Carta re-reencaminhada e chegada por mail ao Umbigo através do António Antão:
Boas! Deixo aqui a carta, que pretendo seja bastante esclarecedora, que enviei para vários figuras do meio cultural, político, jornalístico do país. Não me conformo em não fazer nada… isto é muito pouco, nada, atendendo à arrogância da senhora ministra, mas pelo menos, deito-me mais tranquila!
Enviei para o director do Expresso, J.N., Público, para a Inês Pedrosa (para ver se ela abre osolhos e não diz mais asneiras acerca dos profs),para o Pacheco Pereira, para o António Barreto, para o Marcelo, para um jornalista do Sol que um dia me contactou, para o Presidente da República… ainda procuro o mail do Manuel Alegre (que a ele ninguém o cala) e do Sousa Tavares (com o mesmo objectivo da Pedrosa).
Se pensares em mais alguém, avisa. Nunca será demais.
Fátima
Boa noite,
Peço-lhe, por favor, dedique uns minutos à leitura desta missiva, já que é imperioso alertar o país para o estado calamitoso para o qual resvala, irremediavelmente, a Educação em Portugal, caso não se faça nada em contrário. Sou professora e não alimento nem a ilusão nem a pretensão de conseguir mudar muito. Mas V. Excia tem os meios para promover essa mudança.
Vai-me permitir a brutalidade do discurso, mas a situação é gravíssima, muito mais do que transparece tibiamente para o exterior, e este governo incompetente, cínico e prepotente vai conseguir destruir, não apenas o presente, mas, mais gravosamente, o futuro. E não, não estou a ser dramática. Antes estivesse.
1º ponto – Avaliação do desempenho dos professores.
Deve ficar bem claro que os professores querem ser avaliados! Cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública, porque nada no sistema distingue os maus profissionais dos bons! Não queremos é esta avaliação. E não é por capricho. É por ser abusiva, quase que surreal, de tão distante que está do conhecimento objectivo da realidade escolar. É despótica e brutal em todos os âmbitos, desde a planificação à implementação… chegando, neste caso, a ser perigosa. A incompetência e falta de lisura dos senhores que comandam o Ministério da Educação são gritantes e raia o patético. Não só insultam os professores, mas insultam (e é bom que todos se consciencializem disso) todos os portugueses, sempre que tentam passar a imagem de competência e profissionalismo.
Passemos aos factos, que poderá constatar com toda a facilidade (e nem os mencionarei todos, por serem tantos).
É pedido, digo, exigido, às escolas que, num prazo de 20 dias, a contar da data de publicação do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro seja implementado o processo de avaliação dos professores com base em documentos, despachos, grelhas, recomendações que, decorridos quinze dias sobre aquele prazo, não foram tornados públicos:
· Faltam as recomendações do Conselho Científico (”os avaliadores procedem, em cada ano escolar, à recolha, através de instrumentos de registo normalizados, de toda a informação que for considerada relevante para efeitos da avaliação do desempenho. Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores.” – artigo 6º, ponto 1 e 2);
· sem aquelas recomendações, o Conselho Pedagógico não pode elaborar e aprovar os tais “instrumentos de registo”, nem se pode proceder à observação de aulas (artigo 17º);
· o regime da “observação de aulas” raia o absurdo, não porque os professores vejam inconveniente em serem observados (são-no, todos os dias), mas pela violência que representa para o avaliador. Invocando um Decreto Lei que, expressamente, referia que a redução dos departamentos para quatro apenas teria efeitos no concurso para titular (200/2007), o Ministério agora exige o que não é apontado neste despacho 2/2008: a reorganização dos departamentos naqueles quatro, instalando mais confusão num processo já de si tão escabroso e provocando a aglomeração grande número de docentes em cada um desses quatro departamentos. O meu, e do qual fui eleita coordenadora, entenda-se também, “avaliadora” (Departamento de Línguas), tem 31 professores. O das Ciências, por exemplo, tem quarenta e muitos professores. Como é possível que uma pessoa consiga assistir a três aulas por ano lectivo (neste ano, generosamente, apenas serão duas) de 30 professores? Além disso, como é possível acompanhar as planificações das aulas, diárias, desses trinta professores, reunir com cada um, definir objectivos, estratégias e instrumentos? Tudo isto mantendo um horário completo (sim, porque os avaliadores não têm redução alguma da sua componente lectiva, nem tão pouco qualquer alteração no seu salário, nem direito a horas extraordinárias), tendo o dever maior de cumprir com as suas turmas (que, para mim, é o realmente importante! Eu sinto-me responsável pelas minhas cinco turmas do 11º ano!), ao que acresce todo o trabalho burocrático e administrativo do Conselho Pedagógico, onde tenho assento e… as minhas próprias planificações! Sim, porque eu também serei avaliada, duplamente, como professora e como avaliadora! Poderei vir a tornar-me uma competentíssima avaliadora, mas, certamente, me tornarei numa pior professora. E isso é o que mais me angustia, porque eu gosto de dar aulas!
· é certo que no artigo 12º é apontada a possibilidade do coordenador “delegar as suas competências de avaliador noutros professores titulares, em termos a definir por despacho do membro do Governo responsável pela área da educação.”. Está bom de ver que… falta esse despacho.
· O que falta, por parte do Ministério, não se fica por aqui: falta o despacho que aprova as fichas de avaliação (artigo 35º), como falta o despacho relativo às ponderações dos parâmetros de avaliação (nº 2, artigo 20º), como falta o despacho conjunto de estabelecimento de quotas previsto no nº 4 do artigo 21º, como falta a portaria que define os parâmetros classificativos a realizar pela inspecção (nº 4 do artigo 29º), como falta o diploma que rege a avaliação dos membros dos conselhos executivos que não exercem funções lectivas (nº1 do artigo 31º).
· no artigo 8º pode ler-se: 1 — A avaliação do desempenho tem por referência: a) Os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada; b) Os indicadores de medida previamente estabelecidos pelo agrupamento de escolas ou escola não agrupada, nomeadamente quanto ao progresso dos resultados escolares esperados para os alunos e a redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socio-educativo.2 — Pode ainda o agrupamento de escolas ou escola não agrupada, por decisão fixada no respectivo regulamento interno, estabelecer que a avaliação de desempenho tenha também por referência os objectivos fixados no projecto curricular de turma.
Nada disto existia antes de 10 de Janeiro e não se altera o Regulamento Interno de uma Escola nem o seu Projecto Educativo, documentos estruturantes que envolvem a participação de todas a comunidade escolar (pais, professores, funcionários, alunos, autarquia) em 20 dias! A menos que se faça com a mesma rapidez, consistência e respeito pelos envolvidos com que o Ministério da Educação despacha leis.
2º ponto – Postura do Ministério da Educação
Creio que os aspectos já apontados seriam suficientes para traçar o negro perfil dos órgãos responsáveis pela área de educação, mas este Governo colocou a fasquia bem alta, daí que tenhamos notícia de algumas pérolas de… escapam-me já as classificações…. e que passo a enunciar (pelo menos, as que eu conheço pelos meios de comunicação social:
· Há dois dias atrás, a Sra Ministra respondeu aos jornalistas, a propósito do, chamemos-lhe, mal-estar manifestado pelas escolas, com a candura que caracteriza o seu discurso, que estavam reunidas todas as condições para se proceder à avaliação do desempenho e que o Ministério daria todo o apoio necessário (não encontrei a citação exacta).
No dia seguinte, é comunicado, através do site do Dgrhe (http://www.dgrhe.min-edu.pt/), que “a contagem dos prazos definidos no artigo 24º do Decreto Regulamentar 2/2008 iniciar-se-á na data da divulgação na internet das recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores”. Então, não estava tudo a decorrer com normalidade? Até se perdoaria este “lapso” não estivesse o documento eivado de muitas outras arbitrariedades!
· As cerejas no topo do bolo, porque são duas, chegaram hoje com as afirmações do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira: «Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz tendo em conta as recomendações que forem formuladas. Se não forem formuladas…»,
(http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=77274)
Creio que nem será necessário comentar uma declaração deste tipo… diz na lei, mas se não aparecerem as recomendações…
Extrapolando: aqueles despachos em falta… se não aparecerem… as escolas improvisarão, que já vão tendo prática disso.
· A outra cereja prende-se com o tal “Conselho Científico”. Aliás, está prevista para hoje a apresentação das famigeradas “recomendações”. O grotesco desta aparente prova de competência está bem expressa em mais uma afirmação do Sr. Secretário de Estado Adjunto e da Educação, que refere que, estando “em funções há vários meses”, a presidente do Conselho Científico, esta elaborará as recomendações!
(http://dn.sapo.pt/2008/01/25/sociedade/ministerio_improvisa_solucoes_para_r.html)
Se isto não é um insulto a tudo o que são os princípios de um estado democrático, já não sei mais o que pensar!
Ora, lê-se no documento aprovado em Conselho de Ministros que regulamenta o Conselho Científico que “Este órgão consultivo será constituído por um presidente, cinco professores titulares em exercício efectivo de funções na educação pré-escolar ou nos ensinos básico e secundário, cinco individualidades em representação das associações pedagógicas e científicas de professores, sete individualidades de reconhecido mérito no domínio da educação e por três representantes do Conselho de Escolas (http://www.min-edu.pt/np3/1459.html).
· Por fim, o próprio Conselho Nacional de Escolas, criado para trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação, levando para a mesa de trabalho a experiência de quem lida directamente com as escolas e seu funcionamento prático, tem feito várias recomendações às quais o Ministério não dá ouvidos
(http://jn.sapo.pt/2008/01/25/nacional/conselho_escolas_quer_adiar_avaliaca.html).
O que prova que este Conselho foi criado, apenas, para o Ministério poder invocar uma relação de lisura com as escolas que não acontece de todo. Em anexo, colocarei as propostas apresentadas por este Conselho.
3º e último ponto – Qualidade de ensino.
Este é, a meu ver, o aspecto mais terrível desta arquitectura que o Ministério montou. Custa-me, na verdade, acreditar que pessoas de bem ajam com tanta leviandade e desprezo pelo futuro do país e é esta a razão da premência do meu apelo:
- esta torrente de grelhas, recomendações, parâmetros, planificações diárias, instrumentos, registos e afins esgotarão os professores num trabalho inglório e improdutivo, pois não estarão a trabalhar para os alunos, mas para a sua avaliação;
- o mais grave, ainda, gravíssimo! A subordinação da avaliação do desempenho dos professores e a sua progressão na carreira ao sucesso dos alunos (artigo 16º):
5 — Para o efeito da parte final do número anterior o docente apresenta, na ficha de auto -avaliação, os seguintes elementos:
a) Resultados do progresso de cada um dos seus alunos nos anos lectivos em avaliação:
i) Por ano, quando se trate da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico;
ii) Por disciplina, quando se trate dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;
b) A evolução dos resultados dos seus alunos face à evolução média dos resultados:
i) Dos alunos daquele ano de escolaridade ou daquela disciplina naquele agrupamento de escolas ou escola não agrupada;
ii) Dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma no caso de alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário;
c) Resultados dos seus alunos nas provas de avaliação externa, tendo presente a diferença entre as classificações internas e externas.
Tenho a certeza que reconhece de imediato o perigo que isto constitui… nada mais fácil para um professor que “produzir” sucesso. Aliás, estou convicta de que é essa a intenção deste Governo, para assim poder ostentar, com orgulho, as grelhas e os números e o inquestionável sucesso destas medidas… porque os números estão acima de qualquer dúvida!
E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens… aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.
E não olhe com esperança para a alínea c!… a avaliação externa só existe em algumas disciplinas e em alguns níveis de ensino. Como vê… mais um factor de desigualdade entre professores: uns nunca passarão por essa bitola e serão, com toda a certeza, professores de sucesso! E já nem falo do que é subordinar a qualidade do desempenho de um professor à heterogeneidade das turmas que encontra (ambiente familiar e social, motivações pessoais, capacidades cognitivas, enfim, muitos dados em jogo). Eu já tive boas, menos boas e más turmas: será que a minha competência varia tanto?
Peço perdão pela extensão desta carta, mas o problema é por demais sério e, infelizmente, as arbitrariedades são tantas que não as consegui reduzir a menos.
Creia-me, preocupada, mas esperançosa, no poder que a comunicação social exerce sobre a opinião pública. Neste momento, o problema não é só dos professores, é do país inteiro. É uma cidadã, professora e mãe que lhe escreve.
Com elevada estima,
Fátima Inácio Gomes
Professora de Português do quadro da Escola Secundária de Barcelos
Coordenadora do Departamento de Humanidades
Coordenadora do Departamento de Línguas (de acordo com o decreto 200/2007)
Janeiro 30, 2008 at 9:28 pm
Parabéns Fátima!
Estamos contigo.
Paulo e se também enviasses a missiva a José Gil e à Filomena Mónica?
Janeiro 30, 2008 at 9:31 pm
Saí agora de uma reunião de Departamento onde o problema da avaliação foi apresentado e estou por demais esclarecido. O plano é maquiavélico, pede-se o impossível. Quantas horas tem um dia? Pede-se, ou melhor, exige-se o impossível. Querem vermes e não pessoas. Os vermes não pensam.
Janeiro 30, 2008 at 10:09 pm
O Secretariado Nacional da FENPROF, reunido nos dias 28 e 29 de Janeiro, em Lisboa, decidiu:
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS PROFESSORES
1. Propor ao ME o adiamento dos prazos previstos para as escolas para implementação do processo de avaliação do desempenho;
2. Recorrer aos Tribunais para interpor Providências Cautelares no sentido de suspender o processo de avaliação do desempenho em curso, sustentado na duvidosa legalidade dos despachos assinados pelo Secretário de Estado Adjunto e da Educação e divulgados na página do ME em 25/1;
3. Apoiar as escolas na tomada de posição, exigindo o adiamento do processo de avaliação. (A FENPROF recorda que, de acordo com o novo prazo estabelecido, as escolas terão até 25 de Fevereiro para estabelecer os instrumentos internos de avaliação, prazo que se pretende suspender dada a ausência dos instrumentos gerais que seriam da competência do ME ou do Conselho Científico que não constituiu).
DIRECÇÃO E GESTÃO DAS ESCOLAS
1. Entregar, no ME, na reunião prevista para dia 31, às 14.30 horas, o parecer definitivo da FENPROF;
2. Entregar, nessa reunião, o abaixo-assinado promovido pela FENPROF que, em pouco mais de duas semanas, já reuniu mais de 25.000 assinaturas e que se mantém em subscrição;
3. Apoiar a tomada de posição pelas escolas contra o projecto aprovado pelo Governo;
4. Promover iniciativas conjuntas com organizações representativas de pais, estudantes do ensino secundário e pessoal não docente.
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Denunciar, em Conferência de Imprensa conjunta com associações representativas de pessoas deficientes, a nova legislação sobre Educação Especial que atenta contra os princípios fundamentais da escola inclusiva. Esta Conferência de Imprensa deverá realizar-se no Porto, na segunda quinzena de Fevereiro.
O Secretariado Nacional da FENPROF
29/01/2008
Janeiro 30, 2008 at 10:14 pm
Como professora, coordenadora de departamento, “avaliadora” e tudo o mais que se me exige sem que me sejam dadas condições para um exercício digno, subscrevo, apoio e divulgo as palavras da colega. Como cidadã, lamento que tenhamos um governo arrogante, prepotente e indiferente àquilo que, aos olhos de qualquer desprevenido, se afigura como uma tremenda aberração. Não há memória de um tratamento tão aviltante contra os professores!
Janeiro 30, 2008 at 10:20 pm
Hoje disseram-me que há conselhos pedagógicos que se vão recusar a avançar com a avaliação. Sabem de alguma coisa?
Janeiro 30, 2008 at 10:26 pm
A recusa pura e dura não sei.
Agora que há posições que passam por exigir prazos mais alargados parece que há.
Janeiro 30, 2008 at 10:31 pm
Só prazos alargados. Agora recusas não pode haver, o patrão não deixa.
Janeiro 30, 2008 at 10:40 pm
Isto já só se endireita com uma posição de força da parte de todos os professores. Infelizmente, falta-nos uma liderança que não passe por sindicatos (a meu ver, esses já não têm capacidade nenhuma de mobilização)e que proponha medidas de boicote inteligentes e que não passem pelas greves e pelas manifestações. Quanto ao texto da carta, estou de acordo, mas só em parte. A mim, o que me faz tremenda confusão é ser avaliado por pares; e, portanto, o que eu contesto é, desde logo, a filosofia desta avaliação. Por isso, ainda antes de denunciar a inviabilidade do processo como ele está a ser (des)implementado, dever-se-ia, ainda antes, contestar este tipo de avaliação que dá azo a que alguns deslumbrados (sim, eu tenho-os na minha escola) se julgam melhores professores que outros e com capacidades de avaliar os colegas…
Janeiro 30, 2008 at 11:09 pm
Ainda há professores com coragem. Bravo Fátima!
Eu também sou (infelizmente)coordenador de Departamento e já percebi o que espera os Conselhos Pedagógicos – a elaboração de DEZENAS de grelhas que sirvam de suporte às diversas alíneas das várias grelhas que estes pedabobos se lembraram de desencantar apenas para reterem os professores mais novos nos escalões mais baixos! É a altura de transformar a profissão em mais um “Mc job”. Assim, a malta jovem vai ficar em casa dos papás até aos 50, para que os “sinhores” mantenham as reformas milionárias e possam jogar golf e comprar Viagra.
Onde está a rebeldia e irreverência da juventude?! Eu já sou um “cota” mas continuo a recusar viver “comfortably numb”. Os Pink Floyd já não estão a dar, não é?
Ainda não perceberam que tudo isto tudo se resume a dinheiro?! É que quando há dinheiro, a prostituição floresce!
Janeiro 30, 2008 at 11:17 pm
Paulo na próxima reunião espero levar mais quatro que pretendem esclarecer-se. Convida a Fátima.
Janeiro 30, 2008 at 11:21 pm
Quanto ao post: são pessoas como Fátima Inácio Gomes que me dão orgulho de ser português.
PS: out of record
1992 Signatures
…and counting
Janeiro 30, 2008 at 11:41 pm
Seria possível haver uma demissão generalizada de coordenadores? É que vendo bem as coisas eles não foram eleitos no pressuposto de se tornarem avaliadores dos pares que os elegeram.
Janeiro 30, 2008 at 11:45 pm
Sorte tua se foram eleitos. Na maior parte dos sítios foram porque eram os únicos que poderiam ser, querendo ou não.
Janeiro 30, 2008 at 11:49 pm
Era bom saber o que andam os sindicatos a fazer, não era? Onde estão os delegados sindicais? Não os vejo nas escolas! Deve estar muito frio para sairem dos gabinetes…
Janeiro 31, 2008 at 12:29 am
“Deve ficar bem claro que os professores querem ser avaliados! Cansados estamos todos de sermos enxovalhados em praça pública, porque nada no sistema distingue os maus profissionais dos bons! Não queremos é esta avaliação”
Por acaso esse é um fenómeno curioso. Por alguma razão “esta avaliação” nunca parece servir, mesmo quando “esta avaliação” já tenha sido proposta ou executada de tantas maneiras diferentes. O mesmo disse ontem a alguém que eu avalio anualmente e que anualmente me diz “Quero ser avaliado. Não quero é esta avaliação”. Pensando bem, o mesmo penso eu quando anualmente sou avaliado e penso “que avaliação da treta”. Se calhar são as avaliações que têm esta triste sina de serem enjeitadas. Acredito que o problema não está nas avaliações, está nossa incapacidade de viver com elas.
Janeiro 31, 2008 at 12:38 am
Malandrice.
O meu caro MFaces já olhou para as famosas grelhas, multiplicou a coisa por 140.000 e calculou o tempo que aquilo implica a preencher?
A sério.
Eu posso ajudar, se faltar uma máquina de calcular.
E as dúvidas quanto a aspectos concretos incoerentes desta avaliação, como algumas que aqui se têm levantado?
A sério.
Mergulhe lá no processo e depois alvitre-me se aquilo tem ponta por onde se pegue.
Delinear objectivos a dois anos, quando não sabemos o que nos espera no próximo ano lectivo.
A sério.
Janeiro 31, 2008 at 12:53 am
Eu não olhei para as famosas grelhas e pelo aspecto parece ser de fugir. O meu comentário incidiu sobre a natureza de qualquer processo de avaliação.
Janeiro 31, 2008 at 1:03 am
Pois é isso mesmo, amiga Fátima,”O que eu quero é ser professora”, foi nessa convicção que enveredei pela profissão há 30 anos. Avaliadora não, companheira de aprendizagens de jovens a quem tentei transmitir o prazer de aprender para SER. E são, felizmente muitos que me ficaram na memória e hoje vejo serem pais e cidadãos preocupados com o rumo da educação neste país, onde os professores não terão, com a confusão reinante, disponibilidade mental para serem afinal professores.A indignação não tem limites perante tanta arrogância e desvario deste ministério da educação!
Janeiro 31, 2008 at 3:35 am
Com esta frase passei-me,
“E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens… aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.”
Revela pura ignorância
1. Trabalho numa Escola Secundária da cidade do Porto, com 1400 alunos, todos os anos a escola perde pelo menos 100 alunos para escolas privadas, para as tais escolas exigentes.
2. Saem da minha escola com notas de 16/17 no 10.º ano, acabam em Medicina com médias internas de 19.
3. E as Privadas do Porto chamam alunos de muito longe, alguns deles, provavelmente, “roubados” à escola da colega Fátima Inácio Gomes.
4. Já agora saberá esta colega o sucesso académico dos seus ex-alunos(acesso ao ensino superior, etc) estes dados estão disponiveis no programa ENES. Aposto que não sabe.
A colega Fátima Inácio Gomes têm de se esclarecer.
Por último, colega Anona, se me leres, no teu “Liceu” passa-se o mesmo?
Janeiro 31, 2008 at 6:37 am
São 6 e 15 da manhã e fiz um pequeno intervalo das tarefas que ainda tenho de fazer para entrar na escola às 8 e 20. Hoje é o segundo dia em quase 34 anos de carreira ( ontem foi o primeiro) em que preparei aulas no próprio dia. E já fui orientadora de estágio (três anos), coordenadora dos directores de turma (dois mandatos), vogal e vice-presidente de uma escola que tinha, na altura 4000 alunos, delegada de grupo, etc. Nunca me vi tão perdida em papéis! Ontem houve, na minha escola, uma dramática reunião do Conselho de Directores de turma para discutir o Estatuto do Aluno. Com a mudança de regras a meio do ano (não são só os professores que vêem as regras mudadas a meio do campeonato) a legislação em causa vem causar o caos nas escolas. A aplicabilidade da lei sem definição de medidas transitórias vem desencadear nas escolas uma catadupa de papeis, comunicações aos EE, provas de recuperação ( alguém sabe fazer uma prova de recuperação?) , reuniões de CT, etc, etc, etc. Isto em turmas, como é a minha, de 12º ano, com alunos com , no mínimo, 17 anos e que já deveriam ter alguma autonomia!
E ainda não começamos a discutir a avaliação de professores, o novo modelo de gestão das escolas, e o mais que se verá.
Está a faltar-me o tempo para ser professora. E eu só quero ser professora!
Janeiro 31, 2008 at 9:42 am
Sublinho, aprovo e aplaudo o texto da Fátima.
Sou Coordenador de Departamento, 37 anos de serviço, prestes a dar o fora… Mas não quero sair pela porta dos fundos, envergonhado com esta forma como sou tratado.
Que fazer?
Amanhã tenho uma reunião para “eleborar” os tais docuemntos da aval dos profes.. Tenho a avaliação intercalar para fazer, com reuniões de Conselhos de Turma logo a seguir ao carnaval e em horário post-aulas.
Só vejo uma solução: ler uma declaração pessoal que seja um “protesto de zelo”. NÃO ME RECUSO A TRABALHAR. RECUSO, SIM, COLABORAR NUM PROCESSO ILEGAL E SEM CONDIÇÕES DE QUALIDADE! A denúncia feita pela Fenprof (por exemplo), e por muitas outras entidades por esse país fora ajudam-me a não me sentir só.
Depois remeter-me-ei ao silêncio. Um veemente silêncio de protesto!
É pouco? É o que posso!
Estou atónito com a nossa incapacidade para nos levantarmos contra estas enormidades do ME.
As gentes da Anadia já fizeram cair um ministro. Nós limitamo-nos a rosnar pelas salas de profes… Ou a desabafar na blogosfera… que é o que eu estou a fazer!
Vou percebendo cada vez melhor a lógica dos homens-bomba! Desespero…
Janeiro 31, 2008 at 10:53 am
Foi com surpresa que descobri que o meu texto já corre por blogues, com tanto valor como este. A minha intenção foi mesmo esclarecer quem parece estar muito distante da realidade escolar. Mas confesso que também me vou apercebendo que é necessário alertar quem está no campo, os professores. Há muitos que continuam a preferir enfiar a cabeça na areia, fazendo de conta que nada se passa. E outros, que se refugiam no iluminismo arrogante que nos desune.
É o caso do/a colega DA.
Não sei se me espante pela incapacidade de ler um documento, se pela arrogância impertigada que manifesta.
Sou professora do ensino público com MUITO orgulho. As minhas filhas estão no ensino público e NUNCA pensei passá-las para particular (por não ver necessidade)… até agora. Não sei se terá lido bem a conjugação em que usei o verbo: “terá”, “passará”, “garantirá” – falava eu do futuro, INEVITÁVEL, do ensino público se estas medidas forem avante. Ou tem a ilusão de que vao continuar a trabalhar da mesma maneira com o novo Estatuto do Aluno e com a nova Avaliação do Desempenho de Professores? Um sistema absolutamente permissivo para alunos, e controlador dos professores? O que entende do facto de a avaliação dos professores estar dependente da classificação dos alunos? E que este progresso selê num continua, daí que um ano terá de ser melhor que anterior? E que a cota de Muito Bom e Excelente para cada escola, depois desta primeira fase, vai estra dependente dos resultados apresentados pelas escolas?Durante quanto tempo um professor vai suportar ver a sua avaliação comprometida porque continua com uma avaliação séria, mas por isso mesmo não apresenta resultados tão positivos quanto o colega do lado? E quando o director da escola exigir que apresente resultados, porque a escola do lado tem cotas mais elevadas?!?!?!
De quem é a “pura ignorância”?… já não chega termos o Ministério a espezinhar-nos, temos os próprios colegas?! Raios!
Quanto aos restantes colegas, que não quero acabar com amargura… contem comigo!
Janeiro 31, 2008 at 11:02 am
Já agora, para DA ver o que se passa em escolas da ruralidade, como há alunos brilhantes (e por isso lhes quero dar o melhor!)e como eu tenho paixão pelo que faço… e por isso luto com unhas e dentes para preservar a qualidade da escola pública.
http://www.nolimiardaspalavras.blogspot.com
Janeiro 31, 2008 at 11:14 am
A exposição que a Fátima faz na sua carta é clara, claríssima. Muitos entenderam-na e apoiam a corajosa iniciativa.
Janeiro 31, 2008 at 12:33 pm
Já agora… esta carta foi escrita no dia 25 de Janeiro, sexta-feira passada. Às 23.30 são afixadas aquelas recomendações, despachos e grelhas que conhecem. Daí, no dia seguinte, enviei para os mesmos orgãos (entretanto, estendi para bancadas parlamentares e canais televisivos)um “apêndice” que reza assim:
2ª parte:
No seguimento da carta enviada “Quem avalia o Ministério da Educação?” venho apenas dar conta dos últimos desenvolvimentos.
Sem surpresa alguma, o Ministério da Educação teve pressa em “despachar” legislação e recomendações, certamente para poder anunciar na TV que está a desenvolver um grande trabalho e que as escolas, como sempre, não querem fazer a sua parte e levantam problemas e obstáculos.
Como poderá verificar nos documentos que anexo, os despachos são avulsos e afixados no site da Dgrhe para acelerar o processo da avaliação. Como não houve forma de contornar o problema do Conselho Científico, avança-se… mesmo só com um elemento. Atribuiem-se-lhe poderes quase que demiúrgicos: faz o trabalho de todo um conselho e de um dia para o outro. Atente nas datas: o memorando de Conceição Castro Ramos é de 23 de Janeiro, o despacho de Jorge Pedreira de 24 de Janeiro e a 25 de Janeiro já as recomendações estão publicadas!!! http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/orientacoes_do_ccap.pdf
Não admira que essas recomendações tenham mais em conta a “literatura” sobre o tema do que a prática em Portugal. Estes modelos de avaliação têm sido desenvolvidos em Portugal na orientação de estágio dos novos docentes. Eu desenvolvi-os tanto enquanto estagiária como enquanto orientadora. Tinha duas turmas atribuidas, para poder desenvolver esse trabalho. Como realizá-lo com um horário completo?!?! Há muitos professores do ensino básico que têm cerca de duzentos alunos! E o professor avaliador? Como poderá ser avaliador e professor?! É um absurdo inqualificável!!!! Algo tem de ser feito, para bem da sanidade dos professores e do equilibrio das escolas! http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/ccap_recomend_instrum_registo.pdf
Creia-me, com os meus melhores cumprimentos,
Fátima Inácio Gomes
Num desabafo para este blogue… onde anda toda a gente?!?! por que não se ouve falar de nada?!
E já agora… descobri o significado da sigla CCAP – “Conceição Castro, A Poderosa”.
Janeiro 31, 2008 at 1:28 pm
Colega Fátima,
Peço desculpa por ter posto em causa o seu profissionalismo, particularmente a sua dedicação aos alunos. Confesso que logo depois de ter deixado aqui o comentário, fui ao site da sua escola, e vi que a colega para além de coordenadora integra, ou integrou, a Assembleia de Escola.
De resto só comentei o seu texto por causa desta frase,
“E, na verdade, tudo estará podre, sob essa capa de êxito. O sistema público de ensino passará a ser um faz-de-conta, um recinto para entreter os jovens… aqueles que não puderem pagar uma escola privada, que lhes garantirá um ensino exigente.”
Mostrei porque no comentário 19.
Janeiro 31, 2008 at 1:39 pm
Quanto às questões que a colega levanta,
Os meus três filhos em idade escolar também andam no ensino público.
Duvido que esta legislação me afecte, mal de mim se me deixa-se afectar por toda “porcaria” em que a educação nacional é fertil.
Sobre o Estatuto do Aluno, critiquei a sua revisão, que considerei desnecessária e perante aquilo em que o Grupo Parlemtar do PS(sim, a essência das alterações foram do PS e não da pobre da ministra) o tranformou, apelei em vários comentários que aqui fiz ao veto.
Janeiro 31, 2008 at 1:40 pm
Só duas coisas que não têm limites na raça humana: a imaginação e a estupidez.Isto, conjugado com a ganância e o servilismo de gente sem vértebras, faz com que haja sempre quem goste de lamber a mão do dono.
Não sei o que move DA. Pelo nome parece ser mais um adolescente que acha piada às siglas da moda, mas que não faz a mínima ideia do que está a dizer, isso é óbvio.
Pena não termos mais gente como a Fátima! Principalmente nos pseudo sindicatos!
Não sei onde anda toda a gente, mas alguns ainda se preocupam e vão lutando com as poucas armas que têm. Quanto aos outros não se esqueçam:”primeiro levaram os jornalistas, mas eu não era jornalista… agora estão a tocar à minha porta…”
Janeiro 31, 2008 at 1:47 pm
Tem que nos dar a receita milagrosa para que isto não a afecte, cara DA. Se a educação pública é fértil em porcaria, que poção mágica é que arranja para os seus filhos que andam diariamente no meio dessa porcaria. Ande lá, diga-nos qual é o segredo! Ajude estes pobres e ignorantes! Obrigado!
Janeiro 31, 2008 at 1:57 pm
Caro Luis,
O DA são as inicias do meu 1.º e último nomes Daniel A…
DONO, qual dono, os professores têm dono? Eu até sou favorável à extinção do ME, enquanto existir vamos andar sempre com a mesma conversa… hoje a avaliação, ontem o ECD, anteontem os concursos, amanhã de novo os concursos, sempre assim, mais tralha menos tralha será sempre assim….
Eu que sou critico do centralismo que rege a educação nacional.
Qual a poção mágica?
O profissionalismo dos professores dos meus filhos!
Janeiro 31, 2008 at 2:08 pm
Com estas políticas, onde será que vai parar este país?!
Ando preocupado!
Abraço!
Janeiro 31, 2008 at 2:12 pm
Caro DA,
Sim, alguns professores e outros”agentes” têm dono! O arrivismo, a ganância e o egoísmo trauliteiro pululam por aí (basta ver o presidente da Confederação de Pais).
Concordo em absoluto com à extinção do ME e com a regionalização a sério.O problema é que esta devia ser uma luta de pais, professores e alunos. Será inteligente que os pais e os alunos pensem que por conseguirem médias de 19 ou 20 e entrarem em Medicina, o futuro será risonho e recheado de mansões e Jaguares? Acha que a promoção maquiavélica do sucesso artificial de uma geração de analfabetos funcionais nos vai levar a algum lado.
Fico feliz pela sorte (sim, não é mais do que sorte!) que os seus filhos têm com os professores que lhes tocaram. Acha que vai ser sempre assim? É que há bons e maus em todo o lado, em todas as profissões.
Janeiro 31, 2008 at 2:23 pm
Permite-me que te envie os meus parabéns pelo texto publicado. Creio que são estes testemunhos que podem fazer a diferença, na medida em que criticam de uma forma séria as tomadas de decisão dos nossos governantes; para além disso, estes contributos desenvolvem, segundo creio, um sentido generalizado que temos que tomar posições firmes e determinadas.
A minha solidariedade,
Janeiro 31, 2008 at 2:34 pm
Obrigada ao DA pela atenção da resposta. Esta coisa das visitas apressadas a blogues dá, por vezes, em tresleituras.
O caso é precisamente este: tranquiliza-o o profissionalismo dos professores dos seus filhos. A mim também. Isso nunca esteve em causa, por isso o nosso ensino público tem valor. Que bemn estaria o país se os incompetentes só existissem nesta classe.
A questão é que todos esses bons professores vão ser pressionados pelos números, pelas percentagens, pelas cotas, pelo director que fará a gestão desta empresa em função. Não haverá “bom professor” que resista. “Bom” professor passará a ser aquele que apresente “bons” resultados… independentemente do conhecimento dos alunos. Ou não é o que se passa nas privadas que o colega mesmo citou?!
Mas, as privadas, e já começo a conhecer algumas, com um sistema público degradado, vão começar a receber mais e mais pedidos… e vão começar a escolher. Daí a uma efectiva qualidade é um passo. Olhe para alguns países. O problema é que aí, só entra quem p$de… e lá se foi o doce sonho socialista de antanho!
@ Obrigada, Luís, pela combatividade!
Janeiro 31, 2008 at 2:40 pm
Sobre o ME e a verdadeira descentralização na educação, o parecer da Associação Nacional de Professores, é bastante interessante.
http://www.anprofessores.pt/portal/user/documentos/PARECER_GESTAO_ANP.pdf
“Será inteligente que os pais e os alunos pensem que por conseguirem médias de 19 ou 20 e entrarem em Medicina, o futuro será risonho e recheado de mansões e Jaguares? Acha que a promoção maquiavélica do sucesso artificial de uma geração de analfabetos funcionais nos vai levar a algum lado.”
Não, mas infelizmente, vivemos a era dos rankings, do mercado, da liberdade de escolha, da privatização, etc.
Quantos aos professores tem razão, mas o meu filho que está no 6.ºano, estão na turma A. Os outros estão na primária, onde é tudo mais calmo.
Janeiro 31, 2008 at 2:46 pm
“Quantos aos professores tem razão, mas o meu filho que está no 6.ºano, estão na turma A. Os outros estão na primária, onde é tudo mais calmo.”
Agora quem se espanta sou eu!!! Então na “sua” escola é norma (para o dizer com tanta naturalidade)criar turmas de elite, no caso a A, onde há garantia de ter bons professores (para mim, são-nos todos,salvo excepções)????? E na primária é tudo “mais calmo”????? Tens consciência com os problemas que o 1º ciclo se debate?!?!?! Céus!!! Em que mundo vive?
Janeiro 31, 2008 at 2:59 pm
Pois é! É preciso arranjar local para os resíduos… mas não no meu quintal, certo?!
Caro DA, parabéns! É bom fazer parte da elite.É por essas e por outras que tudo isto se reume a dinheiro. Vou ter que repetir mais uma vez: prostituição houve sempre, o que vai faltando é o dinheiro. Como tenho que manter o meu trabalho para alimentar os meus filhos e pagar as minhas contas, todos os meus clientes, perdão, alunos, vão ter um serviço de excelência e classificações a condizer. E desde já proponho o alargamento da classificação máxima até aos 30. Vão ver se algum prostíbulo privado nos vai roubar os nossos clientes, perdão outra vez, ALUNOS!
Janeiro 31, 2008 at 3:05 pm
Deixem lá o DA sossegado. Querem tornar este blog numa suave pastagem de consenso? Há malta como eu que pratica por aqui um contraditório (espero eu) construtivo. No dia em que o umbigo se transformar numa pastegem de consenso, assim do tipo sindicalista, a bater sem piedade nos decretos e alineas e indignidades várias… nesse dia vou mas é pastar para outras pastagens.
E ao DA: há nos blogs uma regra não escrita que convém não violar. Pedir desculpas. Estraga tudo, argumentação incluída. A desculpa só funciona cara a cara. Num blog só se justifica mesmo quando se vai para o insulto e mesmo nesses casos o melhor é nem escrever mais nada…
Janeiro 31, 2008 at 3:17 pm
Como professora de 5 turmas,DT de uma delas, coordenadora de departamento, presidente do CP, avaliadora, porque titular em comissão de serviço, apesar de não ter tido vaga no sorteio anani-ananão, vulgo 1º concurso para professor titular, mesmo com 144 pontos ( questão que eu nem coloco porque sou totalmente contra a existência de duas carreiras quando as funções são as mesmas) subscrevo, integralmente , tudo o que a nossa colega escreveu.
Por favor não brinquem mais cononsco!
Janeiro 31, 2008 at 3:19 pm
Queria dizer connosco.
Janeiro 31, 2008 at 3:21 pm
Não pode haver descupas quado não há maldade. É preciso, penso eu, olharmos para nós próprios e termos a coragem de chamar “os bois pelos nomes”.
Eu sou professor há 24 anos e pai há 18. Se houver algo que possa cá deixar quando for para o outro lado (desculpem os eufemismos), então que seja um pequeno contributo para um futuro feliz das pessoas com quem privei. Foi para isso que escolhi (não fui forçado ou desesperado) ser professor e pai.
Não é possível esquecer quem são os principais atingidos por esta maluqueira pseudo-legislativa – todos nós!Aquilo que se pretende promover é um neo-liberalismo desumano á custa dos mais novos. Eu até já estou no topo da carreira, para quê incomodar-me? Não! Enquanto tiver força hei-de lutar. Alguma coisa há-de adiantar. Não quero legar às próximas gerações um futuro de alienação e precaridade hedonista para que eu possa ter COISAS!Os mais velhos deste país são, regra geral, muito maus seres humanos. Acabarão no monte sem sequer terem direito à metade do cobertor!
Janeiro 31, 2008 at 5:24 pm
Fátima:
Que mais posso dizer que não tenha já sido dito por muitos dos participantes? Que continue a expressar-se e a não desistir de encontrar algum eco na sociedade portuguesa! Que muitos outros e em número crescente sigam o exemplo! Parabéns!
Janeiro 31, 2008 at 6:25 pm
Bem… só o alento que sinto da vossa parte já me “arrebita” um pouco! Não convivo tranquilamente com o despotismo… ando enojada. Sinto-me doente.
Relendo o que a Fenprof propõe… não há adiamento possível. É revogação total e partir para um trabalho sério, verdadeiramente participado.
Como professora de português já passei por esta alienação, à conta da Tlebs. Agora, quatro anos depois de desgaste e escândalo, estão a fazer o que devia ter sido feito logo de início!
Aliás, não devemos lutar apenas contra esta espécie de avaliação… agora que os ânimos estão mais quentes, devemos exigir que, de uma vez, todos os partidos se sentem à mesa e discutam uma reforma séria, consensual, alargada a questão da Educação! Já chega! BASTA!
Janeiro 31, 2008 at 7:11 pm
Na sua e-página,http://www.fne.pt/, FNE acusa a ministra da educação de ter cometido uma ilegalidade ao aprovar um despacho onde “engloba” o subsídio de refeição dos professores no estrangeiro no seu salário mensal.(!!!)
E, subservientemente, qual voz do dono,remete-nos, sem qualquer comentário, passivamente, para as a extraordinárias “Fichas e prazos para a avaliação de desempenho dos docentes”. E pronto! Tudo vai bem no reino da Dinamarca, para estes clientes do sistema.
A Fenprof, mais combativa,denuncia num lacónico comunicado que na “Avaliação do Desempenho dos Docentes: ME rege-se pela lei do “desenrasca”!”, diz que vai interpor providências cautelares contra o processo e pronto também! A missão está cumprida.
Acho que temos de recorrer ao presidente da câmara de Anadia.
Janeiro 31, 2008 at 7:14 pm
Queria eu dizer Tudo vai bem no reino da Dinamarca, além do problema grave que acontece com o subsídio de refeição dos professores no estrangeiro, é claro!
Janeiro 31, 2008 at 8:29 pm
Parabéns Fátima pela carta. E já agora como vou ter que falar e acompanhar a avaliação dos meus 200 alunos, espero que a nossa MINISTRA possa fazer o mesmo com os seus professorzecos, com cada um, é claro!
Janeiro 31, 2008 at 9:42 pm
Fazem falta nos gabinetes do Ministério muitas Fátimas que tal como esta colega tem o discernimento, a lucidez, a correcção, a certeza, a competência, a credibilidade, a cientificidade de quem conhece a realidade nua, crua e dura da situação em que estamos. Parece-me que estamos todos à espera… mas de quê?…Fátima…escusado será dizer que estou totalmente de acordo consigo. Não refuto uma única afirmação que fez pois subscrevo -as. E se falamos aqui de profs… para além de o ser (licenciado em ensino de… professor por vocação)também sou encarregado de educação de quatro adolescentes e deixe-me dizer-lhe DA que nnc fizeram parte de uma “turma A”.
Embora o meu filho mais velho esteja actualmente com média para seguir na àrea da medicina nunca o fará porque não se sente vocaccionado e nunca o pressionei no sentido de o ser. Vejo jovens actualmente a viverem em ansiedade, porque a família “empurra-os” para voos altos. Um dia destes até vamos ter médicos ansiosos, que não sabem porque são médicos, a tratarem professores que sofrem de ansiedade, porque quiseram ser professores e não tiveram tempo para o ser.
Janeiro 31, 2008 at 10:36 pm
Direito à indignação! Vamos levar para os nossos locais de trabalho mensagens que expressem aquilo que pensamos: T- shirts, faixas, banners, panfletos, tudo o que possa tornar visível esta barbaridade. Vamos escrever para todo o lado. Alguma coisa há-de passar. Pelo menos não seremos os amorfos do costume! Pela minha parte amanhã vou mandar imprimir uma mensagem numa peça de roupa que usarei sempre que estiver na escola.
Janeiro 31, 2008 at 10:51 pm
Ah Luís, que é um valente!!! É isso mesmo! o facto é que andamos todos envergonhados, cabisbaixos, enxovalhados por uma opnião pública desinformada. Há que levantar a cabeça e ir à luta. Vejo os noticiários e nada! Continua tudo como os três macacos!
@Colega, agradeço-lhe as palavras. Dir-lhe-ia que não mereço tanto, se acaso estar no Ministério da Educação fosse sinónimo de mérito!
A sua última frase é de antologia! É esta a sociedade que TODOS estamos a construir!
Fevereiro 1, 2008 at 12:21 am
Ei que escândalo, será que não se pode ser sincero.
Vivem em que Pais, pergunto eu?
Então não é prática corrente, a existência de turmas de nivel, embora encapotadas, nas nossas escolas.
Não sou eu que faço as turmas nem escolho a do meu filho, é a PCE.
Quanto à primária referi-me à realidade que conheço, a escola dos meus filhos:
http://www.eb1-porto-n17.rcts.pt/
Ou acham que as elites se formam tendo como colegas de carteira os ciganos, futuros gangsters e os mestres do mau comportamento?
Eu que andei no 6.º e 7.º anos em turmas de repetentes(84/85 e 85/86), bem sei os danos que isso causou no meu percurso escolar. Vá lá que me consegui endireitar no Secundário.
Fevereiro 1, 2008 at 12:29 am
Quando falei de problemas nas EB1, não falei de alunos… nem de professores. Mais uma vez, o problema não está aí, Daniel A.
“Turmas de nível”?!?!… nível básico e secundário, no caso da minha escola.
Vou fazer como aconselha o ManyFaces… é melhor não ir mais longe, que aqui a ideia é prestigiar o ensino público.
Fevereiro 1, 2008 at 12:56 am
Completamente de acordo com a excelente carta e da iniciativa de a divulgar.
Mote comum aos comentários quero ser professor, dar aulas, trabalhar com os alunos, fazer o que realmente interessa….
Subscrevo inteiramente o Comentário 21 – “Só vejo uma solução: ler uma declaração pessoal que seja um “protesto de zelo”. NÃO ME RECUSO A TRABALHAR. RECUSO, SIM, COLABORAR NUM PROCESSO ILEGAL E SEM CONDIÇÕES DE QUALIDADE!”
Ando há meses a dizer isto mesmo – nós deveriamos fazer um “protesto de zelo” DAR APENAS AS NOSSAS AULAS E ACTIVIDADES RELACINADAS COM OS NOSSOS ALUNOS e RECUSARMO-NOS A COLABORAR E APLICAR ESTAS ORQUESTRAÇÔES LEGISLATIVAS DE LEGALIDADE DUVIDOSA.
1º Ninguém, nos poderia acusar de estar a prejudicar os alunos. Fazemos o que nos compete e o que nós sempre quisemos fazer como verdadeiros Professores (com letra maiúscula e sem zecos).
2º comprometiamos irremediavelmente todo o processo que, desmintam-me se ando a ver mal, depende de nós.
Eu alinho imediatamente.
Fevereiro 1, 2008 at 1:06 am
Obrigada Fatima…é nestas alturas que me dá vontade de citar B.Brecht “Há homens que lutam um dia e são bons.Há os que lutam um ano e são melhores.Há aquelesque lutam alguns anos e são muito bons.Porém, há os que lutam toda a vida esses são os imprescindíveis…”
Obrigada mesmo
Fevereiro 1, 2008 at 1:19 am
Eu é que agradeço as palavras, Lídia… comoveu-me.
Elsie (e,lá atrás, o Joaquim) – estamos em sintonia! Penso exactamente o mesmo. Basta de greves e manifestações inóquas. Damos aulas e preparamos os alunos… o resto, recusamos, até que os políticos (TODOS) comecem a pensar a Educação com a seriedade que se impõe para um país com futuro.
Fevereiro 1, 2008 at 1:29 am
Triste estava, mais triste fiquei depois de ler a tua carta. Vou imprimi-la e divulgá-la no meu micro cosmos escolar. Sempre me manifstei disponível para contribuir para a melhoria do ensino no nosso país. Hoje, mais do que nunca (desde 74) considero necessária a luta contra este estado de coisas. faço a minha parte e estou aqui, disponível para, em conjunto com os meus pares, lutar.
Obrigado pelo teu contributo Fátima. vamos mudar isto !
Fevereiro 1, 2008 at 1:52 am
Já agora… lá acima (54), deve ler-se “inócuas”!… ai o efeito MINED!…
Fevereiro 1, 2008 at 8:59 am
O comentário 51 de Fátima Gomes borrou a pintura.
É por estas e por outras que os Anti-Muridae e outros apoiantes da actual política do ME têm alguma razão do seu lado.
Então a revelação das “más práticas” realizadas no Ensino Público devem ser ocultadas ???
Porquê ???
Afinal a “Ética Republicana” parece estar a tomar conta da sociedade portuguesa, sobrepondo a legalidade à ética, confundindo prestígio com propaganda, com a consequente desvalorização das denúncias de corrupção moral e favorecimento de algumas práticas menos recomendáveis, quando não mesmo condenáveis.
A exigência, como não se cansa de repetir o PG, também deve ser dirigida para o interior da classe docente, sem medo de mostrar o que está mal e sem o branqueamento de certas práticas “caciquistas” no interior das escolas.
Fevereiro 1, 2008 at 11:58 am
“O comentário 51 de Fátima Gomes borrou a pintura.”
Pronto, também convém de vez em quando,de outro modo seria uma chatice, h5n1.
Mas não retiro nada ao que disse. Creio que não é o momento para estramos a lembrar os incompetentes!… Que sejam avaliados, sejamos avaliados, mas não num sistema opressivo para os professores e aniquilador da qualidade de ensino! Neste momento, isso é o que interessa. Aqui já não está em causa, apenas, o quintal dos professores…
De todo o modo, recuso-me a ser refém de uma avaliação mesquinha, que visa “controlar” os incompetentes. Não concorda comigo?
Fevereiro 1, 2008 at 2:56 pm
[...] Educação – Quem Escreve Assim Não é Adesivo(a) Ou Que Bela Prosa Que Chega de Barcelos [...]
Fevereiro 3, 2008 at 12:10 pm
Já agora… a Fenprof teve conhecimento da minha carta através deste blogue. Pediram-me autorização para a publicarem. Apesar de não ser sindicalizada, aceite, obviamente: tudo pela causa em causa!
Continuo a acreditar que, se mais gente, escrever,se mais blogues como este existirem, se não baixarmos os braços, acabaremos por ultrapassar esta surdez colectiva e incompreensível!
Os sindicatos poderiam era começar a ligar para as escolas, perguntando que pedagógicos tomaram posições semelhantes às que foram comunicadas por aqui… a desunião é que nos torna fracos (apesar de tantos falarem de um “corporativismo” que não consegui perceber onde se enconde… ainda não o vi em acção!) – quando se começar a saber que há um movimento crescente nesse sentido, muitos mais encontrarão a coragem para o fazer!
Fevereiro 4, 2008 at 5:00 pm
Como orientação central da sua filosofia educativa para assegurar a “qualidade de ensino”, o ME condiciona a avaliação do desempenho dos professores ao sucesso escolar dos educandos. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conclui facilmente do efeito perverso desta política. A curto prazo poderá melhorar rapidamente os índices de literacia, mas a longo prazo acentua o nivelamento por baixo.
Gostaria de observar que se cansam os professores a fazer planificações, registos e toda a espécie de trabalho improdutivo, tendo como exclusiva finalidade a sua própria avaliação, como refere Fátima Inácio Gomes:
* Esta torrente de grelhas, recomendações, parâmetros, planificações diárias, instrumentos, registos e afins esgotarão os professores num trabalho inglório e improdutivo, pois não estarão a trabalhar para os alunos, mas para a sua avaliação.
Entretanto, o que seria importante, colocar os professores a produzir materiais adequados aos seus alunos, não faz parte das grelhas! Que avaliação é esta?
Porque não aproveita o ME a oportunidade para pedir aos professores que coloquem online os recursos para uma unidade lectiva? E também seria necessário abandonar a filosofia do secretismo – actualmente cada vez que se visita um Moodle só dá para ler os títulos, porque todos os pretensos conteúdos se encontram “protegidos” por password – para a da partilha livre e aberta. Isso seria fazer trabalho de professor, adaptado às novas exigências tecnológicas, e ainda mais, seria mudar uma cultura profissional no sentido certo: impor a partilha e o diálogo no trabalho com os colegas.
A Ministra não tem qualquer respeito pelos “professorzecos”, mas não tem coragem para enfrentar os lobbys das Editoras, cujo negócio não poderá ser beliscado.
Pois é! Lá ficava o negócio das editoras abalado
Fevereiro 7, 2008 at 1:30 am
Concordo com o que foi referido pela Fátima e é pena que não exista uma Ordem dos Professores que tal como a Ordem dos Médicos nos pudesse mobilizar a todos contra o autismo que o governo tem manifestado sempre que confrontado com ideias e/ou propostas dos professores. O governo tem passado a ideia de abertura e diálogo para branquear junto à opinião pública a sua verdadeira posição no que concerne ao ensino em Portugal em que o essencial é economizar muitos “euros” ao Estado e ao mesmo tempo garantir sucesso educativo global com carácter de urgência….
Bom já me alarguei no desabafo mas devo admitir que cada vez estou mais triste com a rapidez com que somos avaliados em praça pública…
Continuem colegas pode ser que façamos a diferença…