Março 2008


O WordPress permite esta ubiquidade!

Professor, aquilo foi uma agressão?

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Tema de abertura da aula de TIC de hoje.

Não houve braço-de-ferro nenhum

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em “braço-de-ferro” com a aluna por causa do telemóvel. Não houve “braço-de-ferro” nenhum. A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar. E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão. A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir. Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira. Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima. Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha. Abandonada pelo Ministério que a tutela, porque entende que o seu calvário é resolúvel nas meias tintas do experimentalismo burocrático, distante das realidades do terreno e que os problemas de segurança da escola são questões menores que se decidem dentro dos muros cheios de graffitis ameaçadores, em ambientes onde circulam armas e drogas. Abandonada pelas organizações laborais porque não está filiada. Com assinalável candura Mário Nogueira confessou em entrevista que a Fenprof não tinha feito nenhuma intervenção nem a faria porque “a colega não está sindicalizada”. Abandonada no arrazoado palavroso do Bastonário da Ordem dos Advogados que, desconhecedor da Lei, achava que tinha que haver queixa para que a Procuradoria iniciasse algum procedimento e que, como tal, a professora deveria ser deixada ao sabor das indecisões da desordem que reina dentro dos muros graffitados. Felizmente o Estado não se limita a estas entidades. O Procurador-geral actuou a tempo e o Presidente da República, ao chamá-lo a Belém, diz ao país e em particular ao governo que o caso não está nem resolvido nem o executivo conseguiu um vislumbre de solução. Talvez fosse importante reforçar esta mensagem de preocupação, solidariedade e cidadania recebendo em Belém a Professora que não se intimida e é capaz de ser firme no meio do caos em que se tornou a educação pública em Portugal. As famílias entenderiam que a tolerância cúmplice e desleixada do Ministério, das escolas, sindicatos e acratas irresponsáveis iria acabar e poderiam começar a mudar o seu próprio comportamento.

Para o caso de me faltar verborreia (é improvável), deixem por aqui algumas sugestões de temas a abordar e questões que considerem de interesse apresentar hoje à noite, sempre sabendo que a poupança de tempo é essencial em tempo televisivo.

Eu hoje tenho tarde de aulas e estou aqui num intervalinho.

Mais logo deixo um post em branco para comentarem à vontade e desancarem-me e aos outros à vontade.

Já dormi sobre o assunto, depois do convite de ontem para ir hoje ao programa Prós & Contras da RTP1. Tinha pedido umas horas – e uma soneca – para decidir o que fazer, pensei agradecer a simpatia e declinar.

São mais os contras na balança do que os prós, sendo que estes para mais seriam de valor relativo menor: um mistozinho de vaidade que sempre nos invade e a vaga esperança de conseguir dizer um ou dois soundbytes incómodos. São demasiadas horas de antecipação para acto tão rápido, mesmo que praticado a preceito.

O modelo do programa não me agrada muito. Na sua abrangência e alongamento, acaba por cansar e não facilita um debate articulado entre as posições em confronto, em especial quando os intervenientes preferem apresentar as fórmulas públicas dos grupos que representam. A parte de ser em directo é a que me agrada mais, pois permite apanhar os intervenientes de surpresa, ver-lhes as reacções, os incómodos, os embaraços.

Se é boa a diversidade de perspectivas, entrecruzá-las todas, em pequenas fatias, provoca demasiado ruído. Metade do tempo com metade das presenças (um terço?) seria uma boa opção para se perceber bem o que cada um acha e existir possibilidade de um contraditório imediato. Faltam quase sempre as follow-up questions.

  • Por exemplo, que os representantes do ME explicassem o que este Estatuto contém de específico que previna e melhore o combate à indisciplina e absentismo.
  • Que os representantes dos pais explicassem quantas acções de sensibilização parental desenvolveram este ano lectivo sobre a matéria.
  • Que o coordenador do Observatório para a Segurança Escolar explicitasse a fundamentação da exclusão de certas ocorrências nos registos oficiais.
  • Que alguém justificasse porque uma agressão feita a meio metro do portão de uma escola não conta para as estatísticas do ME, mas para as do MAI, se for reportada, e mesmo assim nem sempre.

Estas são questões que eu gostaria de ver respondidas, sem que os visados pudessem escapar com fórmulas vagas. Ora esse não é o meu papel, mas sim o da moderadora. O papel do pessoal da plateia é falar quando isso lhes é concedido, sendo anátema entrar em diálogo ou usurpar funções. Muita parra para pouca uva.

Para além de que não sou especialista instantâneo em tudo (não é que isso tenha impedido dezenas de opinadores de falarem e escreverem sobre o tema nestas duas semanas) e no caso da indisciplina e violência há que ter o devido equilíbrio entre a análise global e a descrição de casos concretos ilustrativos. Isso demora um pouco de tempo. Nem sempre é possível. E o tema não faz parte das minhas prioridades mais imediatas em termos de discussão em matéria de Educação. É apenas o assunto do momento. Mais nada.

E depois nem sempre sou cortês. As minhas posições públicas são bastante próximas das privadas. Não anuo com facilidade para evitar «desconfortos». Por isso, aconselharia a prudência que me abstivesse.

O problema é que me acabaram de garantir alguma liberdade de movimentos.

E agora?

Aceito?

truancy.jpgVasculhando algumas antiguidades dos meus arquivos lá encontrei um ou dois livrinhos sobre indisciplina nas escolas e fórmulas para a resolver. A questão é antiga, mesmo entre nós, mas nem sempre se traduziu em relatórios sucintos com uma ementa de medidas a tomar para a combater.

Neste caso é um relatório com cerca de 30 anos sobre o absentismo e indisciplina nas escolas escocesas, algo que era à época considerado um flagelo digno da maior atenção. De acordo com os números oficiais, o absentismo injustificado atingia cerca de 15% dos alunos, podendo considerar-se grave em cerca de 6%. Era maior entre os rapazes, mas com pouca diferença. Era mais acentuado nas escolas com maiores dimensões (17% em escolas com 800 a 1200 alunos contra 11% em escolas com menos de 400). Também era mais elevado entre os alunos mais velhos. Curiosamente, não sei se hoje em Portugal teremos números disponíveis com este detalhe.

Perante esta situação a comissão que elaborou o relatório produziu um conjunto vasto de recomendações para implementação no sistema educativo, nas escolas e serviços de assistência social e para serem tidas em consideração por professores, alunos e famílias.

Vejamos apenas as seis dirigidas a todo o sistema de ensino:

  • Todas as escolas devem delinear e adoptar métodos de administração e ensino que consigam a maior integração possível de cada aluno individual na escola como um todo e esses métodos devem ser mantidos sob revisão.
  • A escola deve ter um sistema de organização que seja explícito, percebido por prtofessores, alunos e pais e colocado em funcionamento. Membros seleccionados do pessoal devem assegurar que os outros elementos têm uma clara ideia dos seus papéis. Deve existir um sistema disciplinar com uma linha clara e referenciais para os casos difíceis, de que todo o pessoal deve estar consciente e que deve ser cuidadosamente explicado aos novos elementos (…).
  • Cada professor deve se bastante claro quanto à política da escola em certos assuntos particulares.
  • As regras escolares devem ser razoáveis e práticas e devem ser conhecidas por alunos, professores e pais. Preferencialmente devem ser o produto de uma consulta conjunta entre o director (headteacher), pais e alunos e em algumas circunstâncias  o conselho escolar.
  • Os headteachers devem continuar a ter o direito de suspender um aluno (o que é diferente de o excluir da escola) e os professores individuais debem manter o direito de exluir um aluno da sala.
  • Para tornar a comunicação efectiva, devem existir canais bem definidos para o fluxo de informação nos dois sentidos entre a escola e as autoridades e dentro da própria escola.

Como se vê, as fórmulas pouco variaram em 30 anos. Estranha-se, apenas, que tudo pareça estar a ser reinventado.

Pelas estatísticas do WordPress em Março o Umbigo irá crescer mais de 540.000 visitas. Obrigado, pá(s)!

Desta vez a proposta é da Fátima Gomes.

Amanhã. Sobre violência. O que acham? Valerá a pena ir lá espreitar?

A agenda oculta da educação (parte I)

A agenda oculta da educação (parte 2)

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Próxima 5ª feira à noite? Talvez passe por lá.

Não sei a quem interessa mudar de nicks quando convém ou assumir nicks alheios. A bem de uma limpeza de processos agradecia que cada um assumisse, de maneira coerente, um pseudónimo e argumentasse em conformidade.

Caso contrário reactivo a filtragem de certas palavras e de um par de IP’s malandros. Já foi necessário fazer isso ao autor (ou um dos autores) de um resma de comentários mal educados e que mudava constantemente de nick. Acabou por criar o seu próprio blogue onde me pode maldizer à sua vontade.

Agora estão em curso duas estratégias de poluição dos comentários. Eu sou muito democrata e tal, mas isto é um anexo da minha casa (mental) e não estou mesmo para truques rasteiros desse tipo. Não me importo com a discussão e as críticas, incomoda-me sim a falta de transparência das atitudes.

Ficamos esclarecidos?

Adenda: O falso “trabalhador da silva” (o 2º) agora surgiu como “contra a maré” com o IP 87.196.205.*** que irá ser barrado dentro em pouco. Depois barrarei todos os comentários dentro daquele espectro de IP’s, mesmo que isso barre quem não tem culpa. Depois eu libero da rede de spam quem for de libertar. Isto ainda não é um pátio para cyberbullies.

Não me tinha esquecido do pedido da Elisa para colocar Jacques Brel. Só que me dei a liberdade de escolher um Brel menos lírico.

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Apesar de não referida essa qualidade, suponho que este texto se deve a Guilherme Valente, o director da Gradiva, editora que tem publicado alguns dos mais interessantes títulos em matéria de divulgação científica. E que, entre outros, teve a coragem de publicar alguns títulos da corrente anti-eduquesa mais dura, como é o caso das obras de Gabriel Mithá Ribeiro e Nuno Crato.

No entanto este texto incluído na edição de ontem do expresso deixa-me algo perplexo, pois não se percebe bem ao que vem.

  • Percebo que admira José Sócrates.
  • Percebo que continua a não gostar do chamado «eduquês» que considera continuar a dominar o ME.
  • Percebo que acha certa a política da Educação, embora ao mesmo tempo a critique por não estar a ser correctamente implementada.

No meio disto não se percebe exactamente o que quer dizer quando escreve:

  • Que a ministra foi «formada no caldo do eduquês», do qual nunca se terá distanciado. Ora se algo sabemos é que MLR não foi formada em caldo nenhum relacionado com as Ciências da Educação. Eduquês ou outro. Aliás, há três anos gabavam o facto de ela estar acima desses detalhes, por vir «de fora» do mundo da Educação. Seria curioso, inclusivamente, saber até que ponto há 3 anos ou mesmo há 3 meses MLR saberia distinguir as diversas correntes em confronto na área das Ciências da Educação sobre temáticas como a organização do currículo e do tempo escolar, a avaliação de docentes e alunos, a estrutura da carreira docente e a administração escolar. Acredito que conheça relatórios e estatísticas. O resto, duvido ainda hoje.
  • Quando parece dar razão a Walter [sic] Lemos nas suas disputas com Benavente, sendo que ambos são, estes sim, nados e criados no «caldo do eduquês», do qual apenas representam duas facções que disputam mais o protagonismo do que projectos verdadeiramente alternativos. Será que Guilherme Valente nunca leu a obra publicada por WL, em especial na primeira metade dos anos 90, com a chancela da texto Editora e apoio explícito do ME?

Por isso não se percebe bem de que «erro de casting» fala Guilherme Valente. Atribui as culpas à Ministra por tudo, é isso? Acha que ela é responsável pelos diplomas legislativos mais atentatórios do bom-senso? Acha que ela é a defensora do «eduquês» no ME e Walter [sic] Lemos o actor certo?

E neste contexto que lógica terá questionar quem «anda a tramar a Ministra»? Porque a expressão pode ser lida de duas formas. Quem a Ministra anda a tramar (e somos muitos), mas não o faz sozinha ou quem anda a tramá-la a ela e nesse caso acho que é a própria ajudada pelos homens que se movem na sombra, os consultores com modelos pré-formatados para a gestão e avaliação das organizações, não esquecendo ainda o referido WL que salta em frente na defesa de toda a obra legislativa do ME com a pujança de um leão em defesa das suas crias.

Por isso fico confuso, só me restando uma certeza: a Educação é que está a ser tramada e bem tramada.

Numa previsível sintonia de tema a generalidade dos editoriais de ontem da imprensa nacional (não apenas a hebdomadária, mas mesmo a diária) dedicaram-se ao episódio Carolina M. (será sina que no Porto este nome surja tanto à baila?), mesmo se em registos diversos e com posturas um pouco diferentes.

Já ontem tinha postado parte do editorial do DN, ficam aqui agora os textos de Fernando Madrinha e Henrique Monteiro no Expresso, Nuno Pacheco no Público e José António Saraiva no Sol. Agradeço ao MJMatos os clips dos 3 primeiros.

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Claro que todos têm opiniões estimáveis e respeitáveis. Nem sequer vou aqui tentar passá-las em revista, apenas anotando que concordo globalmente com Nuno Pacheco, embora existam situações em que o recurso aos Tribunais se torna necessário. quanto a Madrinha & Monteiro, lamento que, ao contrário daquela metáfora popperina dos corvos brancos e pretos, para eles por muitos corvos pretos que apareçam todos os corvos são brancos. Ou seja, por muitos exemplos contrários que surjam em relação à qualidade e lógica das «reformas» do ME o que resta é sempre a sensação que tudo está bem, só uns detalhes é que falham e, nestes casos, os detalhes passam quase em exclusivo pelo Estatuto do Aluno e não por tudo o que o antecedeu.

 

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Com agradecimento especiais ao Eduardo M. e ao MJMatos pela presteza da resposta ao meu pedido.
Entretanto, já ensolarou, mas eu continuo a preguiçar, entre as obrigações e as paragens para (re)leituras.

Uma escola para cada um

Agradecendo a sugestão da Isabel S.

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