jma.jpgPara uma pequena colectividade local, a escola, mais que pelas suas capacidades educativas, é valorizada como um instrumento de afirmação face às outras colectividades, um raro benefício de que não se quer prescindir, especialmente quando não são nítidas as vantagens das alternativas. Importa, pois, compreender e respeitar as “resistências” e, também no que têm de manifestação de auto-estima, mobilizá-las como recursos. Dar por encerrada a escola que a progressiva diminuição da quantidade de crianças viera a fechar aos poucos envolve uma carga simbólica de pendor negativo. Recriá-la em novas escolas pode servir dinâmicas positivas de desenvolvimento social.
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De igual modo, as questões da rede escolar não podem ser lidas à luz dos modelos urbanos dominantes, que tendem a fazer da escola rural uma realidade intrinsecamente deficitária, pré-moderna. Cruzando diferentes tipos de “consciência” e de racionalidade, têm-se desenvolvido novas dinâmicas sociais no meio rural. A escola aí situada pode jogar como trunfo a potencial valorização das dimensões não-produtivistas dos processos educativos, de ritmos escolares mais ecológicos e de dimensão equilibrada dos estabelecimentos escolares. Para se desenvolver esse potencial, julgo ser imperioso renovar e recriar as condições infraestruturais do ensino básico nas áreas rurais que sofreram e continuam a sofrer uma forte regressão demográfica.
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A resposta não estará em novas normas gerais como, por hipótese, “agora, vamos começar por encerrar as escolas com menos de 5 alunos”: se há boas condições físicas, o professor está assegurado e, por outro lado, a acessibilidade a locais mais abonados de gente é particularmente gravosa, pode ser razoável que uma escola com três ou quatro alunos permaneça em funcionamento. Mas será difícil continuar a justificar a manutenção de um tão elevado número de situações “excepcionais”!
(José Maria Azevedo, Os Nós da Rede. O problema das escolas primárias em zonas rurais. Porto: Edições Asa, 1996, pp. 152-154, prefácio de Augusto Santos Silva)

Confesso achar provável que, na actualidade, eu concorde mais com as conclusões deste estudo do que o próprio autor. Mas também pode ser que me engane.