Portugal tem elevado nível de pobreza nas crianças
Uma em cada cinco crianças estão expostas ao nível de pobreza em Portugal. O alerta parte de um relatório elaborado pela Comissão Europeia.
Portugal é um dos oito países da União Europeia (UE) onde se registam os níveis mais elevados de pobreza nas crianças, nomeadamente nas que vivem com adultos empregados, segundo um relatório da Comissão Europeia.
Segundo o relatório conjunto sobre a protecção social e inclusão social, que é apresentado na segunda-feira e deverá ser adoptado no dia 29 pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social, em Portugal há mais de 20%(uma em cada cinco) expostas ao risco de pobreza.
O risco abrange tanto crianças que vivem com adultos desempregados como as que vivem em lares onde não há desemprego.
Finlândia e Suécia com 7% de risco de pobreza
Neste caso, Portugal está em penúltimo lugar e é apenas ultrapassado pela Polónia – ambos com mais de 20 por cento de risco de exposição à pobreza – de uma tabela liderada pela Finlândia e Suécia, com sete por cento de risco.
O relatório divide os estados-membros em quatro grupos, consoante os resultados nacionais em cada um de três grandes sectores: desemprego, pobreza dos trabalhadores e insuficiência da assistência social.
Todos sabemos isto. Muitos de nós convivemos com isto no dia a dia das Escolas. Por isso é que muitas vezes aqui escrevo que as soluções finlandesas são muito interessantes quando atingirmos um patamar de desenvolvimento social comparável. Ou acham que os jovens finlandeses chegam à Escola sem pequeno-almoço, sem um casaco decente para os proteger do frio e quantas vezes sem o material escolar básico?
Não será a Escola a Tempo Inteiro que resolverá as situações críticas de risco educativo. Quanto muito fingirá resolver. Assim como proibir que o abandono seja efectivamente registado (assim ficando invisível nas estatísticas) não elimina o fenómeno. A solução é mais difícil, mais profunda, está enraízada na desigualdade e vulnerabilidade social de centenas de milhar de famílias.
Aquelas dificuldades que nem todas as famílias sentem e, por isso, não se lhes ocorre abordar quando têm oportunidade para isso.
Fevereiro 24, 2008 at 9:50 pm
Que bicada tão oportuna, Paulo. O Ricardo Costa ainda teve um ligeiro assomo de indignação, quase levando o Primeiro a um ataque de nervos. Mas ficou-se por aí.
Fevereiro 24, 2008 at 9:53 pm
Com o António Costa a esbracejar contra as cabalas do Público, há que ter respeito pelos valores familiares.
Fevereiro 24, 2008 at 10:20 pm
Cada escola será uma realidade, mas para quem trabalha numa zona agro-industrial com inúmeras fábricas já encerradas, a informação só confirma o (tristemente) verificado no quotidiano – miúdos a terem a única refeição de jeito (?) no refeitório escolar.
Acrescento que, ao contrário de escolas próximas mas em zonas suburbanas, o local em que lecciono tem uma percentagem ínfima de alunos estrangeiros: a zona não é apelativa atendendo ao já exposto.
Fevereiro 24, 2008 at 10:30 pm
É que, um dia, a senhora ministra da educação disse, a propósito dos professores desempregados, que o Seu ministério não era a santa casa da misericórdia.
J’ai cru l’entendre dire ou foi mesmo verdade? É que, agora, fiquei baralhada.
Fevereiro 24, 2008 at 10:41 pm
J’ai cru l’entendre dire ou foi mesmo verdade?
O Professor Marcelo rebelo de Sousa disse que a implementação da avaliação a meio do ano é uma medida maluca?
Não é todos os dias que engrossa assim a voz…
Fevereiro 24, 2008 at 10:41 pm
…Nas Escolhas do Professor Marcelo de hoje, na RTP1…
Fevereiro 24, 2008 at 10:45 pm
Não vi, mas gravei e vou confirmar.
Porque essa é deliciosa.
A razão porque não vi em directo não foi uma má razão, só esperando que amanhã se perceba porquê.
Fevereiro 25, 2008 at 10:02 am
Embora um pouco longo, transcrevo aqui um post que coloquei há uns tempos no Cartel e que talvez dê mais umas pistas sobre essa política:
Quando os CEF são “fim de linha” e outras aberrações tais…
Ouvi numa reunião sobre abandono e absentismo escolar que os CEF são considerados fim da linha.
A conclusão que retirei daí foi que, para a administração central, os CEF são o caixote de lixo das escolas…
Na mesma reunião ouvi que o abandono escolar se previne na escola.
Hmmm
A ser assim, porque fui eu assistir a uma reunião que reunia responsáveis de dois distritos, com a presença da DRE e com um programa nacional para o abandono e o absentismo…?
A ser assim, e a ouvir tantas vezes a expressão “intervenção precoce” (= encaminhar alunos problemáticos para CEFs e companhias limitadas), por que raio não se previne o abandono escolar na família, na economia, nas políticas educativas?
Nessa reunião ouvi muitas vezes a expressão “qualificação dos portugueses”.
Mas pouco se falou de educação e ensino…
Ouvi também que uma criança filha de pais com a 4ª classe tem três a quatro vezes mais hipótese de vir a abandonar a escola. Teria a ver com a falta de oferta de um vocabulário mais elevado, acesso à cultura, etc…
Não terá nada a ver com os mínimos ordenados mínimos?
Vi umas estatísticas… A maioria dos alunos em abandono escolar parece que tiveram retenções no 1º CEB.
Onde anda a obrigatoriedade do pré-escolar?
Porque é que não há retenções no 1º ano? Será que os alunos que não adquiriram os conteúdos do 1º ano irão fazê-lo no 2º, conjuntamente com as aprendizagens deste último?
Ouvi dizer que nas situações de absentismo intercalado (bela expressão) um aluno não aprende. Vá lá, algo com que se pode concordar…
Parece-me que existe realmente uma concertação de esforços muito evidente: de um lado finge-se combater o abandono e o absentismo, do outro legisla-se que um aluno que falte umas semanitas até pode fazer um exame… Nada como uma política educativa coerente!
E ouvi que não se promovia o facilitismo, mas que se facilitava o acesso do aluno a um percurso profissional.
Esperem aí, que essa passou-me ao lado!
Entre outras tantas aberrações elitistas, lá se chegou à fase do debate.
Onde?
A primeira intervenção da plateia mereceu o meu aplauso (tenho a impressão que fiz um bocado figura de parva a aplaudir sozinha, mas who cares?). Debateu-se? Já a correr… ó colega, pronto, há mais quem queira falar…
O pouco “debate” que houve não foi, ao contrário do que se esperaria numa reunião dessas, sobre abandono e absentismo escolar, mas sobre CEFs, Cursos Profissionais, EFAs, etc e tal.
Ponto alto do debate: É colocada, por uma pessoa da plateia, a questão de um aluno de um CEF de assiduidade muito irregular. Após tentativas e tentativas não tem sido possível fazer com que esse aluno passe a ser assíduo ou se motive para o curso. Como prevenir/evitar numa situação dessas o abandono/absentismo escolar?
Resposta da mesa: “Já tentou falar com os pais?”
Mas o que pensa esta gente que é? O que pensam que andamos a fazer na escola?
Conclusões que retirei desta reunião:
1. Merecemos todo o respeito da DRE pelo trabalho que desenvolvemos, mas não houve o mais pequeno pedido de desculpas pelo facto de estarmos 40 minutos à espera que se iniciasse a reunião.
2. Os cursos de dupla certificação e seus afins são para quem não tem capacidade para chegar a uma licenciatura, ao 12º ano ou até ao 9º. Sempre achei que seriam uma das opções de percurso profissional. Onde estava a minha cabeça? Mas haverá alguém a querer ir para técnico de instalações eléctricas por gosto??? Realmente, brit, mete juízo nessa cabeça…
3. A função primordial dos professores interlocutores em matéria de abandono e absentismo escolar é ENCAMINHAR os alunos… Mais valia dizer que éramos SOP. Mais curto e mais acertado para o que queriam dizer.
4. QUALIFIQUE-SE O POVO PORTUGUÊS, MAS POR FAVOR NÃO ENSINEM!!!
Fevereiro 25, 2008 at 12:02 pm
Alguém se indignou -???- com as declarações há uns tempos (poucas semanas), de um dos maiores responsáveis (penso mesmo que terá sido o presidente) da CIP (vi-as na SIC-notícias). Dizia o sr que seria perfeitamente legítimo despedir um trabalhador por estar doente, ou por não andar bem psicologicamente… assim não poderia ser produtivo… o sr continuou referindo-se ao valor das indemnizações que considerou excessivamente alto… (esqueceu-se de referir a necessidade de acabar com a limitação ao nº de horas de trabalho diário e só lhe faltava dizer que é preciso pôr cobro ao direito dos trabalhadores ao descanso semanal que prejudica muito as empresas…)… isto, num país onde a maior parte dos trabalhadores recebe o ordenado mínimo (ou próximo), onde os gestores recebem num mês o que o trabalhador não realiza num ano (ou…), onde os contrastes entre ricos e pobres aumenta a um ritmo submundista, onde a classe média está em vias de extinção, onde as bolsas de pobreza aumentam, se disseminam e diversificam… Que o sr as tenha proferido já não me surpreende – parece-me que a produtividade para estes e outros dirigentes como eles (público ou privado), pouco terá a ver com condições de trabalho,com níveis de satisfação, com políticas salariais adequadas quer ao nível de vida quer à natureza, tempos e ritmos de trabalho, ao reconhecimento do esforço e profissionalismo… – O que na realidade me chocou foi a TOTAL AUSÊNCIA de comentários, de posições, de espírito crítico… às afirmações do sr… Gostaria de viver nesse país maravilhoso de que fala o governo, estes senhores e um sem número de jornalistas e “fazedores de opinião”!… alunos nas aulas com fome, sem livros, com frio devem ser um simples devaneio meu, alunos que vão progredindo na escolaridade sem os requisitos mínimos para uma aprendizagem efectiva (atempadamente não se tomaram as medidas adequadas para resolver/ atenuar os seus problemas mas, garantidamente, que se tomaram medidas – só que a fingir- medidas eficazes saiem caro)… vou também fingir que não os vejo (até porque contam para o meu insucesso)… Enquanto o investimento não for no Conhecimento e no Saber (e não no fingimento)a escola apenas perpetuará as assimetrias, a pobreza e a miséria.
Fevereiro 25, 2008 at 3:38 pm
Tudo se paga!!! Até as entrevistas…
Fevereiro 25, 2008 at 6:38 pm
Que azar o do Socas. Então não é que o estudo deixou de fora a Bulgária e a Roménia? O Socas a tentar disfarçar um 4º lugar a contar do fim e sai-lhe um penúltimo.
Junho 20, 2008 at 11:52 pm
Com tristeza o meu filho tv que fazer um curso sef mas se eu soubesse ,que nao contava para o curriculo nao o faria a falta de informaçao no nosso pa´s e inadmissivel , hoje tn 2 filhos a tirarem o 12 c o curso profissional restaurante bar , tudo legal e com materia decente , e o mesmo genero de curso que exeiste na suiça do qual a minha filha podera se increver para uma bolsa para la…
Quanto ao resto este país nunca se vai levantar mas lembrem se que nao e so com dr. no desemprego que vamos para a frente , so a populaçao idosa esta a ficar ca… e porquê??? continuem a vossa luta eu nao posso sou mt doente tn 4 filhos desejo vos boa sorte