Professor retracta-se de acusação feita no programa Prós e Contras, da RTP

Inspector não recomendou atribuição de nota mínima a alunos da Escola de Ribeirão
O Ministério da Educação reafirma que jamais existiram, ou poderiam existir, orientações que condicionassem os professores na atribuição de notas aos alunos.

O professor Manuel António Magalhães Gouveia Cardoso, da Escola Básica (EB) com 2.º e 3.º ciclos, de Ribeirão, retractou-se da acusação feita a um inspector durante a sua intervenção no programa Prós e Contras, emitido pelo canal 1 da RTP, na passada 2.ª feira, dia 25 de Fevereiro, em carta enviada ao delegado regional do Norte da Inspecção-Geral de Educação (IGE).

Neste programa, Manuel Cardoso acusara um inspector da IGE de ter declarado aos professores, durante uma acção que desenvolveu nesta escola, que “a nota mínima é o 3” [com referência à escala de zero a 5].

A acusação motivou várias reacções, que convergem todas para a falsidade de tal afirmação.

Assim,

o inspector em causa assegura, em carta enviada ao inspector-geral da Educação, José Maria Azevedo, que “não disse, nem poderia ter dito, que ‘todos os alunos deveriam ter nível 3, no mínimo’ ”;

por sua vez, a presidente do Conselho Executivo daquele estabelecimento de ensino, Iolanda Sobral Torres, assegura que “não é verdadeira” a afirmação segundo a qual um inspector tinha pressionado a escola, no sentido de que ‘todos os alunos deveriam ter nível 3, no mínimo’.

Aliás, Iolanda Torres aproveita a ocasião para “realçar o rigor, a competência e o profissionalismo” do inspector durante a acção que desenvolveu na EB de Ribeirão.

O próprio autor da afirmação, Manuel Cardoso, sustenta, no seu texto, que não foi sua intenção “ofender o rigor, a competência e o profissionalismo do Sr. Inspector, pelo que lhe apresento o meu arrependimento, assim como a todos que se tenham sentido lesados”.

Da mesma forma, prossegue, “aproveito a oportunidade para expressar as minhas desculpas pela forma como me dirigi à Exma. Sr.ª Ministra da Educação” (…).

Por fim, o Ministério da Educação reafirma que jamais existiram ou poderiam existir orientações que condicionassem os professores na atribuição de notas aos alunos.

Tudo isto cheia que tresanda aos velhos métodos estalinistas de linchamento público e obrigação dos perseguidos fazerem o seu mea culpa público de todos os pecados possíveis e imaginários.

Mas mais interessante ainda é o aproveitamento que alguns dirigentes da Confap estão a fazer deste episódio e desta retractação, fazendo circular mails onde apresentam este caso como típico dos «professorzecos».

Já recebo vários reencaminhamentos dessas mensagens, com origem num dos  «secretários» da organização.

Por isso é que eu tenho muito receio destes tiros de fogo de artifício que de pouco servem, se não para embaraçar os próprios.

O colega precisa neste momento difícil de apoio e solidariedade, mas nunca escamoteando que o seu acto está agora a justificar uma ofensiva concertada do ME/Confap contra os docentes. E isso não pode voltar a acontecer.

Porque eles virão atrás de nós, abatendo na praça pública todos os que puderem.

E cada vez são mais os colegas que, contactados pela comunicação social, se ficam pelo off the record e com identidade reservada.

Não estou a colocar-me fora da carroça: também eu recusei recentemente a hipótese de uma reportagem sobre o meu quotidiano profissional. Não tanto por mim, mas mais pelos potenciais danos colaterais.

Porque um dos tentáculos do polvo esperneia nestas bandas do deserto, aqui demasiado perto.

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