Isto começa a ter a sua graça quando os sectores mais díspares da comunidade educativa nacional já pedem por todas as alminhas que seja Cavaco Silva a parar o desvario deste ME.
Suponho que entre o Director do Colégio São João de Brito e pessoas como eu existam umas quantas doses de concordância quanto ao diagnóstico básico da situação (está mal…) e outras tantas quantos aos remédios (eu notoriamente mais defensor de uma regulação central do sistema, ele mais adepto de um liberalismo, mesmo se ambos concordaremos na eventual fórmula-albergue espanhol que é a «autonomia»).
Por isso partilho em boa parte as declarações proferidas durante a comemoração do 60º aniversário daquela instituição, mesmo se atingem um tom quase apocalíptico e sebastiânico:
O director do Colégio de São João de Brito, em Lisboa, pediu hoje ao Presidente da República que salve o ensino português, depois de criticar a falta de autonomia pedagógica permitida pelo actual sistema educativo. (Sol)
O Padre Amadeu Pinto durante a sua intervenção na sessão comemorativa dos 60 anos da instituição, na qual participou também o Presidente da República, Cavaco Silva, deixou críticas ao ensino português que considera estar «entupido» por excesso de regulamentação.
«Estamos longe de uma verdadeira autonomia pedagógica. A autonomia que nos concedem em Portugal é tão regulamentada que não dá vontade de levar adiante o ensino», disse. (TSF)
Nas comemorações do colégio privado católico de Lisboa, o Padre Amadeu Pinto não quis perder a oportunidade para se queixar ao Presidente da República das actuais políticas de ensino, dizendo que não há liberdade na educação. O Director do São João de Brito classifica mesmo de “estapafurdia” a política de Maria de Lurdes Rodrigues. (RCP)
Mais importante, registo parte da resposta do Presidente da República em especial em que afirma que nmão deve restar a «mínima dúvida» de que está a acompanhar o sector (Expresso de hoje, p. 35).
O problema é saber que tipo de «acompanhamento» é esse e quando é que ele se traduz em algo mais do que palavras, pois viu-se pelo Estatuto do Aluno que, depois de mais uma voltinha pelos corredores do poder, o entorse legislativo acabou tão mal como estava antes.
E, como já aqui várias vezes escrevi, quando se deixa repetidamente evocar a sua «simpatia» pela Ministra, começa a ser justo que muito de nós desanimem na eficácia do magistério de influência presidencial.
Porque aqui não se trata de afinidades pessoais (eu, pessoalmente, até gosto muito de vários benfiquistas e um par de portistas, mas não é por isso que me associo aos seus cânticos em dia de derby), trata-se de políticas públicas numa área estratégica para o desenvolvimento nacional que não vai lá na base dos truques legislativos.
Fevereiro 10, 2008 at 12:31 am
O CSJB tem sofrido cortes no contrato de associação.
discurso do sr.padre aqui:
http://www.csjb.pt/DiscursoPAmadeu7022008.pdf
Para quem está atento ao sector, é estranho que deixe passar o Estatuto do Aluno, até para protecção da sra Ministra, que ele parece gostar. Até porque as principais alterações são da responsabilidade do grupo parlamentar do PS.
Fevereiro 10, 2008 at 12:45 am
sim, e tudo isto não é mais do que “aproveitar a onda de desmando” para ver se a Igreja pode ter ainda mais poder educativo do que já tem! Recorde-se que aqui ao lado o Aznar quis fazer vingar a lei que faria com que o ensino católico
passasse a obrigatório inclusivé para a entrada no ensino superior!
Estes tipos NUNCA brincam em serviço! E o que o discurso diz é pouco ou nada, o que interessa é o que poderá esconder…
Fevereiro 10, 2008 at 7:50 am
Hoje em dia, qualquer pessoa que tenha um mínimo de informação estará totalmente de acordo que o Min.Edu. é gerido por gente rancorosa (parece que os seus objectivos principais são o achincalhamento dos professores), analfabetos (do ponto de vista das ciências da Educação), e sem a mínima noção das implicações dos seus actos de gestão, no futuro do país. É normal a indignação de todos, e em especial daqueles com responsabilidades ou funções ligadas à educação. Seria bom que o senhor padre Amadeu Pinto intercedesse junto a Deus (já que o meu lado ateu não o permite), para que nos livre a todos desta troika sinistra que habita lá pelos lados da 5 de Outubro.
Em 2008 ainda não perceberam que as mudanças em Educação tem obrigatoriamente que ser lentas e sem agitação do sistema educativo e têm que ser feitas com os professores, nunca contra os professores.
Fevereiro 10, 2008 at 12:47 pm
Outra coisa,
Estas noticias elucidam-nos dos tempos que vivemos, um Padre-Director tem mais destaque na Comunicação Social que os 1200 PCEs.