Leio com algum espanto a reacção do PS à manifestação «telemobilizada» para a porta da sua sede. Confesso que não via ainda nenhumas imagens e só sei do que se passou pelo que leio. Não é o tipo de acção que me seduz, pelo simples facto que tende a criar mais anti-corpos do que vantagens. Pode ajudar os promotores a desopilar umas quantas raivas acumuladas, mas é um pouco inconsequente, desculpem-me lá os mais militantes.
E acho isso porque estas ocasiões prestam-se a aproveitamentos por parte dos que se armas em vítimas. O PM aparece como se tivesse sido ultrajado e um dirigente partidário aparece a falar em comportamentos «estalinistas», mas depois recusa-se a especificar exactamente ao que e a quem se refere.
Mais importante do que o ruído interessa sublinhar o significado algo estranho da reunião agendada para hoje com professores do PS – interessante como na notícia se afirma que a reunião não era da agenda pública, mas já todos sabíamos há mais de 24 horas por vários canais informativos – pois trata-se de uma completa desautorização da acção da equipa do Ministério da Educação.
Repare-se que o Primeiro-Ministro, embora neste caso assumindo as vestes de líder partidário, convoca 76 professores para a sede do Partido para falar sobre os temas educativos da actualidade. Que significado tem isto? Ou o PM/líder do PS pretende que os «seleccionados» venham a ser agentes das políticas governamentais ou então decidiu ouvir a opinião das «bases» sobre o assunto.
Em qualquer dos casos é uma forma estranha de agir. Em especial, quando reafirma plena confiança na Ministra. Quase parece o Luís Filipe Vieira a jurar apoio incondicional ao Fernando Santos, enquanto passa férias com o Camacho. Não é bem o mesmo, mas acho que percebem a ideia.
Então a Ministra da Educação não afirma ter-se desdobrado em contactos com as «escolas» e não apareceu mesmo de surpresa numa reunião do Conselho de Escolas?
Onde está a falta de informação?
Ou será que José Sócrates desconfia da utilidade da teia que foi criada para aparentar um simulacro de representatividade dos docentes junto do ME e do governo e sente necessidade de se inteirar do que se passa, na realidade, no terreno?
Se assim é, parece que existe evidente receio de perda de um naco apreciável de eleitorado. É que podem andar, no mínimo, 50 a 100.000 votos por aí à deriva, que em 2005 aterraram no PS não tanto por convicção, mas por falta de opção.
Por isso mesmo, esta reunião é muito interessante e importa saber o que nela aconteceu. Até importava que tivesse decorrido com normalidade, para que não se reforçassem mecanismos de secretismo ou desinformação.
Fevereiro 16, 2008 at 11:12 pm
Aconselho para quem não é assíduo:
http://almocrevedaspetas.blogspot.com/
Fevereiro 16, 2008 at 11:13 pm
De um comentário à notícia do Público (ver “No que Ficamos?”: “Acabei agora de ver a reportagem na TVI, do manifesto à porta do PS, e vi entar, para a dita-cuja reunião de “professores” do PS o presidente da Câmara Municipal de Estremoz eleito pelo PS. Reunião de Professores … Ha, Ha, Ha, Ha, … Ha, Ha, Ha … ”
Só por curiosidade…
Fevereiro 16, 2008 at 11:21 pm
ahahahahah…!
E os outros “professores-convidados”!?
Já sabemos quem é um dos “professores-convidados”. Resta saber os outros. Estou muito curiosa…
Fevereiro 16, 2008 at 11:23 pm
Saber-se-á.
Não acredito que existam assim tantos adesivos disponíveis.
Se até no grupo parlamentar refilaram, pelo menos terá havido um par de boa gente que nos informará.
Fevereiro 16, 2008 at 11:24 pm
Ora façamos contas e pensemos: quantos serão os autarcas professores?mais os das dre-s e afins?
Fevereiro 16, 2008 at 11:33 pm
A MLR não tinha filiação partidária. Já tem cartolina “rosa murcha”?
Então o que estava lá a fazer!?
Fevereiro 16, 2008 at 11:40 pm
Se MLR não tem filiação partidária, o que estaria a fazer na sede nacional do PS no Largo do Rato numa reunião partidária?
Em que qualidade estava lá?
Observadora? Amiga do Partido?
Mas estava na mesa ao lado do secretário geral do Partido…
Fevereiro 16, 2008 at 11:45 pm
Estas cenas vão virar-se contra eles, ah!, ah!, ah! Lembram-se da semana em que a polícia foi ao sindicato de professores?
Foi a chacota geral e agora vai ser a mesma palhaçada.
Fevereiro 16, 2008 at 11:48 pm
Já viram imagens da reunião?
Fevereiro 16, 2008 at 11:51 pm
Nada acontece por acaso. O anúncio público da reunião interna dos professores do PS tem um sentido claro: sugerir à opinião pública que o Primeir-Ministro quer estar atento à opinião dos professores.
As declarações produzidas para os jornais pelo PS têm um sentido inverso: qualquer opinião de professor socialista nessa reunião é irrelevante, pois trata-se apenas de colocar toda a força partidária alinhada com MLR.
Fevereiro 17, 2008 at 12:06 am
O secretário-geral do PS disse hoje numa reunião com professores socialistas que não governa para as corporações ou para obter simpatias, em resposta a um militante que lhe apontou o descontentamento dos docentes face ao Governo.
in http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=916506&div_id=291
Fevereiro 17, 2008 at 12:15 am
Este homem é doente…
Fevereiro 17, 2008 at 12:34 am
Nota: O Zézito foi casado com Sofia Fava. O pai de Sofia Fava é maçon e foi Grão Mestre adjunto do G.O.L. É público. Zézito teve e tem ligações a membros activos da Maçonaria (…). Ainda não aprendeu o significado de “corporação”? Maçon quer dizer “pedreiro-livre” e tem a sua génese nas corporações de pedreiros…
Fevereiro 17, 2008 at 12:59 am
São casos PSicológicos, que os leve o vento que passa.
Fevereiro 17, 2008 at 1:05 am
O Sr não governa para corporações nem para obter simpatias!!!!
Governa para o país!!!
Pena que não governe para os habitantes desse país!
“O secretário-geral do PS disse hoje numa reunião com professores socialistas que não governa para as corporações ou para obter simpatias, em resposta a um militante que lhe apontou o descontentamento dos docentes face ao Governo.
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, também esteve na reunião, para a qual foram convocados militantes de todas as federações do PS. No final, ficaram previstos novos encontros do género, designadamente em Beja, ainda sem data.
De acordo com um dos presentes na reunião, uma das três dezenas de intervenções foi de um militante que declarou a José Sócrates que muitos dos professores que votaram no PS em Fevereiro de 2005 não o fariam neste momento.
Segundo o mesmo socialista, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro respondeu de forma acalorada que não estava a trabalhar para as corporações, mas para o país e que o país precisa das medidas que o Governo está a tomar.
Outro militante presente na reunião deu uma versão diferente da resposta de Sócrates, relatando que o secretário-geral do PS assinalou que não governa para obter simpatia e que não está preocupado em obter simpatias.”
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/5859d1e01a8de4501db344.html
Fevereiro 17, 2008 at 1:37 am
Pouco importa que José Sócrates se tenha encontrado com professores socialistas. O facto de o encontro ter sido noticiado é sinal de que não era secreto. O primeiro ou quer acalmar as hostes ou intervir no assunto e aqui, claro, está, no mínimo a cercear o poder da ministra, pois a informação desta não lhe basta.
O que eu tenho a dizer sobre isto é que acho ridículas as manifestações feitas sob a fórmula “fazer uma espera ao primeiro-ministro” ou à “ministra da educação”.
Se queremos fazer uma manifestação, fá-la-emos com classe e em força para um território público, com eventuais recursos informativos, pois é disso que se trata: informar e influenciar os cidadãos para obter força negocial.
Fevereiro 17, 2008 at 2:09 am
Tudo isto é fantochada!
os professores seleccionados, a serem os Burocratas do ME das DREs, são os grandes responsáveis pelo DESASTRE educativo nacional.
Margaridas Moreiras…
Fevereiro 17, 2008 at 3:17 am
Ficamos na mesma!
Fevereiro 17, 2008 at 9:09 am
Já não há pachorra para os dislates assertivos dos nossos desgovernantes. Estiveram lá todos em força…preparemos as costas, amigos, pois a chibata não tardará…
Morfeu
Fevereiro 17, 2008 at 9:27 am
Também me parece que o tipo de manifestações convocadas por telemóvel são não só inconsequentes como demolidoras da imagem de seriedade que devemos cuidar…
Quem me garante (…não quero ser boateiro… nem quero entrar em conspiracionismos…) que a convocatória não foi emitida por gente dos tais “professores socialistas”?
Fevereiro 17, 2008 at 9:37 am
Obtive (informalmete) a informação de que, na próxima semana, vão haver muitas novidades “educativas”. Já nada nos surpreende mas atendendo à “reunião” no Largo do Rato prevejo ser “chibatada”. Está na hora dos militantes do PS – professores informarem a população de que a política educativa do partido socialista nada tem a ver com a que está a ser levada a cabo pelo (des) governo. E está na ora dos “pais” lúcidos deste pais exigirem qualidade no Ensino. E não este total desvario.
Fevereiro 17, 2008 at 9:38 am
Sócrates não governa para as corporações, diz ele – a não ser para as corporações no sentido anglo-saxónico do mesmo: “corporation” = grande empresa.
É daí que lhe vem o dinheirinho para o partido através de generosas e anónimas dioações, é daí que lhe vem a força que sustenta o seu autoritarismo contra as “corporaçõezecas” deste país..
Fevereiro 17, 2008 at 9:39 am
do mesmo, não: do termo
Fevereiro 17, 2008 at 9:40 am
dioações não: doações.
Isto está a correr mal…
Fevereiro 17, 2008 at 9:41 am
Alguém sabe se António José Seguro, responsável do PS pelo sector do Ensino, esteve presente no Largo do Rato?
Fevereiro 17, 2008 at 10:00 am
Resistir e tomar posição…
http://defendeaprofissao.wordpress.com/2008/02/10/tomadas-de-posicao/
Fevereiro 17, 2008 at 10:25 am
Paulo,
Não posso subscrever a sua ideia de que este tipo de manifestações convocadas por sms possam ter efeitos negativos. Os professores têm neste momento tão poucas armas mediáticas, o bloqueio informativo é tão despudorado que nada que possa irritar e fazer perder o decoro ao PM me parece ser dispiciendo.Foi bem interessante voltar a vê-lo repetir a sua teoria da conspiração, de que os presentes teriam sido convocados por uma qualquer força de bloqueio, argumento que há muitos meses utiliza sempre que em visita a algum lugar lhe sai um lobo ao caminho.
O que o PM não consegue aceitar,o que não está incluído no mapa das suas representações mentais, é que possa haver vida de intervenção politica para lá das estruturas partidárias,e que as pessoas possam dar voz à sua indignação, em espaços múltiplos, alguns dos quais sem necessidade de “requerimentos à mesa”.
Aplaudo os que estiveram à porta do PS como aplaudo todos os que vão procurando de outros modos, vencer inércias, silêncios e desmandos nesta infeliz travessia do Mar Tenebroso, em que a maioria socialista nos colocou.
Fevereiro 17, 2008 at 10:30 am
A Ana Henrique também devia correr aquele “vão haver” (21). Não fica bem deixar assim.
Fevereiro 17, 2008 at 10:33 am
Como exemplo eu altero “correr” para “corrigir”.
Fevereiro 17, 2008 at 10:52 am
L. Faustino,
Percebo a sua lógica.
Tudo depende da execução da ideia.
Mas certamente percebe o meu ponto de vista.
Quanto ao bloqueio informativo, ele começa a desvanecer-se.
Fevereiro 17, 2008 at 10:54 am
Ok António!
Corrigo para “vão haver muitas novidades educativas!” (21)
E corrijo naturalmente “ora” para “hora”.
Fevereiro 17, 2008 at 2:07 pm
Pois é, eu estive ontem no Largo do Rato e considero que este tipo de manifestações têm um grande impacto sobretudo quando temos do nosso lado a comunicação social, como foi o caso.
Acredito numa reflexão séria sobreo o documento de Avaliação, mas também acredito que o “povo é quem mais ordena!”
Continuemos a luta e deixemo-nos de palavras belas e eloquentes.
Fevereiro 17, 2008 at 2:21 pm
«Quando temos do nosso lado a comunicação social, como foi o caso».
Exacto, exactíssimo.
E já agora não são as imagens e palavras eloquentes da comunicação social que permitem ampliar o que, de outro modo, não chegaria muito longe?
Mas mais importante: não era aquela reunião um sinal de que o socratismo de rosto humano está tentar limpar a sua imagem e que, dada a teimosia gritante de JS, este tipo de manifs pode fazê-lo passar por vítima?
Como já escrevi, não me demarco, nem deixo de demarcar da iniciativa, apenas assinalo os prós e os contras.
Com ou sem palavras belas e eloquentes.
Fevereiro 17, 2008 at 3:58 pm
Lamento, desalinhar, mas o que eu penso é que a manifestação foi um fracasso.
Penso que o que a maior parte das pessoas julga é que perseguem o homem e não o deixam trabalhar, com esse tipo de manifestações, do género de apupar.
Ele soube bem utilizar essa arma de arremesso ao dizer que era uma reunião partidária.
Reparem que na conferência podia muito bem haver pessoas que pensavam como as que estavam cá fora e o que ficou para a opunião pública é que também foram apupados pelos da manifestação.
Fevereiro 17, 2008 at 4:16 pm
Luís Filipe,
Se reparar aqui há várias posições em confronto. A opinião que expressa já foi partilhada por outros comentadores e mesmo eu levantei as minhas reservas.
Não vou dizer que não devem fazer uma «manif» deste tipo, apenas acho que devem saber fazê-la, para não ricochetear e acabarem por apanhar estilhaços.
Neste caso, por exemplo, há estilhaços.
Fevereiro 17, 2008 at 4:21 pm
Manifestação de professores à porta da sede do PS convocada por SMS. Para mim são figurantes contratados através de uma agência. Como as manifestações políticas espontâneas já deram o que tinham a dar e os professores são exemplares em comportamento cívico só pode ter sido um grupo de figurantes a recibo verde. Esta contratação de figurantes para uma actuação à porta da sede do PS, contra Sócrates, coincidente com o encerramento do congresso da CGTP, para mim deve ser da iniciativa, sei lá, …, devo, por deveres de ética, meditar mais profundamente acerca do assunto … sei lá, …
http://absorto.blogspot.com/2008/02/figurantes.html
Fevereiro 17, 2008 at 4:42 pm
M Ai Ti, Anti-Muridae, Vai-te Catar, etc,
Desculpe não o ter reconhecido à primeira.
É que quando transcreve posts alheios, perde alguma identidade.
Os textos até ficam fluidos e quase interessantes…
Fevereiro 17, 2008 at 5:35 pm
Atenção! O ilustre intelectual professor da Escola Pública e futuro Ministro da Educação proposto por um qualquer partido, devido aos serviços relevantes que ele tem dado ao Sistema Educativo da sua rua, premeia os autores de dois dos Blogs com maior numero de visitantes da Blogsfera, qualificando os seus testos, fluidos e quase interessantes.
Meu caro PG é muita pretensão da sua parte pensar que os autores desses Blogs entravam aqui e perdiam tempo consigo e com os disparates que escreve para a meia dúzia tontinhos que lhe prestam “vassalagem”
Se não lhe convier não acredite, mas não sou nenhum daqueles que cita para me identificar! Já entrei aqui com alguma frequência!
Esses pseudónimos não são da minha autoria!
Fevereiro 17, 2008 at 6:00 pm
Testos?
Ah! O amigo mistura o português com o mirandês.
Testos=textos
“Ye preciso conheceresses testos pois neilhes stan, cumo dixe, muitos de ls nuossos alheçanes eidentitários. Para isso, precisamos tamien d’un plano de leitura de ls testos mirandeses, que mos ansine a ler, que mos ansine a antender i a çcubrir aquilho que somos, para melhor sabermos para donde queremos ir.”
Agora deixou o latim.
Fevereiro 17, 2008 at 6:30 pm
A Olinda não faz o meu género… mas às vezes surpreende-me…
Fevereiro 17, 2008 at 6:42 pm
Sim.
Tá beeeeemmmmm….
Méééééééééééée……
Não o mando cat**-se, porque me esqueci de eliminar o filtro.
Agora vou filtrar o demo@cratas, expressão muito imaginativa do mail que inventou na senda do catar@catar e vai@vai.
Você é um espanto.
E obrigado por ter feito parte das 7728 entradas do dia de ontem.
Certamente não voltarei a conseguir tamanha proeza.
PS: Guardei para mais tarde recordar o comentário apanhado no filtro em que, para demonstrar que eu mentira, escreveu “tretas” e “catar”.
E foi apanhado (pena que foram outros comentadores apanhados a responder-lhe).
Claro.
Mais depressa se apanha um provocador de 4ª categoria do que um Marcos Perestrello desarvorado.
Fevereiro 17, 2008 at 8:19 pm
Gusto muito de gaiar com o Paulo para ele abrasar-se e ficar amurrado … lol
Fevereiro 17, 2008 at 8:56 pm
M Ai Ti ou Muridae, se eu publicasse os 14 comentários que martelou antes de perceber que eu tinha bloqueado apenas as palavras “tretas” e “catar”, ia ser uma perda de tempo gira.