Para comodidade e poupança de tempo (hoje é dia de horário misto) vou tentar as ideias de forma sintéctica.
- A Jornalista – perante a lista de convidados parecia que a coisa até seria imparcial, mas depois, logo a abrir a refrega percebeu-se que Fátima Campos Ferreira tinha muitos adjectivos e outros qualificativos simpáticos para distribuir pela Ministra. Se eu quisesse que me chamassem machista diria que FCF vê, de forma solidária, em MLR uma Ministra-Mulher, corajosa, reformista, porventura revolucionária (já foi,já foi…. em outra encarnação). Deu-lhe sempre a mão para ela sair de situações menos fáceis e não se sentir quase só perante a multidão. Deu muito a palavra a Arsélio Martins que a tomou para falar imenso, mas a partir de certa altura sem rumo no discurso, amontoando ideias boas com platitudes e muita evocação do seu passado. Justificou-se FCF com mails chegados à redacção. Quando as palmas inclinaram para um dos lados, pediu para que parassem. Classificação 3/10.
- A Ministra – desempenho bem acima da média em termos anímicos e políticos. Conseguiu, no plano da retórica, conter alguns ataques. Em termos técnicos continua muito fraca, pois só fala em fórmulas vagas para se refugiar. Em um ou dois momentos foi levada quase às cordas pela Fernanda Velez. Ia-se irritando uma ou duas vezes e foi mal-educada nessas situações, ao tentar achincalhar os adversários, cometendo o pecado de caricatura que costuma apontar aos outros. Nota-se que lhe deram ordens para se conter. O tom, muito vivo do baton não era a melhor mas faz-me acreditar que correspondia ao estado de alma da Ministra. Um bocado em sangue. Classificação 6,5/10. Olhem como sou generoso. Mas é que nem precisou que o Valter Lemos viesse em sua defesa.
- Os Professores – neste caso, os professores em nome individual. Excelente a Fernanda Velez, com a dose de indignação indispensável, concreta, sem se perder e só faltando mais tempo para desenvolver alguns temas. Boa noção do tempo mediático de uma exposição. Fez-me ter orgulho numa ex-colega de Secundária provisória do deserto; 8,5/10. Ludgero Leote bem inicialmente, mas depois a perder fôlego quando se tratou do tema da gestão escolar. Articulado. 7,5/10. Quanto a Arsélio Martins começou bem, mas depois a perder por completo o rumo, apesar de ter seduzido claramente FCF em busca de um figura paternal. Com o tempo que falou podia ter dito muito mais coisas, em vez de evocar idas à Noruega e eleições ganhas e perdidas. 5,5/10.
- O Especialista - uma enorme desilusão. João Formosinho embaralhou-se, deu a noção de não perceber do que se falava. Puxava a conversa para campos sem interesse directo. Só queria dar a entender que já pensa e discute estes assuntos há muito tempo. Se for assim a dar aulas, a minha simpatia para os seus alunos. Anestesiante. 3/10.
- Os Sindicatos – na 1ª linha dos assistentes com pouco tempo para falar. Mário Nogueira e Dias da Silva fizeram o possível por passar a mensagem. Fizeram-no bem, mas quase sem espaço. 7/10 para os dois.
- O Ensino Privado – intervenção admiravelmente honesta. Tão honesta que quase não teve tempo para falar; 8/10.
- O Conselho de Escolas – irrelevante. Afinal na Sic-Notícias não tinha sido falta de treino. É mesmo uma certa falta de sal e pimenta. 3/10.
- Os Movimentos – intervenções algo desequilibradas. Melhor o PROmova mas, como de costume, a começar bem e depois a ficar sem um rumo claro; 6/10. Pior o dos Professores Revoltados, sem liderança assumida e uma intervenção que começou prudente mas depois espalhou-se por completo ao virar a conversa para a avaliação dos alunos; 4/10. A outra colega Anabela teria feito melhor em não ter tentado começar um banzé quase a acabar o programa, desculpe-me lá; fez aquilo que menos nos fazia falta e acabaram a desligar-lhe o microfone enquanto gritava pela sala; 3/10.
- Os Pais – Albino Almeida camaleónico, a mostrar uma liderança forte, a assumir-se o maior amigo dos sindicalistas; compungido com os pobrezinhos, coitadinhos, tão burrinhos. Ia conseguindo sair bem vistoi quando cometeu dois erros crassos: agarrou no microfone e quis ser ele a dar o mote para o debate («temos de sair daqui com uma conclusão») e foi profundamente infeliz ao evocar Salazar quando alguém apresentou uma ideia diferente da sua. O verniz estalou e mostrou o que estava a ficar tapado pela camuflagem. A mim não me engana. 4/10.
- O Autarca - ali solitário em nome da classe política. Muito feliz consigo mesmo. Óptimo. Parece que nunca ouviu falar em clientelismo nas câmaras. Se não fosse esse ataque de miopia valeria mais. 6,5/10.
E acho que cobri os principais protagonistas.
Quanto à substância, ficou muito por abordar. Nomeadamente a demonstração da teia burocrática do sucesso, a péssima calendarização do processo legislativo e o facto de, algures onde estes sistemas nasceram, levarem anos em implementação. Como na Finlândia desejada.
Em relação ao modelo de gestão, explorar melhor os relatórios da IGE que são, por regra, extremamente elogiosos para a gestão das escolas avaliadas. E faltou demonstrar a cadeia de comando que diminui efectivamente a autonomia do trabalho de 95% dos docentes, em troca do reforço do poder de uma escassa minoria.
Mas apesar da extensão do programa, era difícil melhor. A palavra até foi dada a muita gente, ao contrário do habitual. O lado negativo é que é muito difícil manter uma troca articulada de argumentos desta forma.
Fevereiro 26, 2008 at 9:48 am
http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=920253&div_id=291
Fevereiro 26, 2008 at 9:49 am
Em vários momentos a tensão do confronto esbateu-se.
Arsélio Martins é responsável por uma dessas fugas em frente, propondo o fim das turmas (não cheguei a perceber se queria um professor para cada aluno), e logo foi secundado por Albino Almeida. De tão estratosférica posição, fiquei sem entender se não seria eu que estava a ouvir mal ou até a ficar maluco (possibilidade sempre em aberto).
Fevereiro 26, 2008 at 10:04 am
Só 4/10 para o representante dos Professores Revoltados? É muito castigador para um jovem com garra, que ademais foi dos poucos que concretizou situações. A resposta da ministra sobre o suposto desconhecimento de tais atitudes da inspecção só não chegou ao nível da demagogia porque lhe faltou aquele poucochinho de verdade à msitura. Jovens com atitude precisam-se. O resto vem da experiência e ele é bem promissor.
Fevereiro 26, 2008 at 10:05 am
E ontem foi publicado o relatório da IGE sobre a avaliação das escolas no ano lectivo passado.
http://www.ige.min-edu.pt/upload/Relatorios/AEE_06_07_RELATORIO_NACIONAL.pdf
Muito sinceramente, pelo que vi ontem no P&C e li hoje nos blogues, acho que para o Português comum quem tem razão é a ME.
A Velez pôs algumas questões pertinentes, mas parecia estar num despique individual com a ME. E depois da intervenção do prof. de Ribeirão, a mencionar o facilitismo, acabou por o contradizer ao falar dos programas dos CEFs, deviam ser mais acessiveis.
A ME esteve acima do que é normal, irritou-se menos. O discurso teve alguma lógica, dentro da cassete habitual.
Gostei do Ludgero e do Octávio.
Fevereiro 26, 2008 at 10:06 am
Ferrão,
abordar as questões da avaliação daquela forma é pura demagogia.
Fevereiro 26, 2008 at 10:10 am
Viva o Internacionalismo Escolar!
O mais curioso do “evento” televisivo de ontem à noite foi observar a divisão operada na sala:
De um lado os defensores do modelo da escola “moderna”
• Escola Pública
• Inclusiva
• De massas
• Multicultural
• Adaptada às necessidades dos horários extensos dos pais
• Gerida segundo o modelo empresarial ditado pelas agências transnacionais
Quando do outro lado se expunham timidamente as razões do insucesso da nossa escola e o receio das reformas, fazendo ver que no país reina a incompetência do poder (central e autárquico) e que os interesses mesquinhos e partidários se sobrepõem ao “interesse geral”, logo alguém gritou “Viva Salazar”, querendo assim fazer ver que o modelo do “passado” que exigia rigor, seriedade e honestidade intelectual era manifestamente desadequado para os objectivos que se pretendem de modernização e de paz social. Daí o apelo desesperado de Albino Almeida a um consenso baseado na confiança, totalmente ausente, porque o “diálogo” e a “comunicação” (habermasiana ou não) são uma componente essencial do simulacro de democracia.
Ou fui só eu a perceber que a defesa acérrima do modelo da “Escola Pública” unidimensional, massificada, concentracionária e “inovadora” (ao estilo empresarial), partiu do poder central e dos seus especialistas amestrados.
Porquê? Porque são os especialistas da OCDE que realmente mandam e assim o exigem. Porque MLR se sente como uma Ministra do “seu tempo”, ao construir a tal escola do futuro que os especialistas aconselham e que orgulhosamente exibem como a escola internacionalista de massas capaz de anestesiar os produtores-consumidores do mercado global.
O autarca que afirmou orgulhosamente a sua matriz de burocrata-modelo (“leio dossiers e tomo decisões”) e o Albino Almeida, enquanto símbolos de propaganda do consenso e da confiança nacional, estão do lado do progresso e querem deixar também contributos para a “modernidade” do país, tal como Sócrates. Este é o capital cultural que pontifica nas diversas instâncias da Nomenklatura.
Em Portugal o poder começa a identificar-se cada vez mais como uma máquina de propaganda e já sem qualquer ligação real com os cidadãos.
O problema não está nas escolas mas sim nos políticos e nas organizações político-mafiosas que querem controlar os nossos movimentos e os nossos pensamentos, canalizando-os para o mercado global. E nesta matéria, a vontade de congregar todos os indivíduos num projecto universal, à força se for caso disso, é um perigo real para a liberdade.
Fevereiro 26, 2008 at 10:14 am
Vivam as arbitrariedades, o caciquismo, os compadrios, os amiguismos… e outros ismos do género!
Fevereiro 26, 2008 at 10:16 am
Tentando – o que conta é a intenção- ser imparcial, só fiquei perplexa com a avaliação atribuída pelo Paulo à ministra: é certo que muitos dos espectadores não serão professores nem se encontrarão devidamente documentados relativamente a este desvario legislativo. Mesmo assim, houve momentos em que MLR se mostrou um bocadinho (muitíssimo) sem norte: repescar argumentos como as aulas de substituição (charme para os EE/eleitores embora os mais esclarecidos as considerem absurdas); fundamentar posições com a gestão de modelo anterior ao recém-aprovado (que afinal seria um bom modelo e agora já o não é) ou tecer ameaças veladas quanto à avaliação do desempenho poder vir a ser da responsabilidade das universidades, pareceu-me uma pouco – para utilizar uma expressão de além-atlântico- encontrar-se a ministra “num mato sem cachorro”.(e isto é para não ser muito exaustiva, pois se colectivamente se procedesse a um levantamento de “entalões” ministeriais, teríamos matéria para uma páginas)
Fevereiro 26, 2008 at 10:20 am
Será que fcf vai para assessora do ME?
Fevereiro 26, 2008 at 10:24 am
Paulo, deveria descontar uma percentagenzinha na avaliação da ministra, devido às mãozinhas de fcf.
Fevereiro 26, 2008 at 10:25 am
Continuo na minha a opinião pública mais uma vez não percebeu os professores.
Excepto os blogues de educação e de pendor sindical, em todos os outros a ME é que têm razão. Aqui fica mais um:
Prós e Contras: Educação
O programa “Prós e Contras” de hoje (25 de Fevereiro de 2008) dedicado à educação deu uma imagem radiográfica fiel do estado da educação nacional. Portugal não tem professores! A Ministra da Educação venceu (e bem) o debate com algumas figuras que se auto-intitulam professores, magnificamente plasmados na sua suposta rival de partido, Fernanda Velez, que fez, como já é habito entre os militantes do PSD, uma triste figura, com aquele rosto assimétrico, sinal de “maus genes”. Até a este nível (face simétrica/bons genes), Maria de Lurdes Rodrigues venceu claramente o debate pela qualidade dos seus genes, e, como sou justo, penso que o PM José Sócrates pode continuar a defender a sua Ministra da Educação ou poupá-la e dar o lugar a outro capaz de repor a ordem e realizar as reformas.
Este debate mostrou aquilo que todos sabemos: A maioria dos professores portugueses, talvez mais de 60%, é profundamente incompetente e compulsivamente ignorante. Desde o 25 de Abril de 1974, as Universidades têm distribuído arbitrariamente diplomas, cujos detentores foram tomando conta dos níveis inferiores de ensino até fecharem o círculo. Muitos indicadores poderiam ser referidos, mas há indicador um fácil de manejar: a ausência de qualidade científica e pedagógica dos “manuais escolares” e dos programas. Porém, se achar este indicador demasiado complexo, reveja o programa e verifique que, com excepção da Ministra da Educação, nenhum dos professores presentes falou das “políticas da educação” ou conseguiu criticar racionalmente os «diplomas» da “avaliação e desempenho profissional” e do “modelo de gestão das escolas”, sem serem grosseiros e mal educados e faltarem ao respeito à Ministra, chamando-lhe “mentirosa” ou “incompetente”. Estes comportamentos não revelam somente má educação, mas sobretudo retratam a incompetência e a falta de classe dos professores. Todos os portugueses podem estar cientes de que a classe dos professores abriga no seu seio o maior número de oportunistas e de trapaceiros que existe em Portugal.
Ao contrário do que foi “dito” malcriadamente por Fernanda Velez, os professores não formam um grupo unido, porque para haver “grupo” tem de haver um “projecto comum”. Ora, os professores não têm um projecto e, por isso, não constituem um grupo. Os professores são um mero agregado de “moléculas metabolicamente reduzidas”, em que cada um luta pelos seus próprios interesses particulares em detrimento de um possível interesse comum. A sua “histeria colectiva” resulta de um medo muito específico: medo de serem confrontados com a sua própria mediocridade. E, como esta pertence a cada um deles, podemos dizer que cada um se teme a si mesmo. Só os professores cientifica, cultural e moralmente inseguros temem “perder o emprego” e uma “vida de facilidade”. Esta realidade é incontornável e os portugueses devem estar conscientes de que, com a maior parte destes professores, «filhos de um erro sistemático do ensino universitário» e da política irracional da “igualdade” e da “universalidade do ensino”, não há reforma que consiga arrancar-nos deste antro de incompetência.
No ensino em geral reina a luta imoral e corrupta pela sobrevivência e, num tal clima, todos estão contra todos. Este “estado de guerra permanente” que se vive diariamente nas escolas, muitas vezes controlado pelos aparelhos partidários locais ou regionais e minado pelos pais, deve ser tido em consideração pelas políticas da educação. De facto, para espanto da Ministra, os professores temem ser avaliados por outros professores e, pela sua experiência, sabem o que é ser diabolizados pelos actuais conselhos directivos. Cada um sabe o que faz ao outro e com que intenção o faz. Por isso, não pode esperar uma atitude mais altruísta dos outros. Toda esta guerra entre professores deve-se à sua incompetência, ou melhor, à sua tremenda “burrice”. Se não fossem os chamados “direitos adquiridos”, estes professores deveriam justamente ser descartados e lançados à sua própria sorte, dando lugar àqueles que são verdadeiramente “professores”. Mas, como estamos prisioneiros dos erros passados, estamos condenados a não assistir à viragem de página da história de Portugal. Temos de os sustentar no emprego e na reforma e deixar o mérito nacional órfão e sem-abrigo. Estes “grisalhos” que fumaram “erva” nos anos 60 estão a lixar-nos a vida e a comprometer o nosso futuro.
Nesta conjuntura que já é estrutura cristalizada, não podemos defender ninguém ligado ao ensino e à educação. Afinal, a única pessoa que mereceu crédito neste debate foi a própria Ministra da Educação e sei que muitos professores (40%), aqueles que já não acreditam no sistema ou mesmo nos seus sindicatos, partilham este pensamento comigo. Mas a sua voz é infelizmente pouco representativa no seio deste imenso oceano da mediocridade. Esta é a nossa triste e amarga verdade nacional: em Portugal a educação está entregue a um bando de indivíduos destituídos de habilidades e de competências!
Anexo: Pessoalmente, penso que a ideia de “professor titular” foi francamente má e os «critérios» usados são provavelmente muito injustos, porque deixaram alguns dos poucos bons professores de fora. Excluiu a competência e criou profundas injustiças, dando muitas vezes o título a candidatos a “tiranos”. Esta figura deve ser abolida e o assunto repensado com mais serenidade.
O “modelo de gestão das escolas” pode reforçar a “tirania” e a arbitrariedade já presentes nas figuras dos Presidentes dos Conselhos Directivos, cujo reforço da autoridade vai criar uma situação insuportável. A “avaliação dos professores” é fundamental, mas usando outros critérios, não os burocráticos, mas os científicos e pedagógicos. A burocracia não é amiga da qualidade do ensino e da educação. É preciso ter em conta que a maior parte das escolas são antros de corrupção e de perseguições terríveis. Dada a vulnerabilidade e a insegurança da maior parte dos professores, seria melhor pensar, pelo menos provisoriamente, noutro esquema de avaliação, talvez realizado por pessoas estranhas à escola. Portugal não precisa de importar modelos estrangeiros, até porque a crise da educação é universal (Arendt). Em vez de imitar, Portugal pode e deve criar novos modelos mais adaptados às especificidades nacionais e seus erros estruturais.
Fernanda Velez fez tudo para se apresentar como a possível ministra da deseducação dessa miragem de governo bicéfalo Meneses e Santana Lopes. Pelo menos, sabemos aquilo que não queremos: um governo do PSD.
J Francisco Saraiva de Sousa
http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/02/prs-e-contras-educao.html
Fevereiro 26, 2008 at 10:26 am
Para o público em geral o debate foi esotérico. Faz falta alguém que explique com clareza, por exemplo, que:
- O M.E. faz leis sem pés nem cabeça;
- Não as entende mas quer que se cumpram;
- As leis chegam a meio do ano, para agravar;
- A divisão entre titulares/ não titulares visa poupar dinheiro;
- Promove-se o sucesso artificial porque combatê-lo a sério custa dinheiro;
- Modelos adoptados com sucesso no Estrangeiro são recusados porque custam dinheiro;
- O M.E. mente sobre o absentismo dos professores, os alegados “ordenados milionários” dos mesmos, a “incompetência” dos professores, as “turmas feitas a pensar nos filhos de professores e funcionários”, etc..
- O M.E. desculpa a indisciplina e violência escolar sobre professores e funcionários, e entre alunos;
- Esta Ministra promove o ódio contra os professores usando calúnias, dizendo, por exemplo, que os professores temem o rigor da avaliação;
- Os deputados da maioría chamam “professorzecos” aos professores;
- Este Governo quer basicamente poupar dinheiro, não olhando a meios;
- Professores são mandados morrer a trabalhar, literalmente;
- etc., em linguagem que o “Zé” entenda.
Fevereiro 26, 2008 at 10:27 am
Dou razão ao Ferrão.
O jovem tem-nos no sítio, quer os de baixo quer os de cima, os neurónios.
Face à anemia (a rondar a indigência mental) da argumentação de alguns dos presentes, foi saudável um pouco de à vontade e demolição da fachada do poder, vindo da parte de quem demonstra que não tem medo de usar as palavras que existem na Língua portuguesa para definir determinadas situações.
Ou acham que “inverdades” é um termo a adoptar da linguagem do politiquês ?
A corrupção moral começa na linguagem, quando prescindimos de usar certas palavras, em benefício de eufemismos e outras expressões ininteligíveis, como “empoderamento”, “aterros sanitários” e “Engenheiro Sócrates”.
Fevereiro 26, 2008 at 10:29 am
- os miudos 11 horas na escola!
- as Câmaras a nomearem professores (tão sérias, que são as Câmaras…).
- etc..
Fevereiro 26, 2008 at 10:30 am
Nem mais! Falou claro! Falar sem eufemismos parvos não é ser “arruaceiro”!
Fevereiro 26, 2008 at 10:32 am
Agora não tenho tempo para mais. Depois volto.
Mas a Xixa (Até o nome é piroso!)que me aguarde… Não tem vergonha na cara?
Fevereiro 26, 2008 at 10:38 am
Afonso Pereira tem razão. É preciso falar claro para que o povo português entenda os assuntos tratados e para que os “especialistas” não se escondam por detrás no inacessível ao comum dos mortais.
Fevereiro 26, 2008 at 10:41 am
Outro do lado da ME
http://espumadamente.blogspot.com/2008/02/prs-e-contras-de-ontem.html
Fevereiro 26, 2008 at 10:42 am
O texto é este.
Não sou professor, não estou por dentro dos meandros do diferendo que opõe a ministra da educação a muitos (parece que a maioria) dos professores, mas tenho de confessar que a ministra:
- Me pareceu uma pessoa muito bem preparada para responder ao “tremendismo” de alguns professores (para usar um termo “vitaliniano”);
- Ao contrário da palavra difundida, parece ser uma pessoa educada, competente, voluntariosa e com um elevado espírito profissional;
- Tem um apurado sentido de humor (aquela observação á professora Viegas “a ministra não é loura, não serve”, foi de fina água.
Do grupo de “professores revoltados” e “de luto”, fixei um jovem professor do norte que afivelou uma expressão grave para dizer que estava contra o facilitismo. Não me lembro de muito mais que o jovem tenha dito. Ao lado estava uma professora da Ericeira que berrou (é o termo) uma série de lugares comuns (igualdade, fraternidade, democracia), se exaltou e a quem tiveram de desligar o microfone. Depois, o clone de Carvalho da Silva, mais novo e com um bigode aparado, Mário Nogueira de seu nome e representando a Fenprof, fez a afirmação espantosa de que o Estado vai ter de pagar as horas extraordinárias das aulas de substituição. Não percebi o sentido nem o interesse da coisa, mas percebi que uma organização sindical teria problemas muito mais apropriados para trazer a colação, para além do pagamento de horas extraordinárias. Finalmente, apreciei a intervenção de um tal professor Arsélio, de Aveiro que terá feito uma aproximação muito inteligente e adequada aos vários problemas, reais, que afligem a educação.
Sem embargo do respeito por muitos amigos e familiares que tenho ligados à educação, continuo sem perceber as malfeitorias da ministra. Mas pode ser que isso decorra do facto de não conhecer o problema em profundidade, como é natural. Ao contrário, pressinto que a militância de alguns professores, irmanados em formas e conteúdos datados de intervenção estejam a prestar um mau serviço à nobre e muito digna classe dos professores.
Fevereiro 26, 2008 at 10:49 am
Hoje, 3ª feira, na rádio já se fala em muitos milhões para pagar as horas extraordinárias.
Será o “crash” da ministra?
Até ao derrote final.
Fevereiro 26, 2008 at 10:49 am
O Sr. J. Francisco Saraiva de Sousa não pode negar que é do Partido do Sócrates. Faço o favor de não chamar a esse partido de Partido Socialista.Seria um insulto ao SOCIALISMO.
Não quer o PSD no Governo? Eu também não. Mas entre os dois, que venha o diabo e escolha.
Quanto à Drª Fernanda Velez, foi dos poucos intervenientes que disse alguma coisa de jeito.
Não sou do PSD, votei útil no PS (e arrependo-me todos os dias), não sou do PC, não sou de nada nem de ninguém. Sou apenas da minha CONSCIÊNCIA. E a minha consciência só quer o que é justo e bom. Para os PROFESSORES (que já fui), para os ALUNOS e para PORTUGAL.
Fevereiro 26, 2008 at 10:54 am
Sobre “Prós e Contras”!
De há muito que este programa tem por finalidade a “lavagem” de governos e ministros.
É para isto que serve, apesar de pretensiosamente, ser apresentado como o verdadeiro fórum de debate das grandes questões nacionais.
Há muitos anos que a RTP, neste programa, lava , leva, lava…
A Dra Fátima também se lava em pretensiosismo (“presunção e água-benta, cada qual toma a que quer.”).Sabe de tudo, desde aeroportos, hospitais , escolas, economia,ensino artístico, etc, etc.
Pretensiosa, pois claro.
Quase sempre, porque quem paga é que manda, se coloca de gatas perante os representantes dos governos e boicota, claramente, as intervenções de quem não vive “em comunhão de espírito e de bens” com os governantes.
Minuciosamente acompanhada pela realização do programa, sopram-lhe aos ouvidos as interrupções que deve fazer, como e quando.
Uma verdadeira encenação para “português ver”, já não é pouca coisa, quase sempre para, como aqui e na opinião pública impressa, os ministros e governos saírem sempre lavadinhos e vitoriosos.
É para isso que a televisão pública é utilizada, é para aqu4ele papel de detergente que a Dra Fátima serve.
Bem paga, por certo, numa carreira que desconheço seja vertical ou horizontal
Fevereiro 26, 2008 at 10:58 am
O PD é um optimista!
Eu aposto que o Sócrates só abdica da sua Ministra adorada mesmo em fim de linha.
Se tiverem que pagar horas extras, já devem estar a preparar a vingança, do tipo, para compensar, reverter os tempos supervenientes(diferença entre as aulas de 45 e as de 50 minutos) em componente lectiva.
Fevereiro 26, 2008 at 11:05 am
H5N1, concordo plenamente com o que escreveu.
É preciso desmontar a política educativa no seu *todo* para se poder agir.
Fevereiro 26, 2008 at 11:14 am
Quem fala assim é doutorada em ciências de educação:
“No debate televisivo entre a Sra. Ministra e os Professores, a melhor nota vai para:
Mário Nogueira
porque se preparou conveniente e foi o único que tocou num problema ao qual não se está a dar a devida importância:
Os instrumentos de avaliação do desempenho têm de ser pré-testados”. Idalina Jorge PAIDEIA
Os especialistas entendem-se sempre uns aos outros.
LO PÌU IMPORTANTE ES LO INSTRUMENTO!!!!!!!!
Fevereiro 26, 2008 at 11:15 am
Todos gabam a coragem da ministra. Suspeito mais de que o espectro Correia Campos tenha pesado na decisão. Ficou também claro que o formato um contra todos, permitindo à ministra gerir as oportunidades das respostas e afunilando os tempos de intervenção de todos os demais, a menos que estes tivessem concertado previamente o assunto específico que cada um iria tratar,(hipótese meramente académica) dá muitas vantagens ao contendor singular (sem menosprezar os favores da moderação).
Fevereiro 26, 2008 at 11:31 am
É o descontrole total na 5 de Outubro!
Ontem de manhã, a mais jovem assessora de Valter Lemos, passou a manhã inteira a convidar insistentemente os funcionários do ME, para assistirem ao programa, em lugar de destaque…para baterem palmas, digo eu.
Breve registo biográfico da assessora:
professora de carreira, sem expriência de escola, porque sempre em funções técnicas – ou políticas- de grande responsabilidade, especialista da área; ex sindicalista activa noutros tempos, (embora em dias de greve comparecesse sempre “às escondidas” ao serviço); natural de Penamacor (apenas uma curiosidade sem importância). E é melhor não dizer mais nada!
Fevereiro 26, 2008 at 11:32 am
Percebo a admiração de alguns com o Jovem Professor Revoltado.
Mas um programa destes não é um treino.
E perdeu-se em conversa de café, com o facilitismo e coiso.
Torna-se um alvo fácil.
Desnecessariamente.
Fevereiro 26, 2008 at 11:39 am
Não há alternativa, Paulo. O poder de intervenção pública adquire-se intervindo.
Mais me incomodam os acomodatismos acéfalos, eles lá sabem, estamos aqui para cumprir.
Fevereiro 26, 2008 at 11:46 am
MI,
voçês aí na 5 Outubro sentem-se realizados com o que fazem?
Nem por um momento se sentem frustrados?
Fevereiro 26, 2008 at 11:48 am
PG
Não é tanto a admiração pelo jovem , mas antes o desconsolo com os outros, os enrodrigados nos meandros do politicamente correcto.
Poderia ter sido um pormenor sem importância, se os restantes têm feito uma “pega” de coragem e clareza argumentativa.
Assim ficámos com o desconsolo de uma pega de cernelha, de recurso, perante a inoperância dos forçados (sim forçados: condenados a trabalhos públicos).
A atenção volta-se assim para uma aparente bravura do “bicho”, quando o problema residiu na debilidade dos opositores.
Desculpem-me a analogia, mas a abordagem disto como um circo, de quem ganha e de quem perde, conduz a este lado voyeurista de espectador de um espectáculo lúdico, na tradição do circo romano (uma das instituições espectaculares que mais perduraram no tempo histórico da civilização ocidental).
Fevereiro 26, 2008 at 11:57 am
eu comecei a ver mas depois comecei a enervar-me e desisti!
Fevereiro 26, 2008 at 11:57 am
DA
o que é que acha?
Acha que algum técnico se pode sentir realizado a trabalhar numa organização partidária, quando está à margem do grupo das “comadres”? Quando convive todos os dias com, o descaramento total? É que já não há qualquer pudor, apenas oportunismo.
Deixe-me dizer-lhe que aqui ninguém pensa na escola…
Fevereiro 26, 2008 at 12:01 pm
Foi um debate terrível para a ministra
Fevereiro 26, 2008 at 12:01 pm
“Deixe-me dizer-lhe que aqui ninguém pensa na escola…”
isso já eu sei há muito!
nem aí nem em estrutura alguma do ME.
Por isso mesmo é defendo a pura e simples extinção do ME.
Não pense que o(a) queira ver na mobilidade especial.
Fevereiro 26, 2008 at 12:04 pm
“quero”
Fevereiro 26, 2008 at 12:04 pm
Caro Paulo (28.)
Sem querer aqui defender o referido jovem (evito o compadrio etário)… a melhor defesa que lhe é feita é protagonizada pelo Professor Manuel Maria Carrilho.
Envie-te mail sobre o assunto.
Fevereiro 26, 2008 at 12:05 pm
DA
Mas eu também defendo a extinção de alguns serviços e já me disponibilizei para a mobilidade. Sabe, ainda sou nova e penso que posso vir a ser útil …
Fevereiro 26, 2008 at 12:16 pm
Ó Da!!! vocês e não voçês, por favor.
Será que integra «a maioria dos professores portugueses, talvez mais de 60%, é profundamente incompetente e compulsivamente ignorante»??? (sic comentário 11)
Fevereiro 26, 2008 at 12:20 pm
É isso, compulsivamente ignorante e iletrado.
Obrigado, pela chamada de atenção.
Fevereiro 26, 2008 at 12:24 pm
Cristina
Ainda ontem uma professora/assessora de “excelente” (e se as quotas aqui são baixas), me perguntava : ” já fostes almoçar” . Isto há de tudo…
Fevereiro 26, 2008 at 12:34 pm
Estou de acordo:
“A conclusão é que entre os sindicatos onde os professores estão a deixar de se reconhecer, apesar do seu poder social que ainda lhes subsiste como parceiros de discussão e de mobilização mesmo se forçada, e as recentes e imaturas associações cívicas, os professores continuam pouco representados.
Os professores deviam ter pensado em levar alguém que do seu lado estivesse preparado não só para falar da sua experiência na escola, mas alguém que tivesse estudado os modelos que querem implementar em Portugal e apontar-lhe todas as falhas, apresentando outros modelos onde o papel do professor é mais relevante e mais respeitado, como forma de contraposição. Deviam ter levado os números do continuado facilitismo (que ofendeu muito a ministra e o famigerado encarregado de educação da CONFAP), e mostrado ao país essa verdade. Assim ficou tudo baseado na casuística. Mas pelo menos deu para se perceber o mal-estar geral sentido nas escolas portuguesas. E se houve professores mal-educados, a tutela já o tinha sido antes e de forma recorrente: os modelos tendem a replicar-se”.
Isabel Morgado
http://emsemicirculo.blogspot.com/2008/02/os-professores-nos-prs-e-contras.html
Fevereiro 26, 2008 at 12:50 pm
O Prós e Prós é um programa de televisão em que a “Fátinha” é a grande assessora do governo socretino para a área da comunicação social televisiva.
Trata-se de programa de “circo”.
A Fatinha “faz o programa”, não modera nada. Não quer esclarecer nada, quer dar “a sua opinião” sobre os temas, via conluios prévios.
O povo português finge mas já topou tudo.
Fevereiro 26, 2008 at 12:56 pm
O tempo que foi dado a cada interveniente, excepção feita à ministra, é incompatível com a demonstração referida por Isabel Morgado.
Essa foi uma das armadilhas do debate de ontem.
Fevereiro 26, 2008 at 1:13 pm
A senhora loura do debate foi, claramente, bater-se a um lugar ministeriável no “futuro governo de Menezes”!
Esta gente não está para outras coisas.
Politico/partidarizou o debate, sem nunca falar do governo….Só ministério, só ministra, só lugares…
Fevereiro 26, 2008 at 1:29 pm
A impressão com que fiquei é que o debate correu mal para a ministra. Ninguém poderia esperar que este tipo de organização de debate controlada pelo poder pudesse ser pior, para ela, do que foi.
Quando digo que correu mal, quero dizer que não ganhou pontos contra a escola, os professores, os pais, os alunos. Não fantasiemos esmagamentos televisivos do poder que usa dez vezes mais tempo que qualquer um dos outros que nunca têm direito de resposta.Tem tempo para repetir a cassette vezes sem conta (peço a quem orienta este blogue que liste os itens dessa cassette para todos os desmontarmos, se for caso disso), tem tempo para organizar um fio condutor para as suas intervenções(que mal conseguiu), etc . A acrescer a isso, esta cassette tem sido repetida à exaustão noutras intervenções da sra Ministra e de outros admiradores e está no ouvido de alguma opinião pública. Normalmente começa sempre pelas “aulas de substituição”.
Os comentadores amigos apressaram-se a vir dizer que a sra tinha ganho. Eles sabem o que fazem. Nós achamos claramente que não.Mas os professores têm razão. Não é um debate que a dá ou tira. A expressão da razão dos professores não terá sido sempre adequada, mas teve muito bons momentos.
Quanto a mim, a razão dos professores terá mais momentos para se fazer ouvir. E vai conseguir mais, muito mais do que a sra e os seus secretários desejam.
Não esqueçamos que alguns professores que expuseram também SE expuseram, sem o guarda-chuva do poder ou dos sindicatos ou dos partidos. A solidariedade, em caso de represálias, sejam elas quais forem, impõe-se.
A maré tem de encher mais.Disseram-me que haveria mais manifestações em diversos sítios. Haverá alguma no Algarve?
Fevereiro 26, 2008 at 1:43 pm
Para mim, que sou (fui) professora e continuo bem dentro das questões, foi claro que quem ganhou o debate foram os professores. Mas estou de acordo que assim não foi para a opinião pública em geral e pais em particular, que não estão por dentro de aspectos técnicos e, por exemplo, da imensa e afogadora burocracia decorrente do modelo da avaliação, bem como das falhas legais, etc. Foi pena, como já foi dito, que ninguém se lembrasse suficientemente do público não docente para apresentar ao menos um ou dois exemplos bem clarinhos para todos.
Quanto à nota que o Paulo dá à Ministra, eu não lha dou, não. Podem ser pormenores, mas aquela maneira como deturpou o que foi dito sobre as regras para o concurso/pontuação dos titulares não terem garantido que acedessem os melhores e terem permitido que muitos dos melhores não acedessem, essa deturpação para mim só tem um nome: desonestidade intelectual. E para a evocação dos registos biográficos como causas de só ter sido considerado o currículo dos últimos 7 anos eu nem encontro adjectivo apropriado.
Também não acho admissível que uma ministra diga que não está dentro do assunto para poder pronunciar-se sobre as decisões judiciais.
Com as outras ‘avaliações’ do Paulo concordo.
Fevereiro 26, 2008 at 2:00 pm
A Isabel Morgado, no texto “comentário 42″, escreve um texto com base num pressuposto de base errado. O programa em causa não é de debate…
Fevereiro 26, 2008 at 2:50 pm
Oh Ana Henriques, explique-se lá melhor.
O pressuposto não é propriamente esse, mas sim o de que os docentes não foram capazes de espetar a espada da argumentação na jugular do ME, quer porque só iam munidos de fisgas e bombinhas de carnaval, quer porque o “guião” não se prestava a esse desenlace, como sugere o Ferrão.
Fevereiro 26, 2008 at 3:27 pm
Não somos ingénuos, pois não hon1!?
Já fui espectadora de muitos destes programas, sobre variados temas. Em vários destes, os interlocutores são pessoas muito experientes em televisão e discurso institucional. Pois é. Pareciam, em face da encenação montada, “que foram munidos de fisgas e bombinhas de carnaval”…
Relativamente a representações dos professores, penso que está a par de que nunca “foi permitida a criação de uma Ordem” e a representatividade da classe estava a cargo de Associações Profissionais muito ligadas a áreas disciplinares e aos sindicatos. Por isso, os professores não responderam na hora aos ataques como o fizeram os médicos ou os magistrados judiciais.
Para terminar. E ainda. Os professores, sem experiência de intervenção na comunicação social, sem treino institucional, sairam-se muito bem. Estão de parabens todos. Demonstraram que estavam ali porque a força da razão lhes assisti.
Um obrigada a todos os professores que (generosamente) me representaram.
Fevereiro 26, 2008 at 3:34 pm
João Formosinho demonstrou como são, estão e andam as ciências ditas da educação: a leste de tudo isto.
Nem sabem do que se está a falar!
Formosinho foi verdadeiramente patético!
Fevereiro 26, 2008 at 4:15 pm
Concordo com a IC. Para nós, os professores “somaram pontos”, para o opinião pública, continuamos uns calões.
Todos sabemos que a Fátinha não ia deixar os créditos do programa por mãos alheias… e ela não está ali para perder apoios, nem para permitir que o governo seja posto em causa de maneira demasiado evidente. Afinal a RTP é um canal estatal os puxões de orelhas seguir-se-iam rapidamente. Convém que existam programas pseudo-democráticos em que a opinião pública se reveja numa espécie de contraditório mas convém, também, que esse contraditório não ponha em causa, de forma ostensiva, as políticas do governo. E, para isso, serve a desculpa da falta de tempo e a necessidade de dar voz a todos os interlocutores, o que todos vemos que apenas se passa quando a “voz” é incómoda.
É tudo uma “espécie de…”
Sobre a prestação dos professores o que tenho a dizer é que tenho pena que confiem demasiado nas suas capacidades.
A intervenção num local público, especialmente num meio de comunicação audio, sujeita a tempos de intervenção, sujeita a interrupções, tanto pelo moderador, como pelos outros intervenientes tem que ser sempre bem preparada. Não pode ser deixada ao acaso, à capacidade que cada um tem de discorrer sobre os temas em discussão. Não é o mesmo estar ali ou num qualquer outro espaço.
E esse foi o grande defeito da prestação dos nossos colegas. Quando se vai para um debate deste tipo, um debate em que a palavra é de ouro e cada segundo tem que ser bem aproveitado, deve-se levar “uma cábula”, bem esquematizada com a sequência dos pontos a abordar, para que se consiga passar a mensagem e não pareça que se anda perdido no meio dos diferentes assuntos.
Infelizmente, ficou quase tudo por dizer. Ficou por explicar os porquês da nossa contestação. Ficou por rebater a lógica que presidindo a toda a “reforma”, que parece uma manta de retalhos mas que efectivamente não o é, não se debruça sobre o problema chave de todo o sistema educativo – o ensino – incidindo só na instituição e nos seus agentes, o que, de forma alguma, vai resolver o problema das aprendizagens.
Foi pena!
Fevereiro 26, 2008 at 4:26 pm
Não percebi qual era a função do João Formosinho! Apoiar a Ministra? Representar o CNE? Esclarecer a opinião pública sobre os temas em debate?
Quanto a mim não fez nada, a não ser gastar tempo.
Já se fala de tudo há mais de 20 anos! Foi a única conclusão que tirei das suas intervenções.
Se já se fala de tudo há mais de 20 anos já seria altura de, desempenhando as funções que desempenha, ter contribuído para que se agisse mais e se falasse menos, pelo menos sempre das mesmas coisas. Infelizmente, quem pode não usa o seu poder para…
DE uma pessoa que tem este currículo:
– professor catedrático da Universidade do Minho;
- de inúmeros trabalhos e pareceres sobre política educativa, administração e gestão escolar, organização pedagógica e curricular e formação de professores;
- membro do Conselho Nacional de Educação;
- tem participado em vários grupos de trabalho no âmbito da Comissão da Reforma do Sistema Educativo, da preparação da Lei-Quadro da Educação Pré-escolar e da reorganização do 1º Ciclo do Ensino Básico;
esperar-se-ia muito mais.
Mas também só o espera que nunca teve aulas com ele…
Fevereiro 26, 2008 at 4:47 pm
Em defesa do Professor Formosinho gostaria de dizer que ele é um excelente teórico, um óptimo investigador, mas, convenhamos, estava no sítio errado, na hora errada. A sua área de trabalho está a anos-luz daquilo que se estava a tratar ontem. Foi pena, ele merecia melhor.
Fevereiro 26, 2008 at 4:50 pm
Ponto da situação:
Ficou demonstrada a hostilidade dos docentes CONTRA a ministra, mas não se percebeu muito bem porquê.
Na hora da verdade (difícil de desempenhar na televisão, como diz a Isabel Morgado e a Maria Lisboa), os docentes e seu representantes falharam clamorosamente na abordagem da questão essencial: a política EDUCATIVA em que os professores são implodidos pelas ondas de choque!
Ao centrarem as intervenções nos EFEITOS sobre os docentes, esqueceram-se de que eles já não estão efectivamente no centro do processo educativo desde há muitos anos a esta parte.
Faltou a dimensão HISTÓRICA, FILOSÓFICA e PEDAGÓGICA, ou seja, faltou quase tudo para desmontar a POLÍTICA EDUCATIVA construída nos últimos anos, de que esta Ministra é apenas uma mínuscula executante descartável.
Fevereiro 26, 2008 at 4:58 pm
João formosinho esteve, efectivamente, muito confuso. Não passou mensagem. Gostei da colega Fernanda Velez e em especial quando disse que os professores ingressam na carreira por mérito enquanto que qualquer um pode ser Ministro. Touché!
Fevereiro 26, 2008 at 5:00 pm
Estava aqui a saltitar na net à procura de textos sobre comunicação social para falar com os meus alunos (pois faz parte do programa de LP de 7.º, 8.º e 9.º) quando, deparei com um texto interessante, retirado de uma entrevista de uma investigadora sobre a relação dos media e a escola. Ora leiam:
«- Gostaria de finalizar esta entrevista abordando a relação entre os meios de comunicação social e a escola, que actualmente não é a mais pacífica. Qual a razão para este conflito latente?
-De facto, e de uma forma geral, a escola e os professores têm hoje uma imagem bastante negativa nos meios de comunicação social.
-Porquê é que isso acontece?
-responderia colocando outra questão: quando é que a escola tem sido notícia? Pelas manifestações dos professores. Depois, alguns meios de comunicação social passam a imagem de que os professores têm alguma dificuldade em cumprir o seu horário; que não actualizam os seus saberes; que são incompetentes; que as escolas são lugares em degradação; que os alunos são mal comportados. Enfim, dir-se-ia que a escola é quase vista como um gueto da sociedade para quem a observa do exterior, quando a realidade, de facto, é bem diferente.»
Que tal os jornalistas passarem uma semana nas escolas (rurais/urbanas; problemáticas/menos problemáticas; do litoral/do interior, das zonas nobres/das zonas carenciadas)???
Deixa senhora Ministra? (Cá para mim alguém do ME lê o blogue e vais contar-lhe, não acham?)
Fevereiro 26, 2008 at 5:01 pm
desculpem a vírgula a seguir a quando!!
Fevereiro 26, 2008 at 5:46 pm
e é vai, não vais…
Fevereiro 26, 2008 at 5:49 pm
Voltei!
Continuei a ler e acho que vale a pena reflectir…
A comunicação social e a escola
Gostaria de finalizar esta entrevista abordando a relação entre os meios de comunicação social e a escola, que actualmente não é a mais pacífica. Qual a razão para este conflito latente?
De facto, e de uma forma geral, a escola e os professores têm hoje uma imagem bastante negativa nos meios de comunicação social.
Porquê é que isso acontece?
Eu responderia colocando outra questão: quando é que a escola tem sido notícia? Pelas manifestações dos professores. Depois, alguns meios de comunicação social passam a imagem de que os professores têm alguma dificuldade em cumprir o seu horário; que não actualizam os seus saberes; que são incompetentes; que as escolas são lugares em degradação; que os alunos são mal comportados. Enfim, dir-se-ia que a escola é quase vista como um gueto da sociedade para quem a observa do exterior, quando a realidade, de facto, é bem diferente.
Mas porque razão é essa a imagem que passa?
Penso que existem responsabilidades de ambos os lados. Por um lado, os media não percebem o sistema escolar e o espaço que ele ocupa na sociedade. Reflexo disso é o facto de a educação não ter um espaço próprio e legítimo na comunicação social, dividindo o espaço noticioso com outros sectores sociais. Por outro lado, porque os próprios professores também não percebem muito bem as lógicas de funcionamento da comunicação social e porque os actores do campo educativo são invariavelmente representados pelas organizações sindicais.
Depois, porque quando os professores produzem trabalhos válidos não os procuram mostrar à comunidade, não são pró-activos. Eu integro o júri do “Público na Escola” e todos os anos vejo trabalhos muito interessantes desenvolvidos nas escolas. Há professores a fazerem um trabalho extraordinário, que seria notícia e se tornaria visível se os jornalistas fossem chamados a conhecê-lo.
Tudo se resume, então, a uma incapacidade de comunicação…
Não, eu penso que os professores sabem comunicar perfeitamente. Nas alturas em que reivindicam eles fazem-se ouvir, são notícia. O que talvez faltará é divulgarem notícias positivas que têm habitualmente pouca visibilidade no espaço público.
Mas até que ponto a agenda determinada pelos jornais e pelos poderes de que há pouco falávamos não condiciona, até certo ponto, essa visibilidade?
O argumento de que os jornalistas não se interessam não é totalmente verdadeiro. Julgo que é preciso um trabalho mais aturado de divulgação. Concordo que será difícil fazer a abertura de um telejornal, mas se calhar é possível ter a primeira página de um jornal regional. E se começarem a ocupar muitas vezes a imprensa regional podem de igual modo ter lugar nas rádios locais, que, por sua vez, entram em antena com as rádios nacionais. E podem procurar fazer um agendamento junto dos correspondentes de jornais nacionais ou fazer chegar aquilo que fazem junto dos semanários, que habitualmente têm mais espaço para este tipo de reportagem. Afinal, quantas conferências de imprensa organizam os professores portugueses para mostrar à comunidade aquilo que fazem?
Depois, há uma espécie de círculo mediático onde os professores e a educação aparecem associados aos sindicatos e às manifestações. E esta mediatização, que nem sempre credibiliza os professores, deixa margem de manobra para um agendamento que propicia a acção do governo.
O discurso mediático tem sempre repercussões. E isto é válido tanto para a educação, como para a política ou o futebol – são os “clássicos”. Há sempre efeitos dos desenhos feitos a partir da realidade. Convém perceber é quem é mais pró-activo nestes desenhos.
Na sua tese de doutoramento defende que “a televisão não é um espelho mas sim um prisma da sociedade”. Acha que esta ideia pode ser transposta para a forma como a comunicação social em geral aborda as questões educativas?
Sim, esse exemplo serve perfeitamente para ilustrar aquilo que estávamos a falar. Quando se fala em professores a ideia que nos pode ficar é de uma classe que não quer trabalhar, que é ociosa e se limita a reivindicar. Mas existe uma maioria que é trabalhadora, que prepara as aulas, que se preocupa com os alunos, que faz um esforço diário para lhes ensinar alguma coisa. Esses professores, que são uma imensa maioria, não são notícia. E não são notícia não apenas porque os jornalistas se esquecem deles, mas porque eles próprios também se esquecem que têm lugar neste espaço público mediatizado.
E quem fala nos professores pode também falar da questão do género. Quem são aqueles que, em termos de género, ocupam predominantemente o espaço público mediatizado? Na sua maioria são homens. Os homens aparecem quase sempre a falar dos aspectos mais sérios, as mulheres são habitualmente chamadas para falar de assuntos mais triviais. Representam os estereótipos, porque há um olhar não para o todo social mas para uma parte dele, que os media convencionaram que é a parte mais representativa. Isso significa que a televisão não consegue espelhar a sociedade. Cria um prisma, que nós em casa pensamos que é um espelho.
Fevereiro 26, 2008 at 5:53 pm
Voltei!
Continuei a ler e acho que vale a pena reflectir…
A comunicação social e a escola
Gostaria de finalizar esta entrevista abordando a relação entre os meios de comunicação social e a escola, que actualmente não é a mais pacífica. Qual a razão para este conflito latente?
De facto, e de uma forma geral, a escola e os professores têm hoje uma imagem bastante negativa nos meios de comunicação social.
Porquê é que isso acontece?
Eu responderia colocando outra questão: quando é que a escola tem sido notícia? Pelas manifestações dos professores. Depois, alguns meios de comunicação social passam a imagem de que os professores têm alguma dificuldade em cumprir o seu horário; que não actualizam os seus saberes; que são incompetentes; que as escolas são lugares em degradação; que os alunos são mal comportados. Enfim, dir-se-ia que a escola é quase vista como um gueto da sociedade para quem a observa do exterior, quando a realidade, de facto, é bem diferente.
Mas porque razão é essa a imagem que passa?
Penso que existem responsabilidades de ambos os lados. Por um lado, os media não percebem o sistema escolar e o espaço que ele ocupa na sociedade. Reflexo disso é o facto de a educação não ter um espaço próprio e legítimo na comunicação social, dividindo o espaço noticioso com outros sectores sociais. Por outro lado, porque os próprios professores também não percebem muito bem as lógicas de funcionamento da comunicação social e porque os actores do campo educativo são invariavelmente representados pelas organizações sindicais.
Depois, porque quando os professores produzem trabalhos válidos não os procuram mostrar à comunidade, não são pró-activos. Eu integro o júri do “Público na Escola” e todos os anos vejo trabalhos muito interessantes desenvolvidos nas escolas. Há professores a fazerem um trabalho extraordinário, que seria notícia e se tornaria visível se os jornalistas fossem chamados a conhecê-lo.
Tudo se resume, então, a uma incapacidade de comunicação…
Não, eu penso que os professores sabem comunicar perfeitamente. Nas alturas em que reivindicam eles fazem-se ouvir, são notícia. O que talvez faltará é divulgarem notícias positivas que têm habitualmente pouca visibilidade no espaço público.
Mas até que ponto a agenda determinada pelos jornais e pelos poderes de que há pouco falávamos não condiciona, até certo ponto, essa visibilidade?
O argumento de que os jornalistas não se interessam não é totalmente verdadeiro. Julgo que é preciso um trabalho mais aturado de divulgação. Concordo que será difícil fazer a abertura de um telejornal, mas se calhar é possível ter a primeira página de um jornal regional. E se começarem a ocupar muitas vezes a imprensa regional podem de igual modo ter lugar nas rádios locais, que, por sua vez, entram em antena com as rádios nacionais. E podem procurar fazer um agendamento junto dos correspondentes de jornais nacionais ou fazer chegar aquilo que fazem junto dos semanários, que habitualmente têm mais espaço para este tipo de reportagem. Afinal, quantas conferências de imprensa organizam os professores portugueses para mostrar à comunidade aquilo que fazem?
Depois, há uma espécie de círculo mediático onde os professores e a educação aparecem associados aos sindicatos e às manifestações. E esta mediatização, que nem sempre credibiliza os professores, deixa margem de manobra para um agendamento que propicia a acção do governo.
O discurso mediático tem sempre repercussões. E isto é válido tanto para a educação, como para a política ou o futebol – são os “clássicos”. Há sempre efeitos dos desenhos feitos a partir da realidade. Convém perceber é quem é mais pró-activo nestes desenhos.
Na sua tese de doutoramento defende que “a televisão não é um espelho mas sim um prisma da sociedade”. Acha que esta ideia pode ser transposta para a forma como a comunicação social em geral aborda as questões educativas?
Sim, esse exemplo serve perfeitamente para ilustrar aquilo que estávamos a falar. Quando se fala em professores a ideia que nos pode ficar é de uma classe que não quer trabalhar, que é ociosa e se limita a reivindicar. Mas existe uma maioria que é trabalhadora, que prepara as aulas, que se preocupa com os alunos, que faz um esforço diário para lhes ensinar alguma coisa. Esses professores, que são uma imensa maioria, não são notícia. E não são notícia não apenas porque os jornalistas se esquecem deles, mas porque eles próprios também se esquecem que têm lugar neste espaço público mediatizado.
E quem fala nos professores pode também falar da questão do género. Quem são aqueles que, em termos de género, ocupam predominantemente o espaço público mediatizado? Na sua maioria são homens. Os homens aparecem quase sempre a falar dos aspectos mais sérios, as mulheres são habitualmente chamadas para falar de assuntos mais triviais. Representam os estereótipos, porque há um olhar não para o todo social mas para uma parte dele, que os media convencionaram que é a parte mais representativa. Isso significa que a televisão não consegue espelhar a sociedade. Cria um prisma, que nós em casa pensamos que é um espelho.
Fevereiro 26, 2008 at 5:58 pm
Outro do lado da ME
Este comentário (nr. 18) de DA é redutor e grosseiro. A transcrição do meu post vem no comentário 19. Quem o ler bem perceberá que “outro do lado da ministra” não se aplica ao que escrevi. É uma questão de saber interpretar o que está escrito, coisa que, como por aqui se saberá melhor do que eu sei, dá pelo nome de literacia. De resto, acho a frase deselegante, mas isso é pouco importante.
Fevereiro 26, 2008 at 6:25 pm
Após estas manifestações espontâneas e a entrevista da Ministra da Educação é necessário definir objectivos claros e precisos para continuar a luta contra esta política. Não podemos continuar a misturar interesses individuais, de grupo, de escalão com o nosso objectivo global:
Devemos exigir:
1 – Um estatuto da carreira docente em que os deveres profissionais (cerca de três dezenas) sejam reduzidos para deveres exequíveis e adequados ao papel central do professor.
2 – A extinção de duas castas:a de professor titular e a de simples professor porque se trata de uma divisão artificial. Não podemos esquecer que o principal problema que está a conduzir à existência de um certo mau ambiente nas escolas é a existência de superiores hierárquicos (professores titulares) através de um concurso extremamente injusto, em que alguns maus professores foram promovidos e excelentes professores ficaram pelo caminho.
3 – Exigir uma avaliação de professores rigorosa, mas de fácil aplicação. Não podemos incorrer no erro de pretendermos uma avaliação como aconteceu no passado recente, pois assim não seremos compreendidos pelos restantes portugueses. Essa avaliação nunca deverá impor cotas, mas olhar exclusivamente para o mérito do professor.
4 – Exigir um modelo de gestão mais democrático das Escolas, em que por exemplo, o Conselho Pedagógico tenha mais poderes.
5 – Porque não estudarmos seriamente o estatuto da carreira docentes dos Açores. Não seria um bom modelo de partida.
Temos que ter propostas que promova a união de todos os professores, porque o ME, nos últimos anos tem dividido para reinar.
Temos que nesta luta, todos são importantes e que os sacrífícios de hoje serão um bom investimento para amanhã…
Assim no dia 8 de Março todos a caminho de Lisboa!
E se o Ministério prosseguir com esta política, porque não uma greve por tempo indeterminado mo mês de Maio. Em vez de uma férias em Cancum talvez umas férias mais modestas em Portugal…
Fevereiro 26, 2008 at 6:32 pm
Desculpem alguns erros no post nº 61, uma vez que este foi escrito à pressa num intervalo de 5 minutos entre as aulas.
Fevereiro 26, 2008 at 6:38 pm
“Em vez de uma férias em Cancum talvez umas férias mais modestas em Portugal…”
isto é normal?
Não na minha escola, não na minha família. Conheço só pessoas a contabilizar tostões. Bahh, afinal sou mesmo uma professorazeca.
Fevereiro 26, 2008 at 6:42 pm
Dia 8
Vamos dar o empurrão final
Transportes com saída de Barcelos e Póvoa de Varzim.
inscrições: povoa@spzn.pt
Fevereiro 26, 2008 at 6:44 pm
Tenho 2 filhos, um no secundário e outro na Faculdade, e fui professora do ensino secundário há quase 30 anos, durante 5 anos, tendo chegado a efectivar-me. Mudei de profissão, mas ainda a respeito muito.
É por isso que me entristece o baixo nível por que se tem pautado a “luta” dos professores (sindicatos?). Parece que vivem noutro mundo, alheados dos interesses da sociedade, concentrados no seu umbigo e nos seus direitos adquiridos.
Há quantos anos é que os nossos alunos têm os piores resultados na Europa e estão entre os piores nos países da OCDE, nos testes PISA?
Há quantos anos é que as escolas convivem com professores que faltam sistematicamente, sem conseguirem substituí-los?
Há quantos anos é que as carreiras profissionais dos professores evoluem quase independentemente da qualidade do seu trabalho?
Há quantos anos é que os cidadãos se sentem impotentes face à má gestão dos dinheiros públicos (impostos pagos por todos) numa das principais funções do Estado, o ensino público?
Este estado de coisas deveria levar a que os professores fossem os primeiros interessados em colaborar com o ME, na enorme reforma que é preciso fazer, pela melhoria da qualidade do ensino e pela dignificação da sua profissão.
Não é isso que tem transparecido na actuação dos mesmos.
Seria importante que entendessem que para o cidadão comum, faz todo o sentido que os seus filhos tenham todas as aulas previstas e que um professor ausente seja substituído. Contestar esta necessidade é um mau começo!
Para o cidadão comum, é óbvio que há bons e maus professores e que as suas carreiras deverão corresponder à sua valia. Também é natural que nem todos cheguem ao topo, mesmo que sejam bons profissionais. É o que se passa em qualquer profissão. Lutar contra isto não é compreensível para a maioria das pessoas.
Ou seja, penso a “luta” dos professores tem decorrido com algum autismo, o que não contribui nem para a dignificação da profissão nem para a melhoria do ensino em Portugal.
Fevereiro 26, 2008 at 6:52 pm
Demasiados subentendidos num único comentário. As palavras podem ser próprias, mas as ideias são largamente propaladas na comunicação com prejuízo da verdade dos factos. Se há muitos anos os testes PISA não correm bem para Portugal, dever-se-ía olhar para as políticas seguidas e não para os seus executores. A tentativa de fracturar a sociedade na compreensão dos problemas da Educação deu, pelos vistos dividendos. Quem ganha com isso? Na hora em que o ensino privado avançar, por efeito do estrangulamento das escolas públicas, logo veremos.
Fevereiro 26, 2008 at 7:01 pm
o ensino privadojá está avançar.
Fevereiro 26, 2008 at 7:02 pm
Honestamente acham que a nossa luta tem sido baixa?onde?
Fevereiro 26, 2008 at 7:13 pm
São os Professores “o sistema de Ensino”. Sem Professores não há Escola nem Ensino. O Ensino é uma profissão de sentido.
Sem professores (sem sentido) acaba-se a Escola, o sistema de Ensino.
Se as pessoas não lutarem ao lado dos professores creiam que mais cedo ou mais tarde vem aí implosão ou explosao social gravíssima. A escola-professores tem funcionado como tampão, sobretudo os professores de proximidade. E esses por uma questão de defesa, de sobrevivência, vão ter que deixar de o ser.
Fevereiro 26, 2008 at 7:36 pm
A modernização de esquerda que A Ferrão não acompanha…
Algumas almas mais sensíveis alimentam a estranha ideia de que o governo quer estrangular a “escola pública”.
Mas como a Ministra ontem afirmou e o camarada sócrates não se cansa de repetir, apenas pretendem colocá-la ao serviço da “modernização do país”.
O poder apenas se esforça por reformar e inovar a “escola pública”, integrando os portugueses no maravilhosos plano de engenharia social da “esquerda moderna”.
A “igualdade de oportunidades” continua a fazer parte da “estratégia modernizadora da esquerda”.
Tenha calma Ferrão, se seguir os conselhos de Vital Moreira (hoje particularmente acutilante, moderno e de esquerda, no Público), poderá alcançar a volúpia de integrar “a vanguarda do pensamento e dos projectos modernizadores” que este governo de esquerda representa.
Fevereiro 26, 2008 at 7:37 pm
A modernização de esquerda que A Ferrão não acompanha…
Algumas almas mais sensíveis alimentam a estranha ideia de que o governo quer estrangular a “escola pública”.
Mas como a Ministra ontem afirmou e o camarada sócrates não se cansa de repetir, apenas pretendem colocá-la ao serviço da “modernização do país”.
O poder apenas se esforça por reformar e inovar a “escola pública”, integrando os portugueses no maravilhosos plano de engenharia social da “esquerda moderna”.
A “igualdade de oportunidades” continua a fazer parte da “estratégia modernizadora da esquerda”.
Tenha calma Ferrão, se seguir os conselhos de Vital Moreira (hoje particularmente acutilante, moderno e de esquerda, no Público), ainda poderá alcançar a volúpia de integrar “a vanguarda do pensamento e dos projectos modernizadores” que este governo de esquerda representa.
Fevereiro 26, 2008 at 8:42 pm
António Ferrão
Tentei ser útil à discussão, transmitindo o que é a visão do cidadão comum. Julgo eu.
Tendo os testes PISA tão maus resultados, etc., onde têm estado os sindicatos e os professores que agora se dizem de luto e os que agora dizem defender a escola pública (é caso para perguntar, “que escola pública?” A que temos tido? Não obrigada!)?
É este o problema! Falta credibilidade às vossas reinvidicações. Teria sido mais inteligente alinharem pelos objectivos do ME e negociarem a partir dessa plataforma. Penso que se deixaram instrumentalizar pelos sindicatos e perderam o controle da situação, para o mal de todos.
Fevereiro 26, 2008 at 8:50 pm
Paula,
Cheguei tarde a esta longa troca de comentários.
Acho que está errada relativamente à instrumentalização pelos sindicatos.
Se algo o debate de ontem ajudou a revelar foi que os sindicatos não dominam a voz dos professores.
Sei que, de fora, muitas coisas podem ter uma aparência óbvia, mas assim não é.
Exemplifico: o ME está preocupado em estatísticas de curto prazo para fins eleitorais.
Os próximos resultados do PISA ainda demoram um bocadinho.
E acha que esses resultados será mais favoráveis para Portugal graças a estas medidas?
Logo veremos?
Tudo bem. Mas eu estarei cá a prestar contas pelos meus resultados e dos meus alunos. A Ministra e os Secretário de Estado não.
Fevereiro 26, 2008 at 8:53 pm
E porque não se discutem os conteudos programáticos?
Fevereiro 26, 2008 at 9:00 pm
Continuando com a reflexão, julgo que os sindicatos menosprezaram a determinação deste PM. Estavam habituados a ver as reformas a ficarem no tinteiro, ao sabor das greves. Os professores, sem uma estrutura que defenda a sua profissão, como têm outras classes profissionais, deixaram-se levar.
Fevereiro 26, 2008 at 9:13 pm
Agora não percebi: os sindicatos (a que não pertenço) não são estruturas?
E não percebo bem como fomos e por quem fomos levados.
Repito: será que os últimos tempos não revelam que existe uma reorganização dos docentes em termos de resistência ao ME?
Quanto ao PM eu não o caracterizaria dessa forma. Afinal ele foi parte integrante de TODO o guterrismo dialogante.
Aprendeu com o tempo, foi isso?
Fevereiro 26, 2008 at 9:15 pm
Paula Martins
Nunca iria supor que tivesse entrado nesta discussão com outro intuito que não o de ajudar, e, de facto, ajudou.
Estou mal colocado para representar qualquer sindicato de professores. Primeiro, porque não sou sindicalisado; segundo, porque não sou professor.
Os sindicatos não estão mandatados para definir políticas educativas. Embora possam ser consultados, a responsabilidade cabe aos agentes políticos.
Fevereiro 26, 2008 at 9:24 pm
Paulo
Eu sei que as estatísticas são fundamentais para este ou para qualquer outro governo. Mas o que preocupa os cidadãos é o país e não o governo. E o que as pessoas veem é que este governo parece querer atacar o problema e afigura-se que não vai desistir. Também sei que uma reforma profunda no ensino leva bastante tempo (uma geração?) a dar resultados. Ou seja, temos que nos despachar. E são muitas as vertentes a abordar. Ao longo dos anos, embora do lado de fora, tenho reflectido bastante sobre o tema. As vertentes principais em que o ME pegou parecem quase todas óbvias. Na minha opinião, os conteúdos programáticos também necessitariam de uma volta.
Todavia, penso que as soluções encontradas poderão não ser as melhores e isto porque houve falta de diálogo, de parte a parte. De qualquer modo é normal que sempre que há mudanças, haja dificuldades transitórias.
Sou optimista e acredito que uma vez quebrado o status quo o caminho será o da melhoria progressiva.
Fevereiro 26, 2008 at 9:31 pm
Paula,
Eu ultrapassei essa fase do wishfull thinking.
Algo está mal quando na Escola a assiduidade e a avaliação passam a ser um problema dos docentes e não dos alunos.
Fevereiro 26, 2008 at 9:39 pm
Como sou uma professoreca estou numa formação “não específica” sobre os meios interactivos e o ensino da língua portuguesa!
São 21:38 e ainda não jantei. estou aqui desde as 18:30.Dois filhos em casa, um doente e outro com o primeiro dente a nascer, bons pulmões, e perito em roer tudo e “todos” e aqui estou eu estoicamente!! Palmas para mim (va lá, a Fatinha não sabe!!!)
Fevereiro 26, 2008 at 9:50 pm
Palmas às Cristinas deste país que ainda vão tendo coragem para serem mães numa profissão destas.
Fevereiro 26, 2008 at 10:59 pm
Finalmente a Ministra da Educação, conseguiu por todos contra ela.
Fevereiro 26, 2008 at 11:01 pm
Paula,
O problema é que não houve diálogo. Houve o Monólogo do Engenheiro.
Continue a reflectir, que é disso que precisamos.Uma das suas conclusões é sábia- as reformas demoram tempo a serem desenvolvidas. A outra conclusão contraria a primeira: Temos de nos Despachar.
Fevereiro 27, 2008 at 1:17 am
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Fevereiro 27, 2008 at 12:07 pm
Orgulho da ex-colega Fernanda Velez porquê?
Como pessoa é arrogante, como professora é pior que má. Foi professora do meu filho, e tanto ele como os restantes colegas aquilo que sabem de matemática, não é mérito desta senhora.
Fevereiro 27, 2008 at 12:32 pm
Isso é muito relevante para as posições que ela assumiu no programa?
Nesse caso deveremos também ir buscar o historial profissional da Ministra?
Fevereiro 27, 2008 at 12:32 pm
Temos pena é a sua avaliação.
Eu tenho orgulho na Fernanda Velez.
Fevereiro 28, 2008 at 11:40 pm
Eu também tenho muito orgulho, fiquei mesmo bem representada.
Março 2, 2008 at 2:31 pm
[...] Balanço Do Debate [...]