Caro colega,
Sou professora de Inglês e Alemão da Escola Sec Campos Melo na Covilhã. Sou uma professora inconformada com o estado em que a escola se encontra. Gosto de ver a união dos professores na sua não aceitação das medidas do ME, mas vejo as fracturas, a fragmentação. Não temos um discurso afinado. Somos muitos e muito diferentes. Compreendo a avalanche de marchas de indignação e penso que são um primeiro momento de descompressão que tem de acabar. E depois? Sugiro que nos organizemos e reunamos anualmente em CONGRESSO, num Sábado. Nesse congresso – SÓ PARA PROFESSORES – faríamos as nossas intervenções com base numa dupla componente. Por um lado, dar conta de práticas diárias na escola, dar conta do que aí funciona bem ou mal e dizer porquê. Por outro, dar conta do que vai saindo em forma de livro – até do eduquês (!?) – e fazer uma leitura crítica dessas publicações. De momento, apesar dos inúmeros afazeres, incluindo a preparação da tese de mestrado, lavo a minha alma com o livro “A Lógica dos Burros”. Aqui está um bom livro a merecer reflexão conjunta. Porquê um congresso? Para, como alguém disse num dos muitos blogues de professores, criarmos uma IDENTIDADE.
Um abraço
Adélia Rocha
Março 2, 2008 at 10:05 am
Muitas iniciativas cabem no âmbito de uma associação. Comissões especializadas, com elementos dinamizadores próprios, uma publicação mensal a distribuir pelos associados, concursos com prémios aos vencedores por trabalhos publicados, sinopses de artigos publicados na imprensa com regularidade diária (trabalho que o Umbigo faz hoje em dia), mesas redondas com regularidade anual (género encontro da Baixa da Banheira). O que resultaria de tudo isto: numa palavra, lobby. Uma estrutura que o poder não conjseguia deixar de considerar.
Faço estas afirmações porque sou membro da Association for the Computer Machinary e conheço bem o poder que esta associação tem nos EUA.
Um congresso anual poderia ser um princípio…
Março 2, 2008 at 10:12 am
Apoio a ideia.Encontrar aspectos positivos no meio desta confusão…há pequenas coisas do nosso dia a dia que podem transformar-se se reflectidas e partilhadas, transformarem-se em grandes contribuições.Poderia exemplificar desde já…mas ficará para o “tal congresso com futuro não marcado”….
morfeu
Março 2, 2008 at 10:28 am
A preocupação desta colega fazem todo o sentido.Por isso é que na renião de dia 23 nas Caldas da Rainha os cerca de 500 professores ali reunidos avançaram com a constituição duma associação com um duplo objectivo: congregar todos os movimentos de professores nascentes e que se estavam a afirmar e segundo construir um discurso não só de afirmação do que não queremos (tem sido a tónica dominante – e ainda bem)mas do que queremos.
Explicitando o meu pensamento:
Sabemos apontar quais os aspectos mais gravosos do ECD mas quais as nossas (de professores)alternativas?
Sabemos o que nos preocupa no modelo de gestão escolar que o M.E. nos quer impor mas qual a nossa alternativa.O modelo que impera tal e qual? Com ajustamentos? Outro modelo ainda diferente?
No caso da nossa avaliação: sabemos que não queremos esta avaliação imposta pela milu, mas queremos a qual? A que estava em vigor? Com ajustamentos? Sem ajustamentos? Uma outra avaliação? Em que moldes?
Todas estas questões – e outras que não formulei -devam ser feitas e sobretudo devem ser respondidas…
Daí a consituição ontem mesmo da APEDE – Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino.
Já agora e porque não quero guardar “nada na manga” durante a próxima seman está prevista a primeira reunião de reflexão para começar a organizar o enorme trabalho que temos pela frente…
Francisco Trindade
Março 2, 2008 at 10:56 am
Gostaria de saber como me posso tornar membro da APEDE, com inscrição, quotas, enfim, tudo o que é de direito.
Março 2, 2008 at 11:00 am
Não existe já uma Associação Nacional de Professores? Onde está? De que está à espera para acolher esta e outras propostas para valorizar a classe?
E movimento Pró-Ordem? Onde está nestes dias de nevoeiro?
Concordo com o António Ferrão, quando diz que é necessário um lobby! Vejam as Ordens dos Médicos e dos Advogados. A uma só voz fazem-se ouvir nas rádios e nas televisões, lêem-se nos jornais e até têm programas na TSF!
Vamos continuar a reflectir juntos para que não nos acusem de só saber dizer NÃO. Sugiro que este espaço (Paulo, não quero monopolizar o seu blogue, mas pela excelência que já alcançou…) seja germinador de novas ideia, propostas, dúvidas e soluções. Um Think Tank para a Educação.
Março 2, 2008 at 12:51 pm
Esse primeiro Congresso poderia ser marcado na Baixa da Banheira e repetido anualmente em diferentes locais do país.
A Baixa da Banheira foi uma espécie de “Sinédrio” onde tudo isto arrancou e por isso…
Março 2, 2008 at 12:55 pm
A APEDE é a organização que surge neste movimento de indignação de todos os professores e a quem competirá dar forma institucional a novas formas de os professores participarem e tomarem posição relativamente a políticas educativas.
Resposta a comentário anterior. A pró ordem é uma pseudo-sindicato, de meia duzia de pessoas, com ideias muito pouco recomendáveis de ouvir por qualquer que se preze. Participou e rubricou, tal como o sindicato FNE, de legislação saída deste trio maravilha. As aulas de substituição são um dos exemplos
A associação Nacional dos professores é um movimento ligado à protecção dos professores reformados. Casas de repouso. Bom trabalho nesta área. Mas só. Creio.
Março 2, 2008 at 12:57 pm
Como o Francisco Trindade já afirmou, a criação da APEDE só faz sentido para ultrapassar a postura defensiva que tem sido característica dos professores e das suas estruturas representativas desde 1976.
Assim sendo, a APEDE vai procurar ser uma asociação catalisadora da reflexão sobre as políticas públicas de educação e sobre a sua aplicação ao quotidiano escolar.
Para isso, além da criação de um site (já em andamento) com um fórum em que a participação e a troca de ideias entre os interessados (sócios) possa fazer-se de forma expedita, iniciativas como a sugerida pela colega Adélia Rocha da Covilhã são de acolher, acarinhar e promover.
Boas vontades e boas ideias não faltarão com certeza aos Professores.
O que importa é passar à acção.
Quanto à inscrição, quotas e outros detalhes, serão divulgados logo que o site esteja online.
Março 2, 2008 at 1:00 pm
Os colegas da APEDE têm muito trabalho pela frente neste momento. Deixem-nos preparar-se e depois decerto acolherão muitas ideias e sobretudo dos associados.
Março 2, 2008 at 2:43 pm
Digo mais, nesse congresso poderíamos levar ou uma capa preta de estudante (eu que nem nunca fui dessas coisas quando andei em Coimbra, embora respeite as tradições) para marcar uma posição! Por acaso já vos aconteceu dizerem numa turma, “…quando andava na universidade…”, e os alunos perguntarem, “…andou na universidade? Então e é professora??…”. A mim já me aconteceu, e mais do que uma vez. Poderão pensar, bem, a colega se calhar é fraquinha… Não, os alunos que ficam abismados por eu ter andado na universidade, são os mesmo que dizem “… para si é fácil, porque sabe muito…”. Sabem uma coisa, colegas? Precisamos de uma IDENTIDADE. Precisamos de demonstrar quem somos, e descolarmos de uma certa imagem de “mestre escola”. Constato uma e outra vez, que somos para a maioria das pessoas GRANDES DESCONHECIDOS. Temos que nos dar a conhecer pelo nosso perfil académico e pelo nosso saber e não por aquele grupo imenso de profissionais que não faz nada e só está bem a pedir para fazer ainda menos. Porque É ISSO QUE OS OUTROS PENSAM DE NÓS!!!
Março 2, 2008 at 3:15 pm
O grupo profissional maior e com mais habitações académicas de base e dos corpos profissionais um dos mais altamente especializados nas mãos dos “Sócrates, Valteres, sinistras, pedreiras, e todo um arsenal de eminências da praça pública “bestiais”, dos valentins e dos albínios? Personagens incultas. A-críticas. Anti democráticas. (?)
Senhores professores: estão a acordar? Bolas. Já não era sem tempo. O país agradece.
Março 2, 2008 at 6:07 pm
Há 28 anos que sou professora e nunca vi tamanha união da classe em torno da causa comum. Já não era sem tempo!
A onda que envolve o país, ao contrário do que dizem os nossos(?)políticos, não é só provocada pelos sindicatos. É o mal-estar,a angústia, o desconforto, a humilhação a que temos sido sujeitos (bastante por nossa culpa) ao longo destes anos e que atingiu o clímax com esta equipa ministerial. Pela primeira vez, em muitos anos, vi colegas participarem numa manifestação de rua. Quase nem queria acreditar e sinto que a naúsea perante tais políticas educativas desaguará por esse país fora no próximo sábado.
É a avaliação que está em causa? – Não!!!
Não são os professores avaliados todos os dias pelos alunos que têm à sua frente e logo de seguida pelos pais?
Os alunos estão cada vez menos críticos e cada vez mais acéfalos à custa de tanto facilitismo e de tanto nivelarmos pela mediania,de modo que só teremos a beneficiar que gente mais qualificada, e não os nossos pares, nos aponte outro rumo, se essa for a necessidade.
Concordo contigo Adélia. Falta-nos a Identidade de Classe,falta-nos a união que há-de fazer a força para acordar a sociedade, a classe política e as comissões de pais para a importância do nosso papel na feitura de verdadeiros cidadãos europeus que não temem a competição com os seus pares por essa Europa fora. Abaixo o facilitismo, abaixo as certificações sem qualidade, abaixo a apatia e a indiferença dos nossos alunos que ainda que nos viremos do avesso para os motivar, permanecem inertes, apáticos, numa lógica de rendimento mínimo que nos desanima a todos.
Por onde anda o rigor, a responsabilidade, a serenidade e a sensatez da nossa classe política?
Que país estamos a construir? Com que cidadãos?
Que país querem estes senhores que nós, professores, construamos?
A todos os professores e como dizia Fernando Lopes Graça:
ACORDAI!!Acordai, homens que dormis a embalar a dor,
A embalar a dor dos silêncios vis!
Vinde no clamor das almas viris,
Arrancar a flor que dorme na raiz!
Acordai! Acordai, raios e tufões que dormis no ar,
Que dormis no ar e nas multidões!
Vinde incendiar de astros e canções,
As pedras e o mar, o mundo e os corações…
Acordai! Acendei, de almas e de sóis, este mar sem cais,
Este mar sem cais, nem luz de faróis!
E acordai, depois das lutas finais,
Os nossos heróis que dormem nos covais.
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Não, não sou comunista!
Tinora Tancredo
Março 2, 2008 at 9:03 pm
Estive fora e agora quando voltei até para responder a questões que colegas pudessem colocar “no ar” reparei que quer no comentário 7 da Ana Henriques quer no comentário 8 do fjsantos está a resposta que estava disposto a dar. Aos dois obrigado não só por se terem antecipado mas por mostrarem algo mais importante: a sintonia do discurso – que é fundamental!
Março 3, 2008 at 7:54 pm
Colegas:
Concordo com a ideia.Adélia estou plenamente em “sintonia” contigo minha amiga!!
Para além disso penso que era urgente prepararmos um comunicado ao País, esclarecendo acerca das razões da nossa revolta e angústia.Esse comunicado poderia ser lido no próximo dia 8 em Lisboa.As pessoas em geral ainda não perceberam o que se passa nas escolas portuguesas.
Abraço e coragem!!
Março 3, 2008 at 9:03 pm
Sem dúvida que os sindicatos têm feito más negociações, em especial com o ECD a meio da década de 80. Dos tempos actuais nada se pode dizer, não tem havido negociação, o “posso e mando” é que nos democratiza. Não sou sócio de nenhum sindicato de professores mas vou passar a ser, já recebi por correio a ficha de inscrição.
É uma questão pessoal, não pretendo de forma alguma alimentar discussões, especialmente agora que há “coisas” importantíssimas para tratar.
Com este governo (de há três anos para cá), tenho a sensação de que se não existissem os tais sindicatos, a refrear os caminhos sem ideias nem ideais, nos tempos não lectivos agora preenchidos com substituições, sala de estudo etc., poderiam ser-me atribuídas outras tarefas, como por exemplo ir para a portaria controlar os alunos que entram na escola, limpar os campos de jogos, fazer de câmara de vigilância nos intervalos entre tempos de 90 minutos, etc.