O horror do nosso ensino, da sua falsa realidade – um realismo brutal e falso – é minorar os sonhos da criança, em vez de fazer mais do que a criança compreende. É sempre preciso ir um pouco mais longe, é preciso que a criança estenda o braço e a mão para tentar apanhar a bola, mesmo que isso a ultrapasse. A grande alegria só começa quando se diz «Ainda não compreendi, mas vou compreender. Ainda não sonhei, mas vou sonhar. Ainda não desfrutei disso, mas vou desfrutar».Ao nivelar, ao fazer uma falsa democracia da mediocridade, mata-se na criança a possibilidade de ultrapassar os seus limites sociais, domésticos, pessoais e até físicos. Na universidade, talvez já seja muito tarde. A batalha essencial foi perdida. (Georges Steiner, Elogio da Transmissão – O professor e o aluno, p. 76)
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Até pode parecer algo a roçar o eduquês, mas é exactamente o seu contrário. É o apelo para a busca da excelência e da tentativa de elevar a qualidade do desempenho.
Obviamente que o principal desejo de qualquer cidadão consciente deveria ser o de melhor Escola e não necessariamente de mais Escola. Esse é o erro deste (e outros Governos). Desinvestir na qualidade (dos programas e currículos), apostar na quantidade (do número de horas a passar na escola por docentes e alunos). Trocar a hipótese de ganhos substanciais a médio-longo prazo por vantagens estatísticas de curto prazo.
A anunciada reforma do 2º CEB também parece querer trilhar o caminho de mais Escola, mas pior Escola.
Mas eu já sei que sou elitista, certamente sulista e moderadamente liberal.
Fevereiro 28, 2008 at 12:34 pm
É muito por isto que eu vou à manifestação do dia 8 (e será a minha primeira vez): há anos que afirmamos a grande dificuldade que é ser professor-burocratizado a nadar em papés múltiplos e muitas vezes desnecessários, a quantificar procedimentos e a enfrentar alunos que não querem aprender e que recusam toda a autoridade, como recusam em casa a autoridade dos pais, que muitas vezes recorrem à escola e dizem “veja lá o que pode fazer por ele que eu já não consigo”…
Não estou a falar de um universo generalizado; também tenho bons alunos e dá-me gosto vê-los crescer. Gostava de neste momento ter mais tempo para eles mas está difícil.
Tem vindo a ser visível esta face do ensino que só quem está lá dentro é que conhece bem. Normalmente as pessoas reportam-se ao seu tempo de alunos ou ao tempo dos seus filhos, quando estes já são mais crescidos, não se apercebendo que as mudanças de que falamos têm poucos anos, são de há menos de uma década e nada é comparável ao estado actual do nosso quotidiano dentro das escolas.
Muita coisa está mal no ensino. Mas finalmente olha-se para o estado das coisas e percebe-se que o mal-estar não poderá continuar a fazer do nosso dia a dia uma tortura, sob pena de antes dos 65 anos estarmos completamente inúteis.
A mediocridade também está mal, mas ela existe em todos os sectores profissionais, ou por insuficiência de capacidade ou por insuficiência de brio. Combatê-la com a avaliação é uma medida certa, mas uma avaliação pensada e eficiente, que não traga para cima da mesa, precipitadamente, as amizades ou as inimizades dos “pares”.
Quando é que alguém responsável pensa a sério e com fudamentos mais sólidos numa reforma que comece por valorizar “os sonhos da criança” e o seu desejo de “ir mais longe”!
Uma reforma que não tenha como objectivo a contenção de despesas que é o grande motor deste governo.
Fevereiro 28, 2008 at 12:39 pm
O Sr.Steiner tem razão, agora as nossas crianças tem em que gramar aulas de manha á noite, isto enquanto ninguém lá no ministério se lembrar que elas deveriam ficar em regime militar e ficar 24 horas na escola e só ir ao fim de semana a casa.Mas essa ideia ainda vai aparecer!
O que eu acho é que as nossos filhos hoje não são tão felizes como no nosso tempo, em que brincávamos no fim da escola, as nossas aldeias tinham vida , porque aqui e acolá ouviam-se os risos e as gargalhadas das crianças, juntavam-se os vizinhos para brincar aos brelindes , jogar a bola á apanhada ou aos cowboys e aos indios era divertido ( que saudade).
Hoje temos os miudos agarrados as playstations ao televisor e viciados na net, porque não tem tempo para apanhar ar puro e verem que é bom brincarem cá fora e sujarem-se.
O que esta Educação quer é estatisticas e não qualidade. E nos nossos filhos que gramem…
Fevereiro 28, 2008 at 1:17 pm
Picada de um comentário do Público:
“28.02.2008 – 12h57 – JS, Espinho, infelizmente Portugal
Já se comentou a si próprio! Parece o PM que se enaltece a si próprio, defeitos de formação, do PS, digo eu! E a propósito sou professor num colégio particular… Quer saber a diferença: Um aluno que reprove dois anos no mesmo ano é expulso! No que dei aulas no ano transacto, dois recados na caderneta escolar, ao 3º dá expulsão da escola… Nenhum pai questiona o Prof. porque senão o filhinho tem guia de marcha… É a disciplina ao serviço da educação e assim qualquer um consegue realizar um bom trabalho, não é difícil, ou melhor, pelo é menos mais fácil…. Mas tem mais, o Director do ciclo, não dá aulas apenas acompanha os professores, alunos e pais! Em suma resolve os problemas, orienta e esclarece! Tudo funciona bem! Estranho terem acabado os directores a tempo inteiro nas escolas de 1º ciclo, não! Se calhar é por falta de avaliação, ou será que foi para poupar?! E mais….E mais… E mais…”
Fevereiro 28, 2008 at 1:38 pm
À semelhança do que tem acontecido em vários capitais de distrito, também em Lisboa vai haver uma mobilização de professores no dia 1 de Março, às 16 h, no IPJ.
A hora é de união, independentemente da cor política ou sindical. Há uma coisa que todos temos em comum: somos professores e estamos a ser humilhados enquanto assistimos à completa degradação do nosso sistema de ensino. A situação é ainda mais grave para todos os que, como eu, têm filhos.
Por isso, seria bom estarmos em massa no dia 1 no IPJ não só para nos informarmos mas também para mostrarmos que não nos vergamos. Não me canso de repetir o que diz a canção: “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar!”
Já não há espaço para os NINS.
Fevereiro 28, 2008 at 1:48 pm
Se queremos a excelência, não podemos reivindicar só pela negativa, temos que reivindicar também pela positiva. Recusamos, com toda a razão, a burocracia asfixiante, o delírio pedagógico, a encenação do «sucesso» que este governo promove; mas se recusamos isto tudo temos também que afirmar, do mesmo passo, o nosso direito a ensinar e o direito dos alunos a aprender.
Fevereiro 28, 2008 at 2:49 pm
Importante artigo de Pacheco Pereira, hoje na revista “Sábado”, sobre o momento que se vive na Educação. Pode ser lido aqui: http://ocantinhodaeducacao.blogspot.com
Fevereiro 28, 2008 at 4:33 pm
…utopicamente,deveriamos todos “fechar” para obras, seja, uma reflexão nacional acerca da Educação. Essa, teria sido a grande aposta de um ministério que não se tivesse regulado pelas contas do défice, acabando por infernizar as escolas. Sendo prof. do Secundário, de Filosofia, não tenho experiência dos outros ciclos, mas constato que, por exemplo, no 2ºe 3º ciclos, existe um excesso de disciplinas.A miudagem não consegue respirar.Uma escola que visitei na Noruega, para além de não ter mais do que 600 alunos, só tinha aulas da parte da manhã.As tardes eram dedicadas a actividades lúdicas…claro estava optimamente equipada.Sendo defensor da exigência e da aplicação pessoal no secundário,também considero que os jovens estão asfixiados por tantas e tantas aulas e trabalhos e testes etc.
Fechar para obras…seria sim uma revolução…
Agradeço a atenção
Morfeu
Fevereiro 28, 2008 at 4:40 pm
Leitura interessante:
Esta ilusão da reforma pela reforma, produzida por uma serôdia ideia de tecnocracia e pela teimosia leviatânica do Estado em movimento
Fevereiro 28, 2008 at 5:00 pm
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/2008/02/os-amores-de-um-socretino-mas-no-s.html
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/2008/02/cromos-tantan-e-milu.html
Fevereiro 28, 2008 at 5:05 pm
“Obviamente que o principal desejo de qualquer cidadão consciente deveria ser o de melhor Escola e não necessariamente de mais Escola. Esse é o erro deste (e outros Governos. Desinvestir na qualidade (dos programas e currículos), apostar na quantidade (do número de horas a passar na escola por docentes e alunos).”
Gostava que me explicasse melhor esta frase. A proposta é melhorar a qualidade dos programas e currículos e diminuir a carga lectiva?
Fevereiro 28, 2008 at 7:24 pm
NEWS, revelas uma pobreza de espirito…
Fevereiro 28, 2008 at 7:43 pm
Isto é apenas spam. Nada de problemático. Elimina-se sem problema.
(para quem chegar depois e não perceber, tratava-se de um pseudo comentário com links para fotos soft-core)
Fevereiro 28, 2008 at 8:56 pm
A escola em “overdose” é a estratégia encontrada pelo estado, para se isentar de obrigações sociais. É curioso se pensarmos no tempo que passávamos na escola enquanto estudantes,quem passou por lá antes e depois de 74 poderá fazer esse exercício de memória. Já repararam que alguns conselhos de turma de 3º ciclo têm quase o mesmo nº de elementos que as turmas de alunos com necessidades educativas?
Experimentem falar em “áreas curriculares não disciplinares” a colegas reformados antes da implementação da “gestão flexível do currículo” expressão, a meu ver, tendenciosa (tanto quanto a de “autonomia”). A reacção que verifiquei foi terem-me perguntado: “e para que serve isso?”
(tenho uma resposta bastante pessoal para esta questão)
Fevereiro 29, 2008 at 12:14 am
Maria A.
“e para que serve isso?”
a minha resposta: serve para para evitar horários zero.
Fevereiro 29, 2008 at 12:31 am
DA:
E não haverá formas mais válidas do ponto de vista pedagógico para evitar horários zero?
Como não gosto só de atirar com sugestões, o que é cómodo, poderei enunciar algumas propostas:
- salas de estudo bem organizadas;
- clubes que façam sentido e contribuam para alargar interesses EFECTIVAMENTE culturais;
- oficinas de escrita;
- oficinas de línguas estrangeiras;
- actividades relacionadas com a Matemática e muito treino, dado que quem tem filhos a estudar e possui alguma “sensibilidade” ou preparação (não aspiro a ser matemática) sabe que só a prática constante traz resultados;
- pesquisa devidamente orientada na biblioteca ou na net para produção de trabalhos de pesquisa;
- preparação/realização de debates sobre temas actuais;
(…)
(tudo o resto é folclore ou, como costumo dizer, “um verdadeiro ATL para eduquês ver”)
Fevereiro 29, 2008 at 12:32 am
passo a repetição de “pesquisa” dado o adiantado da hora.
Fevereiro 29, 2008 at 12:56 am
100% de acordo, acrescento:
desdobramentos às linguas, ciências.
Turmas com menos alunos. 20 no máximo.
Fevereiro 29, 2008 at 10:35 am
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