Escolas reafirmam não ter tempo
(…)
“À partida, o coordenador de departamento tem de assistir a aulas de todos os colegas do mesmo departamento. Ora, há departamentos com 30 ou mais docentes, o que inviabiliza tal tarefa, já que o coordenador também tem as suas aulas para dar. Fala-se na possibilidade de delegar, mas ninguém sabe como e a quem”, disse ao CM o presidente do conselho executivo de uma escola do Porto, sublinhando que “este é só um exemplo do muito que falta clarificar”.
(…)
O Conselho das Escolas também se mostrou crítico aos prazos dados pela tutela para a implementação da avaliação. Em parecer, o Conselho diz ser “manifestamente inexequível a aplicação do novo modelo de avaliação do pessoal docente nos termos, prazos e procedimentos com que está a ser aplicado”.
Mas o homem do chicote tem a solução, que não é, obviamente, nenhuma chantagem:
“Está-se a querer exigir saber o que não é necessário saber para já”, sublinhou por seu lado o secretário de Estado Jorge Pedreira, acusando os sindicatos de “instigar algumas escolas a não cumprirem o prazo para evitar que a avaliação se faça”.
“Estes sindicatos pretendem que este seja mais um ano congelado, mas, a haver qualquer suspensão, o período que não for avaliado não conta para a progressão dos professores”, avisou o governante.
Não há nada como um ex-sindicalista para saber como se mete a maralha na ordem. Voz grossa e bota pesada.
Que todos os santos nos protejam deste tipo de viradeiras.
Fevereiro 4, 2008 at 5:12 pm
Vou fazer um poster desta foto para colocar como alvo das minahs setas.
É que é mesmo giro o rapaz!!
Fevereiro 4, 2008 at 5:28 pm
“Está-se a querer exigir saber o que não é necessário saber para já”.
Mas isto é normal?!?!?!?!?!?!?!?!?!
É no final do jogo que se conhecem as regras? Ou só nos 10 minutos prévios antes de acabar o jogo?!?!?!?!?!?!?!
Não há ninguém que “vá às fuças” a esta gente?!?!?!?!
Fevereiro 4, 2008 at 5:31 pm
E daqui http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1318608&idCanal=58
retiro o excerto:
“”O que se pede às escolas é que em 20 dias preparem a avaliação, criando os instrumentos de registo, e nada mais”, afirma Jorge Pedreira, realçando que só depois se pedirá, por exemplo, aos professores que proponham os seus objectivos.”
Se é assim tão fácil porque não foi o ministério o encarregado de criar os “instrumentos de registo”?
E o “só depois se pedirá” implica que data concreta para que um professor tenha definitivamente definidos os seus objectivos?
Atendendo ao calendário escolar e aos dias de aulas previstas que percentagem já terá decorrido quando, finalmente, estiverem definidos os objectivos? Não sei o calendário ou faria as contas.
Faz-me uma impressão danada isto. Imagino-me sempre a entrar em Lisboa num táxi e dizer-lhe “Vá para o Porto”. Ele arranca e entra na auto-estrada e ali por Leiria eu digo-lhe que tem de voltar para trás porque não quero ir por auto-estrada e ver o Convento de Cristo em Tomar. E obviamente não lhe pago o trajecto já feito e ainda o repreendo por a viagem demorar muito.
Claro que nessa altura eu já tinha levado um murro nas ventas mas os professores parecem ser civilizados, demasiadamente civilizados.
Fevereiro 4, 2008 at 5:44 pm
As escolas terão que assumir em conjunto que não ha condições. Façam-se ouvir e divulguem o que outras escolas pioneiras já fizeram. Para que nas vossas e minha tb o façam!
Fevereiro 4, 2008 at 5:51 pm
A minha produziu um documento crítico sobre o tema, tendo a PCE afirmado que seria enviado ao ME. Como foi mesmo em cima da “interrupção lectiva para corrigir testes, guiões e trabalhos” acabei por não o ler.
Fevereiro 4, 2008 at 6:14 pm
Este pacote legislativo devia entrar para o Guiness, nunca tanta lei foi produzida em tão pouco tempo. De certeza que este produto isctetiano-empresarial é exportável. Venda-se, exporte-se este 3 em 1, avaliação, gestão e estatutos. Pague 3 e leve 2, ao preço de 1.
Fevereiro 4, 2008 at 6:43 pm
A produção legislativa tem como objectivo entreter a malta enquanto “nos tratam da saúde,do Ensino e do País”. É uma estratégia “palha para burro”. E a maioria dos professores ainda não perceberam que é deliberado para os afastar da “lucidez e de lhes fazrem e aos seus alunos o que lhes aprover”. Abram os olhos e tomem posição nas vossas escolas!
Fevereiro 4, 2008 at 9:19 pm
Perante tudo isto, só restava ao Conselho de Escolas que se demitisse em bloco, ou será que temos “adesivo” de boa qualidade?
Fevereiro 4, 2008 at 9:33 pm
Ana Henriques
“Abram os olhos e tomem posição nas vossas escolas”.
Os avaliadores têm a primeira palavra, ou não?! De que me vale a mim recusar-me a fazer o que quer que seja?
Terão que ser os CP e os CE a dar o primeiro passo. Não serão os avaliados a dar o primeiro passo em direcção ao abismo. Penso eu de que.
Fevereiro 4, 2008 at 11:00 pm
Sou do 10º escalão não provida em “tritular” (não estou disléxica, juro, é de propósito). Deixe-se de lamexices e faça algo por si e pelos outros! Sou do 10º escalão, please. Divulgue na sua escola e pelos seus contactos todos! Lute por si e por Todos contra esta canalha!
Fevereiro 4, 2008 at 11:04 pm
Dê-se ao trabalho de influenciar os outros. Lute. Estamos todos no mesmo barco! Ou julga que um “tritular” não está no mesmo barco!? Se julga que não está é estúpida, por que lhe vão fazer a cama mais rapidamente que a si! Lembre-se do ditado “com papas e bolos se enganam os tolos”. Divulgue. E cautela.
Fevereiro 4, 2008 at 11:07 pm
Reli o que escrevi.
Peço desculpa pelo palavrão…estou muito irritada, por estarem a gozar com gente de bem.
Com os professores que nas sociedades civilizadas são acarinhados por todos (…)
Fevereiro 4, 2008 at 11:23 pm
A utilização da chantagem é sinal de que a margem de manobra está esgotada; já não comporta contratempos ao curso linear do plano traçado. É de esperar um incremento de atropelos.
Fevereiro 5, 2008 at 12:24 am
Como diria o grande cantautor catalão, Ovidi Montllor, (abusivamente traduzido por mim):
Sim senhor!
Claro que sim, senhor!
Sim, Senhor!
Tem razão senhor!
Sim, senhor!
Diga, senhor!
Certo, senhor!
É p’ra já, senhor!
Sim, senhor!
Você é um senhor!
Muito bem, senhor!
Que senhor!
Mande, senhor!
Já sabe, senhor!
Ao dispor, senhor!
Sim, senhor!
Re-sim, senhor!
Re-re-sim, senhor!
Não se preocupe, senhor!
Você é um senhor!
Não faz mal, senhor!
Sempre, senhor!
Viva, senhor!
Você é o amo, senhor!
Ás ordens, senhor!
Sim, senhor!
Está contente, senhor?
Já posso ir, senhor?
Obrigado, senhor!
Obrigado, senhor!
Obrigado, senhor!
Fevereiro 5, 2008 at 1:21 am
Cada um sabe da sua escola e sabe de si, bem como aquilo que tem feito para que esta treta páre e seja feita de forma séria.
Como não sabe o que tenho feito, dou-lhe o benefício da dúvida.
De resto mantenho o que disse: nas Escolas, terão que ser os CP e ou os CE a tomar a dianteira e uma posição de força.
Não disse que fossem os titulares, mas os CP. Afinal são esses órgãos que irão dar o primeiro passo na avaliação, e que podem decidir muito mais do que cada um de nós individualmente.
Obediência?? Essa é para rir. Não me conhece nem sabe o que tem acontecido na minha escola. Neste e noutros capítulos.
Mas sempre quero ver se, quem assim fala, se irá recusar a ser avaliado e a não entregar objectivos, assim que o CP tiver tudo prontinho a avançar.
Ou bastará divulgar tomadas de posição de escolas e tentar influenciar os outros?
Fevereiro 5, 2008 at 4:04 am
“Está-se a querer exigir saber o que não é necessário saber para já”
Trata-se de um enunciado que me lembra uma prática comum na Alemanha nazi e que alguns teóricos do totalitarismo consideram sintomática dessa mesma forma de exercer o poder. Nesses tempos era possível ser-se preso por força de leis que não só não eram públicas como, caso um cidadão as conhecesse, incorria também ele num ilícito. Tratava-se de um poder que, deste modo, nenhuma lei, religião ou ideologia podia limitar. Resta-nos a triste esperança de sabermos que o exercício deste tipo de poder acaba inexoravelmente por entrar em roda livre; nem que seja após alguns milhões de mortos.
Fevereiro 5, 2008 at 11:07 am
A definição de esquemas legais inexequíveis tem mesmo um sentido: permitir a instauração da arbitrariedade e passar da participação democrática (em que todos conhecem e compreendem as regras) para o autoritarismo. Assim, sobre o comentário de anona (16), eu diria, parafraseando Paulo Guinote:
Não sei se diga morno.
Mas já não é frio.
Fevereiro 5, 2008 at 2:17 pm
Desde hoje que o CCAP existe.
Linda ironia ter sido oficialmente publicada a legislação em pleno dia de CARNAVAL.
http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/02/02500/0091300915.PDF
Fevereiro 5, 2008 at 2:48 pm
Afinal nem gozam o entrudo, sempre a produzir, sempre a trabalhar.