direito do trabalhador está penalizado, está tudo auto proibido. O sistema de avaliação é o instrumento mais perverso que o Capital engendrou até hoje contra o trabalhador, enquanto cidadão. Começa por gratificar sempre as chefias de topo e intermédias que vão fazer a avaliação, na proporção da sua disponibilidade para fazer cumprir as ordens a qualquer preço e, a seguir, para ser elegível para uns trocados, incentiva-se os trabalhadores a abdicar de ter horário de trabalho, de reivindicar condições de trabalho, de fazer greve, de engravidar, de faltar seja por que motivo for; incentiva-se à delação e ao abandono de qualquer ética ou princípio a favor de alcançar um qualquer objectivo financeiro. É uma prática corruptiva das consciências dos cidadãos enquanto trabalhadores. É a avaliação do seu grau de subordinação.
Tendo o actual Governo a ideia de que coisa pública é coisa privada do Estado e o Estado coisa sua, não tem feito mais que importar e impor esta mesmas regras e métodos àquilo que é suportado por todos nós e cujo objectivo seria supostamente nos servir. É assim que qualquer mulher contratada a termo num hospital público tem que declarar que aceita ser imediatamente despedida se ficar grávida, bem como conformar-se com a hipótese de ficar eternamente a termo para não ter quaisquer veleidades reivindicativas ou de cidadania. Têm aqui os professores, nestes exemplos da Saúde, a bola de cristal que lhes pode permitir ler o futuro.
Mas, o que é mais vergonhoso é que os testa de ferro da aplicação e defesa aberta ou encapotada, deste quadro de valores deplorável, são os mesmos que antes do 25 de Abril clamavam por liberdade e agora no Estado, nos partidos, nas empresas privadas e públicas, na televisão, para partilharem da gamela do poder ou das suas benesses, reduziram essa pretensão de liberdade à dimensão da actividade financeira do capitalista, do empresário. Aliás, muitos negam-se a si próprios transmitindo a ideia que antes não existiram.
É evidente que as escolas, genericamente falando, estão longe de serem um modelo de aprendizagem da democracia e da cidadania que muitos de nós queríamos para os nossos filhos. Para isso é preciso que se abra mais à comunidade, que cada aluno seja um bem sempre a preservar e a desenvolver e, como tal, todo o professor um aluno, Que os conhecimentos e as competências sejam alcançados não com base num manual adoptado, mas num programa colectiva e individualmente desenhado, baseado na realidade social e cultural do grupo e do aluno, etc., etc. Mas, sobre isso há excelentes trabalhos que foram saindo do Ministério da Educação ao longo dos anos, muitos feitos por professores, simultaneamente excelentes pensadores de uma educação abrangente, criadora e livre (e não por empresário/gestor com o pensamento castrado ao mundo do resultado financeiro), que nunca foram aplicados pelo Ministério por entender ser contra natura ao sistema político-económico dominante.
Mas, o que podemos ter como certo é que o Poder não está preocupado em promover mais democracia nas escolas. O que salta à vista é que esta avaliação é uma falácia e nunca terá como preocupação ou visará como objectivo uma escola inclusiva. É no sentido oposto desses desejos que ela se move embora por pura sofisma não tenha a coragem de o assumir.
É uma falácia porque ela não é um fim, não visa avaliar os méritos de um professor enquanto tal, mas trata-se de um mero instrumento na destruição do actual modelo da escola pública. A escola pública irá ser reduzida às necessidades básicas. Quem tiver dinheiro vai para o privado, quem não tem fica no público, com o desnivelamento daí decorrente. Daí o ataque, pelo Ministério, ao ensino especializado da música, como muito bem foi denunciado pelo Conservatório de Lisboa. Quem passa a mandar na escola e a pautar as despesas “necessárias”é o gestor. Professores estarão lá para trabalhar apenas e os alunos para aprender aqueles conteúdos que os iluminados entendem como os necessários. Depois da divisão dos professores em duas categorias, situação instrumental para a pirâmide que se quer construir, a avaliação é apenas a peça que permitirá aplicar critérios de obediência estrita dos professores às directivas ministeriais na implementação do seu projecto, incluindo a diminuição de custos com os seus salários (que há alguns anos não são aumentados).
Nunca terá como objectivo uma escola inclusiva a aplicação instrumental de um tal modelo de avaliação individual, decalcada do modelo empresarial, onde a perseguição do seu fim natural, o lucro, só se pode fazer com métodos bem selectivos, o contraponto de metas como melhor ensino para todos, uma escola participada ou mais democrática, que promova a liberdade com responsabilidade e evite a marginalidade precoce e a violência na sociedade.
Agora serão os custos, a seguir a redução da oferta das matérias a ensinar às necessidades do mercado empresarial do momento. Áreas inteiras do saber podem ficar em risco a curto prazo.
A luta dos professores para ser consequente não se pode ficar por reivindicar o adiamento da avaliação, mas denunciar toda a avaliação que não vise objectivos de ampliação da uma escola democrática e inclusiva, isto é, participada, plural, com os padrões mais elevados para todos poderem ser os melhores e sem deixar ninguém de fora, por que todo o aluno é pessoa importante. Nesta fase de recuo do Governo, vão-se os anéis para ficarem os dedos. Recuará no secundário para salvar o essencial, dizendo que se trata de uma reforma necessária. Os seus apaniguados de serviço, os jornalistas e comentadores habituais, farão o coro e o apelo à serenidade, que é o mesmo que dizer à desistência da luta. Alguns professores hão-de ser convidados para colaborar nessa pretensão, de preferência ligados aos partidos opositores, para melhor fechar o cerco. É na firmeza e na convicção da maioria anónima e descomprometida com todos os poderes instituídos, não controláveis, que tudo se há-de decidir.
A revolta dos professores só pode ter o apoio de todo o cidadão consciente, dos próprios alunos que se devem mobilizar como é seu apanágio e não deve ser confundida com declarações de apoio dos partidos que procuram tirar dividendos mas cuja concepção da vida e do mundo é a mesma do partido do poder, ou ser reduzida a mera reivindicação sindical ou interesse corporativo. Deve merecer o apoio também de todos aqueles que têm filhos ou netos em idade escolar e querem um mundo melhor para eles (com excepção respeitável daquele senhor que é presidente da associação de pais e que vem arrostando com aquele papel confrangedor de pára – raios do Governo, espero que ao menos seja mesmo pai com filho em escola pública em idade escolar, senão o descalabro é total).
O meu apoio de cidadão livre fica aqui expresso.
José Manuel de Castro, de Lisboa.
Março 5, 2008 at 9:37 am
Devo viver noutro País. Tem piada, para mim a falta de liberdade de escolha se deva a um Ministério que tudo controla a la URSS e Sindicatos esquerdistas que apenas atacam tacticamente o Monstro Ministerial nunca o pondo em causa porque estão interessados na sua continuidade como tal.
Março 5, 2008 at 9:58 am
Bem-haja, José Manuel Castro!
Março 5, 2008 at 10:00 am
Tanta conversa para entreter tolos quando tudo se resume aos profs quererem mais dinheiro
Março 5, 2008 at 10:04 am
E não só: também queremos limousines, palácios, escravos… assim tipo boys do seu partido, xananax!
Março 5, 2008 at 10:15 am
«São muitos e até têm razões de queixa. Mas o grande número ainda não confere poder de veto político e os motivos para protesto não lhes dão razão na sua oposição global à reforma da escola pública. Como sucede com a generalidade das lutas de carácter sectorial, centradas na defesa de interesses profissionais, a sua capacidade para vingar na opinião pública e para vergar o poder político é reduzida.
Há quem tenha a ilusão de que milhares de professores na rua podem arrastar a demissão da ministra da Educação e paralisar as reformas em curso. Não se dão conta, porém, de duas coisas elementares: primeiro, Maria de Lurdes Rodrigues já deu sobejas provas de que não se deixa impressionar pela contestação; segundo, Sócrates nunca poderia ceder numa reforma essencial para a modernização do país, por causa do protesto profissional. Ainda que este conte com o apoio dos habituais (e dos novos…) “partidos de protesto”, a instrumentalização partidária de lutas profissionais não ajuda nada ao seu êxito, antes lhes retira legitimidade. De resto, para além de justa em si mesma, a reforma da educação até pode render mais votos na população em geral do que os que faz perder entre os professores…
A reforma do ensino público é essencial à sustentabilidade da escola pública, à melhoria do seu desempenho e à correcção dos vergonhosos indicadores nacionais no que respeita ao insucesso escolar e ao défice de qualidade do ensino. Tínhamos escolas e professores a mais e qualidade e produtividade a menos. A escola funcionava a meio tempo para a generalidade dos alunos e nem sequer proporcionava aulas de substituição no caso de falta dos professores. Uma insólita carreira profissional “plana” fazia prevalecer a antiguidade, e não o mérito, na progressão profissional. Faltava tanto uma genuína avaliação de desempenho como mecanismos elementares de selecção qualitativa dos professores. Um sistema de autogestão no governo das escolas gerava “endogenia administrativa”, défice de autoridade e falta de responsabilidade perante o exterior. Em consequência da sua degradação, a fuga da escola pública acentuava-se. Era preciso mudar quase tudo, portanto.
Os professores bem podem queixar-se da avalancha que lhes caiu em cima desde há três anos e que alterou profundamente a sua condição profissional. Mais tempo na escola, aulas de substituição e maior controlo da assiduidade, mais dificuldade de progressão na carreira, mais exigências de avaliação dos alunos e de informação aos pais, um exigente regime de avaliação, um novo sistema de governo escolar que lhes retira o monopólio na gestão escolar. Sentem-se vítimas de uma revolução que lhes cai em catadupa sobre a cabeça, sem tréguas, ainda por cima acompanhada do congelamento de progressões na função pública, que condena muitos professores à baixa remuneração de entrada na actividade.
Enquanto o Governo dá mostras de querer corrigir em quatro anos os erros e omissões de 30 anos, os professores adoptaram em geral uma posição radicalmente conservadora e reactiva. Mal habituados a levar sempre a melhor contra a 5 de Outubro, arrancaram logo em 2005 com uma greve a exames. Perderam, mas não se conformaram, tendo-se oposto irresponsavelmente a todas as mudanças, desde a redução das escolas sem alunos até ao concurso plurianual de professores, desde o novo estatuto da carreira à reforma da gestão escolar. O radicalismo sindical da Fenprof, instrumento sindical do PCP, não deixou margem para nenhum acordo nem nenhuma ponte.
Costuma dizer-se que as reformas devem ser feitas com os profissionais dos sectores em causa. A tese não é em geral verdadeira, verificando-se quase sempre a oposição dos interesses profissionais afectados. Na maior parte dos casos, os profissionais são mais forças de conservação e de reacção do que de mudança. No caso da reforma do ensino público, os professores mostraram desde o princípio que ela não podia contar com a sua aceitação, muito menos com a sua colaboração. Por culpa própria, forçaram uma reforma contra eles, já que partiram em guerra contra ela, sem concessões nem compromissos.
É sem dúvida desejável que as reformas sejam feitas, tanto quanto possível, em diálogo com os grupos profissionais afectados, procurando captar o apoio ou pelo menos a não hostilidade dos sectores moderados da profissão. Mas não pode haver ilusões quanto a realizar reformas sem ter de enfrentar e de vencer muitas resistências. Não há reformas absolutamente consensuais, pois quase todas afectam interesses de grupo. Quem não queira ou não possa vencer tais resistências não deve encetar nenhuma reforma de fundo.
Se se pode ter de fazer uma reforma contra a hostilidade dos profissionais, já é ilusório pensar que se pode levar de vencida essa resistência sem ganhar o apoio daqueles que delas são beneficiários, ou seja, os cidadãos e os contribuintes, em geral, que são os destinatários dos serviços públicos e suportam os seus custos. Estará votada ao fracasso toda a reforma que não estabeleça como ponto inegociável que os serviços públicos (escolas, hospitais, tribunais, etc.) não pertencem nem estão ao serviço dos respectivos grupos profissionais, mas sim da colectividade e dos seus utentes e beneficiários.
De facto, por mais legítima que seja a defesa de interesses profissionais dos professores (o que não está em causa), não existe nenhuma razão para crer, pelo contrário, que eles coincidem com os interesses das escolas e dos seus utentes, que cabe ao poder político prosseguir. Como bem disse há dias um comentador, “sem professores não há escola, mas a escola não é dos professores”.
Em seu próprio benefício, os professores deviam tornar-se parte da solução e não parte do problema. Também no interesse da reforma, a ministra da Educação deve trabalhar para isolar os sectores radicais e conquistar pelo menos a compreensão dos sectores mais moderados. Mas, chegada a hora de optar, não pode sacrificar nem adiar a reforma do ensino público de que o país não pode prescindir.» [Público assinantes]
Março 5, 2008 at 10:16 am
Por acaso nem sou filiado em nenhum partido.Ao contrário do que os profs pensam, nao e preciso ser do PS ou outro partido para contestar todo este folclore
Março 5, 2008 at 10:21 am
A sorte é termos uns iluminados que não se deixam enganar e que esclarecem os mais obtusos! Mostre-nos a luz! Tanto desapego implícito do vil dinheiro chega a ser comovente e inspirador. Meu Deus, fazei-me ser boa, mas não hoje!
Março 5, 2008 at 10:59 am
Não podemos, por lei, reter alunos no 1º ano. Fomos “avisados” que estamos a fazer retenções a mais no 2º ano. A nossa avaliação é prejudicada pelo número de retenções que fazemos.Exigem o mesmo nível de sucesso em crianças de meios favorecidos e de meios degradados.
É assim que alcançamos o sucesso educativo?
Março 5, 2008 at 11:55 am
Gostaria de ter sido eu a escrever a Carta Aberta publicada neste blog! Mas foi o José Manuel Castro. Obrigada.
Para a história da Luta pela Democracia em Portugal.
Março 5, 2008 at 12:09 pm
Afinal o que queremos?
Leiam e retirem as vossas conclusões. Não necessita de comentário. É um extracto de acta de uma reunião de um CP
Informações da reunião com um responsável de uma DRE (7 de Janeiro de 2007)
* Os resultados das Provas de Aferição deste ano (quase meio milhão) são difíceis de comparar com os anos anteriores, dado que, anteriormente, essas provas eram aplicadas por amostra. Todas as escolas devem interpretar esses resultados, definindo estratégias de melhoria;
* Os Conselhos Executivos têm de ter particular cuidado na nomeação dos correctores de exames. Segundo a responsável da Direcção Regional da Educação, “Os alunos têm direito a ter sucesso. Talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. O que honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos”;*
Este extracto de acta de uma reunião do Conselho Pedagógico foi-me enviado por alguém que não quis ser identificado porque, segundo afirmou, há medo e intimidação nas escolas.
http://professoresramiromarques.blogspot.com/2008/03/leiam-e-tirem-as-vossas-concluses-no.html
Março 5, 2008 at 12:58 pm
Olá a todos,
Para discutir este e muitos outros assuntos relacionados com a educação visitem a Sala dos Professores em http://www.saladosprofessores.com!
Já somos mais de 11.000 membros registados. Juntem-se a nós já hoje! Vamo-nos fazer ouvir! Quantos mais formos melhor!!
Março 5, 2008 at 1:43 pm
Maria Lisboa,
Claro que alguns professores sabem muito bem o que se passa. Mas a maioria e as pessoas em geral acreditam que existe um trabalho tecnico sério por detrás de tudo isto. Só que, infelimente (e então nestes últimos 3 anos!)de nada disso se trata. Tudo é previamente definido “politicamente” e a “tecnicidade” (pseudo) visa suportar as teses políticas. Claro.
Março 5, 2008 at 1:45 pm
O que os profs querem é uma vida descansada,progressões automáticas,chorudos ordenados,nada de avaliações e longos períodos de férias.
Ao menos podiam ser honestos com o resto da população e não andarem a fazer tristes figuras em manifs
Março 5, 2008 at 2:03 pm
Estou farto do Sr Vital Moreira, recentemente um amigo meu escreveu-lhe:
Já não é a primeira vez que V. Exª ofende os Docentes deste País.
Diga lá, também já deu aulas no ensino básico e secundário é um
expert em
educação, agora são todos especialistas no assunto, fazem lembrar
os
treinadores de bancada.
De facto v. Exª representa o que de pior tem este País a
maldicência, gostaria
de o ver a dar aulas numa Escola na Amadora ou Chelas para ver o
que é bom
Cumprimentos
RESPOSTA DO CAVALHEIRO:
Custa ouvir as verdades, não é?!
Quem não aceita as obrigações da profissão, que vá embora.
Passe bem
VitalM
Março 5, 2008 at 2:08 pm
Tudo errado nesta parte do código:
<div class=’snap_preview’>> (…) </div>
Remove todo o lixo Microsoftiano para que a dita carta seja minimamente legível.
Agradecidos.
Março 5, 2008 at 2:28 pm
Pois o post está cortado lateralmente. Carta magnífica, consegue-se compreender a mensagem mesmo assim. Obrigada José Manuel de Castro, estava a precisar de ler um texto assim.
Março 5, 2008 at 2:39 pm
“O que os profs querem é uma vida descansada,progressões automáticas,chorudos ordenados,nada de avaliações e longos períodos de férias.
Ao menos podiam ser honestos com o resto da população e não andarem a fazer tristes figuras em manifs”
Ó Xanana… mude de nick que até envergonha o verdadeiro!…
Mas é claro que queremos!… eu, quando for como o senhor, já não serei professora e estarei,sim, a ser canonizada… trabalharei todos os dias, dormindo apenas 4 horas, sem ganhar, nos 365 dias de cada ano e pedirei para que não reconheçam o meu esforo, porque pode parecer arrogância ou vaidade. Perdoai-me senhor, que sou pecadora!
E, sim, como vivo em Braga, nesta Semana Santa, hei-de jejuar muito e usar cilício por ousar pensar em algo tão mesquinho e mundano, eu que não sou digna de ter os mesmo direitos dos outros cidadãos, honestos e trabalhadores, como o Xanana e o Romero…
Março 5, 2008 at 2:43 pm
Xanana ou Anti-Tretas?
Março 5, 2008 at 2:48 pm
Resposta comentário 5!`Publicado pelo jornal Público.
“Em que país estava a ministra da Educação?
ESPAÇO PÚBLICO 9 PÚBLICO. SEGUNDA-FEIRA, 5 JUN 2006
Em que país estava a ministra da Educação?
O passado é negro, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão.
BEATRIZ PACHECO PEREIRA
Sucedem-se os ataques violentíssimos aos professores como únicos responsáveis pelo desaire
do ensino público (note-se, público, não privado, como se eles não fossem os mesmos.. .).
Caso é para perguntar à sra. mi¬nistra onde andava e que informação tinha sobre o que se passava, de há trinta anos para cá, no Ministério que agora tutela. Ninguém chega a ministro sem saber o que está para trás. Mas nada se nota. Se não está bem informada do passado, aqui ficam alguns dados que explicam bem como se pode ter chegado ao descalabro que apregoa.
Pergunta-se pois, sra. ministra, onde andava quando o seu Ministério…
1- …aprovou cursos de professores primários em que se proibiam as cópias e a memorização da tabuada (Institutos Piaget e quejandos…)
2- ” …deixou professores primários dar aulas em aldeias remotas em escolas sem água, sem luz e com alojamentos dignos de eremitas? E todos em verdadeiro trabalho missionário por esse país fora?
3- …deixou que o concurso de professores enviasse, anos e anos a fio, pessoas com uma qualificação de nível superior (as que devia mais estimar) pelo país inteiro, à custa de suas famílias (destroçadas) e dos filhos que não podiam ter ou levar consigo?
4- .. .ignorou ostensivamente que eles pagavam os transportes do seu bolso, viajando 100-120 quilómetros até, sempre sem qualquer ajuda de custo, diminuindo dramaticamente os que lhes sobrava no fim do mês? Não seria isto imoral e desumano?
5- .. teve inúmeros ministros que se sucediam a ritmo alucinante, cada um puxando pelos seus galões de docentes universitários, vomitando reformas continuamente e sempre sem ter em conta a sua adequação, implementação e funcionamento?
6- .. .deixou que a dotação financeira de uma escola secundária fosse absolutamente ridícula durante
décadas, mal dando para pagar a
água, luz, deixando que os edifícios escolares se degradassem de tal modo que nenhum professor se aventurava nas instalações sanitárias dos alunos, e
não havia recintos desportivos ou actividades extra-escolares?
7- …permitiu horários dos alunos que alcançam as 8/9 horas por dia, uma carga insuportável para qualquer pessoa? (tive uma turma destas este ano lectivo, e eu dava a 9° aula do dia!…)
8- .. .não se preocupou com o tempo de estudo dos alunos. Quantas horas sobram semanalmente para os alunos estudarem? Na escola, onde se pode estudar se não há salas de estudo organizadas e, em muitas outras as bibliotecas, se funcionam, não têm espaço para tal? Será em casa, à noite, com pais que se demitem cada vez mais da sua função de vigilantes e educadores?
9- …esvaziou o quadro das escolas de funcionários, deixando que sejam poucos, mal preparados e pouco mais do que empregados de limpeza?
10- …obrigou os professores (especialistas nas suas matérias, não se esqueçam) a passar muitas horas “extra horário”, a fazer tarefas administrativas que antes competiam aos funcionários não docentes, ou então em reuniões absolutamente improdutivas mas obrigatórias? Não sabia que os professores já passavam muitas noites e fins de semana a preparar aulas e material lectivo?
11- …permitiu que o Sistema Disciplinar se esvaziasse, em nome da retenção quase obsessiva de alunos dentro de portas e do aumento da população discente nas escolas, minando sistematicamente a autoridade dos professores? Este ano, sei que alunos com comportamentos irregulares, e até criminosos, com 20
ou mais participações disciplinares, não foram expulsos nem submetidos a nenhum programa de reabilitação por especialistas credenciados… Porque reduziu o Ministério o poder de sanção dos professores?
12- .. .só deu atenção ao número de computadores por escola e ao acesso à Internet mas não permitiu aos alunos compreender o poder dos media? Afinal os alunos passam o resto do escasso tempo diário a ver uma televisão que lhes mostra só publicidade de telemóveis, futebol, escândalos e anedotas… Os “valores” dos jovens, hoje, são ensinados pelo matraquear de televisões mal regulamentadas. Porque não age o Ministério sobre elas também? Porque será que abdicou da sua função reguladora deixando que canais abertos dêem pornografia encapotada, publicidade que ofende os
direitos humanos e dos animais, programas impróprios a horas do jantar? Porque nunca interagiu o Ministério da Educação com o da Cultura?
13- …permitiu que se extinguissem os Exames por puras razões estatísticas? Ninguém no Ministério sabia que era preciso separar os que sabiam dos que não sabiam, e desde o início da escolaridade? Porque facilitou sempre a passagem dos que tinham níveis negativos?
14- …deixou que as escolas tivessem apenas um psicólogo (quando o tinham, claro) que além de fazer sozinho a orientação vocacional, não tinha tempo para lidar com os casos mais graves que surgiam nos alunos? Porque, entre eles, não havia futuros desajustados da sociedade, nem doentes
mentais, nem vitimas de abuso sexual, nem de violência doméstica,
nem problemas de droga. Ou havia?
15- …não se deu conta da crescente feminização das nossas escolas? Por que razão isso aconteceu? É simples – ser professor era (é) das tarefas mais exigentes, mal pagas, de carreira mais difícil e incerta. Portanto, óptima para o lado mais fraco da nossa sociedade. Depois, com algum malabarismo, ainda deixava algum tempo livre para as tarefas domésticas. Os homens, simplesmente não se sujeitavam a isto e partiam para outras profissões, mesmo dentro da função pública como para repartições e organismos de gestão do Ministério da Educação. Esta acomodação a padrões de sociedade retrógrados nunca incomodou o Ministério?
(A propósito, os professores – homens estão a voltar ao ensino, não porque sintam vocação, mas porque há falta de empregos…)
Podia continuar estas interrogações que apontam para coisas que a sra. ministra, estranhamente, prefere não falar. O passado é negro, concordo, as estatísticas não se podem ignorar, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Porque os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão. Sabe a sra. ministra porque é que, em Inglaterra, já ninguém quer ser professor e andam à procura deles em Espanha e até em Portugal? PROFESSORA DO ENSINO SECUNDÁRIO
Março 5, 2008 at 2:54 pm
Não lhes dêem troco. Ficam tão contentes com a atenção! Fazem lembrar os nossos alunos carentes, necessitados de afecto,e que até fazem maldades,para receberem um ralhete e sentirem que alguém lhes liga. Tadinhos…
Falemos antes de coisas sérias.
Março 5, 2008 at 2:58 pm
É falso que a indignação dos professores seja consequência de manipulação de sindicatos. Há um número enorme de professores nas concentrações, arrisco dizer a maioria, que não são sindicalizados e que não têm qualquer filiação partidária. Eu sou um deles. Não esqueço, no entanto, que há uma tentativa de aproveitamento de toda a nossa indignação,(partidário e sindical) mas não é por isso que deixamos de nos sentir humilhados. A estratégia da terra queimada, tudo destruir para depois moldar a belo prazer, começou com os juízes, médicos e seguiu para os professores.Talvez sejamos o elo mais fraco desta cadeia (ou pelo menos assim pareceria) mas se algo de positivo há em tudo isto é a movimentação solidária a que se assiste e de que este blog é um bom exemplo.
É falso dizer que os professores não eram avaliados. E só por culpa do ministério da educação nunca foi possível ascender à categoria superior, uma vez que nunca foi publicada a regulamentação necessária. Vários professores se candidataram mas viram a sua progressão mais rápida inviabilizada.
É falso que não huvesse aulas de substituição. O estatuto da carreira docente (ECD)previa-o e era aplicado em muitas escolas. Fiz parte de um conselho directivo que sempre aplicou esse princípio. Mas tal como determinava o ECD tratava-se de serviço extraordinário e pago como tal. E se se trata de AULAS DE SUBSTITUIÇÃO, como o próprio nome indica, trata-se de SERVIÇO LECTIVO, não? Porquê atribui-lo agora na componente não lectiva?
Também começa a sentir-se da parte dos EE um certo desencanto com as medidas que foram veiculadas como sendo a resolução de todos os problemas da educação. Muitos já desconfiam da bondade destes processos e fazem-no sentir aos professores.
Março 5, 2008 at 3:12 pm
“O que os profs querem é uma vida descansada,progressões automáticas,chorudos ordenados,nada de avaliações e longos períodos de férias.” Olha que bela ideia! Pena, não ser assim na prática!
Março 5, 2008 at 3:15 pm
anahenriques,
sei bem disso
http://professorsemquadro.blogspot.com/2008/03/bem-do-pas.html
mariaprofessora
“Muitos já desconfiam da bondade destes processos e fazem-no sentir aos professores.”
Pena não o fazerem sentir ao ME e ao Governo… nós já sabemos disso.
Março 5, 2008 at 3:28 pm
“The capitalism must go on”, ou como construir uma sociedade moderna e alicerçada em agentes “corajosos” e imorais, à imagem de Hugo Chávez, Bush, Putin, Berlusconi, Paulo Portas, Rui Rio, Louçã, Jerónimo ou Sócrates
“The 21st century is becoming a neo-authoritarian laboratory, one where capitalism no longer has a need for democracy”.
“It’s with feelings of deep regret that I watch the domain of freedom being eroded bit by bit. The current situation is similar to the 1930s, when several kinds of authoritarianism were on offer all over the world. I think political systems are again experiencing a transition to postliberal forms. You have a choice between China’s ‘party dictatorial’ mode, the Soviet Union’s ‘state dictatorial’ mode, the USA’s ‘sentiment dictatorial’ mode and finally the ‘media dictatorial’ mode of Berlusconi’s Italy. Berlusconiism is the European test balloon of the neo-authoritarian turn”.
Sloterdijk 2005
Março 5, 2008 at 3:30 pm
mariaprofessora,
“Fiz parte de um conselho directivo que sempre aplicou esse princípio. Mas tal como determinava o ECD tratava-se de serviço extraordinário e pago como tal. E se se trata de AULAS DE SUBSTITUIÇÃO, como o próprio nome indica, trata-se de SERVIÇO LECTIVO, não?”
É preciso ter em conta que quem falta não é descontado, ou seja o estado pagaria a dobrar, estas horas deviam ser lectivas, no meu caso estão incluidas nos 90 minutos de compensação(passagem de aulas de 50 para 45 minutos)
Sobre carta,
“É uma falácia porque ela não é um fim, não visa avaliar os méritos de um professor enquanto tal, mas trata-se de um mero instrumento na destruição do actual modelo da escola pública. A escola pública irá ser reduzida às necessidades básicas. Quem tiver dinheiro vai para o privado, quem não tem fica no público, com o desnivelamento daí decorrente. Daí o ataque, pelo Ministério, ao ensino especializado da música, como muito bem foi denunciado pelo Conservatório de Lisboa.”
Chavão e futurologia, o principal inimigo das escola pública é tecido social que a rodeia, a estrutura do ME, e a má gestão, não este inconsequente modelo de avaliação.
Março 5, 2008 at 4:02 pm
Colegas, se consultarem a legislação francesa, via internet, poderão constatar que lá estas aulas de substitição são pagas. Outra coisa, já repararam que no novo ECD, na enumeração do tipo de faltas em que o professor está dispensado de apresentar um plano da aula, estão incluidas as faltas para comparecer a reuniões sindicais? Parece-me estranho, considerando que essas reuniões são sempre anunciadas com muitos dias de antecedência. Alguém quer um rebuçado?
Há muitos anos propus que os professores pudessem ser substituídos por colegas de grupo, quando tivessem de faltar. Um processo informal, simples, sem papéis nem burocracias, como creio que se pratica noutras profissões (bombeiros, médicos, porteiros, infermeiros, etc). Apesar de se falar tanto em autonomia das escolas, uma medida destas parece que esbarra com questões legais medonhas. Também algumas pessoas disseram temer que isso iria criar abusos, mas basta pensar que é um processo auto-regulado: ninguém estaria disposto a fazer substituições a um colega que não retribuisse. As pessoas não são parvas e por isso este processo nunca daria origem a abusos.
Março 5, 2008 at 4:31 pm
DA
“É preciso ter em conta que quem falta não é descontado, ou seja o estado pagaria a dobrar, estas horas deviam ser lectivas, no meu caso estão incluidas nos 90 minutos de compensação(passagem de aulas de 50 para 45 minutos)”
No meu caso esses 5 minutos (50 para 45) estão transformados em aula de apoio aos alunos -lectiva. As substituições (2 tempos/semana)estão na componente não lectiva.
Jaime
“Há muitos anos propus que os professores pudessem ser substituídos por colegas de grupo, quando tivessem de faltar. Um processo informal,…”
Enquanto estive no conselho directivo também se permitiram algumas trocas nestes moldes, (o que até era benéfico em termos de dinheiro para o estado) mas era um desafio à nossa gestão porque era …ilegal! Fomos avisadas de que isso não podia acontecer (embora tenha acontecido algumas vezes; os colegas sabem-no). Passámos então a aplicar o ECD vigente. Tudo legal. Se bem que ainda tivemos uma inspecção a pedir esclarecimentos… devemos ter esclarecido muito bem porque não voltou a aparecer.
Março 5, 2008 at 4:37 pm
1. Obrigada, José Castro.
2. Para a Ana (8) Nós é que devemos querer que esses meninos das áreas degradadas tenham êxito e exigir todas as condições para que isso aconteça. Os meninos deserdados não são mais incapazes que os outros. Não se pode deixar que cheguem ao 5º ano sem saber ler e escrever. Claro que muitos chegam à escola sem frequência de Jardins nem pré-primária. Claro que em casa vão ter um apoio diferente do que têm os outros. Por isso, os agrupamentos têm que fazer um investimento muito maior nestes meninos e criar as condições de apoio e tranquilidade para que gostem de aprender. Não pode contentar-se com a ideia de que a sua própria condição determina o insucesso.
3. Para o Jaime
De acordo com o novo estatuto as substituições são apenas por troca com colegas dentro do conselho de turma (trocamos o horário da aula a que temos que faltar) ou do departamento (quando não é possível no ct, um colega do departamento que a isso se disponha dará a nossa aula – nós devolveremos a gentileza quando for necessário).
A xaropada são as Actividades de Acompanhamento Educativo que nem deviam ser em espaço de aula. Quando o prof inesperadamente tem de faltar, a turma deveria ser encaminhada para a biblioteca, sala de recursos, sala de estudo… O problema é que se quer fazer de conta que aquilo são aulas. E embora o estatuto seja mau, não diz que aquilo são aulas. Os CE é que as impõem nesses termos.
Março 5, 2008 at 5:20 pm
Obrigado Sr José Castro Guimarães. São pais como o senhor e alunos como os que tenho e terei que me fazem ser professor. É lindo ser professor e um excelente tónico pais como o senhor. A escola está aberta e agradece a visita e a participação nela de todos os pais do mundo.
OBRIGADO, Muito Obrigado, vou mais sereno e confiante clamar o meu protesto no próximo dia 8. Até que a voz me doa.
Março 5, 2008 at 5:37 pm
Pô!
“Claro que muitos chegam à escola sem frequência de Jardins nem pré-primária.”
Eu tive a primária numa escola pública e não tive nada dessas “frescuras” que agora são moda. E até era uma escola num bairro social (eu tinha de andar 2Km para lá chegar porque a que era mais próxima estava lotada).
Não havia problemas de insegurança. Não havia gente a chumbar a torto e a direito, nem a passar sem saber. Nem havia a tão propalada “violência” dos professores do fascismo.
Havia respeito pelos professores. Havia delegação de autoridade pelos pais nos mesmos (e todos sabiam que se portassem mal levavam galheta). Era o terror se tinhamos de ir ao Director (eu fui uma vez, não me fizeram nada, nem me bateram, só levei um sermão e nunca mais lá quis ir; foi remédio santo).
Em todo o tempo só houve um caso em que o professor/a exagerou mesmo nas réguadas… e foi castigado/a por isso.
E levei muita reguada por não fazer os trabalhos de casa. Era bom aluno mas não era santo.
Depois houve o 25A e a bandalheira foi progressiva, começando por desautorizar os professores até ao que se vê hoje.
É o problema quando se confunde Liberdade com Libertinagem.
Março 5, 2008 at 6:34 pm
Custa ouvir as verdades, não é?!
Quem não aceita as obrigações da profissão, que vá embora.
Passe bem
Março 5, 2008 at 7:28 pm
Parabéns ao José Manuel de Castro.
Março 5, 2008 at 8:03 pm
O Romero também quer ser Vital Moreira?
Março 5, 2008 at 8:05 pm
Mais um estalinista convertido ao Sócrates
Março 5, 2008 at 9:36 pm
Colegas, não desbaratem energias com parvoíces de infiltrados.
Parabéns, Paulo! O seu blog é a pedrada no charco tão necessária neste momento de défice democrático. Força!
Dia 8 lá estarei!
Março 5, 2008 at 9:38 pm
não reajam às “palavrinhas” carinhosas do 30 e do 6… a palavras loucas…
Março 5, 2008 at 11:35 pm
Oh, não sejam más… em tempos tão áridos sabe tão bem brincar com os meninos!… é que tem piada ver um conjunto tão alargado de alarvidades… tipo palhaço pobre e palhaço rico!…
Ok… eu vou-me penitenciar…
Março 6, 2008 at 12:00 am
Custa ouvir verdades não é? Dizem-se vocês pessoas de formação superior…
Março 6, 2008 at 5:54 am
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Março 6, 2008 at 7:30 am
SPAM! SPAM!
Março 24, 2008 at 3:31 pm
Sim, é muito bom o texto, vindo de alguém esclarecido, e embora trabalhador por conta de outrem, não é de certeza operário.
Concordo integralmente com o texto desta carta, mas também sabe, quem quer, que não é por estas razões que os professores protestam.
Esta carta dirigida a todos, deveria de ser orientada preferencialmente aos professores. Estes com o seu comportamento até a data, foram os principais obreiros da escola que temos. Ou seja da escola que, de democrática já nada tem, onde “…obedece quem trabalha…” : alunos e encarregados de educação; e “…manda quem pode?”: professores. Após o 25 de Abril a escola foi encarada “ …como um espaço de liberdade…”, até os professores acabarem com esse espaço. Na escola que conheço nada é proibido, mas só é permitido o que os professores querem: refiro-me como é evidente á democracia interna e á participação dos restantes actores (alunos, encarregados de educação e funcionários).
Dar o apoio aos professores só porque protestam é, na minha perspectiva errado. Estes deveriam ser apoiados se protestassem por uma educação melhor, mais democrática, mais participativa, mas não é assim pois não. Nem é do interesse destes uma escola assim. É que uma escola assim implica que a avaliação seja efectiva, feita por todos (encarregados de educação inclusive).
Querer mudar o telhado com as fundações podres não me parece adequado. Não seria mais fácil começar a exigir nas Escolas para depois chegar ao Ministério.
Muito obrigado pelo alerta às nossas consciências. Mas o protesto que apoia é errado (na minha opinião) pelas razões que expus. O apoio a este protesto só aumenta o erro, e dois errados ainda não fazem um certo, mas aumenta o equívoco.
Para lutar por uma educação melhor, por uma escola democrática e participada, estou disponível; para apoiar quem apenas vê o próprio umbigo, não.