Ana Benavente acusa ministra de pôr em causa uma das bandeiras do PS
Ex-secretária de Estado arrasa Educação
Depois das críticas à política de Saúde, é a vez da Educação. Uma ex-secretária de Estado de Guterres e um ex-assessor de Sampaio acham que a ministra está a pôr em causa a escola pública e a gestão democrática.
“Estão a tocar no núcleo duro da escola pública” e a ministra “trata os professores como meros funcionários públicos, sempre sob suspeita”. As declarações são de Ana Benavente, ex-secretária de Estado da Educação dos Governos de António Guterres, que acusa a actual ministra de se fechar ao “debate e travar a participação”.
Esta semana, Ana Benavente e António Nóvoa – ex-assessor para a Educação do então presidente Jorge Sampaio e actual reitor da Universidade de Lisboa – entregaram no Ministério da Educação um abaixo assinado exigindo o prolongamento do período de debate público do novo projecto de gestão das escolas.
Ao Expresso, o secretário de Estado já respondeu que vê “com, dificuldade” qualquer alteração dos prazos já estabelecidos e que encerram a discussão no próximo dia 8.
Como sabem a minha admiração pela obra de Ana Benavente como Secretária de Estado tende para a nulidade, pois foi no seu nicho da «Inovação Educacional» que germinou muito do que desacreditou a Educação na última década.
Que agora surja a contestar abertamente a política educativa já é algo que só posso aplaudir, tanto mais se na sua crítica vier incluída a admissão dos excessos facilitistas do passado, nomeadamente em termos de política disciplinar.
Mas como os tempos estão difíceis, o inimigo do meu inimigo é quase meu amigo.
E de qualquer maneira eu ia comprar o Expresso amanhã…
Fevereiro 1, 2008 at 11:16 pm
A primeira apresentação PowerPoint a que assisti foi durante o estágio, 1986, mais ou menos, precisamente com a Ana B. Foi a “Inovação” da época e parece que está para durar.
Passados vinte anos, parece que está tudo na mesma.
Fevereiro 2, 2008 at 1:16 am
Passados vinte anos, parece que está tudo na mesma, em termos de inovação.
Fevereiro 2, 2008 at 11:09 am
Infelizmente deve-se a esta senhora a grande responsablidade pelo estado a “que isto chegou” enquanto secretária de Estado. E sei bem do que falo. Mas tb estou de acordo com o Paulo. Nesta fase dramática, tudo o que se fizer para denunciar qualquer coisa de louco é bem vindo.
Fevereiro 2, 2008 at 11:11 am
Não tenho grande simpatia por Ana Benavente. Dos três gandes problemas do sistema de ensino português – incivismo endémico, pedagogia delirante, burocracia incontrolável – Ana Benavente tem responsabilidades em pelo menos dois.
Maria de Lurdes Rodrigues arma em cima disto um espectáculo de autoridade, que convence os néscios.
Pois.
É como se alguém escolhesse a pedra mais dura para construir uma casa em cima de um pântano fétido e mole. Não interessa a dureza da pedra, vai-se afundar na mesma. E tanto mais depressa, provavelmente, quanto mais dura e pesada.
Fevereiro 2, 2008 at 11:25 am
Quer-me parecer que partiu da Isabel Guerreiro a primeira ideia de um Manifesto.
Agora parece que há uma revoada deles: o promovido pela Benavente surgiu tardíssimo e está cheio daquela prosa enrolada que tanta urticária me provoca.
Fevereiro 2, 2008 at 11:31 am
Acredito que as declarações da senhora possam provocar algumas patologias psicossomáticas. No entanto, e apesar de tantos tijolos eduqueses lançados nos alicerces da nossa escola nos anos 90, ainda nos travava por “senhores professores” em debates televisivos…
Fevereiro 2, 2008 at 2:10 pm
Se Ana Benavente criou o «incivismo endémico», tal como refere José Luiz Sarmento no comentário 4, então o que dizer desta ministra depois de ler o novo Estatuto do Aluno? Tudo falácias. E ainda a actual senhora tem o desplante de dizer aos papalvos que a autoridade do professor e da escola foi reforçada.
Quanto a Ana Benavente/PS/Maria de Lurdes Rodrigues, é caso para dizer: “elas que são brancas que se entendam”. Mas voltamos ao mesmo, o mesmo partido com a mesma base de apoio partidária, inflecte nos procedimentos e nas estratégias, mas rejeita-se a si próprio e enoja-se com o seu próprio vómito!!! Claro a culpa é e sempre foi dos “professorzecos”!
Cambada de hipócritas.
Fevereiro 2, 2008 at 10:03 pm
Caro Anti-Rousseau:
Ana Benavente não criou nem o incivismo endémico, nem o delírio pedagógico. Assumiu estes vícios do sistema, defendeu-os convictamente, deu a cara por eles, e nesta medida é responsável; mas eles já estavam presentes no sistema e tinham metastizado em todos os seus escaninhos muito antes de ela aparecer em cena.
Por isso não me parece que se possam atribuir as culpas só ao PS. Ao Bloco Central, talvez; e se nos lembrarmos de Roberto Carneiro, talvez também ao defunto CDS; e se o actual PP, ou o PC, ou o BE tivessem alguma vez metido a colherada em política educativa, cheira-me a que as principais diferenças seriam de estilo.
Maria de Lurdes Rodrigues é muito pior do que Ana Benavente. Desde logo porque o que a faz correr é o ódio e o ressentimento, o que não era o caso da outra. Mas mais importante do que isto, porque a «ruptura» que apresenta como bandeira é uma mentira: Maria de Lurdes Rodrigues nunca fez mais do que continuar e aprofundar os vícios que herdou dos seus antecessores. O estatuto do aluno que você menciona é um bom exemplo disto, mas está longe de ser o único.
Com Maria de Lurdes Rodrigues o incivismo no sistema de ensino continua a ser endémico, só que com reforçadas garantias de impunidade para quem o pratica. O delírio pedagógico continua a determinar as «boas» práticas educativas (excepto na medida em que possam custar dinheiro). E a burocracia gigantesca, que se acreditaria não poder crescer mais, aí está com novas e descomunais metástases, pronta a fingir que gere as escolas e que avalia os professores.
De novo, o que trouxe Maria de Lurdes? Uma nova e espúria legitimidade para o pogrom que já lavrava, subterrâneo, contra os professores; uma encenação de autoridade e poder que é na realidade, quase que o juro, papel pintado e esferovite; e uma redistribuição do sistema de ensino que deixe o que não presta para a República e entregue os bons bocados a entidades privadas que os não merecem nem tencionam merecê-los.
Não se iluda, Anti-Rousseau: se Maria de Lurdes Rodrigues fosse do PP agiria aproximadamente da mesma maneira. Não deixaria vir ao de cima, com tanta fequência, o ódio aos intelectuais que lhe ficou dos tempos de extrema-esquerda; mas há também um ódio à inteligência típico da extrema-direita que poderia desempenhar, na mentalidade e nas políticas da senhora, exactamente o mesmo papel.
Fevereiro 2, 2008 at 10:43 pm
Assino por (de)baixo.
Fevereiro 3, 2008 at 6:16 pm
E eu concordo!
Efectivamente é curioso verificar que o PSD nesta matéria está muito caladinho, o CDS idém, o PCP só fala nos direitos dos profesores mas nada diz sobre as causas do descalabro, o Bloco caviar também, salvo algumas excepções.
Uma coisa deverá ser dita: tudo isto é reflexo sim deste modelo de “democracia” truncada de referenciais e de valores.
Muitas vezes já tenho aqui referido que as grandes causas deste sistema de ensino são ideológicas, e claro, agora criou-se a época das “virgens puras e impolutas”. Até parece que nunca foram os mesmos os grandes responsáveis por isto: o “EDUQUÊS” imbecil e as balelas ocas das “CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO”, dos quais todos que passaram pelo ministério e tiveram responsabilidades na educação portuguesa, se emprenharam na cegueira e na prosápia do politicamente correcto.
Luiz Sarmento, a sua análise está cheia de razão!
Fevereiro 3, 2008 at 6:20 pm
Gosto do termo :”delirio pedagógico”!