Quem é interessado pela História Contemporânea de Portugal reconhece certamente a designação dada há coisa de 100 anos a todos aqueles que, nunca tendo criticado a Monarquia ou defendido a República, após o 5 de Outubro se apressaram a aderir ao novo regime a jurar-lhe fé.

Em termos populares conhecemo-los por vira-casacas.

Há de dois géneros: os puros e duros que rapidamente renegam o que antes defendiam e se prestam a servir qualquer novo senhor que se imponha, julgando assim cair nos seus favores. E há os levezinhos, mais envergonhados, que são os que legitimam de forma compreensiva a viradela dos anteriores, apressando-se a fugir de qualquer posição que possa trazer mais problemas.

Nos dias que correm encontramos os primeiros por detrás dos portátéles já a fazer ou a retocar grelhas de avaliação, afirmando que «isto já não tem remédio, mais vale não levantarmos mais problemas», enquanto sugerem que é melhor os colegas irem preparando os objectivos individuais dos seus 150 ou 180 alunos; quanto aos segundos já estão a preencher as ditas grelhas, justificando-se com o nº tal do artigo xis do decreto tal, aquele que quase certamente não leram.